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A Reforma

por Rei Bacalhau, em 31.12.17

Não, não estou a falar de reformas antecipadas em que deixo de trabalhar. Nem com o dobro da minha idade poderia fazê-lo, imagino eu.

A Reforma a que o título desta publicação se refere é um conjunto de medidas que vou tomar no ano de 2018 para mudar o rumo do meu modo de viver.

Resumidamente falando, sou um tipo bastante pusilânime e fraco que não consegue fazer grande coisa sozinho, tanto por falta de capacidade como por falta de vontade. Não gosto de fazer coisas sozinho e como não gosto de chatear ninguém, também nunca tento convencer alguém a ir comigo a qualquer lado.

 

Criei um documento imenso (que não vou partilhar aqui porque tem dados pessoais) que lista e explica cada um dos meus maiores problemas e uma possível solução respectiva, como farei um resumo de seguida:

 

  • Passatempos: como se poderá imaginar pela minha participação na Revista Inominável, o passatempo que mais me suga tempo são os videojogos e a visualização de videos sobre videojogos. Pretendo mudar isto cortando imensamente no tempo gasto a jogar e a investi-lo em actividades como música (ouvir e tocar), literatura (ler e escrever), construção de modelos (Legos para crescidos, basicamente), fotografia, entre outras coisas.
  • Saídas: uma das minhas maiores limitações é o facto de não gostar de ir a lado nenhum sem ser acompanhado, o que me impede de ir seja onde for em quase todas as circunstâncias de tempo livre. Vou tentar combater isto começando a ir a sítios sozinho, o que poderá ser mais difícil do que um humano normal possa imaginar (uma ida ao cinema sozinho, por exemplo, é algo que me aterroriza, mas enfim).
  • Burrocracias: o erro ortográfico é propositado. Apesar de nunca ter gostado de papéis, documentos e coisas formais, cheguei a uma ponto da minha em que realmente tenho de acordar para saber desenrascar-me em termos de organização de burocracias e finanças pessoais.
  • Capacidades: um dos focos mais importantes da Reforma é a aquisição de capacidades básicas humanas do dia-a-dia. Coisas escandalosas como cozinhar ou andar de bicicleta (ou mesmo, no rídiculo, lavar a roupa). O propósito principal disto é o aumento da minha independência de outras pessoas.

 

Não acredito que a minha disciplina pessoal me vá permitir aderir fanaticamente a todas as regras estúpidas que delineei para mim próprio, mas qualquer melhoramento que venha desta tentativa de me reformar já terá valido o esforço mental.

 

Tenho a tradição de no mês de Dezembro colocar sempre uma música do álbum Made in Japan dos Deep Purple, em celebração do seu aniversário de lançamento. É curioso que até agora não tenha ainda falado da música Lazy, a magnum opus dentro da magnum opus. Admito que a maioria dos meus problemas advêm da minha preguiça, e então gostaria de utilizar umas das melhores músicas alguma vez tocadas ao vivo como simbolismo para esta nova fase da minha vida, destinada a durar pouco mais do que uma semana.

 

Lazy, do álbum Made in Japan, dos Deep Purple. Reservem 11 minutos do vosso dia e fechem os olhos. Aconselha-se um bom sistema de som.

 

 

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publicado às 12:44


7 comentários

De Anónimo a 31.12.2017 às 21:25

Um Bom Ano para si.
Volto cá para o ano.

Cantinho da casa.

De Rei Bacalhau a 31.12.2017 às 22:46

Muito obrigado, boas entradas :-)

De Maria Araújo a 01.01.2018 às 15:22

Ora vamos lá começar o ano da melhor forma.

Só agora li o post e acho que expressar os seus desejos para uma "reforma" mudança já é um grande passo.
Ao som de Deep Purple, oh! como eu gosto e não escuto há tempos!, gostaria de opinar que:
Passatempos: nada a comentar.

Saídas:
A companhia é sempre bem-vinda, ocupa-nos horas de "solidão", mas nem sempre pode ser eficaz.
Sozinho pode usufruir de coisas belas que o outro(a) pode não apreciar e torna-se, então, um estorvo, corta-nos a liberdade de decidirmos o que queremos viver naquele momento, de apreciarmos a beleza das coisas mais pequenas, do momentos mais simples, de respeitar o nosso silêncio, inclusive.
O único senão é jantar sozinho.
É o que sinto se quero viajar, nada mais que isto.

Cinema:
Porque não sozinho?
Adoro ir ao cinema sozinha, não me incomoda nada.
Muitos momentos tive que era a única presença numa sala tão grande.
Comece, se tiver oportunidade, por ir à tarde. Vai-se habituando e, quando tal, vai a qualquer hora do dia, desde que lhe apeteça ver um bom filme.

Burrocracias:

Odeio e papeis, por vezes, esta mesa da sala ( porque detesto estar no escritório que tenho e que não me serve, mas já serviu, para nada, actualmente) está repleta de papeis de supermercado, de facturas de médico, mas chega uma altura que revolto-me e arranjei uma estratégia.
As facturas de compras, com contribuinte, meto-as numa caixa.
As que são despesas para o IRS guardo numa mica e ficam na pasta de arquivo. Não as ordeno por datas, nada disso, apenas as guardo. Na hora do IRS separo o que diz respeito a saúde e outros e trato da soma.


Capacidades:
O meu irmão mais novo, habituado a não fazer nada cá em casa, quando casou a 1ª vez, criou hábitos de partilhar tarefas em casa. Separou-se, veio para minha casa. Esteve cá 6 anos e não fazia nada.
Casou 2ª vez.
A esposa não gosta de cozinhar.
Ele adquirira alguns conhecimentos enquanto estudava fora, passou a ser ele o chefe da cozinha.
Hoje, é um excelente cozinheiro, que não de profissão, experimenta quase todos os tipos de gastronomia do mundo, fá-lo com gosto e se tivesse o azar de ficar desempregado, garanto que teria sucesso se abrisse um restaurante.
Ah! Desmonta e monta bicicletas, há anos é o seu meio de transporte para o trabalho
Andar de biccleta, eu não me atrevo, não sei andar, mas se sabe, vamos lá arrisque.
Faz bem à saúde e à mente.
Lavar a roupa, sim, já tem algo que se lhe diga. Outro dos meus irmãos passa a sua roupa a ferro... e não fazia nada de nada cá em casa.
A mulher pô-lo a fazer estas tarefas.

Bom, desculpe estar a dar aqui exemplos que podem não ter dignificado nenhum.São apenas para mostrar que vale a pena tentar.
Garanto que a pouco e pouco, vai lá chegar. Uma grande aventura mas vai agradecer que as regras estúpidas que delineou vão ser motivo de orgulho de que quando se quer consegue-se.
Um Feliz Ano 2018.

De Maria Araújo a 01.01.2018 às 15:25

desculpe algumas falhas... estou a teclar sem luz directa mo pc, ahahah!

De Rei Bacalhau a 01.01.2018 às 17:49

Se houve falhas, não as vi. Tenha é cuidado com os olhos e tal, que dizem que isso faz mal!

De Rei Bacalhau a 01.01.2018 às 17:48

Devo desde já agradecer a sua magnânima resposta.

É evidente que sair seja onde for sozinho faz sentido para qualquer um, até para mim, mas nunca gostei de o fazer porque sinto que gostaria de ter alguém com quem conversar/discutir sobre o que estou a ver.

O caso do cinema é estranho, porque apesar de ir um bocadinho na direcção da afirmação anterior, a verdade é que durante um filme deveríamos estar com atenção total nele, e não a conversar.

Quanto a burocracias, eu nem sei que despesas são dedutíveis em termos de IRS...

Quanto à falta de capacidades, a minha ideia é treinar-me antes que me aconteça o que aconteceu ao seu irmão. Um dia virá em que terei de me desenrascar sozinho em todos os aspectos da vida doméstica, e por isso quanto mais cedo aprender, melhor (se bem que nalgumas coisas já vou escandalosamente atrasado).

Agradeço as suas palavras e os seus exemplos, que certamente reforçam e incentivam as minhas ideias. :-)

Desejo-lhe igualmente um excelente ano. Espero que daqui a 364 dias eu esteja a acabar de escrever um relatório sobre os resultados da Reforma.

De Maria Araújo a 01.01.2018 às 18:55

Óbvio que quando terminei o meu comentário, pensei no seu parágrafo final.
Quanto a uma companhia, compreendo.
Por vezes, também gostava de a ter, sobretudo para passear e conhecer este país que conheço uma parte.
E viajar sozinha e de carro, não me atrevo.
Vá, tente, porque sei que vai encontrar a companhia(companheira ideal) para si.
Um Bom Ano e obrigada por ler a cota que está do lado de cá.

Beijinho

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