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Abaixo com as vossas revoluções!

por Rei Bacalhau, em 25.04.14

Eu não percebo nada de política nem de economia nem de sociedade. Dito isto, estou nas condições perfeitas para escrever algo exactamente sobre isso, como se vê tantos a fazer neste dia!

 

Parece-me estranho ouvir as pessoas falar de revoluções e de como isto precisa de uma mudança e tal. Não me parece fazer muito sentido fazer uma revolução nova sem haver nenhum plano ainda de como seria a nova sociedade... O que mudaria? Estaríamos menos enrascados do que estamos agora? Pessoalmente não vejo o que é que poderia mudar...

 

O quê.. mudariam os políticos? Mudariam os partidos? Gostaria de saber o que é que fariam os iluminados do nosso país, esses doutores e filósofos nas tabernas e nos Facebuques, a discutir e a puxar a conversa de um lado para o outro, tentado futilmente convencer de que as coisas estariam melhores se aquele indivíduo ou outro estivesse no poder. Parvoíces, enfim.

 

Eu não vivi a revolução, nasci muito tempo depois. No entanto, tive a oportunidade de ao longo da minha educação me ensinarem a olhar para os erros da História e como não os devemos repetir. Obviamente que o ser humano falha sempre miseravelmente nisso, porque os que estudam História são normalmente os mesmos que não podem fazer nada para a impedir de acontecer de novo. 

 

Não tendo vivido a revolução, é aparente que não partilho a mesma carga emocional que o resto do pessoal mais velho exala, o que felizmente me faz chegar à conclusão objectiva que a revolução foi um fracasso relativo. Sim, tudo bem, passou a existir mais liberdade, era insuportável a situação que o país vivia, e essas tretas todas. No entanto, acho que foi desperdiçada uma oportunidade de se implementar uma sociedade que em termos lógicos e funcionais fizesse mais sentido. Se se reparar bem, ainda hoje as pessoas são reprimidas pelo Governo.

 

É óbvio que há uma distância enorme entre o que era a repressão antes e depois do famoso 25 de Abril. No entanto, o objectivo final de qualquer Governo é sempre controlar as pessoas. Dantes, antes da separação da Igreja do Estado, as pessoas eram controladas pela religião. Deixou de haver paciência para isso e no início do século passado cortou-se isso. Passou a classe política a ter controlo das pessoas. Como o poder é uma coisa que interessa a tanta gente, em 1974 os militares e os comunistas e tal decidiram que era a vez deles. Nos dias de hoje são os banqueiros que controlam tudo. Poderia estar aqui a dar exemplos até me fartar.

 

O aspecto essencial que estou aqui a dizer é que se calhar o pessoal deveria tentar abrir um bocado os olhos e imaginar um país sem Governo. Perdão, sem uma entidade central que está responsável por uma boa parte do dinheiro dos cidadãos. Eu ainda nem sequer comecei a pagar impostos e já me mete raiva que tal conceito exista. Por que carga d'água é que eu estou a dar o meu dinheiro a pessoas que não conheço e que não sei o que vão fazer com ele? Porque é que me obrigam a fazer isso? Porque é que não posso escolher exactamente que serviços quero e pagá-los individualmente? Porque é que não pode ser TUDO privado?

 

Eu sei as respostas a algumas das perguntas que faço aqui. Compreendo que sejam ideias diferentes e portanto descartáveis (para além de envolverem subtilezas muito complexas). Notem que obviamente só coloco aqui estas perguntas por causa do anonimato que a internet me providencia (e pelo facto de ninguém ler este monte de parvoíces, felizmente). Ui, agora poderia estar aqui horas e horas a escrever sobre a sociedade utópica que imagino mas que é tão inalcançável, especialmente por ser tão difícil explicá-la às pessoas sem abertura mental para isso.

 

Vou continuar a ignorar os políticos e os partidos e os escândalos que um milhão para aqui ou para ali causam. Sei que me vão afectar, mas também sei que não posso fazer nada contra isso, já que é impossível contra-atacar toda a corrupção que colocar poucos no poder dos muitos causa.

 

E não é com revoluções que se vai lá também.

 

Por outro lado, nestes dias ainda se vêem uns fogos de artifício. Até fica bonito de se ver.

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publicado às 21:42


6 comentários

De Anónimo a 26.04.2014 às 18:43

Devia ir para o Tarrafal passar uns meses na "frigideira". Provavelmente não escrevia este monte de disparates.
É por pessoas como o senhor que Portugal está assim...

De Rei Bacalhau a 26.04.2014 às 23:21

Esse comentário era esperado.

Estou divertido.

Fundamenta lá um bocado mais, para ver se mereces que te trate por Senhor também.

De Anónimo a 27.04.2014 às 13:22

Lamento que se divirta com algo que não tem graça nenhuma. Nem nunca teve. É próprio, de quem nunca soube o que foi a ditadura, dizer o que disse. Pois se ainda vivêssemos na tal malfadado regime, provavelmente (quase de certeza) não teria escrito o que escreveu.
Pense bem nisso. Imagine a querer escrever um texto e este a ser censurado...


De Rei Bacalhau a 27.04.2014 às 15:27

Ok, deixa-me reler o que eu escrevi, não vá eu ter escrito alguma coisa que realmente implique que eu concordava com o estado do país antes da revolução. Sei lá, pode ter acontecido...

Ah, sim, eu disse que a revolução foi um "fracasso relativo". Ah, mas logo a seguir expliquei porque é que achava isso. Em nenhum outro ponto fiz menção de que gostava dos Salazares e desses tretas todos. e de como "DANTES COM A DITADURA É QUE ERA BOM, NÃO HAVIA CÁ PRETOS A ROUBAR O PESSOAL E NÃO HAVIA CORRUPÇÃO E ISTO TAVA TUDO UMA MARAVILHA". Se realmente em algum ponto disse isso, mesmo que sub-entendido, peço que me apontes o local exacto, para clarificar.

Já agora, eu divirto-me com a maneira como as pessoas conseguem interpretar de maneira completamente diferente o que escrevo e não com o sofrimento que acontecia há meio século atrás. Por outro lado, a experiência breve que tive contigo leva-me a crer que vais também perceber esta resposta da maneira contrária do que devia ser.

É por pessoas como o senhor que Portugal está assim...

De Anónimo a 28.04.2014 às 17:12

Se considera o 25 de Abril como "um erro histórico" que não se deve repetir, não sei o que quer que eu lhe diga.
Estive para não lhe responder... Mas esta minha veia para lutar pelos meus ideais bateu mais forte. E assim esclareço duas coisas: a primeira é que não li no seu texto, nada sobre ser a favor deste ou daquele... Mas assumir a Revolução dos Cravos como um erro pareceu-me exagerado.
Segundo, um governo democrático e progressista não deve controlar as pessoas. Disciplina não deve ser confundida com repressão. Uma tem a função de não se entrar em exageros obnóxios A outra não tem essa preocupação e carrega injustamente sobre quem tem menos força.
Creio que me fico por aqui. Desejo-lhe o melhor que a vida lhe puder proporcionar, em democracia pluralista ou em sob um regime ditatorial. Escolha o que melhor lhe convier.
Abr.

De Rei Bacalhau a 29.04.2014 às 00:23

Ah, agora sim temos discussão!

Quero clarificar-lhe que não considero a revolução um erro, mas sim um fracasso em relação ao que PODERIA ter sido. Clarifico ainda mais, A revolução FOI necessária. Lá está, só não acho que tenha sido aplicada da melhor maneira.

Quanto à democracia ou ditadura ou seja o que for, é-me indiferente. Na minha visão utópica (e portanto "impossível") não é sequer necessário um Governo para um País subsistir. O que é fundamental num país é o povo, nada mais. Desde pequeninos é que somos ensinados que é absolutamente impraticável viver num país sem Governo. É por esse prisma que digo que ainda hoje as pessoas são controladas, porque para mim, para um pessoa ser livre, não basta haver liberdade de expressão e essas coisas que ganhámos no 25 de Abril. Existem outros factores que eu talvez explique um dia destes no blog, especialmente me termos económicos (do pouco que percebo disso).

Finalmente sinto-me em posição de agradecer um comentário seu.

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