Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]




O Cidadão - Parte VII

por Rei Bacalhau, em 04.09.15

<<Primeiro <Anterior  Próximo> Último>>

 

O Cidadão voltou à loja de Francisco Ponciano. Havia passado grande parte do dia a sondar as lojas assaltadas e conseguira formular algumas teorias sobre as causas destes assaltos, que, para o Cidadão, aparentavam logo desde o início ter um maior objectivo que simplesmente a recompensa monetária.
- Espera aqui Lucas, não quero que o senhor Francisco te veja. - O Cidadão parou e reflectiu. - Olha, aliás, volta para o nosso abrigo, é melhor não arriscarmos.
Lucas acenou com a cabeça, mergulhou num beco e juntou-se às sombras.
O Cidadão entrou na praça e aproximou-se lentamente do mercado de Francisco Ponciano. Para sua surpresa, saiu de lá uma mulher idosa a gritar por socorro, desesperada, ofegante, trôpega e cambaleante.
Dentro da loja, um dos jovens derrubou uma das prateleiras, e algumas latas de conservas abriram-se com o choque, derramando óleo e calda e atum e sardinhas e salsichas pelo chão previamente imaculado da loja. Eram quatro assaltantes ao todo. Um tinha ficado à porta, mas não impediu a idosa de sair. Outro estava a ameaçar fisicamente e verbalmente o pobre Francisco Ponciano. Os restantes dois estavam a tratar de destruir com algum brio as várias montras, prateleiras, refrigeradoras e variadas mobílias da loja. Francisco Ponciano tremia apavorado enquanto retirava o dinheiro da caixa.
- Mas.. mas q-que mais q-querem? Por amor de Deus, não me partam tudo! Ai m-minha nossa...
Um grito de dor ecoou pelo espaço, o que ganhou a atenção dos assaltantes. O colega que ficara à porta apareceu inconscientemente arrastado por um homem, com uma cara neutra e sem emoção, ou no máximo com um pouco de fastio.
Este observou os assaltantes que estavam algo atónitos, e estes olhavam-se entre si, não conseguindo dizer nada. O homem largou enfim a perna do assaltante, caindo com gravidade no chão branco e fresco da loja.
- Por acaso conhecem este senhor? Ele tentou barrar-me a entrada a este estabelecimento sem grande razão. Por acaso agora vejo que se calhar ele sabia o que se passava aqui dentro e não quereria que me magoasse. - e disse, virando-se para o rapaz inconsciente. - Peço desculpa cavalheiro, vejo agora que se calhar exagerei com o senhor. - voltou-se de novo para os seus interlocutores, pasmados, e continuou, sorrindo. - Têm de me permitir perguntar o que é que se passa aqui. Poderá ser um comportamento cultural talvez, mas compreenderão que o vosso modo de fazer compras é bastante ineficaz. Terei que vos pedir que saiam, mas não antes de arrumarem o que desarrumaram e de pagarem pelos prejuízos que causaram ao senhor Francisco. Já agora!, tire-me essa faca da frente, olhe que ainda aleija alguém, essa agora!
O assaltante por um momento hesitou e parecia mesmo que iria obedecer. Mas acordou, e proferiu, rugindo:
- Vai p'ó caralho!
- Sejamos razoáveis. - respondeu o Cidadão, quase a rir-se. - Ninguém está aqui para se magoar, podemos terminar isto pacificamente. De uma maneira ou doutra, terão de ser responsabilizados pelo que estão a fazer.
Os assaltantes entreolharam-se de novo. Eram todos muito jovens, sendo que o que tinha a faca e que ameaçava Francisco Ponciano parecia ser o mais velho. Estavam vestidos em roupas casuais, principalmente fatos-de-treino e calções, mas não tinham máscaras a proteger a identidade, o que era de estranhar. À primeira vista, o mais provável seria dizer que se tratariam de arruaceiros comuns. Não parecia ser a primeira vez que assaltavam algo, com certeza, mas era certamente a primeira vez que se depararam com alguém a fazer-lhes frente, sendo que ver um colega inconsciente colocou-os num estado que alternava periodicamente entre o alerta e o pânico.
O mais velho, e provavelmente líder do assalto, fartou-se, pois o discurso quase jocoso do Cidadão estava a irritá-lo imenso. Insultou o adversário e comandou os seus colegas com a mesma eloquência:
- Cala-te cabrão, já te fodemos! Vão-se a ele, caralho!
Os dois assaltantes puxaram de facas dos bolsos e avançaram rapidamente na direcção do Cidadão. Este tomou feições muito mais sérias e adoptou uma posição de combate.
- Não recomendo esse avanço. - avisou violentamente o Cidadão, mudando de tom de voz para um mais ameaçador. - Reflictam muito bem o que vão fazer.
Os olhos do Cidadão flamejavam, a adrenalina corria-lhe controladamente pelo corpo. Estava pronto para a batalha.
Os assaltantes hesitaram perante a fisionomia do Cidadão, mas o próprio líder juntou-se ao ataque.
O Cidadão precipitou-se sobre o líder, tomando a iniciativa. Apanhado de surpresa, foi desarmado pelo Cidadão, que lançou a faca para um canto, e que deu uma valente bofetada na face do líder. Não o feriu tanto fisicamente como lhe feriu o ego. Os restantes aproximavam-se hesitantes pelo flanco direito. O Cidadão pegou em várias peças de fruta e arremessou-as na direcção deles, esperando (e conseguindo) confundi-los. Lançando-se de novo, pregou dois estalos na face de um deles e um soco vertical, de cima para baixo, no topo da cabeça do outro. Como anteriormente, os movimentos não foram feitos para magoar seriamente os assaltantes.
- Este foi o primeiro aviso. Se continuarem serei forçado a agir com maior determinação. Decidam-se.
O líder era mais destemido e lançou-se em fúria galopante contra o Cidadão, berrando maniacamente. Quase que o conseguiu derrubar, mas o Cidadão equilibrou-se a tempo, e agrediu violentamente as costas e costelas desprotegidas do assaltante. Ele próprio agora possuído de uma fúria repentina, causada certamente pela insolência demonstrada perante o aviso razoável que havia sido feito.
- Obrigas-me então a fazer de ti um exemplo! - berrando na cara agora apavorada do assaltante.
Levantou-o forçosamente com uma força maior que a sua estatura permitiria implicar. Enfiou-lhe dois murros no estômago, e um terceiro nas costelas. O corpo atingido cambaleou para cima das prateleiras, e tropeçou desastradamente enfim no chão sujo. O Cidadão, feito fera, colou o joelho em cima do peito, e, com os próprios punhos descobertos, atingiu-o uma e outra vez na face com a punho direito, e repetiu o processo com a mão esquerda. Foi de tal modo que o sangue rapidamente jorrou da boca. O Cidadão, sentido as próprias mãos doridas, a direita mais que a esquerda, levantou-se e preparou-se para um ataque dos companheiros do assaltante. Foi com pouca surpresa que verificou que estes já haviam partido, levando o colega (o que ficara à porta), e abandonando o líder.
Respirou fundo, e acalmou-se. Lentamente, a sua fisionomia neutralizou-se, voltando ao estado mais normal com o seu olhar perscrutante e vivo, mas racional. Esteve assim, encostado a um refrigerador, com o assaltante líder ferido aos seus pés, durante alguns minutos.
Francisco Ponciano, que ficara em segundo plano a observar a cena como espectador inútil, acordou do torpor mental que a violência lhe causara e finalmente arriscou cortar o silêncio.
- Desculpe... o.. o senhor está bem?
É daquelas situações para a qual não há uma pergunta preestabelecida. O que é que se poderá perguntar ou dizer para além do banal "Está bem?" ou da eventual interjeição religiosa? O que é que um homem pode dizer ao olhar para uma loja, produto da sua vida, bastante destruída por bandidos, e estes por seu turno destruídos por um desconhecido relativo que agora estava calmamente à espera de algo ao pé de uma das suas "vítimas", se tal coisa se lhes pode chamar. Lá fora os curiosos começam a aparecer e tentam olhar pela montra para o espectáculo digno dos nostálgicos da Guerra. Que resposta social poderia ser possível? "Bom trabalho?" "Agora é só começar a varrer!" "Deixe-me lá também dar uns estalos nele!"
Não, nada faria sentido. Apenas o silêncio absoluto fez sentido até haver coragem suficiente para o interromper.
O Cidadão sorriu.
- Sim, está tudo bem, pelo menos comigo. No entanto, se calhar peço-lhe um bocado de gelo, para as minhas mãos, compreende? E para este jovem aqui também.
Francisco Ponciano acorreu imediatamente à solicitação, e colocou uns cubos de gelo em sacos de plástico. O Cidadão tratou das suas próprias mãos, mas pediu a Francisco, com misericórdia, que colocasse ele próprio o saco de gelo na cabeça do assaltante. Tal acção parecia contraditória, em termos morais, e Francisco esteve quase para proferir as palavras necessárias para recusar. Contudo, cruzou olhares com o Cidadão, que adoptara uma fisionomia mais terna e calma, sorrindo levemente, e o seu olhar, mantendo-se imperativo, era estranhamente convidativo à indulgência, mesmo por aquele com o qual há poucos momentos era inimigo profundo.
Francisco Ponciano cedeu, e aplicou o gelo na face dorida do assaltante, que tremeu ao sentir o frio enregelante mas curativo. Ele iria mais uma vez tentar expressar a sua revolta, mas o Cidadão começou subitamente:
- Durante a Guerra, depois da derrota do Exército Nacional, foram as milícias que continuaram os esforços para reconquistar o nosso território. Fomos duramente perseguidos, durante dia e noite, e em todas as condições atmosféricas e em todos os contextos. Quando éramos capturados, desaparecíamos no sistema escondido de torturas e execuções que o Inimigo ainda hoje aplica. Os poucos que conseguiram de lá voltar não voltavam para o serviço, preferindo fugir, com toda a compreensão. Nunca censurámos nenhum desses casos. No entanto, houve um em particular que, tendo escapado ao sistema, organizou uma milícia lendária cujo principal objectivo foi desmantelar esse sistema horrível. Houve vários sucessos e dezenas de prisioneiros foram libertados, e centenas de colaboradores foram expostos e chacinados sem misericórdia. Os ataques feitos a estas "prisões", chamemos-lhes, geravam prisioneiros e feridos Inimigos ocasionalmente. Da primeira vez que foram capturados Inimigos, o líder desta milícia desejou vê-los. Todos os milicianos, sabendo no geral o sofrimento que o seu líder havia passado por, não duvidavam que os prisioneiros seriam pessoalmente executados pelo líder.
O Cidadão fez uma breve pausa, olhando para Francisco Ponciano.
- Tal não aconteceu. Ao invés disso, pediu o estojo de primeiros socorros e pediu aos seus camaradas que tratassem das feridas dos prisioneiros, como eu lhe pedi agora, Senhor Francisco. No fim, arranjou maneira de enviar estes prisioneiros para casa, na nação deles, ou, se tal não fosse possível, eram devolvidos às fileiras Inimigas.
Outra pausa, como que para deixar Francisco Ponciano chegar às suas próprias conclusões.
- Esta nossa pequena batalha que defrontámos aqui agora teve as suas vítimas, de ambos os lados. Não é necessário prolongar o sofrimento, mas sim reconstruir, e responsabilizar, civicamente, os culpados deste acto, no mínimo pedindo satisfações.
Pensando apanhar uma incoerência na história, Francisco Ponciano arriscou uma pergunta:
- Mas então não poupavam os tais colaboradores? O senhor disse que eles eram.. enfim.. eram mortos!
- Mas os colaboradores são traidores da Nação, e a única responsabilização possível para uma traição é a morte, sem desculpas! - rosnou levemente o Cidadão, apanhado desprevenido pela pergunta. - Os soldados lutam pelo seu país, e essa é uma atitude nobre que até deveria ser recompensada. Os traidores lutam contra o seu país, e não consigo imaginar acto mais vil em termos de honra.
Fez uma breve pausa, olhando de novo o assaltante.
- O senhor conhece este sujeito?
- Não, acho que não, nunca o vi. Mas também, Alvim é uma cidade grande, e ele até pode nem ser daqui! - reflectiu momentaneamente, como se tivesse relembrado de algo - Sabe, a verdade é que até pode ser um dos indivíduos suspeitos que andam agora pelo bairro de Santa Margarida.
O Cidadão estremeceu ao ouvir o nome tão emblemático.
- Mas o.. mas esse bairro foi totalmente destruído na Guerra. Certamente não viverá lá ninguém?
- Ah, mas desengane-se, pois há uns.. ora.. uns bons dois anos que começaram a fazer lá obras. Até aí ainda ninguém tinha tido a coragem de limpar aquelas ruas, mas depois começaram a aparecer aí uns indivíduos, um bocado suspeitos, que pouco a pouco foram limpando as ruas e reconstruindo alguns prédios, sabe-se lá porquê e sabe-se lá como!
- Mas eles parecem ser bandidos ou..? Porque é que lhes chama de suspeitos? - perguntou o Cidadão, incrementalmente interessado no assunto.
- Bom, na altura era discutido o facto de eles serem maioritariamente homens a ocupar aquilo. Pensou-se que seriam criminosos a refugiar-se das autoridades, mas..
- Mas nesse caso não estariam a reconstruir o bairro de forma tão pouco subtil. Certamente as autoridades ocupadoras repararam na presença deles...
- Pois, exacto, mas não fizeram nada, deixaram-nos estar. Pensámos então que seriam pessoas que teriam comprado aqueles terrenos e que estaria tudo legal. A verdade é que depois começaram a ver-se mulheres por lá, que às vezes até vinham aqui fazer freguesia. Ficámos mais tranquilizados, mas nunca totalmente. Eles foram sempre muito isolados. Eu próprio nunca fui lá desde que começaram a reconstruir o bairro. O que quero dizer é que, sendo o bairro relativamente perto daqui, até pode ser que eles venham de lá.
- Conta-me uma história muito interessante, e não sei até que ponto eu não teria podido evitar este ataque mais recente. Confesso que eu tenho andado a evitar o bairro por razões nostálgicas, e não me pareceu relevante visitá-lo para o caso, mas suponho que se já lá tivesse ido talvez já tivesse chegado a algumas conclusões que me parecem verossímeis tendo em conta o que me contou agora, juntando-lhe o que já sabia. Muito interessante deveras... O senhor diz que "eles", sejam lá quem forem, têm lá mulheres?
- É verdade, isso posso confirmá-lo eu, como lhe disse, elas vêm aqui comprar coisas às vezes...
- O que é que elas costumam comprar? Elas têm alguma particularidade fora do normal? Com que frequência vêm? Quando é que vieram pela primeira vez, mais ou menos? - o ritmo das perguntas aumentara linearmente com a excitação revelada pelo rosto do Cidadão. Os seus olhos, agora quase esbugalhados, dançavam e saltitavam de contentamento, como se se achasse perto de terminar um quebra-cabeças particularmente confuso.
Sobressaltado pelo interrogatório, Francisco hesitou.
- Mas é assim tão importante saber isso? - disse, voltando aos poucos ao seu estado nervoso que quase já se havia esquecido, chocalhando o saco de gelo na cara do assaltante, que se havia tornado como que inexistente no meio da discussão.
- Parece-me ser fundamental para confirmar o que realmente se passa aqui. Responda, se fizer o favor.
- Err.. bem, vou responder à última que ouvi, que por acaso até sei exactamente a resposta! Lembro-me perfeitamente que a primeira cliente que tive do género foi há quase um ano, exactamente no dia em que passou o cortejo de celebração do fim da Guerra. Lembro-me por causa disso!
O Cidadão esboçou um sorriso.
- Não me lembro é o que é que comprou. Mas ao longo dos tempos elas compravam coisas banais, principalmente comida e produtos de higiene. Ah.. aliás, a coisa mais estranha que me pediram foi fraldas! Fraldas, veja lá!, nos dias que correm... E a verdade é que algumas estavam grávidas, o que é estranhíssimo, como sabe.
- Essa não esperava eu. Grávidas? Tem a certeza?
- Eu sei bem como é que é uma grávida! - exclamou Francisco Ponciano, ligeiramente emocionado.
- Sim, bem sei, peço desculpa. - o Cidadão reflectiu por instantes e adicionou uma pergunta. - Diga-me uma coisa, só por hipótese: reparou se essas senhoras estavam atentas à janela da sua loja quando estavam cá a fazer compras?
- Não, acho que não. Ah, a não ser que conte com as companhias que traziam...
- Como assim?
- Elas nunca vinham sozinhas, ficava sempre alguém à porta à espera delas. Depois seguiam caminho juntos.
- Ah! - exclamou, parecendo aliviado. - Está bem, agora faz sentido.

O assaltante pareceu mexer-se, lentamente acordando para o caos que ainda se presenciava na loja.
- Bom, senhor Francisco, ainda me falta fazer umas observações para chegar a conclusões objectivas. Receio que para isso teremos de deixar aqui o jovem ir-se embora. Não se importa muito?
- Mas... não o vai entregar à Justiça?
- A seu tempo, talvez, mas certamente que não o entregaria às autoridades invasoras. Talvez o entregasse a uma milícia que ainda esteja activa.
- Mas as milícias já acabaram! Temos de entregá-lo à polícia!
- Acredite no que quiser, meu caro. Pergunto-lhe de novo se posso soltar aqui o nosso amigo. - a cordialidade da pergunta não escondia o tom imperativo do olhar que o Cidadão lançava a Francisco Ponciano, traduzindo-se o pedido quase numa ordem.
Já novamente habituado a hesitar, Francisco cedeu e permitiu a libertação do larápio.
O Cidadão acordou forçosamente o assaltante. Este, feito potro recém-nascido, fazia o melhor que podia para se equilibrar nas pernas, escorregando na polpa de tomate e tropeçando nas latas de conservas. O Cidadão ajudou e apoiou-o no caminho para a porta. Lá fora, uma pequena enchente de pessoas já se havia formado, mas nenhuma tivera a coragem de entrar, habituadas a não se meterem onde não eram chamadas para não sofrerem represálias. Viram pela montra um dos assaltantes a ser ajudado por um desconhecido, e por instantes pensaram que fosse um assaltante também, não fosse a impassividade que Francisco Ponciano mostrava ao observá-los a sair, com um olhar de surpresa quase tão grande como o dos espectadores. Ao chegar à porta, o Cidadão lançou um olhar decidido e inflamado à multidão, atrevendo-os a meterem-se no seu caminho. Esta abriu alas e ambos passaram sem qualquer problema pela mira no mínimo reprovadora e no máximo esgazeada dos presentes. O próprio assaltante estava confuso, não sabendo se deveria estar agradecido por ter "só" levado "uma bela tareia", como alguns comentários circulavam à sua volta.
- Espero que tenhas aprendido a lição. Aconselho a uma mudança de carreira, que a longo prazo este tipo de crimes não compensa. - disse o Cidadão, que dispensou o assaltante com um leve pontapé.
Este, provavel e subitamente electrizado pela liberdade estranha com que tinha sido abençoado, colocou-se a correr desastradamente como podia, subindo uma das ruas a que a praça dava acesso, olhando uma única vez para trás e vendo ainda o seu benevolente (ou tirano?) libertador a retribuir o olhar, firme como uma estátua, com um leve sorriso.
Feito isto, o Cidadão pôs-se a correr cautelosamente atrás do assaltante, tentando não ser visto caso ele se virasse, apesar de, como se disse, tal nunca ter acabado por acontecer.
O assaltante foi na direcção do Bairro de Santa Margarida.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 00:00




calendário

Setembro 2015

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
27282930

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D