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A Guerra - Parte 1: War Pigs

por Rei Bacalhau, em 15.01.17

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- Estamos então combinados, não é verdade, meus senhores?
- Creio que sim.
- Assim é.
- Deveras.
- Recapitulemos, nestas coisas nunca é demais.

- Pois bem, a 1 de Dezembro de 2015, de hoje a uma semana, à 1:30, os aviões partirão em direcção à capital. Nesse preciso instante cada um de nós liderará o seu exército. Tu entras pelo Norte e tens como objetivos principais estes pontos estratégicos aqui. Para este aqui é melhor usar os regimentos de montanha. Não vais ter suporte operacional, não se espera grande resistência aqui. Tu penetras pelo Sudeste e partes a todo vapor para os poços de petróleo. Tendo em conta a importância da tua missão, vais ter a grande parte das divisões motorizadas e blindadas. Vais ter todo o apoio possível, não em prevenção contra o exército deles, mas contra uma possível acção policial por parte de outra superpotência. Tu, preparas a acção anfíbia pela costa nestas praias mesmo ao pé da capital. É teu objectivo mantê-los ocupados indefinidamente.
- E apoio operacional?
- Só por parte da armada, e mesmo assim não é grande coisa, admito.
- Epá... eu tenho-me mantido calado quanto a isso, mas tenho mesmo de dizer... Como é que num raio é que vou mantê-los ocupados sem apoio nenhum? Parece uma missão suicida.
- Foda-se, o nossos relatórios dizem que a preparação e capacidade deles para resistir é praticamente nula. Eles têm forças posicionadas ao longo da fronteira Este, mas de resto pouco mais têm. Há-de correr bem. Tens de fazer por isso, n'é? Eles não esperam a sério que nós os vamos invadir.
- Vão ter cá uma surpresa.
Riram-se todos descaradamente.
- Voltando ao assunto, tu, vais esperar por instruções até avançares pelo Este e cilindrares a resistência que deverá estar completamente às aranhas sobre o que fazer. O mais provável é irem defender os poços, já que é a única garantia que eles têm. Tendo em conta que a Seca afectou-os muito, não devem ter gasosa nenhuma para camiões nem nada disso, por isso podes esperar apanhar muitos na estrada. Estamos também à espera que assim que as notícias se espalharem que uma boa parte deles acabe por desertar, mas não podemos garantir isto. A cidade de Forte Verde vai servir como base para a invasão, portanto deverá ser um dos principais focos da tua incursão. A artilharia está toda atrasada, dizem que tiveram problemas com o reabastecimento, o que até acredito, por isso nada de suporte para ti também.
- Foda-se, bela merda.
- Pá, Forte Verde é o único problema a sério que vejo, e isso é apenas se eles tentarem resistir.
- Não podem dizer aos aviões para tentar atingit algum paiol no caminho para a capital? Não passam por lá?
- Olha, é bem visto, vou falar com os pardais a ver o que eles dizem. Acho que não é descabido. Como vamos mandar vagas, a primeira vai directamente à capital, mas a segunda pode fazer esse desvio pequeno.
- E resitência popular?
- Como assim?
- O povo poderá formar milícias, ou não?
- Foda-se, estás com medo de um cambada de caçadores velhos e zarolhos?
- Estou só a perguntar o que fazer se encontrar resistência popular, não me parece uma situação descabida.
- Faz o que quiseres, não é por eles que estamos a invadir esta terra de merda. Estamos a cagar-nos para as convenções.
- Tudo o que for necessário então?
- Tudo. Rouba, mata, viola, esfola, estou-me nas tintas.

- Pronto, estamos então combinados, não é verdade, meus senhores?
- Creio que sim.
- Assim é.
- Deveras.
- Agora está claro.
- Pois bem, façamos um brinde. Que daqui a uma semana estejamos sobre as ruínas do nosso futuro inimigo.
- Ah, eu só vou para lá no dia a seguir, não aguento o cheiro a carne queimada.
- Lembra-te os cozinhados da tua mulher?

Brindaram, brincaram e barafustaram durante mais algum tempo, dando banalmente por finalizada a reunião maléfica que iria colocar uma nação de joelhos, tudo porque uns Senhores da Guerra acharam que essa seria a solução mais fácil aos seus problemas.

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