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Música: We Rock

por Rei Bacalhau, em 29.06.14

Um dos símbolos mais importantes do heavy metal nos dias de hoje é um gesto feito com a mão, pondo os dedos na forma de cornos. Algo do género:

 

\m/

 

Este é o sinal de Dio, um dos grandes vocalistas de metal, tendo passado por inúmeras bandas, nomeadamente os Black Sabbath, os Rainbow e a sua própria banda, simplesmente Dio. Claro que a sociedade vai imediatamente associar este tipo de gestos aos Diabos e esses palermas todos, quando na verdade era apenas um gesto para agradar às multidões. Aparentemente era um gesto feito pela avó de Dio para afastar o Mal ou uma treta assim.

 

O problema é que o gesto passou a ser usado em todo o lado, e ainda hoje em concertos de bandas que não compreendem o significado do gesto.

 

Seja como for, a utilização geral do gesto deverá ser sempre o mesmo que o título desta música:

 

We Rock, dos Dio.

 

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publicado às 11:54


Música: Misirlou

por Rei Bacalhau, em 22.06.14

Misirlou é provavelmente a música mais antiga que alguma vez mencionei aqui. As primeiras versões conhecidas foram algures em 1927, lá para as Turquias e Grécias. Com as fortes influências árabes, poderão pensar que não é o tipo de música que normalmente eu ouviria. Por outro lado, a primeira vez que ouvi falar desta música não foi pela versão original, que apresento:

 

 

 Existe um filme que começa com um casal de namorados a conversar nu daqueles cafés americanos. Depois de um tempo, trocam umas carícias e põem-se a assaltar o café. 

 

Começa o Pulp Fiction, do Tarantino, exactamente com a versão muito mais conhecida (e completamente diferente em termos de estilo) de Dick Dale, de 1962. Para comemorar o início do Verão, pareceu-me uma música adequada.

 

Dick Dale, com a instrumental Misirlou:

 

Já agora, na altura ainda haviam pessoas chamadas Dick.

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publicado às 22:44


Sebastianismo, futebol e relógios!

por José da Xã, em 20.06.14

A mui velha e bacoca ideia sebastianista de que basta uma pessoa para resolver os problemas do nosso país, está tão entranhada em nós que já faz parte da nossa génese.

Nos últimos 400 anos de história lusa, fomos sempre acreditando nas diferentes trovas dos Bandarras que nos têm enganado. Ai como nós gostamos de ser enganados…

O nosso futebol não foge a esta malfadada crença. Quando tudo está por um fio, prestes a desabar, eis que surge alguém que nos coloca noutro patamar. Em 66, no Mundial de Inglaterra, foi Eusébio que deu a volta ao jogo com a Coreia. Nos anos 90 num europeu Britânico foi Luis Figo que iniciou a reviravolta de 2 a zero, para 3 a dois, contra a selecção da Velha Albion. Recentemente no último Play-off para o Mundial do Brasil, Cristiano Ronaldo derrotou quase sozinho, uma Suécia fria e calculista. Já para não falar do golo solitário do Carlos Manuel contra a Alemanha (deixem-me sonhar, lembram-se?) ou o de Raul Meireles contra a Bósnia, recentemente.

É com base nestes exemplos que há quem (ainda!) acredite que Portugal pode apurar-se para a fase seguinte. Uma jogada de mestre, um remate extraordinário, um toque sublime, enfim um final feliz. E regressamos então ao mesmo fado e à ideia primeira de que basta um só homem para fazer a diferença.

Não sou diferente dos demais portugueses. Também eu quero crer que a nossa selecção vai chegar mais longe na prova, que ora decorre em terras de Vera Cruz. Todavia tenho a perfeita consciência que a missão difícil, mas não de todo impossível, tem de ser assumida por todos os intervenientes. Desde os treinadores aos atletas passados pelos dirigentes e restante pessoal, todos devem perceber que um nome não ganha jogos. Mas todos juntos. Todos!

No fim de contas qualquer equipa é como um mecanismo de um relógio. Há uma peça que dá a corda, mas todas as outras têm a sua função. E sem uma delas, por mais pequena que seja o aparelho ficará perfeitamente descontrolado.

No futebol, como na vida, as vitórias geralmente só sorriem a quem mais trabalhou para elas…

 

 

Pode ler-se também aqui

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publicado às 20:44


As desvantagens de se ser um especialista

por Rei Bacalhau, em 20.06.14

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publicado às 08:55


Música: Bye Bye Love

por Rei Bacalhau, em 15.06.14

Os Everly Brothers tiveram algum sucesso nos anos 50-60 com várias canções. Não sei muito sobre eles musicalmente, para além das músicas mais famosas.

 

Bye Bye Love, dos Everly Brothers:

 

Este tipo de músicas atrai o interesse de versões de outras bandas. No caso de hoje, falo de Simon e Garfunkel. Era bastante directo fazer esta versão, considerando que ambas as bandas são duplas. 

 

Ora portanto, Bye Bye Love, versão ao vivo de Simon and Garfunkel:

 

 

 Já estão fartos da música? Que tal outra vez a mesma coisa com os quatro ao mesmo tempo!?

 

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publicado às 18:18


IX

por Rei Bacalhau, em 11.06.14

O início da adolescência de João foi marcada quase exclusivamente pela sua escola básica. Era um ambiente bastante diferente da escola primária. Para já, existia um muito maior número de alunos, maior parte deles muito maiores que ele. Depois, pela proximidade a um bairro de barracas, a população da escola era predominantemente preta. Haviam também um conjunto de disciplinas que João nunca havia tido, e que o iriam influenciar.

 

O número maior de alunos numa escola primária proporcionaria em princípio apenas um maior número de quedas e colisões entre alunos que jogavam à apanhada. Na escola básica tal não acontecia. Não se jogava à apanhada ali nem a nenhum outro jogo infantil. Os alunos pensavam-se ingenuamente já como homens e passavam muito depressa essa percepção aos alunos mais novos, troçando-os pelas suas brincadeiras. Crianças, sendo o que são, rapidamente se adaptavam para serem o que coloquialmente chamavam de "fixes". As hormonas que invadiam lentamente os corpos dos rapazes infantes e delinquentes tinham o seu efeito nas aulas, fazendo os alunos irrequietos, para desespero da professoras. As raparigas eram por norma mais calmas. E depois havia João. 

 

No seu estado submisso de sempre, João manteve a atitude que o acompanhava constantemente. Nunca chegava atrasado, prestava atenção nas aulas e, quando conseguia, tinha relativamente boas notas nos testes e avaliações no geral. Para muitos professores, era o menino de ouro, pelo menos em termos comportamentais. Felizmente, isso não implicava que fosse odiado pelos colegas, já que João nunca deixou de ser social. Antes pelo contrário na verdade!

 

Algumas das grandes amizades que João formou mantiveram-se muito tempo, e João valorizava especialmente os amigos pretos que ele tinha, pois ensinaram-lhe algo que os brancos nem sempre podiam. Sendo rapazes e raparigas de contextos mais pobres, estes pretos ensinaram-lhe o conceito de humildade, de viver a vida tão bem com tão pouco. Obviamente maior parte deles acabaram por se meter em sarilhos quando precisaram de roubar ou para sobreviver ou para se provarem aos seus pares. No entanto, João na altura não sabia que isso aconteceria e ficou apenas com as boas memórias destas pessoas.

 

Contudo, nem tudo eram rosas. João não estava habituado a falhar em nada do que lhe era proposto. Quando pela primeira vez teve aulas de Educação Física, notou que ficava sempre atrás em quase todas as actividades dessas aulas. Pudera!, estava habituado apenas a ter de usar a cabeça para o seu dia-a-dia, nunca se tendo preocupado desde pequeno em melhorar algumas dessas capacidades físicas. Inevitavelmente, as notas que tinha à tal disciplina de Educação Física eram sempre apenas acima da negativa. Pela falta de jeito generalizada, acabava por ser o último a ser escolhido para as equipas, fosse de que desporto fosse, excepção feita caso começassem por escolher o guarda redes. Isto contribuiu para que as capacidades sub-desenvolvidas de João se mantivessem no mesmo estado indefinidamente, já que nunca tinha hipótese de treinar a sério. Era um ciclo vicioso, do qual nunca conseguiu sair.

 

Por causa disto, por vezes Jansénio, o Bom, ficava cansado e Jeremias, o Feio, brotava do seu covil psicológico, lançando João para estados de derrota e amargura. Questionava a sua capacidade como ser humano normal. Ingenuamente perguntava-se porque é que todos os outros conseguiam jogar bem à bola, sendo ele a única excepção. Jansénio era forte mesmo assim, e rapidamente se levantava e lidava com Jeremias e arrumava-o no sítio devido, não deixando esse tipo de ideias desenvolver-se! 

 

Quando Jansénio não estava atento, no entanto, Jeremias via-se por vezes ao espelho. Olhava com nojo a figura humana esquelética com que se deparava. E isto entristecia-o.

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publicado às 20:17


Música: Long Train Runnin'

por Rei Bacalhau, em 08.06.14

Não faço ideia porque é que o ritmo desta música tão atraído por ela. Há tanta coisa a acontecer ao mesmo tempo que não sei ao que prestar atenção.

 

Doobie Brothers, com Long Train Runnin':

 

 

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publicado às 12:11


VIII

por Rei Bacalhau, em 07.06.14

Que criança alegre, energética,  e cheia de potencial era João!

 

Já tinha a sua rotina decorada: de manhã acordava, cedo, para ir para a escola. No início ainda o levavam à mão mas com o aproximar do final da escola primária isso deixou de ser necessário.

 

Chegava então cedo à escola, sempre a tempo e horas! Sentia-se mal ao ver os seus colegas a levarem um raspanete da professora por chegarem atrasados. Se dependesse dele, iria sempre garantir que isso não lhe aconteceria. Fosse por talento natural ou por algum tipo de preparação prévia, era facto que João se distinguia acima de grande parte dos seus colegas de turma. Aprendeu a desenhar cuidadosamente os símbolos do abecedário, tendo em atenção as curvas detalhadas de cada letra. Provou ter alguma capacidade artística, por muito básica que fosse, quando a professora colocou em exposição um dos seus trabalhos de plasticina. Articulava algo nervosamente as sílabas das palavras quando lhe mandavam ler uma frase e tentava proferi-las com a melhor dicção que lhe era possível. No recreios era criativo com as brincadeiras com os seus colegas, inclusive inventando ele próprios novas maneiras de jogar um jogo, como adicionar uma nova regra ao jogo normal da apanhada. Contudo, não se pode dizer que fosse o mestre do recreio, ou pelo menos não como o era dentro da sala de aula. A sua estatura magra dava-lhe a vantagem de conseguir correr mais que muitos, mas estava longe de o fazer invencível nesse tipo de jogos infantis.

 

Ah, que bons tempos!

 

Felizmente o sistema de ensino não mantia os alunos na escola o dia inteiro, e João tinha as tardes para gozar livremente. Vinham-no buscar, almoçava em casa e depois iria entreter-se com os seus brinquedos. Era verdade, no entanto, que por vezes ele tinha os mal-afamados trabalhos de casa que ele achava sempre tão desnecessários. Mal sabia ele...

 

De vez em quando haviam brincadeiras na rua e lá ia João timidamente juntar-se a elas. O treino intensivo dos recreios na escola provava nessas ocasiões ser eficaz nalguns dos jogos, excepto naqueles que envolviam algum objecto que tinha de ser manipulado, nomeadamente a forma básica de futebol que se jogava. Mas ao menos corria, e isso na altura era suficiente.

 

A infância de João teve mais uma componente muito importante no seu desenvolvimento: a religião. Era de noite e levaram João a um sítio que lhe parecia familiar. De facto já havia passado ali algumas vezes, quando levavam familiares à missa. Era a capela da paróquia local. João foi introduzido formalmente ao Catolicismo no mesmo ano em que entrou na escola primária e portanto este encontro inicial não foi muito diferente do da escola, mudando apenas os colegas novos que teria naquele contexto. Já ter ouvido falar muito de Deus. As suas avós especialmente avisavam-no quando cometia alguma patifaria que Deus não gostava dessas acções. Uma das suas avós inclusivé falavam-lhe de um sítio horrível onde se sofria muito, que era o Inferno. João TINHA, por consequência, de ser uma boa pessoa. A catequese ensinava-lhe mais ou menos o mesmo mas de uma forma mais suave. João só ouviu falar deste Inferno na catequese muito depois. Inicialmente, na catequese ensinavam-lhe quem era Jesus Cristo e Deus e todas as figuras importantes da religião. João era uma criança que sabia que os adultos tinham uma muito melhor compreensão de tudo no mundo, e por isso assimilou todos os dogmas que lhe eram proferidos, sem questionar. Isso contribuiu enormemente para que João se tornasse uma pessoa inerentemente Boa, prestável, amiga, simpática e alegre.

 

Nas suas brincadeiras à tarde era normal João ir para o quintal. Passava longos minutos a observar os insectos nas suas árduas tarefas de sobrevivência. Poderia pacientemente seguir um caracol durante muito tempo e, sentindo pena por demorar tanto tempo a chegar a qualquer sítio, colocava-o ao pé das couves para o ajudar a encontrar comida. Aliás, não o fazia apenas para caracóis. Todos os insectos estavam sujeitos a serem subitamente transportados para uma fonte de potencial comida, pelo menos segundo o entendimento de João. Gostava muito de fazer festas a cães e gatos, se bem que às vezes tinha um bocado de medo dos cães maiores.

 

 

João era uma criança feliz! 

 

 

Contudo, o mundo não estava feito para pessoas com estas características. João viria a descobrir e sofrer com este facto.

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publicado às 19:00


Música: Doctor Doctor

por Rei Bacalhau, em 01.06.14

Descobri recentemente, através das recomendações do Youtube, uma banda dos anos 70 que já tinha ouvido falar, mas da qual não conhecia nenhum tema a sério. É um exemplo excelente de como aqueles anos estavam realmente cheios de artistas com bastante talento. Falo da banda UFO. Na verdade, tendo sido criada nos anos 70 já não é bem uma banda da primeira geração de heavy metal, e também situa-se muito antes da segunda geração, no princípio dos anos 80. É portanto uma banda de transição, como foram os Queen, por exemplo.

 

Em específico, interessei-me e acabei por ouvir o álbum deles de 1974, de nome Phenomenon. Não é um fenómeno musical, mas são mesmo assim uns excelentes minutos de rockalhadas míticas, como seria de esperar de uma banda de rock a sério. Têm lá uma musicazinha muito engraçada e agradável de se ouvir que tem mesmo aspecto de ter sido usada como um slow em muitas festas de adolescentes com as hormonas aos saltos.

 

Aliás, apresento-a já. Lipstick Traces, dos UFO:

 

 

 

 Poderia agora apresentar uma música rock deles a sério, mas vou-me manter no pop ainda. A música que me permitiu encontrar esta banda e este álbum foi uma versão dos Iron Maiden da própria. Deste mesmo álbum a música é Doctor Doctor. É óbvio que prefiro a versão dos Iron Maiden, mesmo que o vocalista não seja o Bruce Dickinson (é o Blaze Bailey, e sinceramente não acho que seja um mau substituto do Bruce). No entanto, a versão original tem todo o mérito também. Ouçam por vós próprios:

 

Doctor Doctor, dos UFO:

 

 

VS

 

Doctor Doctor, dos Iron Maiden:

 

 

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publicado às 00:00



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