Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




A Farewell To Kings

por Rei Bacalhau, em 10.12.17

Trump.

 

Começo este texto com esta palavra para o leitor saber imediatamente do que é que vou falar.

Quando ele foi eleito eu considerei-o insignificante e pouco perigoso. Controverso q.b., mas desde então tem dado maioritariamente mais razões para rir do que outra coisa. Tudo mudou recentemente, quando ele disse lá aquela coisa de Jerusalém. Eu não sigo demasiadamente as notícias políticas, não tenho paciência (se quisesse ver novelas bastar-me-ia a TVI, pelo menos tem gente mais bonita), por isso desculpem-me se não estou totalmente a par dos factos.

A violência recente um bocado pelo mundo inteiro fez-me concluir que eu estava errado quanto ao efeito que Trump teria como presidente dos EUA.

Quer dizer, não exactamente errado. Mantenho a tese de que o Trump é um tipo relativamente inofensivo a longo prazo. No entanto, parece-me que há uma grande percentagem de pessoas por esse mundo fora que não sabe que personalidades egoístas como a do Trump regozijam e alimentam-se de atenção. E esse mesmo número de pessoas não sabe que nunca, mas nunca se deve alimentar esses egos.

 

O pessoal fez tudo ao contrário. Revoltou-se e mandou vir e andou à porrada e matou. Consigo imaginar o Trump muita contente enquanto passeia a mulher pelo jardim (com trela e saquinho, ele não é um monstro ora essa):

"Ah, sim, eu disse uma coisa e toda a gente ouviu."

 

 

(ah.. a ironia de usar uma referência cómica que inclui um judeu)

 

Ou seja, no fundo, eu deveria ter percebido há muito que o problema nunca foi o Trump. É mais que óbvio que o problema são as pessoas que ele provoca.

Não me venham com moralismos e politiquices. Se bastou umas pequenas frases para sublevar todas as nações muçulmanas contra Israel e os EUA, então era simplesmente algo à espera de acontecer de uma forma ou doutra.

Gostaria de clarificar que não estou a defender nem um lado nem outro. Sinceramente, estou-me nas tintas para Jerusalém (apesar da sua relevância histórica e cultural num ponto de vista antropólogo, tenho zero interesse em meter lá os pés presencialmente, por razões óbvias).

Contudo, não posso de modo algum defender a violência levada a cabo pelo que eu assumo que é uma minoria muçulmana particulamente radical (e mostrada mais na TV porque é isso que vende).

Um americano diz uma palavra e alguém do outro lado do mundo começa a levar com mísseis? Não me parece justo, mesmo que seja em nome de Jerusalém, de Deus, de Deus, de Deus, do Buda ou do Monstro Voador de Esparguete.

(sim, disse Deus três vezes porque basicamente estamos a falar do mesmo gajo partilhado por três religiões)

 

Gostaria também de clarificar que não estou necessariamente a chamar aos muçulmanos uma cambada de bárbaros mal-educados que só sabem resolver as coisas à espadada. Acredito e reforço a minha crença de que em qualquer que seja o contexto é sempre uma minoria a fazer as coisas mais extremas. 

O pessoal pode escrever muito sobre como condena as acções de um lado e do outro, mas uma hora depois vai revoltar-se contra o Jorge Jesus porque disse alguma coisa mal sobre o seu clube, e não notará a sua própria hipocrisia conceptual.

Sim, acabei de comparar política mundial com futebol. Chamem-lhe nacionalismo, zelo, amor à camisola, o que for. É tudo fanatismo, e tudo partilha o mesmo tipo de ódio e rancor e partidarismo.

É sempre "nós contra eles".

 

O que é que dirão de nós daqui a cem anos? Olharão para nós com o mesmo sentimento de perplexidade com que eu olho para os horrores que os reis de outrora fizeram uns aos outros? (exemplo rápido, investiguem quem foi Leopoldo II da Bélgica)

Não sei, sinceramente, mas sei que não sou o primeiro a questionar-me sobre isso: os Rush sempre se preocuparam muito em entregar alguma mensagem nas letras dos seus temas, muitas vezes bastante directamente, como é no caso de A Farewell To Kings, que partilho para reflectir.

Hmm... têm é de abrir a letra num separador ao lado para acompanharem. Nos anos 70 a dicção não era tão importante como demonstrar a gama vocal.

 

Rush, A Farewell To Kings:

 

 

(pontos bónus, eles são canadianos, portanto toma lá Trump, seu magnífico troll)

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:37




calendário

Dezembro 2017

D S T Q Q S S
12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D