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Dancing in the Dark

por Rei Bacalhau, em 16.10.16

É estranho como às vezes acontece eu ouvir uma música incontáveis vezes sem me aperceber que, simbolicamente falando, ela está a falar comigo.

Infelizmente, eu dou imenso valor à letra de um tema, sendo que às vezes é a razão principal para o ouvir. Digo infelizmente porque fico a pensar que em certos casos, alguém mais famoso/importante do que eu já teve os mesmos problemas que essas letras sentidas reflectem, e sinto que pelo menos não sou o único humano irremediavelmente imperfeito do mundo.

Não me venham dizer que objectivamente isso não faz sentido. Acham que alguém que escreve isto está a pensar objectivamente? Se deveras eu pensasse com juízo nesta matéria, ser-me-ia imediatamente óbvio que as letras das músicas são maioritariamente feitas para agradar a audiências e a editoras musicais.

No entanto, hoje não estou para aí virado. Hoje prefiro ser melancólico.

Não posso dizer que conheça muito o trabalho de Bruce Springsteen, simplesmente nunca me atraiu, apesar das atenções que a simples menção do seu nome gera. Dito isso, só o costumo ouvir na rádio, e aí não será necessariamente por escolha minha. A música dele que mais vezes passa é certamente a Dancing in the Dark, que durante tanto tempo pensei que era uma música de dança.

No outro dia estava a conduzir sozinho e a música lá tocou. Desta vez, no entanto, prestei um bocado mais de atenção à letra. O Bruce tem aquela voz mítica de roqueiro e às vezes é dificílimo perceber o que ele diz, mas mesmo assim consegui perceber uma ou outra palavra, que foi o suficiente para me intrigar e pesquisar.

Depois de ler a letra, comecei a perceber que o ritmo alegre da música esconde sentimentos um bocado mais profundos, resumidos no refrão:

"You can't start a fire, you can't start a fire without a spark..."

 

Esta é a história de um personagem que está completamente farto da sua vida e que não tem razão para se esforçar para nada. Não tem faísca alguma, como ele afirma. É óbvio que existe a implicação óbvia de que a faísca pode estar na forma de um mulher, mas prefiro acreditar que o significado real, se existir, é mais geral. Qualquer coisa podeser a faísca de viver. Algo que o motive a levantar-se e a sair de casa e fazer alguma coisa. Mesmo que seja apenas para dançar no escuro.

 

A certa altura, por estranho que pareça, ele refere um livro que presumivelmente o personagem está a tentar acabar. Pensei logo no Charles Bukowski e como o seu estilo de vida (ou o estilo de vida dos seus personagens) seguia coincidentemente a letra da música. Obviamente que não acredito que exista ligação consciente e propositada entre estes factos, foi só algo que me veio à cabeça.

O video mais famoso da música mostra um Bruce todo sorridente, mas prefiro acreditar que não era esse o seu estado de espírito aquando da escrita da letra. Como tal, vou partilhar um video do Youtube mais estático.

Seja como for, acho que vou passar a ter mais atenção às músicas do Chefe.

 

Bruce Springsteen, com Dancing in the Dark:

 

 

 

P.S.: Decidi parar de colocar o sufixo "Música:" no título destes textos semanais. É tão raro que eu fale realmente de música que não quero ludibriar algum conhecedor sério do tema  a carregar neste texto.

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