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Música: Supernaut

por Rei Bacalhau, em 26.01.14

Eu nem sei do que é que esta música trata. Sei sim que foi criada numa altura em que os Black Sabbath atingiam o seu pico criativo máximo. Coincidentalmente ou não, também era a altura em que mais drogas tomavam. Talvez por isso eles tenham criado um álbum tão estranho como o Volume 4. Tem o estilo do costume, com rock muito pesado e negro e tal. MAS, de repente, uma balada aqui, uma instrumental acústica ali e, com maior relevância que o resto, Supernaut, para mim umas das grandes músicas do heavy metal, com um trabalho instrumental fantástico por parte de todos, mas com muito maior foco para Bill Ward (já sabem como gosto dos bateristas).

 

Esta música dá-me uma sensação tão diferente do que é o conceito de Música. É algo maleável, dinâmico, caótico. Como é que se passa de uma rockalhada total para um solo breve de bateria para um interlúdio que mais parece música popular brasileira que outra coisa? Se foi preciso que os Black Sabbath acabassem com o stock de cocaína nos EUA para fazerem este álbum, fica pendente o pensamento que alguns artistas nos dias de hoje bem podiam precisar dumas doses.

 

Supernaut, do magnífico Volume 4, dos Black Sabbath:

 

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publicado às 12:00


Música: Suicide?

por Rei Bacalhau, em 19.01.14

Calma, não se assustem com o título.

 

Eu acho que os Barclay James Harvest não são muito conhecidos. A própria rádio Nostalgia, da qual sou fã, toca muito poucas vezes temas deles. Ok, tudo bem, eles têm um nome impossível de dizer de seguida sem nos enganarmos, mas isso não devia ser razão. Os BJH são uma banda que roça às vezes o pop, outras vezes o rock normal, outras vezes o psicadélico, e isso permite inferir que é mesmo uma daquelas bandas à anos 70.

 

A verdade é que algumas das músicas deles dão que pensar. Falemos desta que apresento hoje. A música chama-se "Suicide?" e não é em vão que lá está um ponto de interrogação. A letra da música é bastante deprimente e tem alguns versos particularmente esmagadores. Imaginem lá um indivíduo, que por perder a amada decide matar-se. É uma decisão errada, claro, e enormemente exagerada, mas a condição humana tem destas coisas, enfim. Acontece que, quando ele se põe no topo de um edifício e a multidão o nota, existe uma voz a gritar:

 

"Don't jump! Please, for God's sake, let me move my car!"

 

A situação é bastante risível. Quase que parece que ainda estão a gozar com o gajo que se vai suicidar. Acho que faria o mesmo, já que tenho algum nojo a suicidas, mas pronto, cada um sabe de si. Na verdade não faz sentido nenhum pôr um objecto nosso em risco por causa da idiotice de outro.

 

A estória termina com uma grande dúvida, logo existente no título. O indivíduo sente uma mão no ombro, ouve alguém a dizer "Just in time!", como quem o vai salvar. No entanto, acontece o contrário e ele acaba por ser empurrado para o passeio uma boa quantidade de metros lá em baixo. Daí o ponto de interrogação no título.

 

É óbvio que é tudo uma metáfora. Da mesma maneira que quando uma pessoa se sente o mais miserável possível, seja por que razão for, pode existir alguém que subitamente a salve do abismo melancólico que os humanos se inserem, também pode, por outro lado, acontecer que alguém dê o "empurrão" final para o desespero se apoderar dela. Enfim, como já disse, os humanos têm destas coisas...

 

Gostaria de fazer notar que a música tem uma parte no final que é o "passeio" derradeiro do nosso personagem, o que inclui o momento quando é empurrado. Ouvir os gritos chocados da multidão surpresa e aquele som grave mesmo no final pode mesmo assim ser de arrepiar a espinha, provando que os BJH não se poupavam a pormenores.

 

Ora portanto, têm aqui Barclay James Harvest, com o magnifíco tema: Suicide?

 

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publicado às 12:00


Música: Soul Sacrifice

por Rei Bacalhau, em 12.01.14

Considerando as raízes dos rock, não seria de admirar que alguém tentasse fundir o rock puro com outros instrumentos menos convencionais. Quer dizer, isso hoje ainda é verdade, porque hoje há muita fusão de umas coisas com outras. No entanto, nos finais dos anos 60, quando o rock progressivo a sério começou a tomar forma, fugindo da música dançável e convergindo para música para se ouvir quietinho, é que se viram bandas a fazer reais obras primas, facilmente comparáveis a orquestras clássicas (que estão no topo absoluto de qualidade musical claro).

 

Imaginem lá então que um mexicano, que supostamente se deveria interessar mais por ritmos latinos, pegou numa guitarra para ser roqueiro e fundou uma banda mítica com o nome dele: Santana. A banda não durou muitos anos, mas produziu músicas fantásticas, na minha opinião.

 

Umas delas é um verdadeiro tributo às raízes do rock de que falei há pouco, nomeadamente um antepassado longíquo que é a música africana. Notem bem o som da guitarra, expectável considerando que é o Carlos Santana, mas também, principalmente, toda aquela percussão maluca no fundo e até um solo breve de bateria.

 

Woodstock deve ter sido cá uma coisa... é pena que os hippies estivessem todos demasiado drogados para verdadeiramente apreciarem o que estava a ser tocado. Quer dizer, não é que fossem os únicos, já que aparentemente neste vídeo que vou mostrar até o Santana estava sobre o efeito de LSD. Tudo bem, o que interessa é o que se ouve e não o que se vê.

 

Este vídeo não é para pessoas que não saibam o que foi Woodstock. Tem algumas pessoas "estranhas". Não se admirem. Se quiserem nem vejam o vídeo, mas pelo menos ouçam este Soul Sacrifice, dos Santana:

 

 

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publicado às 10:13


Especial: Irmãos Marx

por Rei Bacalhau, em 05.01.14

Sim, até na comédia sou um retrógrado. Mas perdoem os meus defeitos. Se mostram a uma criança desde pequenina certo determinado tipo de coisas podem esperar que isso as vá influenciar. Quando eu era miúdo mostravam-me, ainda em cassete, os filmes mais ou menos bem gravados dos Irmãos Marx, que tiveram o pico da carreira na indústria cinematográfica, nos anos 30. Antes disso eram famosos apenas pelos espectáculos de estilo vaudeville (que imagino que deveriam ser imperdíveis também). Eles eram 5 irmãos, mas 4 é que eram famosos e só três é que entraram em filmes. Infelizmente só conheço estes últimos, exactamente pelo facto que já disse.

 

Seria injusto se não dissesse que devo grande parte da construção do humor que usava dantes a estes três senhores: Groucho, Chico e Harpo Marx. Aliás, inicialmente o humor que mais me marcou foi o de Harpo, pois era muito mais físico e imitável por uma criança. Obviamente isto levava a que as pessoas me achassem maluco quando tentava replicar as caretas que ele fazia. Só comecei realmente a entrar no espírito dos outros dois quando comecei a aprender inglês (a sério) na adolescência, pois finalmente percebia o que eles diziam. As traduções nem sempre são fiéis aos trocadilhos geniais, aparentemente espontâneos, que eles faziam.

 

Não consigo dizer que hoje ainda é esse o caso, excepto na maneira como às vezes "insulto" as pessoas à maneira de Groucho, mas nunca com um millésimo do impacto cortante que ele aplicava.

 

E depois há a música, também apenas progressivamente compreendida à medida que fui crescendo. Os irmãos tinham todos um jeito para a música, mas mais famosos pelos instrumentos eram o Chico e o Harpo, que faziam questão de incluir um pequeno segmento deles a tocar nos seus filmes. Vou fazer uma pequena apresentação breve para dar uma amostra do génio subjectivo destes gigantes da comédia.

 

Comecemos com Groucho. Expressão sempre exagerada baseada num bigode e sombracelhas pintadas com graxa e um charuto. Um prelúdio, talvez, para preparar os seus interlocutores para o seu sarcasmo agudo.

Nunca o vi a ter um segmento dele a tocar um instrumento, mas uma das músicas e cenas mais famosas dos Irmãos é no filme "A Day at the Circus", com Lydia, The Tattoed Lady. Até os Marretas fizeram uma versão desta música. Gosto tanto da música que em sua honra propus chamar a uma pickup velhinha que tivemos de Lídia (se bem que no caso dessa carrinha, ela estava apenas tatuada de riscos e amolgadelas). Existem vídeos de Groucho a cantar esta música já muito velho, algures no anos 80, se calhar, não tenho a certeza agora. No entanto, gostaria de mostrar-vos a versão original:

 

 

Mas o Groucho era muito mais que isto. Como já referi, o verdadeiro talento dele era a espontaneidade com que insultava toda a gente directa ou indirectamente através de frases que nunca podem ser consideradas cliché, pois eram sempre únicas e específicas à situação. Reparem nesta próxima cena como Groucho fica mais ou menos como som de fundo a comentar o caos ocorrente. É extremamente difícil apanhar todas as piadas à primeira porque está tanto a acontecer e o vídeo não tem legendas, mas isso também só vos dá uma razão para ver uma segunda vez esta pérola da Comédia, do mítico filme "A Night at the Opera".

 

A seguir temos Chico, um insaciável caçador de miúdas e vigarista no geral, mas com a moral para fazer a acção certa quando é necessário. É o amigo eterno de Harpo, com o qual tem cenas fantásticas e serve de ligação principal entre Groucho e Harpo nos vários filmes. O seu instrumento de preferência: o piano, que durante uns minutinhos de filme nos impressionava com a destreza musical e física com que tocava (um dos seus movimentos que mais gosto é de certeza a maneira como ele punha a mão em forma de pistola e "disparava" contra a tecla). Ora vejam este interlúdio musical de "A Day at the Races":

 

 

 Mas ele brilhava a sério quando tinha os seus momentos com Groucho, especialmente quando um estava a tentar enrolar o outro num estratagema qualquer. Para mim, um dos melhores exemplos será no mesmo filme que o vídeo anterior, complementado com o humor de Groucho. Felizmente este filme tem legendas, porque poderá ser difícil compreender o que o Chico diz devido ao seu sotaque exagerado.

 

Resta Harpo. A sua melhor característica é que ele é mudo. Aliás, faz-se de mudo. Reza a lenda que quando faziam vaudeville um crítico qualquer disse algo sobre a voz de Harpo e ele decidiu nunca mais falar em actuações. Isto implicou que a voz de Harpo ficasse como um dos segredos mais bem guardados da História da Humanidade. Mas ainda bem, porque ele foi assim obrigado a fazer quase exclusivamente comédia física, como mostro neste vídeo que alguém do Youtube fez (ignorem as palermices escritas pelo autor, concentrem-se no vídeo).

 

 

Repararam? É provável que já tenham percebido como é que Harpo arranjou o seu nome. O seu instrumento de escolha era a harpa, que ele aprendeu a tocar sozinho. Era nestes momentos que ele se tornava um mágico absoluto, uma criatura como não se vê na Terra há muito tempo. Notem como no segmento da harpa ele transita do seu estado divertido e infantil para o mais sereno sério. É uma transformação brutal que pode dar arrepios, especialmente para quem está habituado a vê-lo actuar duma maneira completamente oposta durante o resto do filme.

 

Acho que este artista, no verdadeiro e profundo sentido da palavra, merece especial relevo hoje, e por isso deixo-vos mais uma vez com Harpo Marx:

 

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