Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Especial: Demons and Wizards: Circle of Hands

por Rei Bacalhau, em 03.04.14

 

O Viajante chega exausto à Capital. Era uma cidade maravilhosa! Branca, limpa, majestosa. Os soldados do império tinham trajes coloridos, mas ao mesmo tempo ameaçadores. Os comerciantes vendiam os seus bens nas ruas numa grande gritaria e as pessoas tinham moviementos quase aleatórios, passando como formigas umas pelas outras. Todo este rebuliço confundia o Viajante. Ele já tinha estado em muitas cidades, mas nunca numa tão movimentada.

 

Depois de alguma exploração, encaminhou-se para o centro da cidade onde estava o edifício do Círculo. Era uma torre grandiosa e colossal, que com certeza permitiria ver a grandes distâncias. O que era de estranhar era toda a actividade militar que aparentava ocorrer à volta do edifício. Os soldados marchavam completamente armados e os oficiais vociferavam ordens. Para quem acabou de vir de outra zona da cidade, o contraste era total, como se em vez de haver prosperidade, existissem sim preparações para uma guerra.

 

O Viajante estava determinado e aproximou-se da entrada da torre. Vários guardas correram na sua direcção, armas em punho e perguntaram-lhe que propósito tinha. Informaram-no que o Círculo de Máos estava ocupado e não estava a receber pedidos de ajuda neste momento. Pediram indelicadamente que o Viajante se retirasse. Este não o fez.

 

Escapuliu-se por entre os guardas, que com as armaduras tiveram dificuldade em apanhá-lo. Nada impediria o Viajante de falar com o Círculo! Precisava das suas respostas. Depois de procurar pelos corredores algo labirintícos da torre, deparou-se com uma porta grande. Ouvia os guardas a aproximarem-se e entrou apressadamente por essa porta.

 

Deparou-se com um pequeno grupo de anciãos, de barbas grandes e longas e rugas profundas na cara. Por acaso era exactamente essa a expectativa que o Viajante tinha do Círculo. Olharam-no com alguma surpresa e estremeceram. O Viajante ainda pensou que eles pensavam que ele era uma ameaça, e disse imediatamente o contrário, que apenas queria respostas.

 

Os anciãos riram-se levemente. Referiram que não o achavam uma ameaça porque ele não poderia fazer nada contra eles. O Viajante não percebeu estas palavras, já que todos tinham um aspecto muito frágil e não poderiam esperar ganhar numa luta. Nisto entram os guardas que rodeiam rapidamente o Viajante. Este tenta explicar-se, mas antes de começar um dos guardas ataca-o.

 

O Viajante, desarmado, fica imóvel, em pânico, sabendo que nada pode fazer. Quando a lança do guarda está prestes a trespassar o corpo do alvo, acontece algo que o Viajante não via há muito. A lança torna-se em água e desfaz-se para o chão. Magia!

 

Silêncio.

 

Os guardas olham, estupefactos para o que viram, e recuam, supersticiosos. Olham todos para o Círculo à procura de uma resposta. Os anciãos apenas sorriem e pedem aos guardas que saiam e que fechem a porta. Estes obedecem hesitantemente, lançando olhares ao Viajante, que ainda não compreende bem o que acabou de acontecer.

 

O Círculo rodeia o Viajante e fraternalmente pede que ele conte a sua estória e o que o traz aqui.

 

 

O Viajante recompõe-se. Veio aqui para isto mesmo e começa a sua narrativa. Estes sábios eram claramente mais conhecedores do que os agricultores dos ambientes rurais. Estaria portanto à vontade para falar de tudo.

 

Começou a sua oração ao Círculo de Mãos com o início da sua vida e o objectivo das suas viagens. Falou do encontro com o Mago (e aqui os sábios entreolharam-se curiosos) e da sua viagem cósmica. Falou depois do seu regresso e de como quando estava à procura do Mago, seu inimigo, deparou-se com o seu Amor e de como todos os sentimentos de vingança pareceram tão fúteis a partir daí. Finalmente contou o episódio recente do desaparecimento de pessoas no campo e como parecia ser uma tendência crescente.

 

Nisto, os anciãos tomaram uma atitude mais grave. Agora falariam eles, pois, segundo o que disseram, já sabiam a resposta antes sequer do Viajante ter feito a pergunta.

 

Eles sabiam há muito do desaparecimento de pessoas. É obra de um grupo de fanáticos que idolatram o Mal, que é composto de bandidos, ladrões, bruxas e outros do género. Querem todos atingir um nível de Completude, e é com este argumento que de alguma maneira as pessoas são enfeitiçadas para aderir ao grupo, que na verdade mais se pode chamar de culto. Eles são o Mal enraizado nas pessoas e refugiam-se da Luz e do Bem, escondendo-se em cavernas, caves e outros sítios escuros. Têm medo do Sol, porque pode dar esperança aos membros do culto e fazê-los voltar às suas vidas normais, e então só atacam de noite.

 

O Viajante ouvia atentamente, e compreendia muitas das coisas que tinha visto acontecer ao longo dos tempos. Todos os crimes que ouvia falar, feitos sempre à coberta da noite!

 

Os anciãos continuaram: Era realmente altura de tomar acção e por isso começaram a mobilizar o exército para perseguir este culto. Daí os preparativos todos a ocorrer e a segurança reforçada no acesso normalmente livre à torre. As pessoas conseguiam perceber que a guerra seria necessária. O culto não poderia existir livremente e causar caos no Império. O que as pessoas não conseguiriam perceber era o modo como a guerra seria travada. Os anciãos fizeram uma pausa.

 

Isto confundiu o Viajante, e este perguntou de que modo é que seria travada esta guerra.

 

Os anciãos entreolharam-se outra vez e aparentemente houve consenso. Um deles tomou a palavra, mas percebia-se que estava a meditar profundamente nas palavras que dizia. Disse portanto que as pessoas conseguem perceber a guerra quando é lutada com espadas e lanças e flechas. Não a compreendem quando é lutada com magia, com feiticeiros a lançar os 4 elementos em fúria uns aos outros. O Viajante estranhou. A magia era perfeitamente normal de onde ele veio e era sempre usada para o Bem. Quando não o era, os Aprendizes do Bem traziam Justiça!

Os sábios interromperam. Informaram o Viajante que ele é o primeiro humano em milénios a ter conhecimento de magia fora do Círculo. Isto para além dos Feiticeiros do Mal que começaram a aparecer associados ao Culto da Completude. Isso significava que alguém estava a ensinar poderes mágicos a humanos apesar da magia ter sido mantido um segredo durante tanto tempo. Não poderia ter sido ninguém do Círculo de certeza, e por isso a teoria dos sábios era muito mais assustadora. Hesitaram durante um instante.

 

Este perigo já é real há muito tempo, mas o Círculo nunca havia feito nada para o impedir, assumindo que o bom senso das pessoas triunfaria. Quando pensavam que era tarde demais para impedir o Mal que se formava no Império, souberam de um evento peculiar. Um grupo de camponeses relatou um acontecimento muito estranho em que uma bola de fogo desceu dos céus e onde aterrou coisas fantásticas tinham ocorrido. Chamas dançantes, por exemplo. Nos tempos seguintes, o Círculo ouviu rumoures de um Viajante que tinha dado vida às terras por onde passava, espalhando o Bem. O Círculo sabia que era apenas uma questão de tempo até esse Viajante vir ter com eles.

 

O Viajante protestou, quando se apercebeu que o Círculo se estava a referir a ele. De maneira nenhuma ele sabia usar magia como eles insinuavam. Ela dava vida às aldeias porque espalhava o caminho do Bem, porque o praticava, e não porque era algum feiticeiro. Para além disso, de onde ele vem existe magia e praticantes de magia, o que quer dizer que por eles não conhecerem ninguém no seu Império pequeno que saiba magia, não quer dizer que no resto do Mundo não se faça.

 

O Círculo estranhou o argumento. Apontaram-lhe um mapa colossal do "pequeno" Império a que o Viajante se referiu. Foi com algum espanto que o Viajante notou que o Império ocupava grande parte do Mundo conhecido. Conseguiu inclusive localizar a sua terra natal e verificou que fazia parte do Império. Este facto confundiu enormemente o Viajante, e seria uma dúvida que o atormentaria durante muito tempo, porque isso implicava que o Mago, que sabia que tinha explorado aquelas terras todas, deveria ser com certeza conhecido, e não o é.

 

Um dos sábios tomou a palavra e perguntou ao Viajante como é que ele explicava a transformação da lança em água. O Viajante respondeu que havia sido o próprio Círculo com certeza! Todos negaram. Disseram que foi o Viajante que, em desespero e sem saber, soltou os poderes escondidos dentro dele. Disseram-lhe que sentiram algo na atmosfera mágica mudar no dia em que o Viajante chegou das estrelas. Souberam que a salvação tinha vindo. A guerra seria horrível se não fosse travada antes de começar e para isso era necessário alguém muito poderoso para fazer frente à raíz. Esse alguém era o Viajante, com os seus poderes intrínsecos.

 

O Círculo ensinaria tudo o que o Viajante necessitaria para lutar o Mal. Como controlar os seus poderes, como combater, como identificar um agente do Mal, entre outras várias coisas. Ele, o Viajante, parou as suas viagens. Faria de tudo para recuperar o seu Amor, mesmo que isso implicasse ser um soldado fundamental numa guerra horrível como seria. Ele que já não será conhecido por Viajante, mas sim por Aprendiz.

 

O Aprendiz pergunta finalmente ao Círculo exactamente contra o que é que vão lutar.

 

O Círculo responde em uníssono:

 

O Demónio.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 05:00




calendário

Abril 2014

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
27282930

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D