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Especial: Demons and Wizards: Traveller in Time

por Rei Bacalhau, em 31.03.14
 

 

O Viajante acorda.

 

Tinha com certeza desmaiado depois da sensação tenebrosa que foi subir às estrelas. Olhou em redor e verificou que ainda se mantia no mesmo estado. Voava velozmente pelo espaço, apesar de maior parte das estrelas se manterem tão longe como se estivesse em casa.

 

O Viajante estava absolutamente perplexo. Não conseguia de todo compreender vários aspectos... Como é que não se sentia cansado? Como é que não sentia fome ou sede? Que magia era esta que o fazia percorrer o vazio tão depressa? Estas eram as perguntas mais simples. As verdadeiras perguntas eram: que teria ele feito para provocar tal castigo por parte do Mago? Voltaria ele alguma vez a casa? Que teria de fazer para o conseguir?

 

Nestas dúvidas passou o Viajante durante o que lhe pareceram dias! Tinha de olhar constantemente para o Sol incadescente para perceber de onde tinha vindo, porque de resto o Vazio parecia-lhe todo igual. O Viajante não conseguia controlar a direcção em que ia e por isso ansiava pelo momento em que a aura que o contia decidisse dar a volta.

 

Tal não aconteceu, no entanto, e o Viajante começou a pensar se a sua viagem espacial não teria algum propósito... E se tal não fosse o caso, poderia mesmo assim aprender algo para contar depois. Era na verdade o objectivo dele desde sempre! Partir numa aventura, descobrir sítios fabulosos e partilhar Conhecimento! Teria sido isso que o Mago viu nele? Isso não explicaria a reacção assustadora dele, mas talvez ele não precissasse de se explicar. Talvez o objectivo fosse chegar a esta conclusão sozinho... Não, não poderia ser... Algum crime o Viajante teria feito, certamente. Não conseguia acreditar que o Mago fizesse tal coisa a alguém por puro capricho. Se tal tivesse acontecido, então o Viajante iria procurá-lo e obter as suas respostas, duma maneira ou doutra!

 

Meditou mais um bocado no assunto. Decidiu enfim observar com mais atenção o que estava à sua volta. Os corpos celestiais, feios e brutos como os asteróides, ou belos e magníficos como os anéis dos planetas. O calor do Sol parecia-lhe mais real e divino. Por outro lado, quando um corpo se intrometia no caminho da luz instalava-se o mais glaciar dos frios. Era estranho ver os corpos a movimentarem-se tão depressa, quando em casa era tudo tão mais calmo. O Universo, colossal como era, permitia todo este caos fabuloso de luz e cor, e isso era extraordinário.

 

Toda esta interacção com o cosmos permitiu ao Viajante obter Conhecimento que nunca tinha ouvido mais ninguém falar! Que excitante seria contar esta maravilhosa viagem aos povos de Casa!

 

Mas o Destino tinha mais planos para o Viajante.

 

O Viajante permaneceu no espaço ainda mais tempo e nisto adquiriu algo mais do que Conhecimento:

 

Dos asteróides aprendeu a força dos elementos sólidos e térreos. As colisões brutais que existiam entre os corpos aparentavam estremecer todo o Universo. Que respeito estes bólides sólidos e massivos implicavam!

 

Dos cometas observou a subtileza do gelo, que calmamente derrete deixando o mais belo dos rastos azuis. Esta água cintilante ensinou ao Viajante a pureza deste elemento, que poderia acalmar o mais raivoso dos inimigos, ou curar a mais horrível das maleitas.

 

Das nuvens cósmicas o Viajante sentiu o poder do ar e dos gases que o circundavam. Um elemento tão básico e tão aparentemente inofensivo pode transportar tempestades magnifícas e aterradoras!

 

Por fim, das estrelas veio o dom do fogo, calor que dá ou que tira a vida, que causa felicidade ou morte, dependendo das mãos que o usam. É o elemento equilibrador, em que se nunca existisse ou se existisse sempre nada poderia sobreviver.

 

Os Quatro Elementos foram imbuídos no Viajante sem ele realmente se aperceber. Não se apercebeu também de que há muito que já estava a voltar para Casa, pois o seu transporte já tinha tomado discretamente a direcção contrária. O Destino havia quase cumprido o seu objectivo. Havia apenas mais um elemento que o Viajante teria de aprender, mas esse teria de ser quando estivesse de volta a Casa.

 

Eis que o Viajante, extasiado, revia o seu planeta e começava a penetrar nos seus céus. Entrou de rompante pelo céu azul e chocou com grande violência no chão. A aura, que o tinha transportado e protegido contra os perigos do Universo, salvou-o uma última vez e dissipou-se. O Viajante estava de volta.

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