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Música: Очи чёрные

por Rei Bacalhau, em 31.05.15

Alto.

 

Espera lá.

 

O título poderá saltar à vista, especialmente por estar escrito no que parece ser cirílico. Não se preocupem, é intencional. Se vou pôr aqui o nome de uma música, mais vale ser na sua forma original (ou o mais possível, pelo menos).

Porque carga d'água é que hoje me deu para esses lados? Não, não é por causa dos Putin's e desses assuntos que andam em voga agora. Não, não é para suportar ideias comunistas, ainda tenho algum senso comum, essa agora!

A história de hoje comprova que a música ultrapassa todas essas barreiras por nós impostas, conscientemente ou não.

 

Voltemos uns 10 anos atrás no tempo. O Rei Bacalhau, adolescente, de buço incompleto, enfezadito, recebe um videojogo. Sem pensar duas vezes, instala-o imediatamente no computador na expectativa que na altura tinha ao começar um jogo que nunca vira. Note-se, na altura ainda não havia sido abençoado pela dádiva da Internet, e como tal obter jogos era relativamente mais difícil (e ainda por cima na altura não tinha a ética estúpida de não sacar jogos, o que não deixa de ser curioso, pois agora que a Internet é um dado adquirido, sou contra a pirataria.. enfim, tolices!).

O computador arrasta-se para arrancar, dá-se à manivela metafórica, dá-se o murro motivador para calar um barulho esquisito que a ventoinha faz. Só faltou meter lá óleo. Finalmente o WIndows XP lá aparece, na sua glória moribunda. Insiro o CD, palavra estranha para mim agora, lá aparece o menu de instalação, e lá instalo o jogo. Tudo bem até agora.

 

O jogo chama-se Syberia. É um jogo muito raro para a altura, porque é de aventura, como quem diz um jogo onde existe uma história que é avançada por descobrir pistas, resolver puzzles, interagir com personagens, sem tipicamente ter grandes períodos de acção como nos jogos de porrrada (eu gosto sempre de meter um érre a mais na palavra porrrada, dá mais pica).

Os videojogos de aventura tiveram a sua época de ouro nos primeiros tempos da indústria, digamos anos 80 e 90, quando a tecnologia disponível só permitia fazer certa quantidade de coisas. Um bom exemplo que me lembro agora seria a saga do Monkey Island. Recentemente, com a explosão na indústria dos jogos de estúdio pequenos e independentes (ou seja, que têm liberdade total para fazerem o que quiserem, não estando limitados criativamente por uma produtora) tem havido um renascido interesse no género de jogo desde há uns anos para cá.

Admito, não me lembro de grande coisa de Syberia, especialmente porque nunca o acabei, porque não sabia passar de uma certa parte. Frustrado, acabei por desistir. Lembro-me que a personagem por nós controlada era uma tipa que ia para uma aldeia selar o negócio da compra ou venda de uma fábrica de autómatos (eram umas máquinazinhas muito engraçadas, tipo antecessoras dos robots). Obviamente, alguma coisa horrível aconteceu, não me lembro bem o quê, alguém morre ou sei lá, e portanto é objectivo do jogo andar atrás de um tipo para finalizar o acordo. Não sei, não interessa muito para o caso. Há puzzles, há leituras e tal. Pode não parecer, mas lembro-me de estar a gostar do jogo, especialmente a nível gráfico, já que para a altura era algo fantástico. Se não fosse aquela porcaria daquela parte que não conseguia passar...

Mas mesmo isso teve as suas consequências, positivas, neste caso. Como andava de um lado para o outro no jogo à procura da solução, desesperado, passava várias vezes por uma estação de comboios. Nessa estação havia um contínuo, no trabalho perpétuo de varrer a estação, lembrando Sísifo, assobiando constantemente uma melodia. 

Essa melodia ficou-me durante tanto e tanto tempo na cabeça, e deveras, também a assobiava de vez em quando, até hoje.

Finalmente, precisamente quando a assobiava, apercebi-me que a música poderia realmente existir. Não sei porquê, a maneira quase banal com que a música era assobiada dava-lhe um sentido popular, o que implicaria que deveria ser horrivelmente conhecida. Então fui à pesquisa, que me demorou ainda algum tempo. A única coisa que sabia era o nome do jogo, e tinha apenas leves recordações do sítio onde era. Encontrei um vídeo no Youtube com o jogo completo de ponta a outra, e descobri um sítio onde se ouve mais ou menos a melodia.

Provavelmente terão de pôr um bocado mais alto, mas ouve-se. Aqui.

Infelizmente, nos comentários do vídeo nada consegui encontrar sobre a origem da música. Continuei a massacrar o Google com perguntas, cada vez mais desesperadas, até que finalmente me aparece uma entrada do Wikipédia, e regozijei.

O nome original da música é Очи чёрные, procunciado algo como Ochi chyornye (mesmo assim é quase impronunciável, para mim). Em inglês é literalmente traduzido para Dark Eyes. Pelo que percebi, é uma canção de amor famossíssima lá para os lados do Leste. Senti-me um bocado estúpido depois, porque a verdade é que o jogo chama-se Syberia por alguma razão...

Estando-me nas tintas então para afiliações políticas e tretas do género, deixo aqui uma versão da música, cantada aparentemente pelo coro do Exército Vermelho, se tal designação estiver correcta. Reforço, afiliações políticas não interessam se a música for universalmente bonita. Certamente concordais, caríssimos leitores?

 

 

 

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publicado às 11:05


1 comentário

De José da Xã a 01.06.2015 às 10:21

Por acaso a música não me pareceu estranha. Não me lembro, todavia, donde a recordo.
Mas é uma bela canção, seim senhor!

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