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Música: Hope of Deliverance

por Rei Bacalhau, em 01.05.16

Esta semana eu queria apresentar uma música mais pop só para não ter que pensar muito no assunto. A ideia surgiu-me ao ouvir a rádio e apareceu o tema Hope of Deliverance.

Eu já tinha uma presença mental dessa música e decidi que talvez pudesse ser uma boa candidata, apesar de não saber nada sobre ela. Peguei num bocadinho da letra, Google com ele e fiquei admirado ao saber que a música era de Paul McCartney. Verdadeiramente, depois de saber isso, a voz parece a dele, mas é daquelas coisas que eu não notaria se não soubesse já, como aliás aconteceu.

Ah, mas a treta da música é viciante. É verdade que estamos a falar de Paul McCartney, e quem melhor que ele para fazer uma música popularmente cativante? Tem daquelas particularidades que nos ficam ciclicamente na mente e que cantarolamos estupidamente ao longo do dia.

Até aí, nada de especial, somos apenas humanos se fazemos isso. Até com os estúpidos dos jingles do Pingo Doce ficamos na cabeça, quanto mais uma música decente como a que referi.

 

Melodia e instrumentação são os maiores responsáveis por uma música nos ficar na cabeça, digo eu. Explico isto argumentando que muitas pessoas não fazem ideia da letra de certa canção, mas tentam blasfemá-la à mesma. Isso só é realmente problema quando se canta a tal canção em público. Olhem, lembrei-me agora de um bom exemplo:

 

 

A internet é uma cena fantástica.

 

Enfim, continuando.

Se por um lado é mau que uma letra seja mal cantada, por outro lado é talvez pior quando é mal interpretada. Ora, a letra de Hope of Deliverance é suficientemente vaga para qualquer pessoa lhe dar a interpretação que quiser. Se isso é propositado ou não, não sei. Sei que vejo comentários de todos os tipos sobre o possível significado da música.

A letra fala de deliverance, que é uma palavra que acho que tem conotações religiosas, mas que significa, no geral, liberdade, ou melhor dizendo, libertação de algo.

We live in hope of deliverance from the darkness that surrounds us.

Esta linha, brilhante, pode ser aplicada a tudo. Tudo o que tiver rodeado de dificuldades mas onde houver a esperança de as ultrapassar pode usar esta música como hino. Vi comentários nas internets a referirem-se a religião (claro), a ataques terroristas, ao estado da Música, a amor, a depressões, a exames académicos, etc., etc.. O mais ridículo que vi, e que infelizmente não consegui encontrar de novo, referia-se a prisão de ventre.

Começo a reflectir então. Todos temos problemas. Todos temos algum tipo de escuridão metafórica sobre a qual queremos lançar alguma luz, igualmente metafórica. É esse o seguimento lógico da letra, que começa um inquérito impossível. "Quando é que se resolverá?" "Como é que será depois?" Não se sabe. Não posso criticar esta resposta como sendo preguiçosa. É, na verdade, factual. As perguntas é que são fúteis, pela incapacidade pessoal que todos temos de avaliar correctamente assuntos que não controlamos directamente.

A solução dada? Esperança. Palavra horrível e cruel, mas tão necessária. Como é que alguma coisa se faria neste mundo se não houvesse esperança? Todos os dias fazemos coisas sem saber se terão sucesso, ESPERANDO que os planetas se alinhem e por algum truque de magia negra, feitiçaria ou vudu as coisas nos corram como ESPERÁVAMOS.

Mas isso parece ser bom não é? A esperança é então a grande fonte de produtividade de uma pessoa! 

Sim, admite-se que sim, se seguirmos a lógica parva que descrevi. Mas a esperança é tanto uma maldição como uma benção, pois podemos convencer-nos de algo que nunca virá objectivamente, ESPERANDO a tal magia ou milagre ou seja o que for. E ESPERAMOS, e essa esperança corrói-nos e mói-nos. Conjura-se uma batalha tremenda entre o nosso ser esperançoso e o céptico.

 

Nem sei porque é que estou a deambular sobre este assunto. Talvez seja por eu não ter esperança em nada, e a tal música me ter lembrado que tal sentimento existe no mortal comum. Repito e acrescento, em TODO o mortal comum. 

Mas não sinto esperança por nada. O que raio é que eu quero? Tem de haver alguma coisa sobre a qual eu tenha esperança.

Não sei. Não me lembro de nada. Devo-me sentir mal sobre isso? Provavelmente não. Se calhar a lógica do problema é mais complexa e nem toda a gente precisa de esperança para viver e ser produtivo.

 

Enfim, Paul McCartney, com Hope of Deliverance:

 

 

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publicado às 00:00


1 comentário

De José da Xã a 01.05.2016 às 20:43

Paul Mcartney estará não só ligado aos The Beatles mas tão-só ao melhor da música do século XX.
Parabéns pela escolha!

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