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Especial: Demons and Wizards, The Wizard

por Rei Bacalhau, em 30.03.14

 

Na penumbra da noite um vulto movimenta-se pela encosta acima. Eis o Viajante, um jovem aventureiro que partiu em busca de estórias, mitos e fantasias novas. Ele havia visto as magias coloridas e surreais dos Aprendizes do Bem. Ansiava por uma oportunidade de se provar merecedor do dom da magia. E então saiu de casa, não sabendo bem o que procurar, mas tendo a certeza que o Destino lhe havia de recompensar. Passava pelas aldeias e pelas vivendas, cumprimentando e ajudando o povo, pedindo apenas comida, refúgio e conhecimento em troca. Ah, este espírito solto no mundo, enérgico e feliz, espalhando o pouco que ele conhecia do Bem da melhor maneira que podia.

 

 

Então o Destino deverá ter reparado nele, pois fê-lo perder-se uma noite numa floresta, e o Viajante começou a subir uma encosta íngreme, de difícil subida, mas que permitiria uma melhor visão dos seus arredores. Qual não é o espanto quando nota uma luz trémula no cimo. Uma casa! Certamente teriam a bondade de partilhar refúgio para um Viajante perdido!

 

O Viajante aproximou-se discretamente, expectante, e distinguiu claramente um homem à fogueira, que alternava entre olhar fixamente para o fogo e contemplar as estrelas brilhantes no céu. Sorrateiramente, o Viajante aproximou-se ainda mais, saindo dos arbustos, pronto para cumprimentar o homem. Este fixava o fogo, mas subitamente faz um gesto com a mão e o fogo ganha vida! Uma criatura de chamas com estatura de homem forma-se, para imenso espanto do Viajante! Tanto o espantou que tropeçou e caiu. A criatura e o homem notam isto e apercebem-se finalmente que não estão sós. O Viajante preparava-se para fugir, mas uma voz quase enfeitiçadora pára-o. O homem aproxima-se e acalma o Viajante. Era da mesma estatura que ele, mas era velho, com barbas brancas a cobrir-lhe o peito. Os cabelos longos, brancos também, ondulavam-lhe pelas costas abaixo. A sua cara parecia familiar ao Viajante, mas era provável que isso se devesse ao facto dele ter um rosto com uma feição tão paternal e convidativa.

 

O velho convida-o a sentar-se à fogueira. O Viajante agradece, apresenta-se e diz os objectivos da sua viagem. O velho fica alegrado pela estória do Viajante e pede à criatura de fogo que toque um bocado. Esta conjura um alaúde de chamas e começa a tocar a mais perfeita das melodias, enquanto dançava levemente ao seu próprio ritmo. O Viajante, fascinado pela cena, partilha o seu vinho com o velho, que de seguida se apresenta.

 

Ele era o Mago. Durante incontáveis anos lutou contra as forças do Mal, que tanto faziam as pessoas sofrer! Ao contar isto os seus olhos tornavam-se fogo puro e brilhante e a sua capa iluminava-se em tons de oiro. Ele treinou os Aprendizes do Bem para continuarem a obra que ele já não conseguia. Quando viu que o seu trabalho estava feito, retirou-se para esta montanha. O Mago contou as suas estórias fabulosas, desde a altura em que ajudou uns camponeses com um problema hilariante de toupeiras até ao momento em que lutou contra 5 dragões, Agentes do Mal, ao mesmo tempo. Serviu reis e rainhas, camponeses e doentes, todos estavam à altura de receber o dom do Bem! Divertiu crianças com feitiços explosivos e coloridos num dia para no outro defender uma aldeia de um ataque de ogres feios e estúpidos!

 

O Viajante ora ria ou atentava, consoante o contexto, e ele próprio partilhou algumas aventuras, para grande divertimento do Mago. Este toma uma atitude mais séria e refere-se ao problema do Mal, como está tão enraizado nas almas das pessoas. Dizia que foi sempre seu objectivo que todos soubessem viver em Bem, cantando e dançando em alegria, paz e amor!

 

Falou bem o Mago, e o Viajante sentiu-se tão feliz por se ter perdido na floresta. Que fortuna foi encontrar este homem! Poderia passar ali o resto do seus dias e não conseguir ter tempo para ouvir tudo o que o Mago teria para dizer. Sentindo-se cansado decide deitar-se sob as estrelas para repousar. Certamente o vinho estaria a ter o seu efeito.

 

O Mago manteve-se acordado e olhou fixamente o Viajante. Tremeu. Um arrepio subiu-lhe espinha cima, como se toda a região circundante tivesse subitamente congelado. O horror nos seus olhos era tremendo, sendo o suficiente para empalidecer o mais vigoroso dos mortais.

 

O Viajante acorda perante este espectáculo estranho. Confuso com a inesperada e inexplicável reacção do Mago, tenta perceber o que poderá ter feito que suscitasse tal efeito. Contudo, é tarde demais. O Mago lança um feitiço estranhíssimo e o Viajante é envolto numa aura branca levitante. Completamente imobilizado, é com algum temor que verifica que está a começar a subir em direcção aos céus.

 

E sobe...

 

E sobe...

 

E sobe...

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