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O Rapto - Parte III

por Rei Bacalhau, em 22.06.16

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Mariana reflectiu no que ouvira. Maior parte das informações que o suposto "Chefe" tinha dito eram coerentes. No entanto, não poderia confiar em alguém que usava métodos tão agressivos. Se tudo aquilo era para a segurança dela, escusado será dizer que Mariana não se sentia particularmente aliviada. Pela sua experiência, o mais provável seria que toda a situação fosse um estratagema do Inimigo. Para corroborar seja o que for, precisaria de contactar o seu pai, o que era impossível naquela situação.
A única alternativa era escapar.
Lembrou-se que o Chefe tinha dito que ela não estava presa. Bastaria simplesmente abrir a porta e sair?
Era uma jogada arriscada, mas admitiu que valeria a pena tentar. Pelo menos tinha esperança de conseguir ver o que estava no resto do apartamento.
Aproximou-se da porta. Baixou-se. Não havia sombra alguma imediatamente à frente da porta. Ouvia algumas vozes baixas. Colocou ligeiramente a mão no manípulo. Apertou-o firmemente, esperando não fazer barulho ao rodá-lo. Hesitou durante uns instantes, não sabendo a reacção possível de quem quer que fosse que apanhasse pela frente. Respirou fundo.
Abriu a porta devagarinho.
Só quando abriu a porta completamente é que conseguiu ter visão para o corredor e imediatamente à frente para a sala, onde estavam dois homens sentados ocupados com algo à frente deles. Estavam de costas para Mariana.
À direita de Mariana continuava o corredor. Colocou a cabeça cautelosamente para fora do quarto para espreitar e avaliar este corredor. Estava deserto. Apenas continha alguma mobília velha com uma aparência ainda mais gasta do que a que estava no quarto. Ouviam-se alguns barulhos provenientes da divisão ao fundo do corredor. Mariana distinguiu o ruído de uma televisão. Subitamente ouviu uma voz doce, mas preocupada.
- Ai, Cruzes Credo!...
Era a voz de uma mulher e Mariana podia apenas tentar adivinhar o que causara tal interjeição.
Mariana olhou para a esquerda.
Dois olhos observavam-na de uma divisão imediatamente contígua ao quarto. Uma barba espessa aliada ao olhar assustador deram ao observador uma aparência de fera. Mariana deu um pequeno salto e quase gritou. No entanto, a exalação de ar foi suficientemente ruidosa para alertar os restantes ocupantes da casa que, surpreendentemente ou não, apenas olharam de relance para trás antes de retomarem a sua actividade.
Mariana estacou. Não soube o que fazer ou o que dizer. Olhou para o corredor, agora atrás de si, e notou a porta de saída. Impulsivamente, como qualquer ser que anseia a liberdade, lançou-se para a porta e tentou forçosamente abri-la.
Estava trancada.
- Desculpe, mas não pode sair. - disse a fera, bruscamente.
Mariana olhou-o e afastou-se.
A fera repetiu.
- Pode andar por aqui, mas não pode ir lá para fora.
Mariana recompôs-se.
- Disseram-me que não estava presa... - disse baixinho.
- E não está. Mas para a sua segurança, tenho ordens para a manter dentro de casa, na medida do possível.
- Então é a mesma coisa. Estou presa.
- Não, isto é para a sua segurança.
- Isso diz você. Não me sinto segura convosco. Quero sair. Se não me deixar, é porque estou presa, ou pior, raptada.
A fera não soube responder.
- Ouça, eu tenho ordens. Se tiver problemas fale com o Chefe.
- Quero sair. Se não puder começarei a gritar por socorro.
Mariana sentia-se a esticar a corda. Irritar os seus captores passivos poderia não ser a melhor ideia. Por outro lado, ainda não havia sido magoada significativamente, e talvez isso lhe tenha dado uma maior confiança para enfrentar os raptores.
A fera mudou de postura. Ouviram-se risos abafados na sala.
- Ouça, acalme-se, vamos ser razoáveis, pode ser? Eu não tenho o jeito do Chefe para pessoas, por isso, se não se importa, espere um bocado até ele voltar e poderá falar com ele.
Mariana apanhou a fera na defensiva. Decidiu atacar.
- Eu já falei com ele, e ele disse que eu não estava presa! - exclamou, levantando já o tom de voz.
- A senhor... a menin... você desculpe-me, - respondeu a fera, atropelando-se nas palavras. - mas não a maltratámos. Tenha paciência, por favor.
- Não! Quero sair já! - gritou finalmente Mariana, arriscando tudo.
Poucos segundos depois tinha uma pistola encostada à cabeça. A fera tinha sido puxada ao limite.
- Eu tentei, sabes? Bem que tentei. Não te calas a bem, calas-te a mal. Nem mais um pio, ouviste!?
Agarrou-a bruscamente pelo braço e arrastou-a para o quarto. Ela caiu.
- Foda-se, um gajo tem de cumprir ordens, e neste momento estás-me a fazer falhar! Pediram-me que te tratasse bem, mas não me deste escolha. - levou a mão ao bolso e tirou um lenço. - Se pensas sequer em berrar levas logo com o lenço sujo dentro da boca! Estamos entendidos!?
Em momento algum deixou Mariana de estar na mira certeira da pistola. Ela tremia descontroladamente. Começou a chorar. Não respondeu à pergunta.
Um outro homem entrou também no quarto.
- Adrien! Estás doido!?
- Não te metas, não vou deixá-la estragar tudo. A última coisa que queremos é atenção.
- 'Tá bem, mas o Chefe...
- O Chefe pode ir para o caralho! Porque carga d'água é que tive de ser eu a guardá-la? Maçada do caralho, é o que é.
Ouviu-se o barulho dos trincos da porta. Alguém entrara. Uma terceira voz familiar entrou em cena, não demasiado contente.
- Deixa estar, Adérito, eu trato disto, obrigado.
Adérito saiu e voltou para a sala, donde tinha vindo.
- Adrien, - começou o Chefe. - importas-te de não apontar uma arma à Mariana? Ou compreendeste mal as ordens que te dei?
- Não está carregada. Ela não me deu outra alternativa, ela 'tava a dizer que ia começar aos berros. Que caralho havia eu de fazer?
O Chefe enrugou as sobrancelhas em sinal de desaprovação.
- Adrien, não praguejes na presença de uma mulher civil. Guarda a arma e senta-te, por favor. - virou-se para Mariana. - Aparentemente não devo ter sido claro, menina, e por isso peço desculpa. Neste momento não podes sair desta casa, pois estamos a assegurar que as condições estejam propícias para seguirmos viagem. A rusga que foi feita ao teu bar ontem causou algum burburinho na colmeia do Inimigo, e por isso estamos um bocado mais nervosos. Compreendo perfeitamente que queiras sair, mas não é mesmo possível. Os serviços secretos Inimigos andam à tua procura e eles conseguirão localizar-te se sequer espreitares lá fora. Devo pedir-te duplamente desculpa pelo comportamento do meu colaborador Adrien, mas não se pode dizer que seja boa ideia enervá-lo. - virou-se de novo para Adrien. - Adrien, queres dizer alguma coisa?
Adrien nem olhou.
- Adrien? Então? É apenas razoável, vá...
Adrien murmurou alguma coisa, provavelmente profanidades abafadas.
- Por favor, Adrien... - insistiu o Chefe.
- Peço desculpa... - disse, finalmente, com um toque de amargura.
Mariana não acreditava em tal circo em que parecia estar metida.
- Vocês são todos doidos... estou tão fodida...
- Desculpa Mariana, - continuou o Chefe - compreendo o teu desconforto, mas posso-te assegurar que toda esta maluquice acabará mais depressa se nos disseres onde é que está o teu pai. Depois pôr-nos-emos a caminho o quanto antes.
Mariana desviou o olhar para a janela ao ouvir a menção do seu pai. Não respondeu, mas levantou-se. O Chefe notou uma ferida no joelho dela que não vira antes.
- Adrien! Como é que a Mariana se magoou!?
- Não sei.
- Anda cá fora, se fizeres favor.
Adrien levantou-se. Os olhos lançavam faíscas. Estava furioso por ter sido dado aquela missão, de guardar a rapariga. Na verdade, estava mais furioso consigo mesmo, pois falhou a sua missão por sua própria culpa. Descontrolou-se, cedendo à sua personalidade fogosa, e acabou por magoar a pessoa que deveria ter protegido de todos os males. Saiu do quarto, acompanhado pelo Chefe, que fechou a porta. Ouviram-se gritos abafados, dos quais Mariana não percebeu grande coisa. A discussão durou cerca de um minuto. Depois, silêncio. Mariana investigava a gravidade da sua ferida, quando a porta se abre de novo. Entra Adrien, só. Trazia um pacote de algodão, álcool e uma caixa de pensos.
Mariana afastou-se.
Adrien olhou-a determinantemente, mas sem ferocidade pela primeira vez. Sem dizer nada, aproximou-se, ajoelhou-se, embebeu um pedaço de algodão em álcool e colocou directamente na ferida. Mariana inspira de dor, incomodada pelo ardor necessário da limpeza. Adrien aplicou um penso suficientemente grande para cobrir o arranhão relativamente inofensivo no joelho.
Adrien, ao acabar a tarefa, afastou-se e saiu do quarto com os mesmos objectos com que entrou. Pouco depois, reentrou e sentou-se silenciosamente a olhar pela janela, ainda carrancudo das situações anteriores.
Mariana estava agora sentada numa cadeira com estofos desgastados pelo tempo que se situava imediatamente ao lado da cama. Adrien estava de costas para ela, e por isso ela pôde reflectir calmamente no que tinha acontecido nos minutos anteriores.
Era ainda inteiramente possível que tudo isto fosse um esquema por parte do Inimigo de modo a fazê-la sentir-se suficientemente confortável para revelar a posição do pai. Era aterrador para ela voltar a ter de pensar com terminologia miliciana, pois todas as memórias associadas à Guerra trespassavam-lhe as feridas mentais, reabrindo-as e relembrando-lhe a despedida do seu pai, a destruição da sua terra, a fome que a assolou quando andava fugida no campo... as progressivas mortes dos seus irmãos. As lágrimas escorriam-lhe lenta e silenciosamente pela face abaixo. Estava farta da Guerra, que estes idiotas aparentavam querer continuar. Estava farta de ver a sua família destruída pelas acções de outros.
Os soluços tímidos de Mariana não escaparam a Adrien, obviamente, mas este não fez qualquer comentário ou gesto consolador. Pelo contrário, pegou num livro e começou a lê-lo para se distrair.
Mariana notou isto. Observava agora o seu carcereiro, que parecia querer irritá-la com cada folhear de página, fazendo-o languida e dramaticamente. Ela aguentou apenas umas páginas. Quando se fartou, levantou-se e dirigiu-se para a porta do quarto. Adrien nada disse.
Mariana olhou para a sala à frente do quarto ao sair. Apenas um miliciano lá estava, aquele a quem o Chefe chamara de Adérito. De facto, tanto o nome como a cara eram-lhe familiares, mas supôs que poderia apenas ser o poder da sugestão em acção. Independentemente do que Mariana pensava, o homem sorriu-lhe com um aceno quando ela saiu do quarto, cumprimento este que Mariana não soube retribuir. Escapou para a direita em direcção ao final do corredor donde ainda provinha o barulho de um televisor. À medida que se aproximou da porta ao final do corredor, começou a ouvir um leve trautear de uma cantiga popular abafado pelo barulho infernal do televisor.
Mariana encostou-se ao portal donde vinha o barulho e espreitou.
A divisão pequena tinha o aspecto imediatamente óbvio de uma cozinha, não obstante o gasto da mobília, coerente com o resto da casa. Encostado à direita da porta estava o frigorífico gigantesco, aparentando ser um dos pilares que suportava o tecto baixo. À frente da porta estava uma arca frigorífica velhíssima, mas o seu ruído constante permitia inferir que ainda estava em funcionamento, sendo provavelmente um electrodoméstico dos tempos esquecidos em que estes eram feitos para sobreviver o Apocalipse. Fazendo jus à afirmação anterior era notável uma marca de bala ao pé da tampa, podendo-se imaginar o cenário ridículo em que uma arca frigorífica terá sido usada numa batalha. Entre esta arca e o frigorífico colossal havia apenas um delgado corredor que permitia o acesso ao resto da cozinha. Na parede contrária, uma janela preenchia a divisão com uma luz amarela forte, diluída nos cortinados brancos ressequidos que a decoravam. O chão, de uma espécie de imitação de mármore sujo, estava coberto por uma passadeira desgastada e rasgada que se estendia de uma ponta à outra da cozinha, afastada ligeiramente de uma fila de bancadas encostadas à parede. Estas bancadas eram relativamente típicas, com vários utensílios arrumados e desarrumados populando a sua superfície. Distinguiam-se cenouras e batatas descascadas e cortadas em cima de uma tábua de madeira. O fogão, que deveria ser o objecto de aspecto mais moderno naquela casa inteira, estava ligado e as suas chamas azuis turquesa aqueciam uma panela, presumivelmente um prelúdio para o almoço. Em nenhuma altura a barulheira irritante dos anúncios da televisão deixaram de ser ouvidos, complementados com o zunir da arca e do frigorífico, com o borbulhar da panela e com a melodia doce de um trautear feminino.
A senhora surgiu por detrás do frigorífico e continuou a sua nobre tarefa de preparar uma refeição. Era uma idosa de braços flácidos, indicativos de uma agora inexistente prosperidade alimentar, que ziguezagueava graciosamente de um balcão para outro. O cabelo curto e grisalho estava espalhado em pequenas ondas onde se notavam ainda algumas antigas madeixas castanhas, provavelmente pintadas. A sua bata combinava adequadamente com o seu avental, pois tinham ambos padrões de florzinhas como decoração. A sua face preocupada era um contraste à habilidade calma com que continuava a cortar os vegetais. Com os óculos na ponta do nariz pequeno, lia em voz alta algumas das notícias que agora começavam a ser reportadas.
- Ai, Cruzes Credo...
Mariana não tinha prestado atenção à notícia, por isso não percebeu a admiração da senhora que observava. Deu um passo em frente e penetrou na cozinha, apeando-se na arca velha.
- Com licença, desculpe...
A idosa sobressaltou-se, apanhada desprevenida. Um pedaço de batata voou para o lava-loiças. Franziu os olhos, procurando reconhecer quem lhe falava. Um sorriso rasgado abriu-lhe as feições, mostrando uma dentadura em mau estado.
- Ah, finalmente a posso ver com bons olhos, moça. Bom dia, entre, entre aqui, esteja à vontade. Ai, tão bonita que vossemecê é. - e riu-se amigavelmente.
Mariana sorriu pela primeira vez desde há muito tempo, não sabendo o que responder, balbuciando um "obrigado" tímido.
- Ai, moça, desculpe, mas é tão raro ver uma jovem como vossemecê por aqui. É um verdadeiro tesouro, é. Não admira que estes homens a queiram proteger como um. Ai, meu Deus, nem me apresentei. Chamo-me Dina, e vossemecê chama-se Mariana, não é?
- É sim, minha senhora. - respondeu Mariana sorrindo.
- Ah, é um nome tão bonito. A minha nora queria pôr esse nome à filha. Era esse ou então Leonor. Mas o meu filho acabou por preferir Maria e ele é assim, - e entalou o polegar entre os restantes dedos. - casmurro, e então a minha neta ficou Maria. Ai, era uma bebé tão linda, e saudável, graças a Deus. Era. - pausa ligeira para avaliar a reacção de Mariana.
- Pois...
- Pois é, mas depois a porcaria da Guerra veio e o meu António teve de fugir, para lhe dar uma vida. Isto não era sítio para se criar uma criança, percebe?
- Pois claro que não, bem sei...
- Pois é, e então não vejo o meu filho e a minha neta e a minha nora há quase sete anos, que eles foram-se embora pouco depois da Guerra começar.
- Mas a senhora...
- Fiquei, pois fiquei, por mim eu teria ido, mas o meu marido, Deus o tenha em paz, não podia fazer a viagem e fiquei com ele. Olhe, ele morreu uns meses depois de um câncaro que ele tinha nos intestinos, que ele também era homem que fumava muito, mas nisso o filho saia ao pai, que também era muito teimoso, muito teimoso, ai, nem acreditava se visse.
Houve uma ligeira pausa, Mariana aproveitou para tentar falar.
- Olhe, Dona Dina, se a puder tratar assim, agradeço-lhe o pequeno almoço que me fez, mas não o comi todo.
- Ah, por quem é, moça, pode-me tratar assim com certeza, toda a gente me trata por Dona Dina, e eu até gosto. Quando lhe fui levar o pequeno almoço não a quis acordar, mas aqueles estores fazem sempre muito barulho, se calhar acordei-a, ai desculpe-me.
- Ah não, não faz mal, já estava acordada!
- Mas não gostou do pequeno almoço...? Posso sempre...
- Ah, não!... - tentou corrigir-se Mariana, futilmente.
- ...fazer outra coisa. Os tempos estão difíceis, mas para comida ainda dá sempre. Ai, mas é estranho, fiz exactamente como o senhor Chefe me pediu. Olhe, até usei da minha reserva especial de doce de pêssego que tinha guardada. E fui eu que fiz com os pêssegos do quintal, portanto pode ter a certeza que não arranjava melhor.
- Ah, Dona Dina, não era isso que eu queria di...
- Eu bem achei estranho quando o senhor Chefe me pediu uma refeição tão... ai, como se diz... diz-se... específica!, uma refeição tão específica, mas eu não disse mais nada para não arranjar problemas. Do que é que não gostou?
- Não é isso, Dona Dina, estava tudo muito bom. Na verdade, é o meu pequeno almoço preferido.
- Pois, foi o que o senhor Chefe me disse.
- Desculpe? Ele disse isso?
- Sim, ele conhece tão bem o seu pai que não me admira que saiba isso. É verdade como é que ele está? Pensei que ele viesse com o senhor Chefe. Ai, cruzes. Ele não morreu pois não?
Mariana não respondeu.
- Ai, vossemecê desculpe-me, já estou a falar demasiado. A menina se calhar não quer falar disso, ainda por cima depois daquela discussão de há pouco. Eu ouvi a berraria, mas não me meti quando ouvi a voz daquele bruto. Só sabe dizer asneiras. É muito malformado.
- O Adrien?
- Ai, sim. - começou a murmurar a Dona Dina. - É um bruto, bruto, bruto. Não sei como é que um cavalheiro como o senhor Chefe se consegue juntar com estes rufias. O senhor Adérito, por exemplo, é também exemplar, tão tão educado, e ainda por cima é preto.
Mariana torceu o nariz ao comentário, mas acenou com a cabeça educadamente. Mariana reparava agora que do outro lado da arca frigorífica estava uma mesa pequena rodeada de cadeiras que se encavalitavam para caber debaixo dela. Aproximou-se da janela enquanto a Dona Dina automaticamente rebobinava a história sobre a marca de bala na arca.
- ... e então os soldados entraram-me pela casa dentro outra vez e queriam a arca também para pôr na rua e eu disse....
Mariana inspeccionou melhor a janela e concluiu que era na verdade uma porta que dava para uma varanda com vista para o quintal traseiro. Apesar de querer essencialmente escapar de Adrien, a exploração da casa tinha o objectivo secundário de identificar potenciais métodos de fuga.
- ... e não é que o soldado voltou no dia a seguir a dizer que se tinha esquecido de uma coisa dentro da arca? Ai, fiquei tão admirada quando...
- Desculpe, Dona Dina, mas posso ir lá fora apanhar um bocado de ar fresco?
- Ai, Deus me livre de lhe dizer que não, faça favor. - respondeu a prestável idosa, visivelmente desiludida por perder a excelente interlocutora.

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