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O Cidadão - Parte XVII

por Rei Bacalhau, em 09.10.15

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- Milicianos! Hoje seremos publicamente elevados a heróis. Hoje é o dia em que começaremos a Reconquista! Hoje é o dia em que os novos jovens saberão que têm algo pelo qual lutar! Hoje derramaremos o sangue dos colaboradores!
"Morte aos colaboradores!"
- Amanhã derramaremos o sangue dos pretos e dos ciganos!
"Morte à escumalha!"
- Depois derramaremos o sangue do Inimigo!
"Morte ao Inimigo! Morte ao Inimigo!"
- Vamos renascer a pátria das cinzas, uma nova geração de milicianos vai-se erguer e agarrar todos os inimigos da Pátria pelos tomates!
"Assobia! Assobia!"
- AH AH! E não vão conseguir! E depois cortamo-los! Mostraremos ao mundo que não precisamos de ninguém. Estamos sozinhos contra todos, mas venceremos, pois a nossa alma e a nossa força patriótica alimenta-nos quando temos fome! Embebeda-nos quando temos sede! Fortifica-nos quando caímos! Pela Pátria! Estamos sós, mas orgulhosamente!
"Orgulhosamente sós!"
- Outra vez! Orgulhosamente sós!
"Orgulhosamente sós! Orgulhosamente sós!"
- Hoje é o Momento!
"É o Momento!"
- Hurra, caralho!
"Hurra!"
"Hurra!"
"Hurra!"
Os discursos não fatigavam Pedro. Davam-lhe cada vez mais força, pois conseguia perceber que tinha todos aqueles homens cegamente sob o seu controlo. Os homens dispersaram. Muitos estavam vestidos à civil para poderem ir para os pontos de ataque na cidade sem levantar suspeitas. Nas lojas já estavam os equipamentos necessários para o massacre, pois tinha sido tudo preparado no dia anterior. Na base de Santa Margarida faziam-se os preparativos finais para quando as tropas da Guarda Nacional sitiassem o bairro.
Quando perguntado sobre Adrien, Pedro respondia ao seus soldados que tinha ido numa missão secreta urgente, e só chegaria à batalha depois. Foi preciso a sua força de vontade inteira para não destruir totalmente o seu gabinete ao aperceber-se da traição de Adrien.
A hora fatídica chegara. Eram dez da manhã. Ao longe ouvia-se a banda filarmónica a começar a tocar. A parada militar começara. Os milicianos nos seus esconderijos suavam de expectativa, apertando as armas com força. Diogo Anacleto, por exemplo, cuja companhia no apartamento era o já conhecido miliciano Matias, imaginava na sua cabeça como a acção se iria desenrolar: imaginava-se a aparecer na varanda e a apanhar de surpresa todos os "soldadinhos" da Guarda Nacional, nos seus uniformes de gala, e a manchá-los de sangue e vísceras; de seguida lançaria as granadas que iriam explodir e desfazer os colaboradores em dois; quando o massacre inicial acabasse, desceria e procuraria sobreviventes e tirar-lhes-ia essa classificação; conseguia imaginar voltar para a fortaleza no bairro de Santa Margarida, pegar numa das metralhadoras lá montadas e deliciar-se a dizimar vaga após vaga de colaboradores atacantes. Que dia glorioso imaginava este jovem!
Deixemos estes pensamentos fundamentalmente fratricidas, pois a parada militar já começara, como se disse.
As pessoas acorreram à cidade para ver a parada, não tanto para celebrar a ocupação inimiga, mas para celebrar o fim da Guerra. Eventos deste tipo eram raros, e por isso as pessoas aproveitavam. Muitas famílias tentavam ver algum dos seus familiares na Guarda Nacional a marchar. A parada não era aos milhares, mas era um número significativo de soldados. No entanto, tal nomenclatura de soldado poderá ser um exagero. A grande maioria destes jovens inexperientes era usado na força policial e não estavam devidamente treinado para fazer nem uma coisa, nem outra. O Inimigo era esperto ao ponto de propositadamente dar um treino inadequado aos agentes que deveriam manter a paz e estabilidade. O Inimigo queria colocar o território num estado de guerra civil sem eles próprios saberem, para drenar a força do povo. Até agora o plano estava a resultar na perfeição e o massacre planeado para o mesmo dia seria um grande sucesso para o Inimigo.
Mas a parada! Bela, enorme, folclórica, fanfarrona. À sua vanguarda vinha uma única peça de artilharia puxada por cavalos. Os soldados marchavam o mais direitamente que sabiam. As suas espingardas, que mal sabiam usar, reluziam com algum orgulho ao sol. Alguns camiões eléctricos acompanhavam a parada, lançando enfeites com as cores do Inimigo e replicando a música tocada pela banda. Estes camiões eram escoltados por soldados Inimigos profissionais, uniformizados de forma diferente para impedir potenciais entusiastas milicianos de interferir. Igualmente escoltado por um grupo destes soldados vinha um carro que transportava o Chefe da Polícia e o Presidente de Alvim, que acenavam levemente à multidão.
A parada passou pela primeira loja com milicianos escondidos, a barbearia referida há muito. Os milicianos tinham ordens para disparar apenas quando fosse dado o sinal. A euforia lá fora contrastava terrivelmente com o silêncio gelado que se mantinha nas terríveis lojas. A parada subiu a avenida que eventualmente acabaria na praça onde era a loja de Francisco Ponciano. Os milicianos sabiam que se aproximava o momento. Os corações palpitavam de adrenalina. A parada começa a entrar na praça, que fora mantida completamente livre de pessoas, como em qualquer outro ponto do trajecto. Subitamente a parada é obrigada a parar.
Do seu ponto de observação, Pedro estremeceu quando a parada estacou. Pensou no pior.
"É jogada dele... é jogada dele! Foda-se!"
Pegou no rádio.
- Atenção a todo o tabuleiro! Se alguma peça vir a causa da paragem diga ao banqueiro imediatamente!
Pouco depois, veio a comunicação.
- Daqui o Cão! Pararam na praça, mesmo à minha frente. - houve uma breve hesitação - É o tal traidor! Está com outros dois gajos.
O grito de raiva quase se ouviria pela cidade toda, tamanha foi a frustração de Pedro.
Deveras, à frente do cortejo, enfim, à frente dos cavalos, estavam três homens, equipados como soldados profissionais, uma complicação incompreensível de cintas e bolsos e padrões de camuflagem urbana. Tinham todos carabinas de assalto, mas um deles carregava uma mala comprida. Derrubaram alguns polícias para poder entrar, e isso colocou todos os outros em alerta. Os três homens tinham várias dezenas de polícias a acorrer à situação, apontando as armas de várias direcções. Nenhum dos três homens fez um gesto ameaçador, nem disseram nada.
Um oficial da Guarda Nacional finalmente interpela os homens.
- Quem são vocês e que fazem aí!? Pousem já as armas!
Dos três homens, um destacava-se por ter a mala. Foi este que avançou um passo. E gritou:
- Patriotas!
Instalou-se um silêncio tumular. Nem os pássaros se atreveram a chiar perante tal palavra publicamente proibida. Os polícias, jovens e confusos, entreolharam-se espantados.
- Certamente não matareis um irmão! - continuou depois de uma longuíssima pausa. Este era um homem que queria a sua mensagem perceptivelmente difundida.
- Não me conheceis!? - trovejou outra vez.
- Chega disto, - exclamou o oficial - aproximem-se! Prendam-nos!
Os civis já estavam a ser evacuados da praça. O evento lançou a parada no caos.
O homem pousa a mala. Abre-a. Todos apontam as armas, expectantes, prontos a disparar ao ver o que sai de lá de dentro.
A expressão de surpresa não poderia ser maior em todos os presentes.
O homem retirara da mala um machado, que não parecia ser mais que um machado de lenha. Da forma como reluziu notou-se que estava afiado, apesar de parecer bastante usado. O homem elevou este machado no ar, para que todos o vissem. Ninguém reconheceu o homem, mas todos reconheceram o machado, que tinha sido um dos símbolos pelo qual a mítica Milícia dos 8 era conhecida.
- Não vim aqui para vos combater, mas sim para vos ajudar! Quereis provas? Abri alas então! - e apontou com o machado na direcção de um edifício.
Deveras, vinha de lá um homem enorme, igualmente equipado, e arrastava um quinto homem, que vinha ensanguentado.
Era Adrien a arrastar Diogo Anacleto.
Juntou-se aos aparentes companheiros no centro da praça. Tirou o rádio de Diogo. Deu-o ao Cidadão.
- Este homem é um miliciano, tal como eu sou. Mas este homem pertence a um grupo que vos prepara uma emboscada. Se quereis viver, saí das ruas, pois não consigo garantir que o ataque não esteja iminente.
Falou depois para o rádio.
- Milicianos! Sei bem que me ouvem. Sei bem que juraram lealdade ao vosso Chefe. Mas ouçam-me! Os homens que vocês vão matar são vossos irmãos. Não são colaboradores! Muitos deles nem vinte anos têm! Nem lutaram na Guerra! Eles são parte da Guarda Nacional pois é a única forma de subsistirem. Ouçam-me, eu disse isto ao vosso Chefe, mas ele não foi razoável, talvez vocês sejam! O Inimigo quer pôr-nos a matar-nos uns aos outros, não percebem isso? Se vocês atacarem estarão a matar a nossa juventude. Estarão a perder a Guerra outra vez! Digo-vos apenas isto, se quiserem matar alguém, matem apenas os oficiais, eles são os verdadeiros colaboradores! Eles é que controlam os nossos jovens! Espero que tomem a decisão certa.
O rádio inundou-se de insultos por parte de Pedro que o Cidadão ignorou. As ordens que se ouviam eram simplesmente:
"Ataquem! Ataquem! Pela Pátria! Matem os colaboradores! Matem esse traidor!"
Foi a vez de Adrien, que tirou o rádio da mão do Cidadão.
- Milicianos. Fala-vos o Grande Cão. Ignorem o nosso Chefe. Os que confiarem em mim venham ter à praça. Vamos batalhar hoje, mas é contra o verdadeiro Inimigo. Ponto final.
O Cidadão sorriu a Adrien, agradecendo-lhe assim. Ele recomeçou a falar, mas com um público-alvo diferente.
- Jovens da Guarda Nacional! Há muito que a nossa força é drenada pela escumalha colaboradora que nos sabota a todo o custo, para seu benefício egoísta. Pois bem, isso hoje vai mudar! Hoje vamos limpar as vossas camadas superiores. Eu já identifiquei quais é que nas vossas fileiras são colaboradores. Peço apenas que não façam nada enquanto fazemos o nosso trabalho. Vocês são nossos irmãos! Não vos queremos matar. Mas qualquer um que defenda um colaborador será considerado também um colaborador. Qualquer um que se revolte agora será considerado um miliciano! Abaixo com o Inimigo!
Ao proferir isto, o barulho de soldados a correr e gritos aproximava-se da avenida. Os soldados profissionais Inimigos que defendiam o cortejo estavam a chegar. Posicionaram-se em frente dos homens no centro da praça. Um oficial do exército Inimigo berrou, com um sotaque suficientemente compreensível:
"Já chega! Um movimento em falso implicará execução imediata! Pousem as armas já!"
Os milicianos nada fizeram. O Cidadão gritou:
- É a vossa vez, patriotas! Recusais levantar-vos!? Ousais ver-nos a morrer em vão!?
- Chega! - replicou o oficial Inimigo, que começou a instruir os seus homens para abrir fogo.
"Não! Alto! Não disparem!"
Vários polícias corriam em direcção aos soldados, apontando por sua vez as suas armas a estes. Apesar de mal equipados, os polícias tinham uma enorme vantagem numérica.
"Larguem vocês as armas! No chão, já!"
Os soldados não tiveram escolha. Largaram as armas sem resistir e ajoelharam-se. O único que resistiu começou a levar pontapés de vários jovens que se haviam tornado violentos, inebriados de um novo sentimento revolucionário.
O Cidadão correu para travá-los.
- Alto! Os soldados são prisioneiros agora, e serão tratados como tal. Nada de violência desnecessária. Querem dar porrada a alguém!? Têm ali um que tem muita para levar.
E apontou para um oficial da polícia. Um colaborador. Este ficou branco de medo.
- Espalhai a notícia. Apanhai os colaboradores. Trazei-os todos para esta praça.
A cidade inflamou-se em insurreição contra as forças colaboradoras. Felizmente as massas souberam distinguir o conceito de colaborador, pois trouxeram não só oficiais corruptos da polícia, mas também do governo regional e municipal. Muitos milicianos de Pedro juntaram-se a Adrien, como este tinha pedido. Os restantes voltaram para a base. Pedro manteve-se uma incógnita durante o resto do dia. O Cidadão não se preocupou mais de qualquer forma. Não imediatamente, pelo menos.
No final da tarde, a cidade já acalmara. Muitos aproveitaram para pilhar lojas, mas iam sendo apanhados e igualmente levados para a praça. Já estavam reunidos várias dezenas de colaboradores (ou pilhantes) naquela praça, mas os mais importantes só chegaram depois. Um pequeno confronto entre soldados Inimigos e milicianos comandados por Adrien resultou na captura do Presidente e do Chefe da Polícia, que tentavam escapulir-se da cidade.
Reuniram-se centenas, senão milhares, naquela praça pequena. O Cidadão tomou a palavra.
- Cidadãos! Temos aqui muitos prisioneiros hoje. Estes aqui são soldados Inimigos. Receio informar que estes serão poupados totalmente, sem questão. Mas temos o problema dos restantes, que são muitos. Colaboradores e ladrões, as piores pragas da nossa nação. Que me dizem? Vivem? Ou morrem?
"Morte! Morte! Morte!"
- Morte, dizeis! E quem a aplicará? Eu? - a multidão aplaudiu. - Eu com o meu machado? - elevou o machado acima da cabeça; a multidão vibrou de euforia. - E porque não vós? Vinde cá! Dou-vos esse prazer!
A multidão acalmou-se, confusa.
- Vá! Peço um voluntário para matar a sangue frio um homem com este machado!
A multidão calou-se, enquanto olhavam uns para os outros.
- Então? Ninguém? Mas é fácil jovens, é só espetar! - levantou um dos colaboradores presos e pontapeou-o para a frente, fazendo-o cair. - Diz-me o teu nome, colaborador! - berrou como se possesso.
- M... Ma... Marco! - respondeu, choramingando.
- Marco quê!?
- Marco Gonçalves!
- Assumes que és colaborador!?
Marco não respondeu imediatamente, mas inferiu-se que sim, pois começou a chorar.
- Sim, sim, sou, colaborei com.. com o Inimigo.. Perdoe-me! Por favor!
- Ouvi isto, meus irmãos. Notai como ele pede perdão! Um colaborador! Ainda lhe querem a Morte!?
Ninguém respondeu.
- Marco! Diz-me: tens família?
- Ah não.. não!
- Mentes! - berrou o Cidadão, soqueando-o. - Tens ou não família?
- Tenho! Tenho uma esposa e dois filhos!
- Notai! Ele, por ser colaborador, tem uma esposa e dois filhos, pois é isento de pagar o imposto de natalidade! Estamos a criar uma nação de colaboradores! Quem é que o quer matar!? Ele tem uma mulher e filhos! Quem é que o quer matar? Tu? Tu? - repetia, apontando para vários espectadores. - Ninguém aqui quer matar este homem!?
O homem desfazia-se em lágrimas e baba e ranho. Um sentimento de pena invadiu a multidão, mesmo aquelas pessoas que não conseguiam ver o aspecto do homem.
O Cidadão subitamente levanta o machado e enterra-o nas costas de Marco, que solta um grito gutural. O machado prendera-se nas costelas, e por isso custou mais a sair. Levantou-o de novo, esguichando sangue para o ar. Nova machadada, apenas reagido com um espasmo por parte de Marco. Outra machadada, completamente mortal. Marco morrera agonizado, e a sua expressão final demonstrava-o. Vários homens vomitaram com o espectáculo de carnificina que presenciavam. Outros limitavam-se a não olhar. Alguns prisioneiros desmaiaram. Muitas pessoas foram-se embora, aterrorizadas.
O Cidadão acalmou-se. Depois de um longo silêncio de reflexão. Finalmente disse, com a voz rouca.
- Ide para casa irmãos. Amanhã o Inimigo voltará, senão mesmo hoje. Muitos de vós ireis presos, se não fugirem. Eu digo-vos: fugi! Ide para outras terras, a não ser que consigam explicar que nada tiveram a ver com o assunto de hoje. Desenrascai-vos! Eu apenas quis evitar um massacre hoje, não sem sacrifícios. Se alguma coisa, o dia que hoje provou que ainda não é o Momento.
Fez uma breve pausa, como se reunindo forças.
- Ouviste, caralho!? Ainda não é o Momento!
Ninguém, com poucas excepções, soube com quem é que ele estaria a falar.
- Adrien, garantes-me a lealdade destes homens, por agora?
- Sim, sem dúvida.
- Eles são experientes? Parece-me que reconheço um ou outro de vista.
- Sim, todos eles lutaram na Guerra, principalmente nas milícias do Norte.
- Óptimo, tratas de lhes pedir para executar os colaboradores todos?
- Sim. - respondeu Adrien secamente.
- Depois disso vamos pegar nas nossas coisas e aproveitar estes camiões eléctricos do cortejo, vão dar jeito. Eu vou prepará-los. Depois é bazar, sim?
- Sim, Chefe.
- Lucas, ajuda-me, sim?
A Milícia Nacional Geral partiu à noite. O Cidadão desactivou os transmissores que os camiões tinham, para não serem seguidos.
Era a segunda vez que a batalha de Santa Margarida nunca realmente ocorrera.
Pedro e a sua milícia restante desapareceram, deixando apenas edifícios vazios no bairro.
Um fio contínuo de sangue colaborador corria nas sarjetas da praça. Curiosamente, parte desse sangue era o de Diogo Anacleto.

Uma chamada no meio da noite acorda um homem. Rabugento, lá atendeu o telefone.
- Sim?
- Ele voltou.
- Ele?..
- Ele.
Desligaram a chamada. O homem lançou um enorme suspiro. Levantou-se e começou a vestir-se.

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