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Música: Hocus Pocus

por Rei Bacalhau, em 17.01.16

O dia nasceu. A grande batalha estava prestes a começar.

- General, declaro que está tudo a postos. O seu posto de comando está estabelecido.
- Hurra! Óptimo, Batata. Em frente, marche!
- Informo que o meu nome não é Batata, General.
- Tudo bem, Couve, marche, vá. Estamos todos ansiosos. Marche!
O General começa a andar na direcção oposta à do seu posto.
- Noto que o General está a ir na direcção errada.
- Pois bem, não tenho culpa disso, o meu posto devia estar junto àquele portal interdimensional.
- É um poço de água, General.
- Ah? Bom, desta vez escapas-te, Cenoura, para a próxima sou o primeiro a jogar. Onde é que está o tal posto. Ah! Ali! Marche!
Continuou na direcção errada.
- Faço notar que o General ainda está a ir em direcção ao poço.
- Ah, sim! Vai lá Beterraba, e eu sigo-te.

Chegaram ao posto de comando, não antes de o General insultar um trilho de formigas.
- Traidores! Desertores! A batalha é para ali! Para aí é só o portal interdimensional, que não funciona. MARCHE! - dizia ele.
- Permita-me dizer, meu General, que as formigas não são parte do nosso exército.
- Deviam ser! Tu, ficas aqui a treinar as formigas, quando voltar quero-as em fileiras, prontas para combater.
O coitado do soldado começou a berrar com elas, que remédio.

Do posto via-se o magnífico campo de batalha.
- Alface, onde estão as nossas tropas?
- Relembro que o General mandou-as todas numa expedição à Mongólia. Ainda não voltaram.
- Desertores! Traidores! Gabirus! Que tropas nos restam para a batalha de hoje?
- Informo que não temos tropas algumas. O último soldado que tínhamos ficou a treinar as formigas.
- Ah, bem sabia que foi uma boa decisão! Daqui a nada teremos um formidável exército. Aprenda comigo, Ananás, eu não duro para sempre.
- Questiono qual é o plano de acção, meu General.
- Pois bem, envie tropas para aquela enseada ali. Fará um massacre.
- Relembro que não temos tropas.
- Essa agora, tenho de pensar em tudo, Maçã? Tem que ter um sentido táctico se quiser sobreviver. Quem não tem gato, caça com cão.
- Creio que a expressão é ao contrário, meu General.
- Essa agora? Como? Cão com caça, gato tem não quem?
- Não era isso que eu queria dizer, meu General.
- Ora bolas, Banana, nem faz muito sentido! Voltemos ao principal. Sabemos que aquele bosque tem cangurus, é necessário capturá-los.
- Falho em ver como é que esse era o assunto principal que estávamos a discutir.
- Táctica, Alperce! Táctica! As batalhas decorrem a mil à hora, temos de estar preparados para tudo. Os cangurus são o mais importante agora. Fundamentais se a nossa estratégia inicial é para manter.
- Permita-me responder que a batalha nem sequer começou ainda, meu General. Não temos nenhum relatório de cangurus no bosque. Não delineámos qualquer estratégia pois o meu General preferiu, de forma brilhante, contar os unicórnios que passavam no céu.
- É verdade, Tomate. Quantos é que contei?
- Relembro que nem um.
- Ah bom, foi melhor que da outra vez! Excelente! Vitória! Traga a banda, Cebola!
Deveras, uma banda apareceu, tocando um hino de vitória.
- Reforço a minha afirmação prévia: a batalha ainda não começou, meu General. Consequentemente, Não pode ter havido vitória.
- Ah, brilhante dedução. Teremos de ter isso em conta na próxima batalha, meu caro Girassol. Banda, lembrem-se que não podemos tocar antes da vitória! Parem de tocar! Agora, em frente, marche, contra o inimigo!
- Relato que as tropas ainda não regressaram da Mongólia.
- Traidores! Desertores! Gabirus! Teremos de ser inventivos. Laranja, ordene que se plantem sequóias naquela enseada para prevenir que sejamos flanqueados.
- Pergunto se as sequóias crescerão atempadamente para terem influência na batalha.
- Claro que sim, Margarida, já alguma vez viu uma sequóia crescer?
- Declaro que efectivamente não.
- Então não questione, envie a Brigada de Sapadores Cor-de-Rosa.
- Informo que essa brigada já não existe, meu General.
- Gabirus! Também foram para a Mongólia?
- Negativo. Relembro que ordenou que fossem todos digitalizados e armazenados naquele disco rígido que se estragou a semana passada.
- Então eles agora não podem ser recuperados, ò Alga?
- Nem passaram do processo de digitalização. Aparentemente atirar um sapador contra o monitor com muita força não se mostrou ser um processo muito seguro de digitalização.
- Gabirus! Quem nos resta então?
- Sugiro o soldado das formigas.
- Gosto da ideia! Sim senhor! Banda, vão plantar as sequóias. E quero tudo afinadinho.
A fanfarra dirigiu-se para a enseada, com convicção.
- Uva! As sequóias já cresceram?
- Ainda não foram plantadas, pois a banda acabou de sair daqui.
- Óptimo! Corre tudo como planeado! Agora, o inimigo, onde está? Ainda não deu sinal.
- Informo que o inimigo não está cá.
- Pimentão! Que me diz, essa agora? Marche! Como assim, não está cá?
- Informo que não temos inimigo algum. É tudo uma invenção sua, tanto quanto sei.
- Claro! Pois bem, isso são boas notícias! As formigas estão prontas?
- Observo que estão neste momento a atacar o seu treinador.
- Excelente! Parece-me que temos o dia ganho! Vitória! Banda! Música!

 

 

 

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publicado às 23:59




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