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O Mau

por Rei Bacalhau, em 24.10.13

O Mau.

 

Não necessariamente o maléfico.

 

O lado Mau é sim o inimigo do lado Bom. Ambos competem constantemente pelo controlo do corpo. Quantas vezes não pensamos em fazer uma acção e subitamente mudamos de ideias, seja para o "melhor" ou para o "pior"? O mau proporciona um balanço essencial para o humano, e eu explico porquê, porque não deve parecer muito óbvio.

 

O objectivo de cada animal é nascer, sobreviver e procriar. Cada animal faz o necessário para sobreviver no ambiente hostil em que se inserir. O humano não é excepção, apesar de ter condicionantes e factores que complicam esta sobrevivência, nomeadamente o facto de sermos um bicho que vive em sociedade. Neste caso a sobrevivência não se trata apenas de adquirir alimento e protecção. Trata-se também de obter as máximas vantagens possíveis utilizando a sociedade como recurso.

 

Pensemos num exemplo:

 

Um indivíduo é colocado numa situação em que tem de fazer uma escolha, que chamamos normalmente de ética. Essa escolha pode-lhe dar uma promoção na carreira profissional. Não existe desvantagem individual em fazer essa escolha. Peço-vos que pensem, apenas com o que vos disse, o que é que fariam na mesma situação?

 

Se pensaram em tomar a decisão sem grande hesitação então é o vosso lado Mau a funcionar. Somos mesmo assim, vemos uma vantagem ou uma oportunidade e toma-mo-la. Mas então porque é que lhe chamo o lado Mau? Nós beneficiámos da decisão!

 

O problema é o lado Bom.

 

O que eu disse é que não havia desvantagem individual, ou seja, para o indivíduo em questão. Não disse que não haveriam outros afectados. No caso presente eu estava a pensar em alguém que sobe na carreira à custa de outro. Um bocado cliché, mas preferi simplificar o exemplo para melhor compreensão. Contudo, se assumirmos uma pessoa equilibrada, o Bom interviria antes do Mau poder actuar, porque o Bom tem ética e sabe que há certas coisas que não se fazem em sociedade.

 

Será que esta conversa toda implica que um indivíduo vive bem sem o lado Mau? Não, pois tornar-se-ia ingénuo e facilmente enganado e maltratado por outros que fossem "Maus". 

 

É óbvio que o Mau toma muitas vertentes. No geral eu diria que o nosso lado Mau é aquele que subconscientemente não queremos mostrar em público e que estamos mais confortáveis a demonstrar, estranhamente, na presença de pessoas com quem temos mais confiança: amigos e família, por exemplo. Talvez sintamos que existe compreensão ou toleração por parte dos nossos semelhantes, não sei... 

 

O ponto forte do Mau é que torna a vida mais confortável para si mesmo e não tem limitações sociais para dizer/fazer o que quer. É muito inteligente/esperto e muito poderoso e normalmente numa pessoa desequilibrada é muito difícil para o Bom o controlar. Por outro lado essas também são as suas fraquezas, porque a longo prazo poderá vir a prejudicar-se pelo resultado das suas acções, se não forem realmente bem planeadas mas sim espôntaneas.

A nossa vida é uma luta constante entre o Bom e o Mau. Mas há alturas em que ele não são o pior inimigo um do outro.

 

Ainda falta o Feio. 

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publicado às 22:57


2 comentários

De José da Xã a 26.10.2013 às 16:41

Quererás dizer que o Mau é a parte racional e o Bom a parte emocional do ser humano?

De Rei Bacalhau a 26.10.2013 às 20:12

Não, de todo. Às vezes a acção que mais nos beneficia não é a mais racional. Creio ter dito que no longo prazo o Mau pode sair altamente prejudicado.

Por outro lado o Bom como ao mesmo tempo cometer a acção socialmente correcta sendo também a mais lógica. Sei lá, esforçar-se na escola/faculdade/trabalho, por exemplo.

Consigo ver que a conclusão a que chegaste possa ser inferida da maneira que escrevi o texto, e por isso peço desculpa. No entanto, como já disse, o racional não é para aqui chamado. Ou não necessariamente.

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