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O Cidadão - Parte XIII

por Rei Bacalhau, em 25.09.15

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- Eu vou supor que o Adrien saberá de tudo, e por isso é que permites que ele esteja aqui. - afirmou o Cidadão.
Pedro nada disse.
- Devo dizer que durante uns tempos conseguiste enganar-me, mas não tomes isto como um elogio, pois simplesmente nunca pensei que tivesses a capacidade de pensares num estratagema tão delicado, não obstante ser perigoso e fútil. Quando o senhor Francisco Ponciano veio pedir-me ajuda, eu fi-lo desenhar num mapa todos os locais que haviam sido atacados pelos tais criminosos misteriosos. Eu estava inicialmente a pensar em ver um padrão, mas surpreendi-me ao não ver nenhum. No entanto, a organização que os bandidos demonstravam era demasiado grande para não haver algum objectivo concreto. Os assaltos eram feitos rapidamente e à mesma hora. Depois pensei que a falta de um padrão era o padrão que estava à procura. De facto, não fazia sentido que algumas lojas fossem assaltadas enquanto que outras, igualmente desprotegidas mas mais potencialmente lucrativas, não foram de todo afectadas, como foi o caso de um minimercado, mesmo ao lado de uma barbearia que tinha sido assaltada. Continuando, certamente haveria algo de especial naqueles estabelecimentos específicos para serem relevantes. A única coisa que me ocorreu foi a sua posição estratégica, em termos de serem bons pontos de observação ou mesmo de ataque. Eu só não sabia era do quê, mas se fosse o caso, então saberia que estaria a lidar com uma organização militar. Sendo a única explicação que me veio à cabeça, imaginei que pudesse ser um dos meus antigos milicianos, pois pareceu-me uma táctica que, honestamente, eu também utilizaria, exceptuando a parte de atacar comerciantes inocentes. Pois bem, nos dias seguintes comecei a percorrer as ruas de Alvim, passando pelas várias lojas atacadas. Hoje arrisquei a entrar na barbearia que já referi, - olhou para o mapa na mesa e viu que a barbearia era representada pela peça de Monopólio de Cartola. - a que aqui está como Cartola, e fingindo pedir informações, pude ver que tipo de características tinha a barbearia. Tinha uma montra larga, com visibilidade frontal para uma rua que entroncava ali, e os prédios circundantes davam bastante protecção. Bem utilizado, aquele espaço poderia tornar-se um bunker autêntico e eficaz. O problema é que não poderia confirmar isto... era apenas uma teoria. Foi então que vi muito bem quem era o segurança que estava distraído à porta. - Pedro franziu a testa. - Eu nunca lhe soube o nome, mas conhecia-o de vista como sendo da Milícia do Prego. Isso não agoirava nada de bom. O Prego nunca havia sido confirmado como morto, por isso temi que fosse obra dele, e não de um dos meus. Seja como for, tinha pelo menos a confirmação que a presença de um miliciano ali não poderia ser coincidência. Neste ponto da situação, com os factos que já tinha acumulado, comecei a somar os factores, e todos começaram a convergir para um único ponto. Voltei para a loja do senhor Francisco onde se deu o episódio do miliciano Matias. Tive a pedir alguns esclarecimentos ao senhor Francisco, e foi aí que, por sorte, ele referiu este Bairro e as alterações mais recentes que havia sofrido. Fiquei surpreendido pela referência não só a mulheres, como a grávidas, aqui! Caso muito estranho. No entanto, tudo fez sentido. Vocês têm andado a usar mulheres, algumas grávidas, para fazer reconhecimento de terreno sem levantar demasiada suspeita. Coincidência estranha que uma mulher aqui do bairro apareça na loja do senhor Francisco no preciso dia em que passa lá um cortejo a celebrar o fim da Guerra. Não só isso, uma mulher grávida ou com um bebé pode passear à vontade pela cidade. As pessoas podem estranhar a sua existência nos dias de hoje, mas não podem estranhar estes passeios, que na verdade eram missões de reconhecimento. - Pedro perdeu o sorriso estúpido que ainda lhe delineava a cara aquando a menção do cortejo - Este reconhecimento tinha como objectivo preparar um ataque ao cortejo militar. Verifiquei que o trajecto do cortejo era o padrão que me tinha escapado logo de início, pois nem sabia que iria haver um cortejo. Todas as lojas atacadas estão convenientemente posicionadas para terem um ponto de ataque óptimo sobre o cortejo. Igualmente percebi que devem ter vários apartamentos alugados ao longo do trajecto, como aquele onde a equipa Cão estava hoje.
O Cidadão fez uma pausa para limpar a garganta, mas Pedro interpretou a pausa como o fim da exposição.
- Boa! Sim senhor chefinho! - aplaudiu jocosamente Pedro. - Mas é como te disse, não fazes ideia de qual é o verdadeiro objectivo disto tudo, mas até agora 'tás certo em relação a tudo. Já não é mau!
- Mas eu ainda não acabei de falar. Esta parte são só as conclusões mais observáveis que pude tirar. Só no espaço da última hora em que compreendi as ramificações que esperavas que o ataque tivesse. Vou continuar, se me permitires. Só percebi que o responsável por esta operação era inegavelmente um dos meus quando vi o senhor Adrien no meio da barafunda policial na loja do senhor Francisco, à espera de falar com ele. O seu traje, e o facto de outro miliciano observar a cena de uma janela, fez-me concluir que só um dos meus milicianos antigos poderia ter ensinado as mesmas precauções a uma nova geração de milicianos, como era o caso do Diogo Anacleto. Só tive a certeza que eras tu em específico quando Adrien impediu o Adérito de entrar no Bairro. Desde aí estive a reflectir qual era o objectivo do ataque ao cortejo. Porquê reconstruir o Bairro de Santa Margarida? Eu sabia que sempre tinhas tido uma panca pelo significado deste local, portanto pensei que fosse uma base de operações simbólica, pois seria mais fácil arranjar outra que reconstruir esta. Aí percebi, finalmente.
O Cidadão fez uma pausa dramática, com um leve sorriso. Pedro estremeceu.
- Tu queres recriar a Batalha de Santa Margarida que nunca ocorreu. Aquela que ocorreria se o Inimigo não tivesse artilharia, há 5 anos.
Pedro suspirou e coçou a fronte devagar. Era o sinal que não tinha conseguido enganar o seu mentor, como tão orgulhosamente queria.
- Tu queres atacar o cortejo militar de surpresa. Reforços serão chamados, certamente, e eles irão reorganizar-se e preparar um contra ataque. "Alguém" vai informar que os atacantes estão a fugir para o bairro de Santa Margarida. O Inimigo virá aqui e sofrerá baixas pesadas porque não sabem a fortaleza que está aqui habilmente escondida, como aqueles bunkers lá fora, disfarçados de casas de electricidade ou algo do género. Seria um massacre. Mas pensas certamente em ir mais longe. Pensas que ganharás a batalha. Pensas que uma vitória em Alvim, num sítio tão icónico, levantará a Nação de novo. Que até os enfermos, os deficientes, os decepados, as crianças, os velhos, as mulheres, enfim, todos se alistarão e lutarão de novo pela Pátria que ainda não está esquecida.
Lucas, surpreendentemente, falou:
- O Momento.
- O Momento! - gritou Pedro, levantando-se!
- O Momento, deveras... - repetiu o Cidadão. - Pedro... lamento informar-te, mas não é esta a altura do Momento. Não estamos preparados. Por muito que uma vitória destas como a imaginas desse algum rubor à população, seria imediatamente suprimido. O Inimigo é ainda muito forte, e ele enfraquece-nos pondo-nos a lutar uns com os outros. Tu não sabes que os homens que estarão no cortejo militar são da nova Guarda Nacional? São teus compatriotas!
- São colaboradores! Merecem morrer, tu próprio o dizes! - vomitou raivosamente Pedro.
- Não são colaboradores! São polícias! Muitos nem 20 anos têm, porra! Eles não lutaram na Guerra! O Inimigo recrutou-os sabendo que faríamos isto! Não os podes matar, Pedro! Eles são inocentes! Muitos fazem-no para poder ganhar a vida! Eles são liderados por colaboradores, esses sim, que se fodam, mas os jovens próprios não merecem morrer! Ouve-me, talvez eles possam ser convertidos para a nossa causa! Este não é o Momento, Pedro! Farás um enorme erro! Pensa objectivamente!
- Subestimas-me, chefinho! Tenho isto mais bem pensado que julgas! Ao fazer destes jovens um exemplo eles saberão que de nada valerá contribuírem para a causa errada. Vais ver, vão vir aos montes para o nosso lado sem precisarem de serem convencidos.
- Imbecil. Preferes liderar com terror do que com objectividade. Parece que não aprendeste nada das derrotas que todos sofremos.
- Estou a usar ar armas do Inimigo contra eles!
- Não, caralho! Estás a fazer exactamente o que eles querem que faças! Pedro, não acredito que me faças jogar esta cartada... Como teu Chefe, ordeno-te que não executes o teu plano. Não é razoável e é sim um total desperdício de recursos.
Os olhos de Pedro flamejaram, inchando-se de sangue. As veias do pescoço palpitavam visivelmente e todos os pêlos da sua barba pareceram eriçar-se de raiva. Levantou-se e virou a secretária herculeamente, espatifando vários objectos no chão. Berrou e rugiu furiosamente.
- Ordenas-me!! Ordenas-me! Quem pensas que és, filho da puta!? Julgas que me ordenas a alguma coisa!? Quem é que te dá autoridade!? Eu devia era matar-te, seu traidor da Nação! Ordenas-me! Aqui EU é que mando. E eu digo-te para te ires foder! Vai p'á puta q'te pariu! Sai! SAI! E leva o paneleiro do Lucas contigo, aposto que ainda te segue feito cãozinho! Maricas do caralho, vocês os dois! SAIAM! Eu é que te ordeno, chefinho de merda! SAI!
O Cidadão assistiu à cena com alguma precaução, caso tivesse que se defender. Tal não foi necessário. Ao ouvir a ordem de saída, sinalizou a Lucas que de facto iriam. No entanto, ainda arriscou dizer o que o protocolo lhe obrigava a dizer.
- Pedro, as tuas acções provaram que és um traidor ao Código. Ousas desrespeitar o teu superior. Como tal, expulso-te da Milícia dos 8, e viverás a tua vida restante como renegado aos olhos das Milícias Nacionais até te quereres redimir. Devo avisar, no entanto, que se realizares este ataque retirar-te-ei o direito de te redimires.
Pedro ainda praguejou incompreensivelmente enquanto o Cidadão e Lucas saiam. Quando o Cidadão estava para atravessar a porta, estacou repentinamente, e ainda falou.
- Pedro, quase me esquecia, as circunstâncias obrigam-me a pedir-te a tua parte da chave do Tesouro.
- O Tesouro!? Mais essa!? Toma lá, enfia essa história de fadas no cú! - urrou Pedro, já vacilando, pegando numa caixa previamente em cima da mesa, e arremessando-a com toda a força contra o Cidadão.
A caixa falhou miseravelmente o alvo, destruindo-se na parede ao lado. O Cidadão pegou num pequeno objecto que reconhecera como aquilo que procurava no meio dos pedaços partidos da infeliz caixa de madeira.
- Adeus, Pedro. Suponho que nos veremos em batalha, se não tiveres bom senso.
E partiu. Não deixou de ouvir a resposta angustiada de Pedro, obviamente. Entre as habituais pragas, notou-se a seguinte frase:
- Ameaças-me! Ameaças-me! Matem-no! Milicianos! Matem-no! Ele vai estragar tudo! Apanhem-no!
Instintivamente, ninguém fez nada. O Cidadão e Lucas encaminharam-se para a porta, atravessando o armazém sem dizerem palavra. Pedro ainda acorreu e apontou a sua carabina, mas os dois tinham acabado de sair e fechado a porta. Pedro precipitou-se mais velozmente que a sua estatura permitiria acreditar para a porta. Ao abri-la, apenas viu Lucas, que estava de costas para ele, parado. A porta fechou-se violentamente, desarmando Pedro. O Cidadão esperara-o. Apanhado de surpresa, Pedro ainda se levantou e lançou-se em fúria contra o Cidadão. Este sabia que Pedro era um adversário formidável e não o subestimou, não obstante a sua agilidade claramente reduzida. Os murros poderosos eram lançados infatigavelmente por Pedro, e desviados pelo Cidadão, que fazia o melhor para se defender. Pedro finalmente conseguiu acertar com um dos seus punhos de aço. Agarrou no Cidadão com a sua força incrível, levantou-o, e arremessou-o como um boneco contra o entulho.
Lucas apenas observava.
O Cidadão levantou-se com dificuldade, tinha batido perigosamente no entulho e era-lhe difícil respirar. Pedro já se aproximava de novo. O Cidadão lançou-lhe uma e outra pedra, para ganhar tempo. Uma atingiu Pedro na barriga, que agiu como trampolim, pois a pedra saiu catapultada como um ricohete. O Cidadão notou que sangrava do braço, da queda no entulho. Pedro agora corria, feito touro, numa tourada invertida. Era o touro que fazia o espectáculo! Lançou outro murro ao Cidadão, que o evade agilmente, contornando Pedro pela direita, e atingindo-o nas costelas. Antes que se conseguisse virar, ainda levou uma cotovelada na cabeça. O Cidadão sabia que seria inútil tentar atingir-lhe nas partes mais volumosas, e enfrentá-lo numa troca de murros era suicídio. Continuou a focar-se nas costelas de modo a cansar Pedro. Este vociferava, cada vez mais furioso e vermelho:
- Filho da puta!
Pedro conseguiu finalmente agarrar e prender o Cidadão, envolvendo-o no braço grosso. O Cidadão sentia-lhe o hálito ardente e salivoso.
- E agora, chefinho? Agora morres! - disse entredentes quase a rir-se, como louco.
O Cidadão sentiu a vida a começar a esvair-se. A adrenalina de sobrevivência começou a circular-lhe no sangue. Num esforço titânico, muito aquém do que normalmente conseguiria fazer, quase sobre-humano, o Cidadão colocou os dois pés bem assentes no chão e levantou Pedro do chão, com este ainda agarrado tenazmente ao seu pescoço, lançando-lhe socos para o imobilizar. De nada serviu tal violência. O Cidadão começou a andar na direcção do entulho e lançou-se de costas, antes que Pedro pudesse aperceber-se do seu plano.
Ambos lançaram gritos de dor, e Pedro teve de libertar a sua presa. O Cidadão aproveitou a abertura para lançar ele próprio um soco na face de Pedro, mas imediatamente caiu no chão, curvado, ofegante, exausto.
Verdade seja dita, já era a terceira vez que lutava naquele dia que parecia teimar em não terminar. Também é verdade que Pedro seria de qualquer forma o adversário mais forte dos três com que lutara.
Enquanto a luta fraternal durara, os milicianos haviam-se juntado para ver o desfecho, esperando, mesmo que não o admitindo, que o Chefe deles se esquecesse que eles ignoraram a sua mais recente ordem. Agora observavam dois homens no chão, quase inconscientes, sangrentos, doridos, transpirados, sujos.
O Cidadão começa a levantar-se. No meio da multidão aparece Matias, vendo uma boa altura para a sua vingança, e sai disparado armado com uma carabina, pronto para dar uma coronhada no Cidadão, indefeso.
Ouve-se um tiro.
Matias cai, segurando a perna com as mãos. Todos os milicianos, chocados, apontam as armas.
Lucas havia disparado não fatalmente contra o ataque cobarde. O Cidadão olhou para Lucas com um olhar de profunda gratidão, mas não disse nada. Lucas entregou a pistola a um miliciano e aproximou-se de Matias, que se retraiu assustado e agonizado. Lucas rasgou as calças de Matias e verificou que a bala trespassara a perna, e aplicou um torniquete usando o próprio cinto. O Cidadão aproximara-se de Pedro, ainda fora de combate, e certificou-se que não tinha nenhuma lesão mais grave. Pediu ajuda a um miliciano para o levantar, mas aí, como se tivessem despertado, acorreram muitos e tiraram o Chefe dos braços do Cidadão. O Cidadão pegou em Lucas pelo braço, mas este dirigiu-se ao miliciano ao qual tinha dado a sua arma para a pedir de volta. Também retirou o cinto que tinha usado em Matias, quando um tratamento mais eficaz já estava a ser aplicado.
Então finalmente os dois foram-se embora sem mais caso.
Teria sido um dia cheio de visões estranhas para os habitantes daquelas ruas de Alvim. Ao descer a rua que dava para a praça, os dois homens viam as caras de espanto com que as pessoas olhavam para o contraste entre um homem impecavelmente limpo e são, e o homem roto, sujo, dorido e sangrento que caminhava ao seu lado.
Um casal de idosos molengava rua acima. O Cidadão desejou-lhes boa tarde.
- Ò Joaquim, não é o mesmo de manhã? Minha Nossa Senhora, vem tão sujo! Ah...
- Deve ser das obras ali daqueles lados.
Chegados à praça, o Cidadão diz para Lucas.
- Lucas, tenho de ir ali avisar o senhor Francisco. Vai andando para o abrigo.
Lucas começou a andar, mas foi interrompido por uma mão no ombro.
- Lucas, obrigado, sei que te deve ter custado disparar outra vez.
O Cidadão disse isto com uma ainda maior expressão de gratidão e respeito que anteriormente.
Lucas nada disse, apenas acenou. Afastou-se.
O Cidadão pensou no dia bastante cheio que tivera. Ao menos conseguiu a parte da chave de Pedro. Isso até foi mais fácil do que pensava, teve sorte. Sorriu ao imaginar a expressão de Pedro ao saber que tinha dado sem mais nem menos uma coisa tão valiosa como uma das partes da chave do Tesouro. Estremeceu ao pensar que ele lhe tinha na verdade dado uma chave falsa. Pegou no seu telemóvel, como se apanhado em falso, activou uma aplicação e aproximou a chave do telemóvel.
A aplicação demorou algum tempo a processar, para grande expectativa do Cidadão. Fez um som.
A chave era válida.
O Cidadão suspirou de alívio. Certamente não queria entrar em guerra aberta com um dos seus milicianos por causa do Tesouro.
No fundo, no fundo, não contando as várias lesões que o iriam atormentar o resto da semana, até considerou que foi um bom dia. Entrou na loja de Francisco Ponciano.

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