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A Estátua - As Aventuras de Ventura Lobo

por Rei Bacalhau, em 17.08.16

Parvoíces anteriores relevantes....

 

Um raio de Sol rastejava progressivamente pelo chão folheado e fofo, fresco com o orvalho calmo e brilhante da manhã que despertava ao ritmo dos milhões de seres que a habitavam. Este raio de Sol fora o único que penetrara as densas copas dos carvalhos seculares das Matas Míticas de Tamor, escapando-se sub-repticiamente ao bloqueio natural e aquecendo desprezavelmente o solo. O Sol ascendeu o suficiente para que este pequeno raio de Sol, ainda por obstruir, conseguisse atingir uma lâmina metálica, ligeiramente fora da sua bainha. Este choque lento e progressivo lançou o raio em inúmeras direcções, mas a principal reflexão incidiu sobre um homem que dormia ainda, embalado pela espécie de canção terna que a Natureza lhe cantava maternalmente como que para o chamar docemente para um novo dia. Este despertar privilegiado foi interrompido pelo raio matreiro, mas o homem, que acordou ofuscado, não se pareceu preocupar. Sentou-se. Elevou os braços aos céus, esticando-os ao ponto de parecer que poderiam soltar-se do seu corpo, ao mesmo tempo que inspirou fundo o ar imaculado das matas. Soltou o ar relaxadamente e com prazer visível, desenhando-se um leve sorriso de satisfação nos seus lábios finos e expressivos. Olhou com alguma atenção o seu campo improvisado. A armadura estava devidamente arrumada a um canto, dentro de uma sacola de cabedal, protegendo-a de possíveis intempéries súbitas e de outros elementos. A fogueira há muito que se apagara, mas ainda emitia uma muito subtil aura de calor, totalmente insuficiente para manter quente o resto da refeição da noite anterior: uma lebre gorda de Bomundo. O homem afastou o cobertor húmido com que se tapara e estendeu-o num arbusto. Com o seu punhal Qanif cortou uns lombinhos da carcaça fria da lebre assada. Acompanhou a carne com umas rodelas de pêssegos que apanhara no caminho. Agarrou numa fatia de pão e barrou-lhe reticentemente uma porção de manteiga de iaque de Buzul.
Enquanto mastigava distraidamente, pôs-se a observar o carvalhal ancião, plantado por um rei de outrora para esconder as ruínas de uma grande cidade inimiga que ele acabara de conquistar. Por entre os escuros matagais podiam-se identificar ainda algumas estruturas enegrecidas e erodidas, rodeadas de musgo, tombadas, vandalizadas e pilhadas vezes sem conta, invadidas pela fauna e flora. Inexplicavelmente, apenas as estradas dessa cidade esquecida sobreviviam à passagem dos séculos, lutando corajosa e desesperadamente contra as raízes profundas e grossas dos carvalhos. Os insectos começaram a sua árdua tarefa de sobreviver mais um dia, uns mais alegremente que outros. As formigas já procuravam e transportavam os alimentos para as suas colónias, as abelhas exploravam as milhares de flores à sua disposição, muitas das quais tinham evoluído, magica ou naturalmente, de modo a crescer na próprias árvores, possivelmente parasitando-as, ou pelo menos não se adivinhando simbiose alguma. De um carvalho caído brotavam imensos e grotescos fungos, digerindo lentamente a carcaça dura e resistente. Seria de supor que alguns daqueles cogumelos já ali estariam há várias dezenas ou mesmo centenas de anos, dado que as borboletas adoptaram as cores variadas de cada um para lá se camuflarem, sendo que cada carvalho caído criaria potencialmente o seu próprio ecossistema.
O homem olhou finalmente para o chão imediatamente ao seu lado. A espada Venceslau ainda reflectia o raio de luz solar. Ventura Lobo pegou na sua fiel espada e disse-lhe, amigavelmente:
- Olha lá, ò Venceslau, se calhar esta introdução absolutamente desnecessária já se prolongou demasiadamente. Se não nos pomos a andar, ele ainda há-de escrever mais uns quantos parágrafos. Olha, apareceu ali agora um pássaro! Vamos embora antes que ele repare e comece a descrever a sua bela plumagem.
Venceslau pareceu tremer ansiosamente, concordando.
Deveras, Ventura Lobo arrumou todo o seu equipamento e pôs-se a caminho, interrompendo grosseiramente a descrição completa do carvalhal e potencialmente do tal pássaro, cuja existência é impossível de comprovar na perspectiva de narrador ausente.
Em cada encruzilhada que lhe aparecia naquela floresta labiríntica, Ventura Lobo tomava sempre a direcção que o levasse para o Norte. O seu plano era dirigir-se às esquecidas montanhas-cidade da cordilheira Ruq. Pouco se sabia sobre essa área inóspita, mas havia um caminho próximo que era regularmente tomado por aventureiros e mercadores. Não existem muitos relatos de loucos que se tenham aventurado naquelas montanhas de pedra e que tenham conseguido voltar, o que imediatamente permite o leitor perceber que irá acontecer alguma coisa a Ventura Lobo que o obrigará a lá ir.
Depois de meio dia a andar, Ventura saiu finalmente do carvalhal, podendo apreciar uma planície que se inclinava progressivamente até ao horizonte próximo repleto de montanhas que rasgavam as nuvens no céu como as garras de um ser imenso. Decidiu descansar à sombra do último carvalho antes de prosseguir. Não foi com grande surpresa que pouco depois viu um cavaleiro surgir na estrada que vinha do Norte. Ventura desembainhou a espada como precaução, mas não se levantou, esperando calmamente até poder avaliar devidamente a situação.
Estranhou ao reparar que o cavaleiro tinha o aspecto de ser um Maglu, com os quais já tinha tido várias desavenças. É raríssimo vê-los tão perto das fronteiras do Reino, e muito mais raro, ou mesmo inédito, é ver um Maglu sozinho. Mesmo os batedores vêm sempre pelo menos aos pares. À medida que se aproximava, Ventura distinguiu o seu arco composto na sua mão, e decidiu levantar-se e aproximar-se do carvalho para se proteger. Notou, no entanto, que o Maglu não lhe prestou atenção, e parecia mesmo estar a fugir de alguém, pois olhou para trás várias vezes. Ventura decidiu arriscar-se e mostrar-se, com a espada virada para baixo.
O Maglu parou o cavalo e esticou uma flecha no arco, apontando certeiramente para o nosso herói, mas não disparou.
- Diz-me, nobre cavaleiro Maglu, de que foges!?
- Desplezível homem naligudo, voltal pala tlás. Cavaleilos maus. Ao fundo. Muito plóximos! Nolte, muito mau!
- Não, discordo, essa agora, ele é um bom actor, para aqueles papéis específicos que faz, obviamente.
- Não, bulo homem. Não Nick Nolte. Nolte! - e apontou para o Norte, onde se elevava uma ligeira poeira.
- Ah, Norte! Peço desculpa, meu caro.
- Não calo! Muito balato! Pleço especial, sim? - e abriu o casaco de peles para mostrar um conjunto de bugigangas inúteis.
Mesmo estando em perigo, é impressionante como a capacidade dos Maglus de fazer negócio nunca desvanece.
- Não estava a pedir que se calasse, e também não quero comprar coisa alguma, obrigado. Estou mais interessado em saber quem o persegue, se me puder dizer. Eu diria que deve ser a ASAE, se calhar?
- Não, polco impelialista. Selem cavaleilos maléficos. Otto'Gháfiq! Otto'Gháfiq!
- Quem? Como? Otto quem?
- Otto'Gháfiq! - respondeu, apontando para a nuvem de poeira, e mergulhando para o interior da floresta, desaparecendo.

A nuvem de poeira aumentou gradualmente, e Ventura percebeu que seria altura de se esconder, pois uma força claramente superior se aproximava, e não lhe podia adivinhar as intenções, mesmo que estivesse a perseguir um Maglu. Agarrou na sua sacola e retirou-se para um local ligeiramente mais profundo da floresta, mas ainda perto o suficiente para conseguir observar os cavaleiros vindouros. Escondido atrás de um arbusto, esperou.
Se era uma patrulha, era exageradamente grande. Muito mais provavelmente seria algum tipo de força de ataque. Algumas dezenas de cavaleiros, em filas de três, eram agora perfeitamente distinguíveis a percorrer a estrada. Não seriam mais de cem.
Pararam na orla da floresta ordeiramente. Pareciam falar uns com os outros. Ventura reparou que não estavam todos uniformemente vestidos, muito pelo contrário. Notava-se uma quantidade variada de culturas ali presentes, juntas sob um propósito misterioso. Contudo, todos partilhavam o uso de um símbolo, nitidamente visível num escudo de um dos guerreiros. Este símbolo tinha a forma de um polvo com nove tentáculos, sendo que cada tentáculo tinha um padrão de cores diferente, mas que era consistente com os símbolos que se espalhavam pela companhia.
- Oh diabo, espero que não seja alguma referência lovecraftiana, já há demasiadas dessas nos dias de hoje. - comentou Ventura Lobo.
Enquanto não se decidiam sobre o que fazer, Ventura reparou num cavalo não montado na traseira da companhia. A sua sela Maglu não deixava dúvidas: era o cavalo do companheiro do Maglu que Ventura abordara.
Subitamente, a companhia começou a mover-se, troteando cautelosamente para dentro da floresta. Qual seria a reacção do Rei ao ver esta força invasora a penetrar nas suas terras? Por pequena que fosse, não deixava de ser preocupante. Quando as últimas filas começavam a entrar no carvalhal, o cavalo Maglu relinchou em desespero e esperneou, puxando o outro cavalo a que estava preso e derrubando o cavaleiro. Ventura Lobo conseguiu imaginar as profanidades que o guerreiro lançou ao cavalo. É provável que estivesse suficientemente perto para as conseguir ouvir, mas desta vez é preferível assumir-se que não estava para evitar transcrever todo aquele vernáculo próprio de alguém que acabou de cair de forma humilhante de um cavalo.
Um cavaleiro chegou da dianteira e, não querendo perder tempo com um animal assustado, deu ordens para prendê-lo a uma árvore. Deveriam estar certamente com pressa para abandonar um animal tão magnífico.
Ventura Lobo não iria perder a oportunidade. Correu para a planície à procura de uma erva aromática muito apreciada por estes cavalos (e num guisado também não ficava mal). Demorou uns bons vinte minutos, sendo que o cavalo o observava confuso, pois só via um homem a correr de um lado para o outro na planície como se fosse insano. Quando finalmente a encontrou, aproximou-se calmamente do cavalo e ficou cinco minutos a olhar para o horizonte, parecendo ignorar a presença do equídeo. Simultaneamente, passou este tempo a esfregar as mãos com a erva que apanhara.
O cavalo já parecia habituado à presença daquele forasteiro, mas mantinha-se cauteloso, não obstante estar preso a uma árvore. Ventura Lobo começou a aproximar a mão perfumada do focinho do animal. Este, hipnotizado pelo aroma da erva, aparenta assentir o gesto.

De repente, Ventura Lobo puxa a mão atrás e dá uma valente bofetada no cavalo. Mas não uma bofetada qualquer. Uma bofetada que reuniu toda a força que Ventura conseguiu concentrar nos seus músculos. Pernas, ancas, abdominais, peito, ombro, braço e mão, todos usados em sintonia para criar a bofetada perfeita. Uma bofetada que fez os pássaros debandar das árvores, que fez os arbustos vibrar pelo impacto sónico, que fez todos os seres da família dos cavalos no mundo arrepiar-se, pois foi uma bofetada que trespassou as convencionais barreiras limitativas dos sentidos físicos de um só indíviduo, repercutindo-se quase telepaticamente por vastas áreas e por várias gerações. No passado, um cavalo terá sentido um arrepio aparentemente por razão nenhuma. Foi devido a esta bofetada que ultrapassou barreiras temporais. O mesmo acontecerá no futuro. Uma bofetada que não se poderá comparar a um Mongo vs cavalo, nem a um Conan vs camelo, nem a um Bud Spencer vs "mau da fita genérico", nem a um Manel GT vs Esticlapisso, nem a qualquer outra referência obscura que se possa imaginar da cultura popular e de culto televisiva ou cinematográfica.
Coloquialmente falando, uma bofetada do caralho.

A agressão, aparentemente exagerada, é um passo necessário para o cavalo adoptar um novo dono. Seria fútil reflectir que tipo de psique submissiva e masoquista aquela espécie devia ter para justificar ritual tão estranho, mas felizmente Ventura Lobo conhecia-o e pôde colocá-lo em prática como já vira ser feito. Agora era uma questão de esperar que o animal reanimasse, pois caiu pesadamente no chão, relinchando de uma forma que mais parecia um balido ténue.
Ventura Lobo não gostava particularmente de magoar animais inocentes ou indefesos (a não ser para o seu próprio sustento), mas chegou à conclusão que seria melhor para os dois prosseguirem viagem juntos, em vez de deixar o corcel à mercê de alguém atado a uma árvore, humilhado.
Quando o cavalo acordou, já Ventura o tinha desatado e apanhara umas maçãs pequenas duma macieira que reparou estar ali próxima. Ventura também tinha descoberto mais algumas informações, através da investigação relativamente exaustiva do animal e do seu equipamento. Faça-se uma correcção desde já, pois o cavalo era na realidade uma égua. O seu nome estava inscrito na sela no estranho abecedário dos Maglu.

"Sa Rah"

Ventura Lobo sabia ler alguma coisa da língua escrita, mas sabia pouco sobre o significado de cada símbolo.
- Suponho que te vou chamar Sara e pronto, apesar de não me parecer muito próprio. - comentou ele na altura.
A pequena sela típica dos Maglu estava suja de sangue e tinha ainda o arco, as flechas, a lança e a espada do seu dono anterior, bem como os mantimentos e utensílios gerais de um batedor. Existia também uma sacola com capas de telemóvel baratas. Seria de supor que teria sido vítima de um ataque cobarde por parte dos estranhos cavaleiros, o que maior confusão ainda causou a Ventura Lobo, pois os Maglu não eram conhecidos pela sua indulgência e tal acto seria certamente vingado.
Lembrou-se da sua primeira aventura nos Planatos Analfabetos, onde adquirira as suas botas muito confortáveis. Tinha sido contratado por um chefe de uma aldeia que se situa na fronteira com as terras do Norte. Apesar da protecção do Rei, não era totalmente incomum que incursões Maglu se arriscassem a atacar os pontos menos defendidos. Numa dessas incursões, os atacantes levaram uma jóia, um anel, sem grande valor prático, mas de enorme valor sentimental para o chefe. Ventura Lobo foi encarregado de o recuperar. Encontrou o campo dos invasores nesse mesmo dia, à noite. Sob a protecção de um luar inexistente, conseguiu aproximar-se sem ser visto e evadiu as sentinelas que tentavam regatear o preço de um guarda-chuva cor-de-rosa.
O campo estava numa confusão completa, com todos os Maglus distraídos a vender uns aos outros os produtos que tinham pilhado. Ventura notou ao seu lado um Maglu adormecido, encharcado de vinho. Roubou-lhe o capacete e outras peças de armadura. As botas, em particular, tinham um aspecto extremamente confortável e Ventura, assim que as colocou, decidiu imediatamente levá-las consigo.
Agora estava suficientemente disfarçado para poder passar despercebido. Vasculhou o campo mais ou menos à vontade, tirando uma ou outra interpelação por parte de um ou outro Maglu a querer vender chinelos coloridos ou alguidares. De repente, nota uma pequena briga entre dois guerreiros. Pelo que percebeu, ambos afirmavam que uma certa peça do saque lhes pertencia. Um deles tinha a mão em punho, como se lá dentro escondesse algo e o outro berrava e apontava para ela. Os Maglu começaram a tomar partidos e a discutir fervorosamente entre eles.
Quando o primeiro soco voou, já há muito que Ventura se tinha escondido, percebendo que a situação iria descambar para a pancadaria ou, pior ainda, para uma troca intensa de insultos. A partir daí, teve a vida facilitada. Ventura imaginou que, pelo que tinha visto, o saque não tinha sido grande coisa, e mesmo um anel aparentemente inútil teria um valor relativamente maior. Pressupôs assim que o objecto da disputa seria o tal anel. Ventura viu o Maglu com o punho fechado fugir para os arredores do campo.
Agarrou numa pedra e apontou-a para a cabeça do fugitivo. Arremessou-a. Acabou por lhe acertar na perna. O Maglu caiu, catapultando a pedra verticalmente. Ainda tentou levantar-se para continuar, mas a pedra acertou-lhe em cheio na cabeça, amolgando-lhe o capacete e atordoando-o. Ventura aproximou-se rapidamente, abriu com dificuldade a mão do Maglu, roubou-lhe o anel e escapou-se na escuridão da noite.
Quando o devolveu ao chefe da aldeia, este pegou nele e refugiou-se imediatamente em casa, esquecendo-se de pagar a Ventura Lobo, murmurando algo sobre o "seu Querido".
- Pronto, já despachei a referência obrigatória ao Senhor dos Anéis. Voltemos à história principal. - comentou, suspirando levemente.

Deveras, Ventura Lobo nem reparara que Sara já se tinha levantado e o olhava expectantemente, se bem que ainda um tanto esgazeadamente. Preparou-se, arrumou o equipamento no parco espaço da sela e montou Sara, não sexualmente. Aliás, se não for dito o contrário, doravante nunca se poderá assumir que o verbo "montar" tenha conotações sexuais.
Ventura Lobo seguiu estrada fora, não obstante aos ziguezagues, devido ao estado mental não totalmente recuperado de Sara.

Com o passar das horas, o nosso herói aproximava-se a um bom passo das montanhas, tanto que a estrada se tornara incrementalmente mais íngreme. Como já se referiu anteriormente, estas montanhas continham estranhas cidades das quais nunca ninguém voltara. Ventura estava agora numa estrada na base de um vale estreitíssimo. Se por acaso fosse emboscado ali, só poderia escapar para a esquerda, subindo o vale em direcção do local das montanhas-cidade. Obviamente, como se poderia adivinhar, é precisamente neste momento que Ventura Lobo ouve o barulho galopante de cascos a bater contra a estrada maltratada. Não consegue perceber de que direcção o barulho vem, mas sabe pelo menos que o melhor é sair da estrada.
Como não podia deixar de ser, Ventura comanda Sara para subir a encosta à esquerda para se esconderem. Ao chegarem com dificuldade ao cimo (Ventura desmontou antes de lá chegar para poupar Sara), esconderam-se atrás de um penedo enorme e colocaram-se a observar a estrada lá em baixo.
Pouco depois, aparece um grupo de cavaleiros em tudo semelhantes aos que Ventura vira no carvalhal. Se não se tivesse escondido, teria ido ao encontro directo deles.
Galopavam o mais rapidamente que podiam, e pareciam não ter fim. Centenas de cavaleiros multiculturais passaram, todos ostentando o símbolo do polvo de nove tentáculos. Subitamente, Ventura começou a ouvir o ruído crescente de um exército a marchar. Esperou ansiosamente mais uns minutos e até já ouvia os cânticos de soldados.
Finalmente. Um pequeno grupo de cavaleiros surgiu, em passo lento, liderado por um homem de cabelo grisalho, mas do qual poucas mais características se podiam adivinhar àquela distância sem a ajuda injusta de um narrador omnipresente. Seguia-lhes um exército de infantaria de tamanho considerável. Ventura contou cento e noventa e nove linhas de dez homens por cada regimento, o que era uma organização muito peculiar. Entendia algumas palavras que diziam, mas outras soavam-lhe estranhamente. No entanto, conseguiu indiscutivelmente separar o tema principal dos vários cânticos.

- Otto'Gháfiq! Otto'Gháfiq! Otto'Gháfiq!

Era o mesmo nome que o Maglu perseguido tinha referido. Seria certamente alguma espécie de líder desta facção misteriosa ou um grito de guerra. Fosse como fosse, não era problema seu, ou não imediatamente.
Tinha de prosseguir para o Norte, em direcção ao Abade. Em direcção ao Livro.
O exército continuava a marchar e Ventura não poderia assumir garantidamente a sua hospitalidade. Decidiu abandonar a estrada principal e explorar as cidades-montanha atrás de si por outra passagem para o Norte.
Dito isso, virou-se.

A paisagem era árida e rochosa. Pouco parecia crescer ali, para além de um ou outro raro arbusto colocado esporadicamente na espécie de planalto em que Ventura se encontrava. Verdadeiramente, a característica mais impressionante daquele triste espectáculo eram as montanhas em si, que estavam longe de ter um aspecto natural. Eram formadas por imensos penedos que se elevavam no ar e se acumulavam uns em cima dos outros. Estes penedos não eram uniformes na sua forma, mas tinham consistência na estrutura que pareciam formar, como se tivessem ali sido colocados por um arquitecto.
Ventura Lobo dirigiu Sara na direcção de uma destas montanhas, para a investigar mais detalhadamente. Começou a notar umas incisões negras nos vários penedos, como se fossem pequenas grutas. Ventura ainda não vira vivalma, mas pensou que seria prudente desmontar e prosseguir pelo terreno acidentado a pé. Prendeu Sara atrás de uma pedra e desembainhou Venceslau. Depois de subir o que parecia uma escadaria irregular imensa, verificou que as incisões que vira eram de facto entradas para o interior dos penedos, que na verdade eram ocos. Outros buracos pareciam servir de janelas. Olhando em volta reparou em mais lances de escadas largas, que serpenteavam montanha acima até ao cume. Continuou a sua ascensão, pensando que do cume teria uma excelente visão para procurar uma passagem pelas montanhas.
Já estava quase à espera de ser surpreendido por um dos Flintstones, mas nos degraus deparou-se subitamente com uma estátua, ligeiramente maior que ele. Era a estátua de um guerreiro, com uma lança e escudo enferrujados. O seu estilo estético contrastava totalmente com o resto da cidade, pois a pedra parecia polida e suave, e os contornos faciais e musculares estavam perfeitamente definidos. O cabelo era feito de fios de cobre, meticulosamente colocados uns ao pé aos outros de modo a simular cabelo real. Estranhamente, os olhos haviam sido esculpidos de forma a estarem fechados. Se tal facto era algum tipo de aviso ou mensagem, Ventura Lobo desconhecia. A estátua aparentava, apesar de tudo, estar em bom estado de conservação, com uma excepção: o que estaria na sua zona genital tinha sido vandalizado, ou melhor dizendo, completamente retirado, notando-se o que pareciam ser várias marcas de um cinzel.
- Nem quero imaginar do que é que era feito para terem querido tirar-to, ò amigo! - disse Ventura à estátua, futilmente. - Realmente não há decência no mundo.
Foi com menor surpresa que Ventura Lobo encontrou outras estátuas ao longo da escadaria. Algumas dentro das casas, encostadas aos parapeitos das janelas, outras sentadas pensativamente nos degraus, outras em pé, olhando melancolicamente o horizonte para todo o sempre. Todas pareciam profundamente aborrecidas e todas tinham os olhos fechados.
- Quem esculpiu estas estátuas estava a ter um dia mesmo mau, com mil diabos!
As estátuas tornaram-se mais numerosas à medida que Ventura Lobo se aproximava do cume. Uma multidão de dezenas delas esperava impacientemente à volta de uma espécie de pirâmide cortada que formava o pico daquela montanha específica. Ventura escalou estes últimos degraus íngremes e apenas encontrou duas outras estátuas, ambas sentadas num banco de pedra largo mesmo no meio da praceta que a pirâmide cortada formava.
Ventura Lobo embainhou finalmente a espada Venceslau. Olhou para o horizonte e viu que as outras montanhas estavam construídas similarmente a esta. A área era verdadeiramente inóspita, mas Ventura não percebia o que é que causava os aventureiros a vir aqui e nunca voltar.
Perscrutou o Norte, procurando uma passagem possível.

- Que procuras, forasteiri? Nesti terri há pouqi para se encontrar. - disse uma voz profunda e lenta.
- Ventura Lobo virou-se dramaticamente, fazendo o seu cabelo voar como num anúncio genérico de champô, preparando a espada, mas não viu pessoa alguma.
- Quem falou!?
- Fui eu, forasteiri, nem tudo está morti aqui. - uma das estátuas que estavam sentadas no banco levantou-se. Era a primeira estátua que Ventura via com os olhos abertos e verdadeiramente não reparara se já o estavam anteriormente ou não. Coincidente e paradoxalmente, era a primeira vez que via uma estátua mexer-se de todo.
Ventura largou a sua espada, que deslizou de volta para a bainha. Já deveria ter percebido há muito que os habitantes daquela cidade tão esquisita eram as próprias estátuas. A que falou não parecia ser agressiva, o que assegurou Ventura.
- Perdão, meu caro, mas nunca tinha falado com um ser de pedra, nem tão pouco sabia que existiam.
O ser aproximou-se lentamente, parecendo carregar um imenso fardo invisível às suas costas. Era uma criatura significativamente maior que Ventura, em termos de altura e largura. Os olhos eram uma espécie de rocha negra muito polida, que conseguiam mesmo assim revelar uma quantidade imensa de emoção. Em tudo o resto era semelhante às outras estátuas, ou melhor, aos outros seres. Os seus cabelos metálicos eram longos, e balançavam de um lado para o outro como cabelo humano. Os genitais aparentavam ter sido removidos também.
A criatura apresentou-se num discurso longo e enrolado, como se não falasse há muitos anos.
- Eu chamo-me Riq, e sou i últimi dis Ruqi que dão i nome a estis montanhis. É rari que venham cá forasteiris, e quando vêm é normalmente ai procuri de tesouris. Diz-me entã, foreasteiri, que razã tens para subir ai cume de Ruquru, i minhi cidadi? Aviso-te já que nã há cá tesouris. Is que há estã nis montanhis mais para i interior, portanto, se is quiseres, tens de continuar caminhi.
Com tanto erro ortográfico, Ventura assumiu que a sua espada Venceslau estaria exasperadamente ofendida, mas para sua surpresa, estava perfeitamente calma.
- Saudações, Riq, o último dos Ruqi. Sou Ventura Lobo, aventureiro em missão real. Devo dizer que a sua cidade gerou uma quantidade de perguntas na minha mente que teria dificuldade em responder sem o auxílio de um habitante. Mal sabia eu que conhecer um dos habitantes traria ainda mais questões! Sem ofensa, compreenda.
- Is Ruqi há muiti que foram esquecidis. Já nã me admira que passem por aqui e fiquem admiradis peli triste espectáculi que é i minhi casi. Há muiti que não falo com alguém, se quiseres fazer perguntas, estás ai vontade, estrageiri.
- Agradeço a disponibilidade, meu caro. Devo dizer que o assunto que me mete mais impressão neste momento é a sua forma particular de falar, pois mais parece estar a falar uma má versão de italiano.
Riq fez uma exalação estranha, podendo ser um riso, um choro, um suspiro, ou uma combinação dos três.
- Para compreenderes i minhi maneiri de falar, teria de te contar muiti. Vem sentar-te comigui, se i tui interesse for genuíni.
Ventura aceitou o convite, não detectando qualquer tipo de má intenção. Sentou-se entre Riq e o outro Ruqi, parecendo uma criança no meio dos dois.
- Vou começar nim ponti em que seja fácil para ti compreenderes. Is Ruqi habitam esti cordilheiri desde quase sempre e através dis váris gerações estabelecemos uma sociedade muiti estável e prósperi, nã sem muitis erris peli caminhi, obviamente. Quando is montanhis passaram a ser insuficientes para i nossi populaçã, começámos a construir novis montanhis di nadi, e i cordilheiri cresceu. Is nossis polítiqis tinham tã pouqis problemis que começaram a arranjá-lis onde nã existiam. A certi alturi achou-se que deveria haver igualdade de direitis para is dois géneris de Ruqi, cujis termis já me esqueci. Aceitámos que todis tivessem is mesmis direitis e deveres.
- Mas isso até faz sentido. Ou pelo menos parece-me que sim... - interrompeu delicadamente Ventura.
- A nós também nos pareceu, mas i igualdade de direitis e deveres só se pode aplicar a seres mineralogicamente iguais.
- Mineralogicamente? Como assim?
- Biologicamente, ni casi dis seres glandulares.
- Ah, compreendo. Continue.
- Se nã existe homogeneidade em todis is indíviduis de umi sociedade, nã se pode aplicar is mesmis regris a todis. Nã vimos essi faláci a tempi. Consequentemente, leis bizarris começaram a ser aprovadis. Umi dis primeiris foi i fim dis casis de banhi públiqis separadis. De seguida foi i mudanci di modi de falar e escrever. Existiam tantis palavris que diferenciavam entre is géneris, algumas dis quais já disseste hoje, aventureiri, e que já me tinha esquecidi. Entã arranjaram-se formis neutris para fomentar i igualdade nis palavris.
"Por isso é que Venceslau não está aos saltos em agonia. A espada percebeu logo que Riq está a falar uma espécie de dialecto e a forma incorrecta das palavras é simplesmente um sotaque." - pensou Ventura.
- Por isto é que tens dificuldade em compreender-me, aventureiri, tal como eu nã te compreendo perfeitamente.
- Mas imagino que tais medidas tenham tido consequências mais graves? Imagino que houvessem equívocos constantes no dia-a-dia?
- Is equívoqis nã eram i pior. I pior foi que is pessois, inebriadis com i espíriti di igualdade total, deixaram de ter Ruqinhis pequeninis, porque apesar de serem necessáris dois Ruqi para gerar um Ruqinhi, ambis is partes tinham um papel diferente... se bem que nã me lembro exactamente quais eram...
- Um seria a mãe e o outro o pai, suponho?
- Nã conheço essis palavris. Ou nã me lembro. Nã sei. Sei apenas que is Ruqinhis deixaram de aparecer. Mas a situaçã ainda piorou mais. Is pessois simplesmente nã se conseguiam esquecer que eram diferentes enquanto houvessem provis visíveis de que realmente i eram. Por todi i ladi viam-se... nã me lembro i nome... i que tínhamos aqui... - e apontou para a virilha.
- Espera lá, Riq. Está a dizer-me que vocês removeram os vossos próprios genitais propositadamente em nome da igualdade?
- "Genitais", sim, é isso. É essi i nome. E sim, fizemo-lo, e tínhamos de i fazer váris vezes, pois elis cresciam de volti, como se i nossi própri corpi soubesse que i igualdade total é umi ilusã.

Instalou-se um silêncio desconfortável enquanto Ventura Lobo tentava digerir a informação que recebera.
- Diga-me, Riq, você lembra-se sequer o que era antes? Suponho que... o seu... enfim... o seu orgão tenha tentado crescer de novo...?
- Nã, nã me lembro i que eu era. Só me lembro que i Ruqi ai tui ladi era i miu esposi, mas também nã sei i que eli era. Não me lembro. E i mui "genitais" já parou de tentar crescer, desde i iníci di Grande Depressã.
- Uma crise económica?
- Nã, literalmente umi grande depressã social, que contagiou todi i populaçã. Quando nos tornámos totalmente iguais exaltámos i utopi que criáramos, mas pouqi depois percebemos que tínhamos perfurado umi vazi enorme ni nossi ser. I nossi existênci deixou de ter qualquer significadi se nã podíamos manter i cicli normal de umi vidi Ruqiani. Para quê trabalhar se nã tínhamos umi famíli para sustentar? Para quê tentar seduzir alguém, se era impossível gerar Ruqinhis? I sociedade ruiu, e tornámo-nos individualistas, e cada umi isolou-se ni sui casi, cada umi ni sui canti. Compreende, Ventura Lobi, que somos feitis de pedri por fori, mas por dentri somos tã emocionais como qualquer outri ser, ou talvez mais. Is Ruqi, deprimidis, começaram a... enfim, morrer nã é i palavri certi. Começaram a fechar is olhis, para nunca mais is abrirem, apesar de nã estarem realmente mortis. Simplesmente nã têm razã de viver e desligaram-se di mundi, criando umi cemitéri vivi de estátuis, como is pouqis visitantes que cá vêm dizem.
- Então todas as montanhas-cidade no horizonte estão assim? Mortas? Ou melhor, desligadas?
- Sim. Nis tempis finais, is Ruqi que restavam perceberam que nã queriam ficar sozinhis e começaram a juntar-se aqui. De pouqi lhes valeu, pois só se aperceberam ainda mais rapidamente i quão fútil tudi era. Fecharam quase todis is olhis ai mesmi tempi. Eu estava aqui, nesti síti exacti. I mui esposi juntou-se-me aí onde eli está agora. Nem me disse umi palavri. Só suspirou e fechou is olhis. Fiquei sozinhi desde aí.
- Bolas, isto está a ser um texto muito mais sério do que imaginei que seria...

Novo silêncio contemplador.

- Isso foi há quanto tempo? - perguntou Ventura, como se o silêncio nunca tivesse ocorrido.
- Nã sei, mas já vi is fumis de centenis de guerris e batalhis ni horizonti. Já vi torris imensis a ser construídis e abalroadis. Testemunhei todi i tipi de catástrofes. Observei is minhis queridis cidadis a deteriorar-se com i passar dis eris, atacadis por chuvis, ventis e pilhantis.
- Riq?
- Sim?
- E você?
- Como assim?
- Porque é que ainda não fechou os olhos?
As esferas negras que eram os olhos de Riq pareceram humedecer-se.
- Nã sei. Nunca soube como é que is outris i fizeram. Já tentei váris vezes, mas pareço estar presi numi espécie de maldiçã. Há algo que me mantém vivi. Algo que me diz que i mui trabalhi ainda nã acabou.
- É esperança, se calhar?
Riq abanou negativamente a cabeça gigante.
- Culpi.
- Culpa? Porquê?
- Porque fui eu quem propôs is primeiris ideis de igualdade total. Eu sou i responsável peli morti dis Ruqi, e suponho que me mantenho aqui para avisar is civilizações presentes ou futuris dis periguis de tais ideis, se levadis ai extremi.
- As minhas aventuras normalmente envolvem uma boa quantidade de parvoíce, e acho que é a primeira vez que lidei com uma situação tão séria. Posso apenas esperar que isto seja uma partida monumental e que o Riq me aponte para o sítio onde estão as câmaras dos apanhados, para depois aparecer na SIC.
- Estás com azar, aventureiri.
- Nada do género, então?
- Nada.

Ventura Lobo reflectiu durante um momento. Subitamente, levanta-se energicamente.
- Diga-me, Riq, já tentou acordar os seus compatriotas do seu torpor?
- Todis is dias, de todis is formis que me vêm ai cabeci. Umi vez até contratei umi Magui poderosi que procurava umi Demóni qualquer, mas eli pouqi pôde fazer, pois disse que is Ruqi nã tinham vontade de serem acordadis.
- Essa agora... E ele deu alguma sugestão sobre onde se poderia ir buscar essa vontade?
- Eli era umi individui misteriosi e vagui. Apenas respondeu que i soluçã está ni Bem.
- Com "B" grande?
- Creio que sim.
- Parece-me estranho, pois aqui não há grande possibilidade de fazer o Bem.
- Isso foi i que eu lhe disse. Eli aconselhou-me paciênci, pois i dia viria.
- Ou seja, esse Mago era maluco.
- Nã sei, aventureiri.

O Sol começara a descer, e as sombras das montanhas enegreciam as planícies áridas de Ruq.
- Começa a ficar tarde, Riq. Acha que me permitiria passar aqui a noite para retomar caminho amanhã?
- Claro que sim, aventureiri, até agradeço i companhi.
- Já que estamos no assunto, poderia também perguntar se....
Ventura Lobo interrompeu-se ao ouvir um barulho galopante. Aproximou-se dos degraus da pirâmide e surpreendeu-se ao ver Sara a subir agilmente a cidade. Parecia alarmada.
- Que se passa, bicha? Qual é a pressa? E como é que num raio é que te soltaste!?
Sara não precisou de responder, não que o pudesse. Olhando para baixo, Ventura viu que um conjunto de cavaleiros se reunira no sopé da montanha-cidade de Ruquru.
- Riq! Conhece-los!?
Riq abeirou-se placidamente dos degraus e olhou longamente para os homens lá em baixo.
- Sim, sã is serventes de Otto'Gháfiq. Já cá apareceram umis vezes, a querer converter is habitantes daqui para i culti delis, com pouqi sucessi. Pessoalmente, nã gosti muiti delis, nem nunca lhes dirigi i palavri, pois nã gosto de pensar ni mui povi subjugadi por umi culti estúpidi.
- Um culto? Essa agora...
- Sim, umi culti. Estranhamente, elis parecem saber que is Ruqi estã vivis, pois os cultistas vêm falar com elis algo futilmente. Eu deixo-is falar ai vontade pois pode ser que consigam acordar algumi delis. Devo dizer que nunca vieram cá armadis, i que me deixa numi novi nível de preocupaçã.
Riq olhou para o olhar expectante de Ventura.
- Elis estã aqui por tui causi, Ventura Lobi? Que fizeste?
- Poderei ter roubado um cavalo que eles roubaram a um Maglu. Em minha defesa, devo dizer que eles abandonaram o cavalo na orla de uma floresta.
- Abandonaram umi cavali Maglu? Parece-me duvidosi...
- Ela recusou-se a entrar na floresta e eles abandonaram-na. Digo a verdade, Riq.
- Nã preciso de tautologismis. Eu acredito em ti. Só espero que nada de mal ocorra a Ruquru.
Dito isso, Riq desceu as escadas e pegou um velho escudo de ferro maciço e um martelo pesadíssimo. Colocou-se em sentido, mantendo-se perfeitamente imóvel, parecendo simplesmente mais uma “estátua”.

Ventura Lobo mandou Sara subir os degraus. Desembainhou Venceslau. Virou-se para a escadaria donde os cultistas viriam.

E esperou.

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