Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Música

por Rei Bacalhau, em 06.10.13

 

Quando eu tinha um perfil no Facebook eu tinha o costume quase sádico de partilhar uma música todas as semanas com os meus "amigos". Isto normalmente não é problema... No entanto, era raro partilhar algo sem que estivesse acompanhado de um texto enormíssimo ou a contar pormenores da música ou a transmitir uma infantilidade qualquer. Os meus "amigos" ficavam a bufar obviamente, porque se tu, leitor, nunca tiveste uma conta no Facebook não saberás que a interface de utilização não está exactamente pronta para textos muito grandes. Existe um botão a dizer "ver mais..." ou algo do género, e quem cometesse o erro de o carregar ficava com a página inundada com tantos caracteres que daria para fazer canja de galinha virtual. Só imaginar a reacção das pessoas era o suficiente para me dar satisfação por algum tempo. Ocasionalmente acontecia ter alguém a insultar-me presencialmente pelo tamanho desses textos.

 

Eram bons tempos...

 

Deixei de precisar de um Facebook, suspendi-o e nunca mais tive maneira de irritar alguém com este método. Bom, já que agora estou a escrever de novo mais vale aproveitar e chatear a Internet por este meio. Mas vou começar devagarinho.

 

Para começar esta temporada de músicas sugiro John Miles, com o seu único original pelo qual é conhecido: "Music".

 

É óbvio que a escolha não é aleatória. Se houve alguma coisa que eu tenha realmente amado na minha vida terá sido a Música desde que lhe fui introduzido, há uns 6 anos e tal. É supreendente que as pessoas (adultas, claro, tudo abaixo de adulto não é pessoa) sejam tão pouco exigentes no que conta à música que ouvem no dia-a-dia. É CLARO que são gostos subjectivos, não há nada que se possa fazer. Se alguém aprendeu a gostar do Iran Costa e o considere o maior artista de sempre, lá terá o seu direito. Mas repara, querido leitor, que acredito que ainda aí estejas na tua inesgotável paciência, que a ordem de comparação é igual à que se tem quando se fala de frango.

 

Eu explico:

 

Uma pessoa pode ir ao Continente e comprar um frango assado. Estes frangos são assados em massa, qual Inquisição Ornitológica, com o único propósito de saciar as multidões que impiedosamente os esperam. A pessoa chega a casa e repartilha, em princípio, o frango com a sua família. Podem juntar umas batatas fritas de pacote eventualmente e uns refrigerantes. No final a família estará satisfeita, ou melhor dizendo, a sua necessidade primária de ingerir alimento estará ultrapassada por um tempo.

 

Mas ingerir alimento é muito diferente de comer bem. Para se comer bem é necessário muito mais. Tempo, ingredientes, habilidade, etc. Tempo, arranja-se. Ingredientes, pode ser mais difícil, mas com incentivo certo, arranjam-se.

 

Habilidade... é muito mais complicado. Aposto que no final da refeição referida atrás, o miudinho, o mais pequeno de todos pensa: "O quanto eu não gostaria dum galo do campo feito pela avó!"

 

Eis o busílis da questão: a avó. A avó dedicou tempo a crescer um frango desde pequenino, acabado de nascer. A avó dedicou tempo a depenar o galo velhinho, acabado de morrer. A avó dedicou tempo e ingredientes naturais para transformar a visão horrífica de um galináceo destripado num daqueles manjares que se tem uma vez na vida, com sorte. A avó, em todos os passos injectou amor na sua criação! Vá, excepto talvez quando matou o galo... ele poderá não ter gostado muito.

 

É essa a diferença, o amor. CLARO, pode-se pôr o rádio numa estação qualquer dessas horríveis que por aí existem. As canções abafam eventualmente o barulho de fundo do motor. Mas não nos enchem. Não nos satisfazem. Não nos saciam. Não têm amor. São feitas para e pelo dinheiro.

 

Eu não acredito que o John Miles tenha composto e organizado esta música relativamente complexa só pelo dinheiro. É claro que um artista tem de comer, evidentemente. Mas...

 

Vejam o vídeo. Digam se não sentem o amor que um artista colocou na sua criação. Se não sentirem, aconselho a ligarem as colunas ou a verificarem se não têm o computador sem som.

 

Um bem haja às avós da Música!

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 22:22


1 comentário

De José da Xã a 07.10.2013 às 00:05

Teria dado anos da minha vida para ter assistido a este espectáculo.

Dificilmente alguém conseguirá descrever a música de forma tão pungente.

Um "must" da música. A par de Yestarday dos The Beatles uma das melhores músicas do século passado.

Comentar post




calendário

Outubro 2013

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D