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Música: Battalions of Strangers

por Rei Bacalhau, em 11.09.16

De vez em quando saio da minha rotina constante musical para explorar novos temas, mesmo que sejam de bandas que já conheça. Actualmente sou utilizador do MEO Music, que me permite ter acesso a basicamente quase tudo o que seja música ficando ao mesmo tempo de consciência tranquila.

 

Gatunos, vós todos que pirateais. Gabirus. 

Quer dizer, bem vistas as coisas, a pirataria já quase não é problema. Já há algum tempo que não estamos nos anos 2000. Acho que a maior parte das indústrias produtoras de conteúdos multimédia já mais ou menos se adaptou ao terror dos corsários que navegam nos mares virtuais. Ou então sou eu que não tenho padrões elevados e contento-me com não ter tudo o que é do mais recente imediatamente assim que fica disponível.

Dantes se calhar não haviam opções, mas hoje parece-me absolutamente absurdo que pessoas com rendimentos minimamente decentes não desejem pagar um tostão por conteúdos. Vejamos o mais objectivamente possível, tentado ser sucintos ao mesmo tempo.

Serviços como o MEO Music e o Spotify oferecem música ilimitada. O Spotify custa uns 7€ mensais. O MEO Music tem a vantagem de vir incluído em grande parte dos tarifários de telemóvel e tem a GIGANTESCA vantagem de não gastar dados móveis.

Para filmes e séries, o maior que conheço é o Netflix. Nunca o usei, mas fui verificar e custa tipo uns 10€ ou por aí. Acho que há umas queixas de uns mariquinhas que diziam que a selecção disponível de conteúdos ainda era muito reduzida. Se calhar é aí que os meus padrões baixos entram, pois não vejo isso como grande preocupação, mas mantenhamos o objectivismo e digamos que seria compreensível se não quisessem optar por subscrever a esse serviço específico. Mas existem certamente outros, que devido à concorrência serão igualmente baratos. Digo eu.

Por último, para os videojogos existem N plataformas disponíveis para se obterem imensas promoções colossais para jogos que nos interessem. A que uso é o Steam, mas com uma pesquisa rapidamente chegam a outras. Já lá tenho comprado jogos de 40€ com 90% de desconto ou algo do género. Essas promoções estão sempre disponíveis? Não. Mas aí entram os meus padrões pacientes de novo. Não me importo de todo esperar para comprar um jogo recente (aliás, nos dias de hoje, comprá-los imediatamente é perigoso, já que muitos jogos ou são uma decepção ou têm imensos erros que afectam negativamente os primeiros utilizadores, posterioremente corrigidos num update).

 

Vamos assumir que alguém que consome todos estes produtos teria de gastar uns 50€ por mês para manter os seus vícios de entretenimento. Isso é assim tanto?

Talvez para alguém com o salário mínimo ou algo à volta do salário médio nacional (que será o quê? 800 ou 900€?) seja necessário controlar as despesas. Aí mais ou menos compreenderia a avareza (ou necessidade?) de poupar todos os trocos (quanto mais 50€).

O problema é que observo pessoas com um bom rendimento (falo acima dos mil e tal euros) a recusar-se integralmente a dar dinheiro por conteúdos que, independentemente das cambalhotas que dêem à semântica, estão a roubar.

 

O cúmulo é o Youtube.

A maior discussão que alguma vez tive publicamente foi sobre torrar pão fresco, que na minha opinião não se deve fazer, especialmente se houver pão duro ainda. Nem estou a brincar, isto foi completamente verdade, lutei sozinho contra uns 5 gajos sobre o assunto.

Logo a seguir na lista está a utilização de bloqueadores de anúncios nos nossos navegadores de internet. Eu não os utilizo, pois sei que grande parte dos sítios da internet baseiam-se, pelo menos parcialmente, em anúncios para se manterem operacionais. No entanto, apesar de este conceito parecer perfeitamente natural, a grande maioria das pessoas usa esse bloquadores. Portanto, mais uma vez, era eu sozinho contra uma data de marmanjos que me zombavam por eu não me importar de ver os anúncios, apesar das minhas explicações algo razoáveis sobre o modelo de negócio usado pela internet e pelos seus criadores de conteúdos multimédia. As pessoas vêem serviços como o Youtube como intrisecamente gratuitos e não compreedem que bloqueando os anúncios, bloqueiam igualmente os rendimentos do Youtube e dos "youtubers".

 

Desde essa discussão (a dos anúncios, não a das torradas), comecei a perceber que a pirataria e outras práticas pouco éticas não eram necessariamente uma questão de avareza, mas sim uma questão quase... cultural? Social?

É assim, é óbvio que do ponto de vista do indíviduo a pirataria e a xico-espertice fazem sentido absoluto. "Claro que quero ter tudo de graça! 'Tou-me a borrifar para quem fez isto, quero é ver filmes de graça, quero é ouvir música à vontade, quero é jogar os jogos que gosto sem ter que os pagar, quero é conveniências, quero é almoços grátis!" Claro que sim, faz sentido que sim. Objectivamente falando, só nos deveríamos preocupar connosco, especialmente numa sociedade em que temos tudo garantido, quer sigamos um código moral qualquer ou não. Mas não será que um indivíduo deveria ficar em dívida para com um criador que o entreteu durante várias horas ou dias? Não será que o deveria compensar de alguma forma?

Eu gosto de achar que sim, mas sei que é uma luta moral impossível de ganhar.

Principalmente porque até eu já fiz tudo o que me estou a queixar.

 

Enfim.

 

Eu queria chegar a algum ponto com isto...

 

Ah! Sim, claro, estava a passear por uma série de artistas e álbuns e deparei-me com uma música viciante dos Fischer-Z, idolatrados como um culto nuns três países, no máximo (a Alemanha sendo um deles, mas toda a gente sabe que os alemães podem ter uns gostos esquisitos de vez em quando). 

A música chama-se Battalions of Strangers, destaca-se pela excelente linha de baixo que acompanha o tema relativamente pesado que a letra trata.

 

Fischer-Z, com Battalions of Strangers:

 

 

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publicado às 00:00


1 comentário

De José da Xã a 12.09.2016 às 13:20


Belo ensaio e boa música.

Sem favor...

Este texto merecia um especial destaque na SAPo.

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