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Conundrum

por Rei Bacalhau, em 30.04.17

É certo e sabido que um dos meus instrumentos de rock preferido é a bateria, não por a saber tocar, mas por apreciar ouvi-la. Dito isso, tenho pena de não perceber efectivamente nada de técnica percussionista, pois eu gostaria de saber o porquê de gostar tanto de um certo estilo rítmico e não tanto de outro qualquer. Não consigo identificar precisamente o que me faz gostar tanto de alguma música com um toque de bateria mais invulgar.

Simplesmente gosto.

Ao fazer as minha investigações, especialmente no Youtube, leio comentários de indivíduos que dizem que certa música é extremamente difícil de tocar e que admiram imenso certo baterista por conseguir fazê-lo consistentemente. Eu adoraria saber dar uns toques de bateria só para ter uma melhor noção da complexidade motora que é tocar quatro coisas ao mesmo tempo (com os quatro membros completamente independentes uns dos outros).

Os anos 70 estiveram famosamente bem populados de bateristas icónicos. Hoje gostaria de dar relevo a um que acho que não é tãããão conhecido como os outros, mas que usa técnicas e que produz sons que me agradam, especialmente se estiver em sintonia com o resto da banda.

 

Barriemore Barlow, dos Jethro Tull, com um momento instrumental ao vivo, denominado Conundrum (provavelmente por ter algo a ver com "drum"):

 

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publicado às 23:59


Your Love is King

por Rei Bacalhau, em 23.04.17

O rádio do meu carro tem uma porta USB que lê "pens" . Como estou absolutamente farto de não ter uma estação de rádio minimamente adequada para os meus gostos (a M80 não safa de todo) tenho andado a construir um pequeno repertório de músicas para pôr numa pen velha minha e andar com ela no carro.

Estou a tentar organizar essa coleção de modo a que possa ser representativa do meu estado de espírito enquanto condutor.

Por exemplo, tenho uma pasta chamada "Rock!", com ponto de exclamação e tudo, onde coloco músicas de todos os tipos de rock clássico, perfeitas para se conduzir numa ocasião de boa disposição, especialmente depois de se sair do trabalho e ter de enfrentar as massas de maníacos nas estradas.

Escolhendo uma ao calhas, The Doors, com Break On Through To The Other Side:

 

 

 

Tenho outra pasta com conteúdos mais animados e pop, muito apropriados para um início de dia:

Sei lá, tipo a Give a Little Bit, dos Supertramp (e de certeza que este vídeo daqui a uma semana já vai estar inválido, pois as músicas dos Supertramp são caçadas incansavelmente do Youtube): 

 

 

E quando tenho de ir para uma viagem mais longa? Se calhar queremos alguma coisa que nos mantenha a pica para nos manter acordados ao longo dos quilómetros. Consequentemente, tenho uma pasta intitulada "Drive",

Ainda não experimentei, mas deve ser perigosíssimo andar na autoestrada ao som de I Speed at Night, dos Dio:

 

 

 

 

 

 

 

Realmente... falando de noite...

Existem alturas em que já é noite cerrada. As pessoas já dormem e as estradas estão vazias. Não há razão para se ter pressa. Não há razão para pormos o sangue a circular repleto de adrenalina. Não há razão para nos colocarmos animados e airosos.

A própria noite convida-nos a relaxar, seduzindo-nos a moderar a velocidade e a desligar-nos das nossas preocupações.

É nessas alturas que carregarei no botão para a pasta "Chill".

Relaxa.

E ouve só.

 

Sade, Your Love is King:

 

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publicado às 00:20


A Estalagem - As Aventuras de Ventura Lobo

por Rei Bacalhau, em 18.04.17

Um cavaleiro sobe uma estrada poeirenta e em mau estado. A sua armadura de metal fino foi em tempos de um branco reluzente e orgulhoso, estando agora cinzenta, suja e danificada pelo decorrer das várias aventuras do presumível guerreiro. Um leitor recorrente já terá adivinhado a pessoa de Ventura Lobo, acompanhado de Venceslau, a sua espada, e de Sara, a égua Maglu.
Ventura Lobo não o sabia, mas tinha sido alvo de uma tentativa de emboscada misteriosa por parte de elementos do Exército do Reino, o mesmo reino que lhe tinha incumbido a missão de adquirir o fabuloso Livro e a sua aparente fonte de poder e conhecimento. Que Livro era esse e precisamente o que é que fazia? Não se tinha a certeza, por razões de enredo. Achou-se preferível manter o mistério sobre as capacidades do Livro para se deixar o leitor na expectativa, e já agora para que o Autor tivesse tempo de decidir e definir como é que a história acabaria sem entrar em detalhes demasiadamente limitadores em termos de progressão narrativa futura.
Felizmente, os agentes inimigos falharam tão redondamente que Ventura Lobo nem se apercebeu de que poderia estar em perigo. É também verdade que contra a incompetência do narrador nem o mais bem treinado dos soldados pode fazer muito, mas não deixa de contar como uma derrota inimiga.
Ventura sentia-se cansado, mas percorria o trilho com alguma alegria. A devastação árida do terreno a que começara a ficar habituado dava agora lugar a prados simples e verdejantes à beira do caminho. Observou com agrado uma manada de répteis enormes, do tamanho de ovelhas, que avançavam placidamente pela pradaria em fila singular, serpenteando como que por instinto até ao horizonte onde lhes esperava algum destino desconhecido, talvez até para eles.
- Ah Sara, tens aqui muita erva boa. Quem me dera que eu também pudesse ter uma boa refeição. Já estou a ficar um bocado farto dos biscoitos de Yih. Há bocado um deles mexeu-se e começou a querer sair do alforge. Devem estar a passar o prazo de validade. No entanto, tenho ideia que só ficam mesmo incomestíveis quando começam a morder-nos. Enquanto só se mexerem ainda marcham.
Poderá ser relevante notar que só se inventou a capacidade dos biscoitos se mexerem para que esta última afirmação do nosso herói se tornasse uma espécie de pleonasmo humorístico e coloquial.
Passaram-se vários minutos. Ventura afagava a crina de Sara enquanto esta superava uma porção particularmente degradada do que se tem denominado como estrada. Ao chegar ao topo de um monte, Ventura nota um pequeno conjunto de edifícios ao fundo no meio de uma planície suave. Uma casa principal destacava-se, rodeada de o que parecia ser um estábulo e outras cabanas mais pequenas. a medida que se aproximou, distinguiu uma horta decente e árvores de fruto, complementados por um poço e ferramentas agrícolas espalhadas pelo terreno. Uma pequena família de burros descansava pacatamente na erva circundante à casa, com excepção de um pequeno jumentinho que saltitava euforicamente entre os seus familiares.
Foi com igual euforia que Ventura se apercebeu que esta não era simplesmente uma quinta, mas sim uma estalagem, pois conseguiu ler o letreiro que a identificava.

 

"U Qɐntu dux Burux"

 

É evidente que Ventura Lobo teve inicialmente dificuldade em ler o texto estranho, como certamente qualquer outro leitor teria. Adivinhou que não poderia ser uma língua estrangeira, pois compreendia, depois de alguma descodificação, o contexto daquelas palavras.
- Das duas uma, ou é marketing, ou está já a começar a parvoíce deste episódio.
Ventura levou a cara à mão e suspirou profundamente, abanando ligeiramente a cabeça. Perdeu quase de imediato toda a alegria que tinha por ter encontrado um pouso de descanso.
Desmontou Sara, que se encaminhou imediatamente para um balde com água.
Aproximou-se da porta pesada da estalagem e preparou-se.
- Bom, lá terá de ser, não é verdade? Vamos a ver o que nos espera.
Entrou.

 

O aspecto rústico do exterior da estalagem repetia-se no seu interior, mas não deixou de se sentir uma atmosfera acolhedora e convidativa ao arrastar-se a porta para o salão principal do edifício. Estava completamente deserto, mas pareciam evidentes os sinais abundantes de actividade. O chão estava usado e riscado do movimento habitual de cadeiras e mesas. Não obstante isto, tinha um aspecto imaculado em termos higiénicos. Janelas amplas inundavam a sala de luz branca exterior, impedida da sua fortaleza máxima pelas nuvens tímidas que passeavam placidamente pelo céu.
Ventura Lobo aproximou-se do balcão. Encostou a sua espada e lançou um olhar cansado e ligeiramente desiludido em volta. Foi aí que sentiu o cheiro a comida. Um cheiro inimaginavelmente delicioso como apenas a fome, o melhor dos temperos, pode originar.
- Ó da casa! - berrou Ventura masculamente, pensando que se houvesse um estalajadeiro ele estaria mais habituado a este tom de voz.
- O diabu, xɐmão pur min? Não podǝ sêr! Vô ja pɐtrão, ja vô ɐ qɐminhu.
Ventura Lobo, ao ouvir isto, lançou em desespero a espada Venceslau para longe, temendo que esta se sentisse irremediavelmente insultada pelo massacre ortográfico que acabara de presenciar. No entanto, as gemas demonstradoras da fúria de Venceslau não emitiam brilho algum, e foi portanto algo injustificado o arremesso para o canto contrário da sala, aterrando bruscamente perto da porta.

 

Um homemzito surge de uma porta larga que ligava à cozinha. Se não fosse pelo simples facto de ter orelhas de burro, passaria perfeitamente como um homem normal de meia idade.
- Hã? O quê? Orelhas de burro?
A surpresa de Ventura era justificável, pois nunca vira um homem-burro de Copl, cobiçados internacionalmente como conselheiros pelo seu intelecto imenso. Obter os serviços de um copliano não era simples, pois são um povo de indivíduos teimosos. É por este facto que a sua civilização ainda se pode considerar primitiva, pois qualquer tentativa interna de melhoramento é fútil perante a birra que todos fazem perante o conceito de mudança com o qual não concordam.
O copliano parecia excitadíssimo ao ver Ventura e apresentou-se diante dele.
- Orɐ bôm diɐ, ǝxtimadu qliêtǝ. Pônhɐ-sǝ a vontadǝ. Sêtǝ-sǝ, sêtǝ-sǝ. Vêju qǝ devǝ ǝxtar qɐnsɐdisimu. Pôsǝ ɐx suɐx qôisɐx. Dǝsqɐnsǝ. - exigiu o homem, com um profundo sorriso afável na cara.
- Deveras, meu caro, agradeço a hospitalidade. Não precisa de me fazer tal proposta duas vezes. O senhor é o dono deste estabelecimento?
- Sô sim sǝnhôr, pɐtrão. Já ǝxtá nɐ minhɐ fɐmíliɐ a variɐx jerɐsõǝx i tratu dêlǝ muitu bǝm. U mǝu pai bǝm mǝ diziɐ, qǝr dizǝr, ɐntǝx dǝ fiqar sǝm dêtǝx, qǝ dǝpôix não sǝ pǝrcǝbiɐ nadɐ du qǝ êlǝ diziɐ, mɐx diziɐ, prôntu, quɐndu pudiɐ, qǝ ǝxtɐ erɐ ɐ mǝlhor ǝxtɐlajǝm dextɐx plɐnícix i qǝ dǝviɐ sêr trɐtadɐ qômu tal. ∀ minhɐ mãe, qôitadɐ, quɐndu ôviu ixtu, quɐndu ɐindɐ qônsǝgiɐ ôvir, qǝ ôvǝ um diɐ qǝ um truvão ɐ êsurdǝcêu, qǝ elɐ ǝxtavɐ nɐx môntɐnhɐx pɐrɐ u Sul, i lá u sôm e ɐmplifiqadu, axu qǝ tǝm algumɐ qôisɐ ɐ vêr qôm ɐ formɐ ɐsim qurvadɐ dɐx rɐvinɐx, mɐx quɐndu elɐ ôviu u qǝ u mêu pai disǝ ɐte saltavɐ i diziɐ sǝmprǝ ɐ mǝsmɐ qôisɐ, qǝ extɐ e ɐ mǝlhor ǝxtɐlajǝm purqǝ e ɐ úniqɐ ɐqui dɐx rǝdôndêzɐx, i u mêu pai, ai, qǝ êlǝ erɐ mɐlɐndru, umɐ vêx pôx um buru ɐ seriu nɐ qɐmɐ qôm ɐ minhɐ mãe, ɐviɐ dǝ têr vixtu ɐ qarɐ delɐ quɐndu ɐqurdô, i elɐ tinhɐ u sônu levǝ, nunqɐ sôbǝ qômu e qǝ êlǝ pôx u buru la, tɐpadu qôm u qubǝrtôr i tudu, a, mɐx u mêu pai rǝxpôndiɐ sêmprǝ a minhɐ mãe "êtão, não dǝixu dǝ têr rɐzão!". Qer dizǝr, êlǝ rǝxpôndiɐ ixtu quɐndu ɐ minhɐ mãe, qôitɐdinhɐ, lhǝ fɐlavɐ dɐ ǝxtɐlajǝm, não quɐndu pɐrtilhavɐ ɐ qɐmɐ qôm u buru, nǝm fɐriɐ sêtidu, não e vǝrdadǝ? Bôm, talvêz iputetiqɐmêtǝ fizesǝ, mɐx não pêsǝmux nisu. ∀ vǝrdadǝ e qǝ extɐ e ɐ minhɐ ǝxtɐlajǝm, U Qɐntu dux Burux, xɐmadɐ ɐsim pur qausɐ dux burux qǝ qustumɐm rudiɐr-mǝ u ǝxtɐbǝlǝcimêtu sǝm qausar grɐndǝx prublêmɐx, i posu-lhǝ já ɐgorɐ dizêr qǝ mǝ xɐmu Equ Onolatru i qǝ ǝstô pǝrfǝitɐmêtǝ au sêu dispôr, já qǝ qômu vê pêlɐ dǝmugrɐfiɐ du mêu sɐlão, não ǝstô muitu oqupadu.
- Ui, espere lá que isso é muita coisa para descodificar. Suponho que me devo identificar também. Sou Ventura Lobo, aventureiro e caminhante de todas as estradas, se bem que o que há aqui não se poderia chamar exactamente uma estrada, mas pronto, para o que é serve.
- A pôix, ɐ autɐrqiɐ nunqɐ fax nadɐ ǝn rǝlɐcão ɐ isu. Bǝm vixtɐx ɐx qôisɐx, nǝm vǝiju um rǝprǝzêtɐntǝ du Guvêrnu a muitu têmpu. ∀liax, axu qǝ nunqɐ vi um, ɐgorɐ qǝ pêsu nisu. Não ux posu julgar, qǝ u êdificiu ɐdministrɐtivu maix próximu ǝstá ɐ váriɐx sǝmɐnɐx dǝ viajǝm, ô u dôbru sǝ formux môntadux num buru. Pur esɐx i pur ôtrɐx e qǝ ux dǝixǝi dǝ usar i ɐrɐnjǝi um qɐvalu, sǝ bǝm qǝ pɐrɐ ɐrɐnjar u qɐvalu tivǝ dǝ ir dǝ buru, i dǝmurǝi unx quatru mêsǝx só dǝ idɐ. Pɐrɐ voltar fôi maix fácil, já qǝ ɐ qɐrɐvɐnɐ ôndǝ fui qômprar u qɐvalu xǝgô quincidêtǝmêtǝ ɐqui a ǝxtɐlajǝm nɐ mêsmɐ alturɐ ǝm qǝ finalmêtǝ ux ɐpanhǝi. Fôi um pǝriudu dǝsɐstrôsu, qômu qônsegǝ imɐjinar, pôix dǝixar u nǝgociu durɐntǝ tɐntu tǝmpu e prǝjudicial pɐrɐ ɐx finɐncɐx. Pur ôtru ladu, ɐ vɐntajǝm dǝ sǝ ǝstar lônjǝ dǝ tudu e qǝ nǝnhum qubrɐdôr dǝ impostux pêsɐ sǝqer ǝm vir ɐqui. Qer dizêr, mintu, umɐ vêz vǝiu qa um, mɐx isu e purqǝ sǝ tinhɐ pǝrdidu i pêsavɐ qǝ ǝstavɐ num sitiu xɐmadu... ai... erɐ um nômǝ ǝxqisitu... Xsu.. Xsantu?..
- Xsantinuq, talvez? - interrompeu pacientemente Ventura.
- A, sim, erɐ ǝxatɐmêtǝ isu, bǝm vǝiju qǝ u sǝnhôr devǝ sêr qunhǝcǝdôr. A bôm, u sǝnhôr bǝm disǝ qǝ e ɐvêturǝiru. Rialmêtǝ, são ux mêux qliêtǝx maix frǝquêtǝx, ux ɐvêturǝirux, qeru dizǝr, mɐx tɐmbǝm são ux qǝ dǝsɐrumɐm maix ɐ qasɐ. Certɐ vêz vǝiu um grupu ǝnormǝ dêlǝx, axu qǝ erɐm unx trêx, au mêsmu têmpu, vǝijɐ lá, i pǝdirɐm tôdux qôisɐx difǝrêtǝx pɐrɐ qumêr. Qônsǝgirá pǝrcǝbêr qǝ tivǝ um dia muitu ɐtɐrefadu. Tivǝ nɐ quzinhɐ maix dǝ mǝiɐ orɐ, i êu prǝcisavɐ dǝ ir trɐtar dɐ ortɐ, purqǝ nɐ alturɐ erɐ ɐ epuqɐ ǝm qǝ ux tǝxugux ɐmɐrelux dǝ Buarq qumecɐm ɐ migrɐcão i ɐruinɐm qômpletɐmêtǝ umɐ dɐx minhɐx plɐntɐcõǝx. U qǝ mǝ e maix dificil dǝ qômpriêdǝr e purqǝ e qǝ tôdux ux ɐnux êlǝx ɐtaqɐm umɐ qôisɐ difǝrêtǝ. U ɐnu pɐsadu, vǝijɐ lá bǝm, fôrɐm-mǝ aux nabux, ɐntǝx disu ax bɐtatɐx, nu ɐnu ɐntǝriôr aux inhɐmǝx, sǝm bǝm qǝ não gostu muitu purtɐntu não fôi grɐndǝ pêrdɐ. Rialmêtǝ, purqǝ e qǝ ux plɐntu dǝ tôdu sǝ não gostu ɐsim tɐntu? Bôm, mɐx nêsǝ ɐnu ɐte qɐlhô bǝm. Só ǝsperu qǝ não mǝ ɐtaqǝm ɐx cǝnôrɐx dêxtɐ vêz purqǝ elɐx ɐte ǝxtão bunitɐx. Ô pɐrecǝm ǝxtar, qǝ ɐindɐ não tirǝi nǝnhumɐ pɐrɐ vêr, mɐx ɐqrǝditu qǝ ǝxtǝijɐm.
- Ora, pois, desculpe-me interromper, mas será que me poderia preparar uma refeição? Tenho forma de pagamento suficiente, não se preocupe. E antes que pergunte, porque se eu não tomar as rédeas da narrativa nunca mais saímos daqui, eu gostaria de saber se tem um prato do dia ou algo do género. Se tiver, peço que mo descreva sucintamente.
- A, pɐtrão, vǝm ǝm bôm diɐ, pôix mɐtǝi um galu ôntǝm i purtɐntu tǝnhu ǝmpadɐ dǝ galu ɐqômpɐnhadɐ dǝ bɐtatɐx ax rudelɐx fritɐx ǝm ɐzǝitǝ i um pure dǝ vǝjǝtaix riquisimu ǝm produtux sɐburosux, tudu qɐsǝiru!
- Parece-me bem, acho eu. Traga-me também uma caneca com água. Se tiver vinho ou outra bebida espirituosa, coloque-o num odre pequeno para eu levar.
- Orɐ bǝm, pǝrfǝitɐmêtǝ, sim sǝnhor pɐtrão, voltu já.
Equ Onolatru despachou-se para a cozinha a assobiar alegremente.
- Ufa, agora sim posso voltar atrás e ler de novo o que ele disse, porque não percebi quase nada. Quer dizer... percebi e não percebi... é estranho. Mas por que carga de água é que ele tem uns "a"s e uns "e"s ao contrário?


Surpreendentemente, o estalajadeiro voltou quase imediatamente com um prato enorme repleto de comida de aspecto fenomenal, demasiadamente para ter sido preparada em dois minutos. A empada ainda fumegante tinha uma forma rectangular, ocupando mais de metade do prato de tamanho considerável. As batatas vinham polvilhadas de ervas aromáticas e ainda se notava o brilho quente do azeite fervilhante. O puré de vegetais tinha um aspecto grotesco de argamassa verde, mas emanava um cheiro rico, nutritivo e no geral convidativo.
- Mas... mas o senhor já tinha isto pronto?
- Não tutalmǝntǝ, ɐ ǝmpadɐ ɐindɐ não tinhɐ lǝvadu ɐ masɐ pur cimɐ.
- E o resto?
- Êtão, fiz tudu ɐgorɐ...
- Em dois minutos!?
- E u tempu suficiêtǝ.
Ventura não acreditou, suspeitando tratar-se de comida reaquecida no microondas, mas preferiu não insistir no assunto. De qualquer modo, a comida cheirava maravilhosamente e a fome de Ventura Lobo, que nas últimas semanas apenas tinha sido saciada por mantimentos fora de validade, ordenou que ele atacasse animalescamente a refeição.
Era com regozijo que Equ Onolatru observava a deglutição sôfrega e espantada de Ventura. A cada dentada e a cada batata e a cada colher de puré desenhava-se uma feição do mais puro prazer.
Quando Ventura acabou, absolutamente enfartado, olhou esbugalhadamente para Equ, que ainda o observava sorridentemente.
- Mestre Onolatro, ou pelo menos acho que é esse o seu nome, devo dizer que poucas refeições na minhɐ vida aventureira se compararam a esta que terminei agora. Estava tudo divinal! Os meus sinceros parabéns!
- A, muitu obrigadu, muitu obrigadu! Nu êtɐntu, dêvu qurriji-lu i dizêr-lhe qǝ mǝ xɐmu Onolatru, i não Onolatro.
- Ah, é com "u"? Pois desculpe-me, peço-lhe.
- Mɐx e ëvidêtǝ qǝ e qôm "u". Eu sǝi qǝ ux ǝxtrɐnjǝirux ǝxqrevǝm tudu au qôntrariu, mɐx fɐlɐndu bǝm tǝm dǝ sêr qôm "u".
"Oh diabo..."
- Como assim? - indagou Ventura. - Eu verdadeiramente tenho tido dificuldade em percebê-lo, mas é estranho porque por um lado não o percebo visualmente mas parece-me que o percebo auditivamente.
- U pǝsual la ǝm qasɐ devǝ ǝxtar ax ɐrɐnhɐx sôbrǝ u qǝ e qǝ sǝ ǝxta ɐ pɐsar ɐqi.
- Ui, não me fale em estar as aranhas. Mas concordo, e acho que é altura que o senhor me explique porque é que fala dessa maneira.
- Muitu bǝm, mɐx ǝxperǝ um buqɐdinhu.
Equ Onolatru dirigiu-se a cozinha e trouxe um pratinho de barro com uma fatia de tarte de maçã.
- Nǝnhumɐ rǝfǝicão ǝxta qômpletɐ sǝm umɐ subrǝmêsɐ. Facɐ fɐvôr.
- Ah, deveras, muito agradecido.
Ventura trincou a tarte, resumindo o seu êxtase palatal.
O estalajadeiro começou a falar.
- Bôm, qômu êu iɐ ɐ dizêr: quɐndu êu erɐ pǝqǝninu não ɐviɐ ǝxqolɐ ɐqui nɐ rǝjião. Qer dizêr, ɐindɐ ôjǝ não a, mɐx não e ɐí qǝ qeru xǝgar. Não ɐvêndu ǝxqolɐ, ux mêux paix tiverɐm dǝ mǝ êsinar pêlux mǝiux dêlǝx. Êlǝx pɐsavɐm muitu tǝmpu nɐ ǝxtɐlajǝm i não tinhɐm vɐgar pɐrɐ dar umɐ ǝduqɐcão ɐprupriadɐ aux filhux. U qǝ fizerɐm êtão fôi êsinar-nux tôdɐx ɐx lêtrɐx du abǝcǝdariu i ɐ mɐneirɐ qômu sǝ dizǝm. ∀ pɐrtir dɐí, diziɐm êlǝx, e só juntar pecɐx purqǝ qɐdɐ pɐlavrɐ e umɐ qômbinɐcão delɐx. U prublǝmɐ e qǝ u mǝu pai erɐ ɐlemão i não pǝrcǝbǝu qǝ nǝm tôdɐx ɐx línguɐx funciônɐm dɐ mǝxmɐ mɐnǝirɐ. Ǝm pɐrtiqular, ëxistǝ umɐ bôɐ quɐntidadǝ dǝ línguɐx ǝm qǝ ɐx lêtrɐx ǝm pɐlavrɐx não sǝ lêǝm ëxatɐmêtǝ qômu sǝ dizǝm individualmêtǝ. E qlaru qǝ só mǝ ɐpǝrcǝbi disu muitu muitu dǝpôix i pur isu ɐqɐbǝi pur ɐprêdêr ɐ ǝxqrǝvêr ëxatɐmêtǝ qômu ɐx pɐlavrɐx qǝ êu ôviɐ sǝ liɐm.
- E evidentemente isso afectou a maneira como numa narrativa o seu diálogo é apresentado.
- Prǝcisɐmêtǝ, u qǝ não inqumodɐ normalmêtǝ ɐ mɐior partǝ dux viɐjɐntǝx qǝ pur ɐqui pasɐm purqǝ ningǝm ǝxtá ɐ ǝxqrǝvêr u qǝ êu digu nesɐx alturɐx.
- Então mas explique-me porque e que usa um "a" ao contrário para dizer por exemplo.. banana. Ou a mesma coisa para o "e".
- Pôix, êsǝ fôi u prublêmɐ qôm qǝ mǝ dǝpɐrǝi. Nǝnhumɐ lêtrɐ, qôm ô sǝm ɐcêntu, qǝ mǝ tivesǝm êsinadu fɐziɐ u sôm prǝtêdidu. Êtão invêtǝi êu ɐ regrɐ dǝ pôr algumɐx lêtrɐx au qôntrariu pɐrɐ ux sônx qǝ mǝ faltavɐm. Ôjǝ vǝiju qǝ e umɐ regrɐ parvɐ, pôix ɐx qôisɐx fiqɐm ɐindɐ maix ilǝjivǝix pɐrɐ um ǝxtrɐnjǝiru du qǝ u normal, mɐx prôntu, qǝ e qǝ sǝ a-dǝ fɐzer?
- Enfim, pode sempre mudar. Se ainda por cima está consciente de que a sua forma de escrever está incoerente com o resto da população mundial, porque é que não aprende agora a fazê-lo correctamente?
- A, ɐgorɐ já ɐprêdi dextɐ mɐnǝirɐ, maix valǝ não mǝ dar au trɐbalhu.
- Então, mas facilitaria imenso a sua vida e a de qualquer outro cliente que seja perseguido por um narrador ausente.
- Sim, talvêz, xefǝ, mɐx não mǝ ɐpǝtecǝ.
- O quê? Mas concorda parcialmente com o que eu digo e escolhe não mudar para melhor?
- Pôix, axo qǝ ɐsim e.
- Ah, claro, pois, foi dito no início que os coplianos são imensamente teimosos.
- ∀dmitu qǝ e umɐ falhɐ nosɐ, mɐx prôntu. Olhǝ, veju qǝ já ɐqɐbô ɐ tartǝ, vai um qɐfezinhu?
- Ah, sim, acho que aceito, porque....

 

Um imenso estrondo abalou subitamente o edifício. A porta exterior abriu-se dramaticamente e uma brisa pútrida de cheiro a peixe invadiu o salão. Um homem de cabeça de bacalhau entrou calmamente e sem dizer nada dirigiu-se ao balcão. Equ e Ventura, apanhados desprevenidos, nem souberam o que fazer. O homem parecia procurar algo.
Ah, está ali, como é que isto me escapou?
Contornou o balcão e pegou numa máquina de café expresso anacrónica. Tão calmamente como entrou encaminhou-se para a saída. A porta do salão fechou-se automaticamente. O cheiro a peixe desapareceu.

 

- Bôm, - continuou Equ Onolatru. - u pɐtrãozinhu vai dǝsǝjar pɐsar ɐqui ɐ nôitǝ?
- Ah é assim? Sem mais nem menos? Não se discute o que.... Bom, está bem, já sei o que a casa gasta, nem vou dizer mais nada. Sim, claro, meu caro, prepare-me um quarto confortável e trate também do meu cavalo, que ainda deve lá estar fora, se calhar a travar amizade com outros os seres de orelhas grandes que lá estavam.
- A, ux burux lá forɐ? Nǝm mǝ digɐ nadɐ! A um mêx pɐsô pur ɐqui um izercitu, vǝijɐ lá, i u qumɐndɐntǝ lǝvô-mǝ um buritu! U omǝm erɐ mɐluqu!
- Devia ouvir muito o Fernando Correia Marques, se calhar. Pronto, acho que era a última piada que me faltava fazer. Mostre-me então o quarto, se fizer o favor, que tenho de fazer alguma manutenção no meu equipamento.
- A, qôm cǝrtêzɐ, pɐtrão, sigɐ-mǝ.

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publicado às 23:34


Stars

por Rei Bacalhau, em 16.04.17

Em termos musicais, os anos 90 são daqueles dos quais menos percebo, ou, melhor dizendo, cujos artistas famosos me são mais desconhecidos.

Nos anos 2000, por prestar um bocadinho mais de atenção ao que me rodeava, consegui ficar com uma ideia geral dor artistas que andavam na ribalta na altura.

Nos anos 90, nem por isso, especialmente porque tinha mais idade para ver o canal Panda (que se calhar nem existia) do que para outra coisa qualquer.

 

Realmente, como é que num raio é que eu passava o tempo quando era puto?

 

Quando me tornei consciente que o conceito de música é algo que podemos procurar por nós próprios em vez de esperar que a sociedade nos diga o que é que é "bom", iniciei a minha educação nos anos 70.

Desde aí, nunca mergulhei muito nos anos 90 porque fiquei com a noção que a música que eu gosto já não era feita em massa nessa década.

Por um lado compreendo a minha lógica, porque efectivamente os tempos e estilos mudaram e as bandas dos anos 90 foram em direcções contrárias àquilo que eu aprecio mais. Por outro lado, não me compreendo, porque efectivamente eu sei que isso está sempre a acontecer e mesmo no espaço de uns poucos anos os artistas seguem direcção musicais completamente opostas à donde estavam. Os anos 70 foram loucos nesse aspecto, e portanto apenas posso assumir que os anos 90 tenham sido igualmente caóticos, pois um número maior de bandas e de tecnologias disponíveis aumenta exponencialmente o leque de possibilidade para os músicos se provarem mais... "artísticos".

Dito isso, é evidente que sempre conheci os irlandeses Cranberries, com músicas sobre tanques e bombas e tal, mas creio que nunca lhes prestei a devida atenção que merecem, pois efectivamente fiquei com impressão positiva ao analisar (à minha maneira) os temas deles, tanto em termos de letras como em termos instrumentais.

Dito isto, acho que a partir de agora poderei começar a sugerir mais temas desta década (e consequentemente desta banda).

 

The Cranberries, com a simples mas eficaz Stars:

 

 

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publicado às 23:42


Poet and Peasant - Overture

por Rei Bacalhau, em 09.04.17

Composição de Franz von Suppé:

 

 

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publicado às 18:33


Inominável nº 7

por Rei Bacalhau, em 07.04.17

Honestamente, já nem me lembrava do que é que eu tinha falado para esta edição. Tive de ir lê-la de novo.

 

Enfim! Eis mais uma edição da Revista Inominável, em que desta vez na minha coluna falo sobre videojogos de carros cujo objectivo é NÃO fazer corridas.

A não ser que contemos as corridas que os peões virtuais fazem ao fugir de nós.

 

Para ler e apreciar, AQUI.

 

Não, espera... eu falo de cenas bastante horríveis nesta edição...

Ok, pronto, para ler, pelo menos.

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publicado às 11:23


Original Prankster

por Rei Bacalhau, em 02.04.17

Se há coisa da qual me poderia orgulhar, se me importasse com isso, seria o facto de ser um tipo honesto. É claro que não é algo do qual me possa efectivamente orgulhar, já que não é uma qualidade prática, porque no meu caso a honestidade também leva à sinceridade, e não há coisa pior no mundo moderno que a sinceridade.

 

No entanto, se me puder considerar honesto, não posso dizer que seja essa exactamente a noção que exponho cá para fora, já que aquilo que somos e aquilo que MOSTRAMOS que somos são coisas não necessariamente mutualmente inclusivas.

Ao longo dos últimos anos comecei a desenvolver técnicas requintadas de aldrabar pessoas, puramente para efeito humorístico. Tive de treinar muito até conseguir manter uma cara séria quando estava a inventar uma peta espontânea. Com muita ajuda da internet, acabei por me tornar uma versão leve do que se chama um "troll", sempre a meter-me com as pessoas e a provocá-las quase à Groucho Marx.

É evidente que o dia das mentiras começou a tornar-se uma celebração bastante apreciada por mim, porque as pessoas à minha volta conhecem-me como uma pessoa profundamente honesta e incapaz de mentir, EXCEPTO para fins humorísticos a curto prazo. Tendo isso em conta, acredito que nunca ninguém saiba quando é que estou a falar a sério ou não. Aproveito-me desta confusão que incuto para criar as histórias mais surreais com uma verosimilhança suficiente para enganar alguém.

 

Eis um exemplo de ontem.

Estava a jantar e apercebi-me que ainda não tinha mentido naquele dia tão especial a um dos familiares à mesa. Teria de inventar alguma coisa, não poderia deixar de ser!

O primeiro passo é arranjar um tema que desperte a atenção da vítima, para aumentar a ingenuidade necessária para uma peta bem sucedida. Ora, neste caso a vítima é uma grande apreciadora de pistácios e decidi atacar por aí, e inventar a história à medida que a ia contando.

- Olha, és tu que gostas de pistácios, né?

- Pois, mas não posso comer muitos e tal.

- Pois, ainda por cima eles são radioactivos ou algo do género, né? (aqui eu faço a pergunta para que a vítima esteja mais investida na conversa, e consequentemente caia ainda mais na teia)

- Ah, isso são uns lá na Turquia ou sei lá.

- Ora pois bem, no outro dia estava a ver aquele programa da Dina Aguiar, aquele das notícias portuguesas e veio lá uma notícia interessante sobre isso. (aqui adiciono factos irrelevantes secundários como mais uma medida de distracção; no entanto, tenho de ter a certeza que a vítima não poderia saber sobre esses factos, e neste caso sei que a vítima nunca vê aquele programa).

- Então, - continuo eu - aparentemente agora há umas plantações xpto de pistácios lá para o Norte que estão a fazer um sucesso do caraças no estrangeiro, e vão ser comercializadas cá em Portugal daqui a uns tempos, em grandes superfícies.

- Ah é? (aqui já sei que a tenho fisgada)

- Ah, mas há uma cena... é que são muito maiores do que os pistácios normais. São para aí do tamanho do meu dedão. Eles mostraram na reportagem e meia dúzia deles cabiam na mão da pessoa.

- Ah, depois tenho de ver isso então.

- Eles disseram o dia em que isso ia passar a ser comercializado... era... - e faço um gesto dramático como se não me lembrasse. - Ah, era no dia 1 de Abril de 2017.

Dito isto, calo-me e fico à espera com um sorriso parvo na cara. Este é o momento para o qual trabalhei. Olhar para a expressão da vítima que olha para mim confusa, por não estar a perceber inicialmente.

- Então, mas isso é hoje...

 

 

Vitória total.

 

 

Seguem-se os insultos do costume, compreensiveís, claro, não julgo as pessoas por fazê-lo.

 

Se eu pudesse, andaria sempre com um altifalante comigo, para cada vez que completo uma façanha destas o colocar a tocar uma música, como se estivesse numa sitcom americana.

Creio que foi exactamente para isso que os Offspring criaram a música tão apelativa chamada Original Prankster, mesmo que a maioria da letra seja intraduzível para mim.

 

The Offspring, com Original Prankster:

 

 

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publicado às 17:37



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