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Burn

por Rei Bacalhau, em 12.03.17

Hoje combati um incêndio.

Calma, nada de especial, arderam não 50 hectares, mas sim uns 50 m².

No entanto, como nós, feitos camponeses, não tínhamos grande experiência nem equipamento para o lutar, ainda ficámos relativamente assustados que não conseguísssemos impedir o avanço lento mas constante das chamas pelo solo seco.

Armado de toda a coragem e adrenalina que o meu corpo conseguiu produzir (e de um ancinho), pisei, afastei, tossi, tropecei, arrebanhei, tossi outra vez, fugi, voltei, não necessariamente por esta ordem, numa demonstração de bravura cega e inédita contra o elemento perigoso.

Quando os bombeiros chegaram, já tínhamos o fogo controlado.

Não pude deixar de pensar como aqueles profissionais (que só chegaram tarde porque efectivamente eles não sabiam onde nós estávamos; o incêndio foi pequenino a esse ponto) faziam aquilo rotinamente, defendendo as terras dos outros com poucos recursos. Por exemplo, um dos bombeiros tinha um casaco de tamanho demasiadamente pequeno para ele, com as mangas a chegarem comicamente ao meio do antebraço.

Tremo só de pensar que daqui a pouco tempo eles vão estar bem mais ocupados.

 

Foi um dia de emoções quentes, mas ao lutar ferozmente com as chamas só pensava no teclado de Jon Lord para me acalmar.

 

Muito apropriadamente, Burn, dos Deep Purple:

 

 

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publicado às 22:17


2 comentários

De Maria Araújo a 14.03.2017 às 20:17


Um incêndio, por mais pequeno que seja, dá medo, assusta.
Penso que os primeiros minutos devem ser um pesadelo porque não se (re)age com a cabeça fria.
Estamos a caminhar para os dias quentes, começa o problema da floresta que arde.
E este ano a chuva não foi de mais. Se tivermos um verão como o do ano passado, estamos feitos.
Ninguém cuida da limpeza dos terrenos, não há quem queira limpar, repete-se o ciclo dos incêndios que destroem o melhor da nossa economia: floresta e turismo.
Este pequeno texto é uma prova de como em segundos um incêndio se desencadeia e o reconhecimento de quem dá tudo pelos terrenos dos outros, como disse, com poucos recursos.
Homens que merecem todo o respeito.

De Rei Bacalhau a 15.03.2017 às 18:12

Ironicamente, o "incêndio" começou por estarmos a limpar a propriedade para evitar incêndios.

Já agora, "homens" e mulheres, que também as lá há e não devem ser poucas ;-)

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