Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




A Espada - As Aventuras de Ventura Lobo

por Rei Bacalhau, em 31.07.16

Anteriormente...

 

Ventura Lobo sabia que precisaria do seu amigo Abade Fazia se quisesse encontrar o Livro. Devido às suas aventuras, há já muito que concordara com as palavras do Abade. Assumindo que o Livro continha a salvação esperada das pessoas, cada vez mais lhe dava uma maior importância; importância esta que o povo ignorava quase completamente. No entanto, nunca fez por procurar o Abade. Nunca achou que precisasse, em parte porque não queria ter que admitir que o velho insano tinha razão.
Agora precisava, pois estava incumbido com uma missão real. Não poderia falhar, senão esta seria uma história bastante menos interessante, a não ser que Ventura Lobo fosse um anti-herói ou um personagem cómico secundário.
A demanda, mesmo antes de começar, apresentava-se complicada, pois Ventura Lobo sabia que teria de se aventurar nas perigosas terras do Norte, onde as piores escumalhas monstruosas se aterrorizavam umas às outras num estado de guerra civil inter-clã fantástico e constante. Bem vistas as coisas, ainda bem que tal acontecia, pois as boas pessoas do mundo podiam respirar de alívio.
Ventura Lobo começou a preparar-se para a sua aventura. Levantou-se da cama de palha, mordiscou umas fatias de pão barradas com manteiga de iaque da Cratera de Buzul, bastante nutritiva, apesar de Ventura Lobo preferir não se lembrar do processo de ordenha dos iaques. Para contextualizar, os executores da ordenha são o povo nobre dos Pigmeus de Buzul, de cabeças ainda mais minúsculas que o resto do corpo. Por contraste, os iaques da região são animais milenares gigantescos. É impossível imaginar que ideia terá passado pelos pigmeus para tentar ordenhar um animal centenas de vezes maior que eles próprios (e milhares de vezes maiores que as suas cabecinhas), mas a verdade é que fizeram do feito uma arte. Como as suas cabecinhas são mesmo muito pequeninas, têm ampla envergadura de ombros disponível, o que lhes permite colocarem-se em cima uns dos outros, não sem habilidade, formando uma espécie de escada vertical humana, não totalmente incomparável a um número de circo. Assim, escalando-se comicamente uns aos outros, conseguem chegar à única teta que uma iaque buzuliana fêmea tem. Tragicamente, os pigmeus buzulianos não têm a fama de ser inteligentes nem de terem a vista apurada, e já têm confundido uma iaque com um iaque, o que origina um erro que apenas demasiadamente tarde descobrem. Existem rumores que nada é desaproveitado, mesmo assim.
Com este pensamento, Ventura Lobo pousou a fatia de pão lentamente, senão com um toque de nojo. Foi ao estalajadeiro e pediu-lhe para preparar um bom banho. Voltou ao seu quarto e começou a fazer os seus exercícios matinais, não para se preparar para a missão vindoura, mas com o objectivo de manter o físico sensual, não totalmente prático, para impressionar as miúdas, humanas ou não. Outrossim, sabendo que ia para o Norte, pensou em fazer um atalho pelas terras das fadas Aa'a-a-A'a, as mais belas das Fadas Vogais, já que tinha uma particular atracção por elas. Note-se que esta atracção existe em termos puramente sexuais, claro, pois de forma alguma um aventureiro de renome como Ventura Lobo poderia envolver-se em sentimentalismos. Obviamente que não, não seria digno de um herói a sério. Nem seria digno de um homem de todo, essa agora.
Ventura Lobo interrompeu as suas flexões (ainda só ia na milésima tricentésima trigésima sétima) para arrotar e praguejar grosseiramente, só para demonstrar ao mundo a sua masculinidade aparente, não fosse algum leitor de mentes estar à escuta. Bateram à porta e Ventura Lobo colocou-se numa pose ridícula dominante, pensando que poderia ser a filha do estalajadeiro.
- Entre! - ordenou Ventura Lobo, completamente suado e arfante.
Não era a filha. Era o próprio estalajadeiro, cujo bigode enorme, grisalho e sujo foi a primeira coisa que Ventura viu. Na verdade, não era muito diferente do da filha, se bem que o dela era louro claro, perfeitamente exemplar dos humanos de Aguard dos quais fazia parte.
- O seu banho 'tá pronto, chefinho.
Ventura Lobo escorregou para a banheira de madeira, que em tempos havia sido um enorme barril de vinho azedo de Pútúíl. A fragrância desagradável ainda tinha uma presença forte no barril, como se estivesse embebido ainda da substância nefasta (que, inexplicavelmente, é amplamente apreciada e consumida ou pelos muito pobres, ou pelos incrivelmente ricos). Como não queria sair do banho a cheirar como uma estrela de rock do final dos anos 60 (dos nossos anos 60, claro; ainda não é clara a cronologia neste mundo imaginário), Ventura Lobo aplicou uma pitada de sais de banho dos ufanos habitantes das Cidades Voadoras, os Kamil. A água agitou-se, borbulhou, fervilhou e subitamente acalmou-se, convergindo para uma superfície ligeiramente espumosa e convidativa. Rodeado de aromas mágicos e sempre desconhecidos, Ventura Lobo pegou num espelho flutuante, outra prenda por parte dos Kamil depois de ele ter afugentado das Cidades Voadoras uma excursão de turistas H'hultianos vulgaríssimos, começou cuidadosamente a fazer a barba, arrancou os pêlos que teimavam a reaparecer na glabela, evitando assim uma monocelha, cortou as unhas com uma pequena navalha, limpou os poros do seu nariz acentuado, puxou dolorosamente os pêlos que espreitavam pelas narinas, passou champô pelo longo e ondulado cabelo castanho-dourado, como o cabelo típico de um mosqueteiro dos filmes, tipo o Jeremy Irons.
Espera lá. O champô se calhar não existia neste contexto. Felizmente, aqui pode-se inventar seja o que for para colmatar falhas de coerência:
Ventura Lobo aplicou então a substância semelhante a seiva que adquiriu de um mercador Xesparatuq, proveniente das selvas cor de fogo das Montanhas Xsantinuq. A substância, a que o mercador chamava Sxam'Poh, como já se referiu, fazia maravilhas a tudo o que fosse pêlo ou cabelo (e os Xesparatuq devia precisar de quantidades massivas do produto, tendo em conta que eles são essencialmente bolas de pêlo andantes). O mercador insistiu veementemente que Ventura levasse o frasco de Sxam'Poh gratuitamente. Quando inquirido sobre o porquê da oferta, o Xesparatuq simplesmente disse:
- Porque você merece.
A resposta enigmática ainda assola a mente do nosso herói de vez em quando.

Ventura Lobo presenteava-se com todos estes luxos e vaidades pois sabia que só daí a muito tempo é que voltaria a civilização. Levantou-se finalmente da banheira. A água tornou-se magica e imediatamente fria. Ventura sentia-se completamente revigorado. Passeou pelo quarto até se conseguir cobrir decentemente. Para não ofender sensibilidades, deve-se referir que os seus pudendos estavam visualmente censurados, mesmo que isso seja impossível e ridículo de demonstrar numa narrativa.
Vestiu-se com uma roupa leve e voltou para o seu próprio quarto. Tinha pedido ao estalajadeiro para mandar limpar a sua armadura e esta já o esperava em cima de uma velha mesa de madeira. Começou pelas pernas, onde enfiou umas calças de cabedal reforçado de iéti. Ou eram calças de cabedal de iéti reforçado? Já se esquecera, mas não interessava. Calçou as botas muito confortáveis e resistentes que roubou a um pilhante Maglu nos Planaltos Analfabetos. Reflectiu durante uns segundos o porquê de se usar o verbo calçar para botas mas não para calças. Equipou a armadura de malha que se ajustou ao seu corpo, apertando-o apenas ligeiramente, não lhe retirando qualquer agilidade aos movimentos. Arranjou-a no Decathlon, porque queria uma versão desportiva, daquelas que respiram bem, como se costuma dizer. Aplicou as joelheiras, as ombreiras e as manoplas, todas ricamente decoradas com padrões nas suas componentes metálicas quase brancas com bordas douradas, já se notando, no entanto, algum desgaste óbvio nas porções de cabedal das mesmas. Finalmente, vestiu um colete leve e prendeu-o na cintura com um cinto, cuja fivela tinha relevado o símbolo de um lobo. Na verdade, para se ser correcto, o símbolo representava um cão pastor belga, mas da mesma maneira que um leitor desta história não sabe onde é que é a Cratera de Buzul, os habitantes deste mundo também não sabem o que raio é a Bélgica, portanto diz-se que é um lobo e isso satisfaz todos os intervenientes, reais ou imaginários.

Só lhe faltava um conjunto de coisas. As suas armas. Tinha vários punhais, cada um mais exótico que o outro, uma soqueira no colete, uma besta guardada de lado com os respectivos dardos numa aljava pequena presa na perna e um sabre Ahtem. Contudo, a sua arma preferida chamava por ele. Uma arma com que Ventura Lobo tinha derrotado incontáveis inimigos e que no fundo era a única companheira constante dele. Uma espada de lâmina de metal branco e reluzente. O cabo, por contraste, era negro como ébano e findava no pomo que era na verdade uma espécie de pedra preciosa translúcida surpreendentemente pesada. O mesmo género de pedra encontrava-se nas duas pontas da guarda da mão. A lâmina não parecia estar desgastada de todo e estava gravada com vários símbolos que reluziam um azul muito leve. Estes símbolos pertenciam ao alfabeto dos Tçuchulshuxuz, uma civilização antiquíssima que se perdeu para sempre, depois de sucessivas guerras civis brutais e devastadoras, todas relacionadas com a discussão sobre a correcta pronúncia do seu próprio nome. Felizmente, o pouco conhecimento que sobreviveu dessa civilização permitiu a tradução das inscrições da espada, que revelaram o seu nome:

Venceslau.

Esta espada já tinha tido inúmeros donos, mortais e imortais, humanos e monstros, sendo que a lenda dizia que ela tinha vontade própria e continha um poder imenso, não se sabendo com que fim. Se tal fosse verdade, a sua permanência com Ventura Lobo não seria coincidente e ela auxiliava-o porque assim o queria.
Ventura Lobo pegou na espada, que pareceu tremer de expectativa. Enfiou-a na bainha e lembrou-se do dia em que tomou posse de Venceslau.

O sol estava a pôr-se. A noite aproximava-se depressa nas planícies áridas de Kukula, o Deserto Limitado. Ventura Lobo seguia rapidamente pela estrada mercantil, esperando chegar ao oásis deslumbrante de Virik Katal, o centro exacto de Kukula e do Império Comercial Kataliano. A estrada eximiamente construída contrastava com a pobreza das terras secas e fendidas pelas quais serpenteava. Eis que Ventura observa uma montada no horizonte, com alguém a seu lado. Estavam parados. À medida que se aproximou, discerniu claramente um cavalo dourado, como os que os katalianos usam na sua Guarda Imperial e Comercial. No entanto, a criatura ao lado do cavalo estava longe de ser um dos homens morenos de Katal. Subitamente, o cavalo larga a fugir, obviamente aterrorizado com algo, e galopa na direcção de Ventura Lobo, passando como um relâmpago por ele sem parar. A criatura ainda o tentou apanhar, mas voltou atrás depois de uma curta perseguição, não notando que era observada pelo recém-chegado.
Ventura Lobo, agora ainda mais próximo, reconheceu a criatura como sendo um Vyx, um monstro humanóide raro que normalmente só causa problemas. Era verde e a sua pele nunca tinha um estado a que se pudesse chamar sólido, mas era sim uma espécie de líquido viscoso em constante movimento. Na sua cabeça, em vez de ter cabelo, dançavam uns tentaculinhos pequenos, como os de um mau penteado de jogador de futebol. O seu olhar, também verde, era uniforme e vazio de expressão. Normalmente encontravam-se em ambientes mais húmidos, onde pudessem sugar líquidos para manter o seu corpo saudavelmente medonho e pegajoso.
Não obstante serem incomuns, não era a primeira vez que Ventura Lobo lutaria com um Vyx. Imaginou que estivesse a absorver todos os líquidos do anterior dono do cavalo, e supôs que estaria mais disposto que tudo a defender a sua presa.
Desembainhou a sua espada, que na altura era o seu excelente sabre de origem Ahtem, e fez por apanhar a criatura de surpresa. Como não podia deixar de ser nestas situações, tropeçou numa pedra e chamou imediatamente a atenção do Vyx. Este virou-se repentinamente, exprimindo surpresa com a linguagem corporal. Ventura observou o espectáculo triste à sua frente. Um soldado kataliano estava quase completamente ressequido no chão, de armadura destruída e roupas esfarrapadas.
Ventura Lobo aproximou-se, agora sem subtileza. O Vyx pegou na bela espada do soldado e preparou-se para o combate.
- Boa tarde, ou quase boa noite, amigo Vyx. Devo dizer que as autoridades katalianas não deverão olhar com bons olhos o assassinato de um dos seus soldados, mesmo que seja para o sustento directo de outrem.
- Não me interessa, tinha sede, muita sede, precisava de beber. - respondeu maliciosamente o Vyx.
- Bom, permita-me que me apresente: Ventura Lobo, aventureiro a caminho de Virik Katal. Peço-lhe que me obsequie com o seu nome.
O Vyx riu-se sardonicamente.
- Eu tenho o nome de "Demolidor Implacável" na minha língua, que com a pronúncia correcta se diz... - fez uma pausa dramática. - Fernando...
- Pois claro, agradeço-lhe. Precisava do seu nome para o reportar às autoridades competentes, quando estivesse a relatar a sua derrota vindoura.
- Podes tentar, Ventura Lobo, o Aventureiro... - e Fernando elevou a sua espada branca numa pose estranha de combate, não desconhecida do seu adversário, felizmente. - Anda cá, se 'tiveres pronto!
Dito isto, a espada branca caiu sobre o seu próprio manuseador, atingindo-o de chapa na cara, atordoando-o. Ventura Lobo, pensando que era um truque para o distrair, apenas redobrou a sua guarda.
- Que raio? Mas esta treta escapasse-me da mão sem mais nem menos?
Subitamente, o Vyz desfere um golpe com o pomo da espada na própria barriga.
- Mas à alguma maldição nesta espada?
Fernando desferiu um novo golpe em si próprio, desta vez cortando um pedaço da nhanha verde e purulenta que era a sua pele. Acreditando que a espada estaria amaldiçoada, o Vyx arremessou-a contra o adversário, esperando feri-lo para logo a seguir o atacar com as suas pútridas garras. A espada voou e cortou sibilantemente o ar, mas caiu pacificamente na terra seca à frente de Ventura Lobo. Este, curioso, não conseguiu deixar de pegar e admirar uma tão bela peça. Fernando, vendo que a maldição estava nas mãos inimigas, lançou-se ao ataque, surpreendendo Ventura.
- Agora vais morrer, humano!
Ventura Lobo conseguiu bloquear o ataque, levantando a espada agilmente, e tentou de seguida separar-se para se recompor.
- Esta é uma boa espada, Fernando. Não se devia ter separado dela. Agora, preparese, pois é a minha vez de atacar.
Não era não, pois o nosso herói levou igualmente com a espada de chapão na bochecha, para imenso gozo trocista do Vyx.
- Ah, vês? Uma espada que ataca quem a usa não pode servir para muito. Deve ter um feitiço sobre ela.
- Bom, na verdade, - respondeu Ventura Lobo, enquanto analisava os estragos inexistentes à sua cara. - bem vistas as coisas, até mereci, porque me esqueci do hífen na frase ameaçadora que disse. Enfim, acontece. Ah... mas será que? Deixe-me experimentar uma coisa.
Ventura Lobo falou para a espada.
- "O Fernando é bonito!"
Todos os presentes estranharam a afirmação, mas mais nada aconteceu. Ventura Lobo continuou:
- "O Fernando é bunitu!"
Imediatamente a espada caiu em cima do pé do seu portador, resultando num ror de pragas. Quando Ventura Lobo se acalmou, explicou finalmente a Fernando:
- Pois, é meu caro, creio que esta espada leva demasiadamente à letra a expressão de "corrector ortográfico", pois parece atacar quem comete calinadas no que diz.
- Então ela consegue ver textualmente o que nós dizemos?
- Fantástico, não é? Bom, podemos retomar o nosso combate, se calhar? Desta vez, mais silenciosamente, não queremos ofender aqui esta espada.
- 'Bora.
Ventura Lobo atacou, desviando-se das garras de Fernando movendo-se para a direita, o que lhe deu a abertura para desferir um golpe certeiro na sua lateral. Fernando, aparentemente imune à dor, arranhava futilmente o ar, pois Ventura conseguia sempre ou evadir o golpe ou deflecti-lo. Em cada ataque falhado, Ventura cortava mais uma camada da pele peganhenta e chutava-a para longe, para que não pudesse ser reabsorvida. Relembra-se que esta não era a primeira vez que lutava contra um Vyx, portanto a estratégia já estava definida mesmo antes do combate ser iniciado.
Depois de alguns minutos desta dança mortal, o Vyx estava magríssimo, e em desespero tentava absorver humidade do próprio ar, mas de nada lhe valeu.
- Misericórdia, Ventura Lobo! Imploro-te! Fugirei para uma caverna qualquer, não causarei mais problemas!
Ventura Lobo, com um esgar malicioso na cara, apenas disse:
- Sabe, os olhos de Vyx são muito procurados e valiosos nos dias de hoje.
- Não! Por favor! Peço te!
Foi a gota de água para a espada. Sem Ventura querer, ela lançou-se sobre o pescoço de Fernando e este desfez-se completamente, ficando apenas duas grandes esmeraldas que haviam sido os olhos de Fernando.
Ventura Lobo encontrou o cavalo do soldado e usou-o para compensar o tempo perdido para chegar a Virik Katal, não sem antes enterrar o irreconhecível guarda kataliano. Decidiu levar a espada dele como prova do que ocorrera ali. Pôs-se a galope pelas planícies, continuando a seguir a estrada.
Quando chegou à cidade imperial de Virik Katal, requereu uma audiência com as imperatrizes e apresentou-lhes a arma do soldado caído, contando-lhes o que se sucedera. Foi com desgosto que reagiram.

- Esta espada branca chama-se Venceslau. - disseram as duas em uníssono. - Era a espada de um dos nossos melhores guerreiros, Fil Lin Ot Lau.
- É horrível pensar que a espada partilhava parte do nome com ele, e que agora não terá o mesmo significado.
- Na nossa cultura, um verdadeiro guerreiro adopta parte do nome da sua espada, e não o contrário. Esta espada já tinha uma história milenar antes de pertencer a Fil Lin Ot. É deveras impressionante que tenha conseguido trazê-la de todo, pois Fil Lin Ot dizia que ela escolhia os seus mestres e não se deixaria usar por ninguém desmerecedor.
As imperatrizes, subitamente, começaram a murmurar uma para a outra numa linguagem que apenas elas compreendiam.
- Aventureiro, propomos-te um negócio, se estiveres interessado.
- Estarei interessado em ouvir, pelo menos.
- Sabemos que tens os valiosos olhos do Vyx. Propomos uma troca desses olhos pela espada, já que, apesar de tudo, a espada não é tua.
- Perdoai-me a impertinência, Majestades, mas tal acordo não seria uma desonra à memória de Fil Lin Ot Lau?
Riram-se levemente.
- Não, aventureiro, seria, muito pelo contrário, uma honra enorme. Ele era um kataliano que representava perfeitamente o espírito da nação, e saber que a sua morte resultou num negócio de valor tão grande seria tudo o quanto ele poderia almejar. Se quiser, para melhorar o negócio, oferecemos também o Fil, o cavalo dourado de Fil Lin Ot.
Assim persuadido, Ventura Lobo aquiesceu e nunca mais se separou de Venceslau.

Fil, o cavalo, perdeu-se tragicamente na fortaleza negra de Ung Bodun, muito tempo depois. Mas isso é outra história.


Relembrada a história de Venceslau, a espada, Ventura Lobo fez-se à estrada.
- Vamos, Venceslau, em direcção ao norte!
E levou uma traulitada na perna por se esquecer da maiúscula.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 17:05




calendário

Julho 2016

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D