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Música: Ária na corda Sol

por Rei Bacalhau, em 26.04.15

Por Johann Sebastian Bach:

 

 

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publicado às 21:30


Liberdade Objectiva

por Rei Bacalhau, em 25.04.15

O som inesperado de explosões secas desperta-me a atenção. Corro intrigado para a janela. Um pequeno espectáculo de fogo de artifício ilumina um bairro qualquer lá no fundo. As cores vibram, tímidas inicialmente, mas lançam-se numa dança frenética à medida que o espectáculo atinge o clímax, com os maiores foguetes a irradiar orgasmicamente luz, cor e som na noite relativamente nublada.

"Ah, é o 25 de Abril, é verdade..."

 

Note-se a indiferença que um jovem-adulto (se eu ainda me puder chamar isso) dá a um evento que tão desesperadamente celebra a Liberdade. Nós, os jovens, não compreendemos. Não podemos.

Não vivemos a época, nem um dos quarenta e tal anos sob regime ditatorial. Não fomos ensinados que certas coisas não se podem dizer, senão o "maior português de sempre" (votado pelos portugueses, hem?) iria fazer-nos mal.

Isto parecerá blasfemo para todos os mais velhos, que sentirão punhaladas metafóricas ao ouvir um jovem dizer que não se interessa particularmente pelo dia tão simbólico como o 25 de Abril. Compreendo perfeitamente a vossa posição. 

Deveras, as minhas sinceras desculpas.

 

"Deverias era ter estado lá na altura, monte de merda! És a representação de tudo o que está mal no país. A PIDE deveria apanhar-te e dar-te porrrrada!" 

Ênfase nos érres na palavra "porrada".

 

Aceito perfeitamente esse tipo de comentários ou pensamentos. É normal, é histórico, é humano, é subjectivo. Só recentemente é que tive uma nova perspectiva que poderá explicar porque é que se considera que o 25 de Abril é o feriado mais importante de Portugal neste momento, claramente.

Dizia eu então que recentemente li um livro do falecido José Hermano Saraiva: História Concisa de Portugal, ou algo do género. Foi publicado algures no meio dos anos 80, pelo menos a edição que eu tenho. Concisamente, portanto, explicou-me a nossa história cheia de guerras, intrigas e incompetências. Daria quase para uma série de televisão. Na sua análise, nota-se que o Zé tem uma visão que me parece profundamente objectiva sobre os acontecimentos passados, com as informações que sobreviveram aos séculos. Se alguma coisa for lenda, ele fá-lo notar e tenta não tirar daí conclusão final nenhuma, apenas indícios frágeis de algum ponto da nossa história.

A pormenorização manteve-se até ao Estado Novo. Aí, ele despachou o assunto nalgumas poucas páginas. A desculpa dele? Irei transcrevê-la o melhor que puder, dos dois finalíssimos parágrafos do livro referido:

"Em 25 de Abril de 1974, um movimento das forças armadas derrubou o regime e marcou o início da Terceira República. No período que se seguiu consumaram-se decisões e opções que implicam necessariamente modificações irreversíveis no processo histórico português. Em relação a esses factos não existe ainda a distância focal indispensável para a formação da imagem histórica. Estamos dentro deles. Quaisquer interpretações e valorações são necessariamente políticas, mesmo quando aspirem a ser objectivas e independentes.

É pois uma história que só mais tarde poderá ser escrita."

 

Estaremos hoje ainda dentro dos acontecimentos? Já haverá a tal distância? Eu diria que talvez, mas é trabalho para os historiadores mais novos, nunca para os mais velhos. Há demasiadas lembranças, boas ou más, que poderiam corromper a fiabilidade do trabalho histórico.

 

O quão igualmente blasfemo não seria para um português na segunda metade do século XVII se eles soubessem que ousámos retirar o dia 1 de Dezembro como feriado nacional? (não me enganei pois não? esse foi um dos que já se foi, certo?)

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publicado às 00:48


Música: Rosanna

por Rei Bacalhau, em 19.04.15

Há umas semanas foi noticiada a morte do Percy Sledge. Claro que eu só conhecia uma música dele, mas não deixou de me despertar a atenção.

Estou amaldiçoado.

Como apreciador de música dos "tempos antigos" (leia-se, anos 70, mais ou menos) estou sobre constante dúvida sobre qual será o próximo músico a morrer do que se pode chamar de causas naturais.

Reparem, não estou a falar de mortes à estrela de rock, ou da infame morte aos 27. Não estou a falar de Jim Morrison, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jason Bonham, etc. etc.. Estou a falar de casos como Lou Reed, Jon Lord, Joe Cocker, Percy Sledge... Todos estes morreram uma morte de mortal comum.. câncros, falhas de orgãos, e tal. Imortais musicais reduzidos a meros humanos. Estou amaldiçoado a vê-los todos morrer, em princípio, e para a maior parte nunca terei tido a oportunidade de os ver ao vivo.

Qual será o dia em que haverá uma notícia com o seguinte cabeçalho: "Morreu o último grande artista dos anos 60!" ? A música produzida ficará imortalizada na história da Humanidade, mas sabemos que daquele género específico como aquele artista específico fez nunca mais teremos nada parecido. Porque se era grande, também seria único, digo eu.

 

Recentemente apanhei uma surpresa desagradável no Wikipédia. Já não me lembro como, saltou-me a atenção a morte de Mike Porcaro. Estranhei, porque ainda há pouco tempo tinha feito pesquisas semelhantes e não notei nada na altura. Morreu há cerca de um mês, a 15 de Março aparentemente. Tudo bem que poderá não ter sido tão noticiado, ele era "apenas" o baixista dos Toto (aliás, os irmãos Porcaro tiveram sempre grande representação na banda; contudo, dos 3 que chegaram a lá estar, só sobrevive um neste momento.. aliás, vou verificar na Wikipédia a confirmar se entretanto não morreu... não, ok, o Steve Porcaro ainda está connosco). (outro facto interessante: Joe Porcaro, pai dos irmãos Porcaro, ainda está vivo)

Morreu de uma esclerose lateral amiopó.. anio.. amioimiotrótró.. vão ao Wikipédia e vejam, não consigo escrever.

Enfim, era isto que queria dizer. Terei sempre o risco de apanhar estas notícias inesperadas de bons músicos que vão caindo como tordos ao longo dos anos. A minha aposta? Se fosse pela idade eu diria talvez que os próximos a ir serão ou o Chuck Berry ou o B.B. King, dos que conheço. 

 

In memoriam e tal, latim fica sempre bem, deixo-vos com uma interpretação ao vivo de Rosanna, dos Toto, ainda com Mike Porcaro a tocar:

 

 

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publicado às 19:43


Música: Superstition

por Rei Bacalhau, em 05.04.15

Tenho vindo a aprender a apreciar o Stevie Wonder, musicalmente. Ele, sozinho, conseguiu abrir a minha mente para o funk, e poderei estar pronto a explorar esse estilo musical no futuro.

De dia para dia vou aprendendo músicas interpretadas por artistas e venho a descobrir que o original foi do Stevie Wonder, e muitas vezes acabo por gostar mais da versão deste.

Exemplo: no outro dia, num bar, começou a tocar uma música rock, que todos à minha volta pareciam conhecer. E lá estava eu na minha ignorância. Perguntei então se era suposto eu conhecer, perguntando a um amigo se a música é "do meu tempo", como eu lhe chamo. Ele respondeu afirmativamente. Então pedi que não me dissessem nada, para eu conseguir descobrir sozinho a música (dá-me pica fazê-lo, e posso descobrir outras músicas durante a pesquisa, o que de facto aconteceu).

A música que ouvi era Higher Ground, tocada pelos Red Hot Chili Peppers (ok, por alguma razão não consegui encontrá-la tão facilmente, já que a música é de 89, que já é mais ou menos no extremo da minha cronologia musical, ou seja, não é exactamente "do meu tempo").

Obviamente que descobri a versão original de Stevie Wonder em primeiro, apesar de admitir que a dos Red Hot Chili Peppers integra bem o ritmo rock na música.

Higher Ground, em primeiro de Stevie Wonder, e de seguida dos Red Hot Chili Peppers.

 

 

Outro exemplo, já que estamos no assunto.

Certa noite, voltava eu para casa, estradas relativamente vazias, mas mesmo assim ia devagarinho, sem pressa. Nisto começa uma voz masculina a cantar uma balada no rádio. Não conhecia, e mais uma vez começou a aventura de descobrir quem era. Confesso, pareceu-me inicialmente que era o Sinatra, mas havia algo de diferente na voz. No entanto, de facto Frank Sinatra canta essa música: For Once in My Life. Mas o bicho manteve-se, porque o estilo que ouvi não era igual ao da aclamada Voz. Felizmente que continuei à procura, pois encontrei mais duas versões da música. A primeira, a que de facto havia ouvido na rádio, de Tony Bennett. A segunda, pouco surpreendentemente, de Stevie Wonder. Contudo, a música foi composta por uns tais Ron Miller e Orlando Murden. Não deixa de ser relevante que a qualidade da música talvez se possa medir pela quantidade de artistas de estilos diferentes que a tocaram/cantaram, como mostro de seguida.

Tony Bennett, Frank Sinatra e Stevie Wonder, com For Once in My Life:

 

Estou um bocadinho farto de bater no ceguinho, e como isso deverá dar azar, se calhar acabo com uma última homenagem a este fantástico músico (ou se não o for, pelo menos engana bem).

Superstition, do Stevie Wonder:

 

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publicado às 00:00



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