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O Aprendiz olhava-A expectante. Notava-se claramente que Ela tentava sacudir a força do Demónio Nela. Ela transpirava e as veias realçavam-se na sua pele, tal não era o esforço que fazia. Uma pequena aura negra começou a formar-se à sua volta. O Aprendiz percebeu que seja o que fosse que ela estivesse a fazer, estava aparentemente a resultar! As influências do Mal estavam a sair! Finalmente, um rasgão negro sai disparado na direcção onde Ela estava a olhar, e cai no chão, desmaiada.

 

Ao acordar, deu consigo com o Aprendiz a olhar sorridente para Ela. Ele beijou-a várias vezes e longamente, tendo conseguido reconquistar o seu Amor do Mal. Ela lembrou-se do que a tinha feito despertar, pois disse apenas disse:

 

"Sim."

 

O Aprendiz, que já quase se havia esquecido do que Ela se referia, franziu por instantes, confuso. Quando finalmente se apercebeu do que ela queria dizer, pegou de novo na Jóia e apertou-a na mão dela, beijando-a mais uma vez. A sua vida estaria completa agora, assim que acabasse a guerra com o Demónio.

 

Ao ouvir estas palavras, Ela tremeu e implorou ao Aprendiz que acabasse esse assunto. Disse que não o quereria perder e que não se podiam dar ao luxo de arriscar o seu Amor por guerras que não são da importância deles. O Aprendiz tentou justificar-se, pois o destino do mundo estava nas suas mãos e dependia do sucesso desta campanha. Ele havia-se comprometido a destruir o Demónio, ou morrer a tentar.

 

Ela chorou impiedosamente, que feriu desesperadamente o Aprendiz. Ela chamou-lhe egoísta e tentou de todas as maneiras fazê-lo mudar de ideias, virando-se de costas para ele e encostando-se a uma parede, em lágrimas.

 

O Aprendiz saiu do quarto e foi ter com os generais. Ele avisou que depois de cuidada reflexão, não poderia continuar a campanha. Existiam coisas mais importantes a ter em conta, e não poderia sacrificar agora aquilo que já tinha de certo. Sem mais uma palavra, partiu, para felicidade Dela, e a campanha iria prosseguir sem ele.

 

Foram os dois então na direcção completamente contrária à do exército, procurando voltar para a aldeia onde foram tão felizes. O Aprendiz estaria sempre lá para a defender, e não haveria nada poderoso o suficiente para o impedir.

 

Eis então que à noite, quando se deitaram para descansar, o inesperado aconteceu. Certamente Ela ainda se lembraria de como se deitavam e o quão acomodados ficavam a olhar um para o outro até adormecerem. No entanto, nessa noite Ela não conseguiu ficar virada para ele. Evitava-o até. O Aprendiz perguntava o que se passava, mas obtia respostas vagas. Ele estranhou e pegou nela e virou-a bruscamente para ele, para a fixar e obter uma resposta concreta. E aí, assustou-se!

 

Os olhos não eram os Dela! Não tinham o brilho terno a que estava habituado e que tanto o atraiu originalmente. Tinham ódio e maldade, um efeito que era apenas aumentado pelo escuro da noite... O Demónio ainda estava lá!

 

Levantou-se imediatamente e Ela tentou atacá-lo, quando se apercebeu que a farsa havia sido descoberta! O Aprendiz lançou um feitiço que a envolveu em gelo puro, congelando-a num bloco inquebrável. Não lhe foi difícil fazer isso pois sabia que não era mesmo ela que estava a controlar o seu corpo.

 

Aquele animal! Que estúpido, pensar que a maldição seria desfeita tão simplesmente! Todo este tempo o Demónio planeou isto, para o controlar como uma marioneta e afastá-lo da campanha que certamente o destruiria. O Aprendiz fartou-se! Era demais! Esta perfídia teria de acabar de vez!

Aproximou-se do bloco de gelo que aprisionava a sua Amada. Gentilmente tocou-lhe e prometeu-lhe que usaria todo o seu Conhecimento e Magia para a livrar da influência dele. Usaria todos os Elementos à sua disposição. Olhou para os seus olhos, possivelmente pela última vez.

 

Parecia que o Cosmos havia parado e reunido todo o seu poder, pois um raio de luz fortíssimo foi projectado sobre o Aprendiz, proveniente das estrelas. Ele sentiu-se infundido especialmente pelo elemento que o Círculo não lhe havia ensinado, pois eles não o poderiam conhecer. Pois para derrotar o Mal, é preciso uma grande quantidade de Bem, e isso só vem do poder do Amor.

 

O Aprendiz, sentido-se mais poderoso que nunca, lembrou-se que havia prometido há muito tempo atrás espalhar o Bem pelas terras, seguindo os passos do seu primeiro mentor e inimigo, o Mago. Pois bem, ele faria melhor! Ele próprio chamar-se-ia a partir de agora de Mago e mostraria como é que o Bem deve ser aplicado.

 

Preparou-se, e apesar de ser de noite, iria imediatamente ao encontro do Demónio. Este, que sabia que o seu plano havia falhado, também se virou na direcção do Mago.

 

Não haveriam exércitos nem cultos a combater-se. Não haveriam mais inocentes prejudicados por esta guerra.

 

Haveria apenas o Demónio e o Mago.

 

 


O mundo todo tremeu e arrepiou-se, como se sentisse o que estava prestes a acontecer. Os anciãos do Círculo notaram estas duas energias opostas que se encaminhavam uma para a outra. Eles sabiam.

 

A Batalha Final estava prestes a começar.

 

 

 

Era noite escura. O Mago chegou ao campo onde pressentiu maior Maldade. De facto, lá estava ele, o Demónio. O Mago sabia que estava no domínio dele e teria de ter cuidado.

 

Olharam-se longamente, preparando-se para a violência que decerto ocorreria daí a instantes. O Mago, furioso ainda, pergunta quem é que o Demónio de acha? Se se achava um mestre da ilusão para pensar que o Mago estaria a sonhar ao ponto de cair nas armadilhas dele durante muito tempo?

 

Quem se julgava ele para pensar que tinha o direito de moldar o mundo à sua maneira maléfica sem razão nenhuma, quando o mundo já era Bom o suficiente e as pessoas viviam alegremente? Pois bem, o Mago viria aqui agora para lançar um feitiço de Bem. Para livrar o mundo da praga que é o Demónio e o Mal que ele representa. Cauterizaria a ferida que o Demónio impõe nas pessoa com fogo mágico. Quebraria o feitiço que o Demónio tem sobre tantos inocentes que não podem escolher ser bons!

 

O Demónio sorriu maleficamente. Informou o Mago que ainda não sabia bem com que poderes ele se estava a meter. O Demónio enchê-lo-ia de medo. O mais pequeno pensamento sobre o Demónio seria suficiente para o causar a vergar-se e obedecer à sua vontade. Não se deixaria mandar abaixo por um homem, que em termos de magia era apenas um fedelho. Não havia esperança nenhuma para o Mago. O Demónio recomendou que ele fugisse enquanto pudesse. Ele é o Mal encarnado no mundo e as trevas são as suas ferramentas.

 

Dito isto, o céu tornou-se ainda mais denso que antes. Tempestades assolavam a terra à volta. Árvores ardiam quando atingidas por raios fulminantes. As rochas tremiam pelo ímpeto que o Demónio transmitia.

 

O Mago não se deixou intimidar. Lançou-se ao ataque. Reuniu o fogo das árvores circundantes e lançou-o ao Demónio. Este respondeu com uma barreira negra que absorveu o impacto. O Mago lançou mais bolas de fogo conjuradas por ele. Levitou rochas pesadíssimas e catapultou-as. Redireccionou um relâmpago que ia na sua direcção. Todos estes feitiços foram na direcção do Demónio e este mesmo assim conseguiu evitá-los com a mesma barreira.

 

O Demóno contra-atacou, criando um exército de figuras de fogo demoníacas e soltou-as. O Mago gerou os seus próprios guarda-costas com a água da chuva e rapidamente o campo, outrora pacífico, tornou-se um cenário de batalha campal entre elementos de fogo e água.

 

O Demónio insistiu no seu ataque, atirando raios vermelhos de fúria, ou raios roxos de maldade. Estes raios eram tão perigosos que a própria terra parecia morrer onde tocassem. O Mago era poderoso o suficiente para se proteger destes raios, retaliando com o lançamento de estalactites de gelo. Quando se viu que isso não bastou, o Mago tomou controlo das nuvens por cima de si e fê-las descarregar os seus ventos para apagar as criações do Demónio.

 

O Demónio estava progressivamente a ficar mais impaciente e decidiu que era altura de acabar com a batalha. Com um gesto tremendo as trevas intesificaram-se. De várias direcções sombras puras de maldade voaram na sua direcção, completando-o, dando-lhe o poder para se transformar. Estas sombras eram o que mantia os cultistas no seu poder, o que significava que o poder do Demóno estava na verdade repartido por todo o mundo. A transformação que o Demónio passou foi horrível! O seu tamanho aumentou bastante, atingindo as dimensões de uma torre. Cresceram-lhe membros adicionais, entre eles tentáculos e cornos e espigões pelo corpo inteiro. Parecia absorver qualquer espécie de luz que lhe estivesse perto, tanto que só se via preto quando para lá se olhava.

 

O Mago teve de reagir depressa. Lembrou-se do que realmente lhe dá o seu poder. Então, invocou a todos os elementos que, em nome do Bem, e em nome do Amor que pertence por natureza às pessoas e às terras, que se reunam e lhe dêem forças uma última vez. Os elementos responderam. As terras formaram-se e construiram uma estátua do Mago colossal. As águas entraram em acção e penetraram na estátua, e deram-lhe maleabilidade. Os fogos das estrelas trespassaram as trevas e deram vida à estátua. Os ventos pegaram no Mago e embuíram-no na estátua, que agora era uma com o Mago.

 

Os dois titãs olharam-se. O "status quo" mantia-se. Lançaram-se furiosamente um ao outro, desta vez fisicamente, com um impacto brutal. O Demónio rugia com cada investida, mas o Mago mantinha-se forte. As florestas e as montanhas e tudo o resto à volta iam caindo com o combate brutal entre as duas entidades. Um cenário verdadeiramente cataclísmico formava-se e seria sempre a prova desta luta que ultrapassava as barreiras pessoais, indo na verdade para o nível da luta entre o Bem e o Mal absoluto.

 

A batalha durou mais umas horas, que pareceram intermináveis para os dois intervenientes. Completamente exaustos, lançam-se uma derradeira vez para tentarem finalmente derrubar o outro. O golpe que ambos deram um no outro foi tão forte que a onda de impacto propagada se sentiu em terras muito distantes. A estátua desmoronou-se, pois até os elementos estavam de rastos. As nuvens negras do Demóno dissiparam-se e viram-se bem os vários corpos celestiais. O próprio Demónio voltou para a sua forma original. Ambos caíram para o chão, completamente fatigados. Ambos tinham provado ser um adversário à altura do outro. Não haviam forças para mais.

 

O Sol nasce.

 

Os primeiros raios começam a iluminar as terras ardidas e estragadas pela batalha. Ouvem-se alguns animais a voltarem, agora que tudo terminou, e a aura maléfica do Demónio já não é tão poderosa.

 

O Mago notou isto, e ameaçou o Demónio, dizendo que a noite estava a acabar, e que o seu domínio escuro se iria dissipar. Agora o Demónio não tinha poderes para manter a escuridão constante com que conseguia viver. O Sol nascia, e o seu calor iria radiar por tudo quanto era sítio e limpar todo o Mal que o Demóno fez.

 

O Mago afirmou então... "Perdeste!"

 

O Demónio pareceu assustado. O primeiro raio de Sol aproximava-se, mas ele não se mexeu. Quando o atingiu, a sua pele pareceu fumegar, mas mais nada lhe aconteceu. O Mago ficou perplexo, pois pensava que o Sol seria suficiente para o destruir.

 

O Demónio riu-se. Ele não precisava da noite ou do escuro para viver. Chamou ao Mago de tolo por acreditar que algo como o Sol lhe conseguisse fazer algo. O Demónio era o Mal em pessoa, era verdade, mas ele existia não porque estava rodeado de escuridão e tempestades e miséria. Ele existia no próprio conceito de Vida. Ao contrário do que muitos pensam, ele sempre existiu, de tantas formas diferentes, em todos os animais, plantas e especialmente nas pessoas.

 

O Demónio afirmou então... "Perdeste!"

 

Olharam-se mais uma vez. Apesar de tudo, pareceram concordar mentalmente que estavam empatados. Nenhum era mais poderoso que o outro.

O Mago então põe-se de pé e começa calmamente a ir-se embora. Ele partia e deixava o Demónio, por agora. Prometeu que o Demónio nunca o derrotaria e era bom que ele viesse preparado para a próxima vez que lutassem. Ele iria arranjar um exército, cujas armas eram o Amor e a Verdade. Esse exército segui-lo-ia para onde fosse preciso e faria sempre o necessário para lutar contra o Demónio e os seus capangas.

 

Ambos então ameaçaram-se em uníssono, exclamando que nunca poderiam quebrar o feitiço um do outro, o Bem e o Mal, respectivamente. Ambos conjurariam os maiores fogos infernais e as maiores tempestades ciclónicas para lutar. Ambos se aconselharam mutuamente: era melhor não continuarem já a luta que sabiam que não conseguiam ganhar; era bom que cada um se certificasse de observar o outro e as suas acções porque de certeza que nenhum iria descansar antes de erradicar o outro.

 

A luta entre o Bem e o Mal continuará para sempre.

 

 

 

EPÍLOGO:

 

O Mago manteve a sua luta contra o Demónio. Entre os dois directamente houve várias batalhas posteriores, cada uma mais horrível que a anterior. Como ficavam ambos exaustos depois de cada uma, cada um decidiu criar outras maneiras de praticar os seus caminhos.

 

No caso do Mago, ele criou uma organização de homens e mulheres que ele treinava pessoalmente à qual chamou de Aprendizes do Bem, em honra à organização com o mesmo nome que a sua terra natal original tinha. Quando, finalmente, ele achou que haviam razões para se poder retirar, o Mago, agora velho, propôs-se a um estilo de vida quase eremítico, isolando-se do mundo até ao momento em que ele pudesse ser necessário outra vez.

 

Para tal, o Mago escolheu um sítio numas montanhas, rodeado de florestas de difícil acesso. Só um louco é que apareceria ali.

 

Certa noite estava a brincar com o lume que tinha à porta da sua casa. Conjurou um elemento de fogo para lhe tocar alguma música e diverti-lo. Qual não é o seu espanto quando ouve um barulho atrás de si. Um homem, jovem, estava perdido nas florestas e tropeçou quando o Mago lançou o feitiço para criar o elemento. Ia a fugir, mas o Mago convida-o, pois as visitas não são frequentes.

 

Apresentaram-se, beberam, contaram histórias e o jovem estava obviamente fascinado pelas aventuras do Mago. No fim, o jovem acabou por adormecer.

 

O Mago manteve-se acordado e olhou fixamente o Viajante. Tremeu. Um arrepio subiu-lhe espinha cima, como se toda a região circundante tivesse subitamente congelado. O horror nos seus olhos era tremendo, sendo o suficiente para empalidecer o mais vigoroso dos mortais.

 

Eis que o Mago descobriu algo que já lhe devia ter sido óbvio há tanto tempo. Olhando melhor, agora reconhecia o jovem. Era ele mesmo. Este jovem é o Viajante! Ele próprio era o Mago que o enviou para a viagem... a viagem cósmica! Pois claro! A viagem espacial foi na verdade uma viagem para o passado!

 

Era claro o que o Mago tinha de fazer. Teria de manter o ciclo! Se ele não o enviar para trás no tempo sabe-se lá o que o Demónio conseguirá fazer! Sem dizer uma palavra reuniu todo o seu poder, fazendo uma careta impressionante.

 

O Viajante acorda perante este espectáculo estranho. Confuso com a inesperada e inexplicável reacção do Mago, tenta perceber o que poderá ter feito que suscitasse tal efeito. Contudo, é tarde demais. O Mago lança um feitiço estranhíssimo e o Viajante é envolto numa aura branca levitante. Completamente imobilizado, é com algum temor que verifica que está a começar a subir em direcção aos céus.

 

E sobe...

 

E sobe...

 

E sobe...

 


Ela sai de casa, acordada pelo alvoroço.

 

"Quem era?"
O Mago aproxima-se e beija-A como sempre o fez. De seguida, olha para as estrelas, e responde:
"Um Viajante no Tempo..." Sorriu. "Anda, vamos deitar-nos."

 

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