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A Guerra - Epílogo: Veteran Of The Psychic Wars

por Rei Bacalhau, em 22.01.17

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- Bom dia, eu telefonei há bocado...
- Ah, sim, é para vir buscá-lo?.. Sim sim, já sei... O senhor é amigo ou é família?
- Sou um bocado de ambas as coisas, para ser sincero.

A assistente escoltou o homem pelos corredores tristes do hospital.

"Não, não morras, não tu também. Ajudem-no... por favor. Parem de disparar, ele está a morrer..."

- Como é que ele está?
- Sempre na mesma. Come pouco, mas come. Nunca fala, excepto às vezes quando está sozinho. Quase todos os veteranos aqui são mais ou menos assim, mas ele isola-se muito mais do que os outros.

"Matei mais um... tiro certeiro... vinha a subir a rua, armado em esperto... não... não está certo... ele não morreu... está no chão, agoniado... os colegas tentam arrastá-lo... Tu também... morto, já não ajudas ninguém..."

- Diga-me com franqueza: ele costuma chorar?
- Achamos que sim, pois a almofada dele costuma estar húmida.

"Oh não, não! Olhem, eles estão a bombardear Alvim! Chegámos tarde demais! Não pode ser, temos de fazer algo... Larga-me! Não!... Não!... Como é possível...?"

"Estão todos mortos."

- Mas ele nunca foi violento?
- Não, de todo, quem me dera que nesse aspecto todos fossem assim... Em dias bons ele até sorri à cozinheira no refeitório, diz-se.

"Morrerão todos. Prometi nunca mais matar alguém, mas morrerão todos. Arranjarei maneira"

- É já ali. Quer que o deixe sozinho?
- Sim, se fizer o favor, agradeço-lhe imenso.

"Ah, mas eu é que sou o calado. Eu é que sou o mariquinhas. Eles não sabem as coisas que fiz. Aqueles que matei. Aqueles que vi morrer. Porque é que não consigo deixar de os ver!? Como é que dizem que a Guerra acabou? Eu vivo-a todos os dias, uma e outra vez. O massacre de Carfes, o bombardeamento de Abrunhos, a derrota de Profal. Eu só quero retirar. Mandem-me para a retaguarda. Não quero viver naquele inferno. NESTE inferno. Ainda ontem ouvi dizer que a Guerra acabou há quatro anos. Como é possível!? A Guerra continua. Nunca acabou..."

A porta do quarto abriu-se. Os dois amigos trocaram um olhar longo. Não se viam há anos.

 

 

- Olá, Lucas.

 

 

"A Guerra continua. Nunca acabou."

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publicado às 00:00


2 comentários

De Maria Araújo a 23.01.2017 às 23:36

O tempo é pouco para o ler.
Hei-de aparecer.

De Rei Bacalhau a 24.01.2017 às 18:53

Obrigado pelo comentário, que relembrou-me que eu tinha de adicionar links entre as secções deste texto.

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