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Especial: Demons and Wizards: Poet's Justice

por Rei Bacalhau, em 02.04.14
 

 

Que feliz era o Viajante, apesar de agora ser errado chamar-lhe isso, tendo assentado na aldeia com Ela, a sua amada. Todos os dias eram radiantes, mesmo quando chovia. Todas as notícias do Mal que ia ocorrendo nas terras vizinhas eram descartáveis, visto que ele só tinha necessidade de A ouvir. Todos os seus sonhos mais profundos não eram comparáveis à realidade que era viver com ela. A vida anterior do Viajante parecia ser tão insignificante agora, em comparação.

 

O Viajante sabia muitas estórias, e ele pensava que esta seria daquelas que teria um final feliz. Pedir-lhe-ia em casamento (já tinha tratado de alguns preparativos para isso, inclusivamente a jóia de matrimónio que lhe foi oferecida por um joalheiro que precisou da sua ajuda recentemente), contruiria uma casa grande, teria muitos filhos, ensiná-los-ia os caminhos do Bem, engordaria e morreria velho com Ela.

Mas mais uma vez, o Destino, horrível e incompreensível, tinha outros planos.

 

Um dia, o Viajante acorda. Era normal que Ela já se tivesse levantado, pois tinha de preparar a comida e apressar-se para ir dar as aulas às crianças da aldeia. Na verdade, o Viajante nem notou por ela deitar-se na noite anterior, já que ela disse que tinha um compromisso e que chegaria mais tarde. Mesmo inquieto, o Viajante adormeceu.

 

Qual não é a sua surpresa por a comida não estar pronta e por não A encontrar em casa! Encontrou sim uma carta, endereçada a ele, com a letra Dela. O inexplicável havia acontecido. Que horror e tristeza avassalou a alma do Viajante! Ela havia-se ido embora! Deixou tudo para trás em busca do que Ela chamou de Completude, que era algum tipo de disparate que alguém lhe prometeu. Teria sido naquele compromisso que ela foi na noite anterior que lhe puseram tal ideia na cabeça? Ele deveria ter suspeitado! Com os rumores de pessoas a desaparecer nas aldeias vizinhas seria de supor que eventualmente o mesmo aconteceria aqui! Mas como é que ela teria deixado tão simplesmente a vida genuinamente bela que tinham!? Teria sido erro dele? Teria de o descobrir!

 

Saiu de casa e foi tentar procurar os responsáveis na aldeia, talvez ainda estivessem perto. Reparou que muitas famílias choravam, todas afectadas pela mesma aflição! Maridos, mulheres, filhos e pais, muitos haviam desaparecido. Todos apresentavam o mesmo desespero que o Viajante, e, ao vê-lo, quase todos o rodearam, implorando ajuda!

 

Pela primeira vez o Viajante não sabia nem o que fazer nem o que dizer. Num acto chocante, pôs-se de joelhos e chorou igualmente com os restantes aldeãos. Uma tristeza profunda invadiu a aldeia. Fizeram-se esforços nos dias seguintes para encontrar algum vestígio dos desaparecidos, mas foi em vão.

 

O Viajante bradava aos céus, pedindo a quem ouvisse que o levassem para o seu Amor. Ele precisava de a encontrar, de a livrar de seja qual for a maldição que a tenha possuído! Nada resultou. O Viajante entrou num estado apático e o ambiente à sua volta sofreu com isso... A vivacidade nos seus olhos morreu. As estórias que tinha para contar pareciam-lhe desmotivadoras e passava longos momentos em silêncio. As plantas da aldeia murcharam... Os poços secaram... As terras tornaram-se duras e inférteis... Os fogos apagavam-se com a mais leve brisa... O ar ganhou um cheiro fétido inexplicável... Era como se tudo tivesse voltado ao ponto em que estava antes da chegada original do Viajante.

 

Uma noite, o Viajante estava sentado à janela, a reflectir, mastigando um pedaço duro de pão. Olhou para as estrelas e confessou-lhes o que sentia mais uma vez. Ele sem Ela não era completo. Sentia-se metade de si próprio e não sentia o poder do Bem que em tempos tanto gostava de espalhar pelas pessoas. Todo o seu Conhecimento e todas as suas estórias eram inúteis. Ele próprio era inútil. Foi então que reparou, na escuridão intensa, uma luz no horizonte, uma que nunca tinha visto. Perguntou-se o que seria e determinou que parecia ser uma construção. Não sabia como é que nunca havia reparado nela, mas estava definitivamente lá.

 

Aí, lembrou-se do Círculo de Mãos. Ele sabia que a Capital era naquela direcção. Será que eles teriam uma resposta!?

 

Um pensamento horrível passou-lhe pela cabeça. E se isto fosse tudo obra do Mago? Deveras, se ele o teria mandado naquele castigo cósmico poderia ser que tivesse de alguma forma ficado corrompido. Deveras, apenas Ele teria o poder para convencer uma pessoa de um dia para outro deixar tudo o que tem. Não... seriam notícias demasiado más se tal tivesse acontecido.

 

Precisaria de saber. Pegou nalguns mantimentos necessários para a viagem. O Viajante reuniu a sua energia e mais uma vez se poria a caminho, e desta vez nada o deteria. Iria voltar a ver a sua Amada, prometeu isso aos céus! Pegou na Jóia que lhe queria oferecer e apertou-a na mão. Colocou-a no dedo mais fino, já que era demasiado pequena para um homem.

 

Em frente portanto, para a Capital. Para o Círculo!

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publicado às 04:00




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