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O Rapto - Parte VII

por Rei Bacalhau, em 20.07.16

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Quando Adrien, cumpridor da sua tarefa, abriu a porta do quarto na sua inspecção periódica, estranhou que estivesse tudo escuro. Pelo feixe de luz que invadiu o quarto, discerniu uma massa humana debaixo dos lençóis da cama. Mariana já estaria a dormir. O processo repetia-se mais ou menos a cada meia hora.

Obviamente que Mariana não estava realmente a dormir. Sendo de sono leve, cada vez que Adrien abria a porta acabava sempre por acordar. Isto teve o benefício de permitir que Mariana controlasse que horas eram. Quando se aproximasse da meia noite, manter-se-ia acordada para esperar pelo suposto extinguir das luzes exteriores. Certamente Adrien, ou outrem, faria uma outra verificação nessa altura. Mariana só se aventuraria depois.
Adrien entrou outra vez. Mariana acordou e olhou para o relógio. Faltavam 10 minutos para a meia noite no despertador velho. Quando Adrien saiu, Mariana começou a despir a camisa de noite que a D.Dina lhe emprestara e vestiu as suas roupas. Deitou-se outra vez e ficou ansiosamente à espera, alternando a visão entre os números lentos do relógio e a iluminação lá fora. Ouviu vozes fora do seu quarto. Reconheceu a rudeza grave da voz de Adrien a falar com outro homem. Estranhamente, a voz de Adrien afastara-se. Poderia estar a ser rendido? Mariana não se podia dar ao luxo de ter estas dúvidas agora. O relógio marcava 23:56.
Subitamente, as luzes públicas exteriores apagaram-se. Na verdade, não se poderia esperar que o relógio fosse coerente com o desligar das luzes, e Mariana sentiu-se um bocado estúpida ao não ter pensado nisso. Não teve tempo para pensar na sua autocomiseração, pois alguém abriu a porta, mas Mariana conseguiu perceber através de uma brecha nos lenções estrategicamente colocada que o miliciano não era Adrien. A porta foi cuidadosamente fechada.
Ouviram-se passos que se afastavam.
Mariana levantou-se num ápice, catapultando os lençóis para longe. Pegou na sua mala, colocou-a ao ombro, aproximou-se da janela e notou que o apagão era total. Nenhuma luz estava acesa nas ruas da vila inteira. Dois guardas estavam a vigiar a rua no outro lado da estrada. O apagão não parecia incomodá-los.
Mariana abriu a janela o mais gentilmente que lhe era possível, não obstante as mãos lhe tremerem vigorosamente. Uma nuvem no céu bloqueou a muito ténue luz lunar. Mariana não notou isto, por isso foi apenas coincidência que ela tenha começado a transposição nervosa da janela nesse preciso momento. Colocou o pé no parapeito, testando a sua integridade. Foi progressivamente tentando colocar mais peso até finalmente trazer o outro pé. Agora estava em pé em cima do parapeito. Existiam saliências decorativas ao longo das paredes velhas que Mariana teve facilidade em usar para escalar lateralmente para o edifício vizinho. Olhou para trás corajosamente para determinar se havia sido vista. Os dois guardas continuavam impávidos e serenos. Um deles verificava algo no telemóvel. Mariana continuou, respirando de alívio. Estava quase a chegar à primeira janela, que de facto já conseguia observar que estava parcialmente aberta. A sua transferência pouco ortodoxa foi imensamente mais fácil do que teria suposto. Nem a decisão de questionável razoabilidade de levar a sua mala consigo tinha dificultado significativamente a tarefa. A única dificuldade que ainda lhe afligia a mente era exactamente quem é que esperava por ela naquele quarto.
Chegou à janela, abriu-a devagar, colocou delicadamente o joelho na janela para começar a trepar.
Qual não é o seu terror quando é repentinamente agarrada no pulso. Paradoxalmente, foi a surpresa que a impediu de gritar, sendo que quase desmaiou com o surto de adrenalina.
- Ai, Jesus, agarre-se, moça - disse uma voz baixinho. - Vá, entre lá.
Mariana galga a janela e entra. Uma velhinha baixinha fazia-lhe festas na mão.
- Vá, agora está tudo bem, mas temos de ir, moça.
- D.Dina? Mas, foi a senhora que...?
- Sim, já temos tempo para explicar tudo, mas por amor de Deus vamos andando. Temos de nos pôr em segurança.
A D.Dina falava aos soluços, e o seu nervosismo parecia ser desproporcionalmente maior do que o de Mariana. A sua respiração era ofegante e fazia um certo ruído sibilante ao expirar.
- Vá, vamos. - repetiu a D.Dina.
- Eu sigo-a, obrigada.
O que poderia ter sido uma fuga impecável foi prematuramente impedida. Quando a D.Dina abriu a porta do apartamento, tinha vários homens à espera dela, entre eles o Chefe e Adrien.
A D.Dina caiu para trás e lançou uma exalação indescritível de susto. Mariana tentou apanhá-la como pôde, mas acabaram por tombar as duas.
- Pessoal, façam favor de ajudar as senhoras. - pediu o Chefe.
Cinco milicianos entraram no apartamento de rompante, mas apenas dois ficaram a ajudar. Os restantes foram investigar as divisões. A D.Dina foi sentada numa cadeira. Mariana fora afastada para um canto. Nenhuma das mulheres foi magoada.
O Chefe puxou um banco pequeno que encontrara por ali. Sentou-se à frente de D.Dina, esfregando a cara com as palmas da mão, num tom de desilusão. Suspirou, enquanto a D.Dina chorava.
- Júlio, vai ver se temos calmantes.
Adrien adiantou-se.
- A Mariana tem na mala dela.
Era verdade, mas Mariana, aterrada com o que poderia acontecer agora que fora apanhada, nem pensou como é que ele sabia isso. Adrien arrancou-lhe algo bruscamente a mala da mão. Acendeu a luz para encontrar o calmante. Júlio já diligentemente trouxera entretanto um copo de água. Ambos foram dados à D.Dina.
O Chefe falou-lhe num tom indulgente.
- Vá D.Dina, a última pessoa que eu esperava que fizesse uma coisa destas era a senhora. Posso assumir que teve boa razão para ajudar a Mariana a fugir? Posso pedir-lhe que me conte, nem que seja por descargo de consciência?
Entre baba, soluços, ranho e demais hesitações, a explicação de D.Dina traduz-se de seguida:
- Ai, valha-me Deus. Desculpe Sr. Chefe, desculpe, mas não tive escolha. Eles sabiam da minha família. Sabiam onde eles estavam. Se eu não colaborasse eles disseram que os matariam. Eles sabiam que isto era um refúgio para vocês. Ameaçaram-me para lhes informar sempre que viessem cá.
- Há quanto tempo é que fez esse pacto com eles? - perguntou o Chefe gravemente.
- Há um ano, quando veio cá um inspector.
- Está bem, diga-me o que é que lhes contou.
- Ai, meu Deus, eu telefonei-lhes hoje de manhã depois de vocês chegarem. Assim que falei na Mariana, eles disseram que viriam imediatamente.
- Imediatamente? Passou um dia todo e nada aconteceu...
A D.Dina continuou a falar, mas o Chefe não a ouvia, estando em reflexão. Subitamente, levantou-se e falou para o ar.
- Adi, Adi, vamos ter companhia. Pede relatórios à orla exterior. Lança o drone. Prepara o pessoal. Equipamento completo. - virou-se para os milicianos presentes. Pessoal, vão preparar-se, eu fico aqui com o Adrien. Manos, um de vocês que traga o nosso equipamento. Tragam um tamanho pequeno a mais, não completo.
Os milicianos saíram.
- Adrien, vai pôr este copo à cozinha.
O Chefe lançou um olhar estranho a Adrien. Este questionou-o com uma careta, parecendo duvidar do que lhe era pedido. O Chefe confirmou com um aceno. Adrien saiu.
- D.Dina, eles vão aproveitar o facto das luzes municipais se desligarem à noite para atacar, não é?
- Não sei, não sei, ai meu Deus.
- Eles sabem quantos somos?
- Eu disse-lhes que eram pelo menos dez.
- Está bem. Não lhes soube dizer mais nada? Sobre equipamento e coisas do género?
- Não sei, Sr. Chefe, não perguntaram.
- A D.Dina tem provas que eles têm a sua família?
A D.Dina olhou desesperada para o Chefe.
- Eles disseram que sim, que remédio tinha eu senão acreditar?
- Poderia ter falado connosco, ora essa. Poderíamos ter ajudado. Não se preocupe, eu vou fazer os possíveis para garantir que a sua família esteja são e salva.
- Ai, obrigado, Sr. Chefe, o senhor é tão bom! A pensar que ia fazer um erro tão grande ao ajudar a moça a fugir. Ainda bem que descobriu, no fim de contas.
- Não sei se estou de acordo que é "ainda bem". Descobrir foi sorte, já que o Adrien teve a boa ideia de colocar um transmissor na mala de Mariana. Quando notámos que estava em movimento achámos estranho. Mandei uma mensagem ao guarda no exterior, que ficou surpreendido por de facto estar uma mulher a tentar alcançar o edifício ao lado. Disse-lhe para deixar estar, que tomaríamos conta do recado. Agora, a verdade é que a senhora fez um erro, e já não pode voltar atrás. A senhora, melhor que muitos, sabe o que fazemos aos colaboradores.
- Ai, valha-me Deus, ai Jesus, ai nossa Senhora, não, tenha piedade, Sr. Chefe. Piedade.
Adrien voltara. Trazia uma faca da cozinha, um papel e uma caneta. Deu a faca ao Chefe.
- Ai valha-me nossa Senhora, piedade Chefe, piedade, não me faça mal, por amor de Deus.
- Eu não vou ter prazer em fazer isto D.Dina, mas tem de ser pelo bem nacional.
- Vocês estão doidos? Seus monstros, vão matá-la sem mais nem menos!? - reagiu instintivamente Mariana. - Nem pensem!
- Mariana lançou-se corajosamente contra o Chefe, mas Adrien apanhou-a e levou-a para fora do apartamento, aos gritos.
- Dina Flores, é acusada pela Milícia Nacional Geral dos crimes contra a Pátria de traição e colaboracionismo. A sua confissão prova-o. A Pátria, por mim representada, considera-a culpada, e a sentença é execução imediata. Contudo, pelo serviço prestado às milícias e pelas circunstâncias que levaram à traição, a Milícia Nacional Geral compromete-se a salvaguardar a sua família dentro das suas possibilidades e a absolvê-las de qualquer tipo de cumplicidade implícita de que pudessem ser alvo. Adicionalmente, todos os objectos de relevância cultural serão confiscados e guardados. Numa nota pessoal, devo dizer que me deprime imenso ter de aplicar a sentença.
Dito isso, perante um grito de terror de D.Dina, o Chefe perfurou-lhe o peito com a faca. Pouco depois, Dina Flores expirava.
O Chefe limpou o sangue das mãos e começou a escrever uma nota. Colocou-a ao pé do corpo de Dina.
Lá fora, Mariana chorava profusamente, agarrada por Adrien.
O Chefe aproximou-se, e ela soltou-se e começou a bater-lhe, cega de fúria. Adrien ia intervir, mas o Chefe fez um gesto a impedi-lo. Ele preferia que Mariana soltasse toda a sua raiva, não fazendo grandes esforços para se defender. Depois de alguns momentos, Mariana, cansada e ofegante, parou e encostou-se à parede.
- Está tudo a acontecer outra vez... Porque é que vocês tinham de voltar. Porque é que toda a gente tem de morrer?
O Chefe não respondeu.
- Porque é que vocês têm de arrastar tanta gente nessa vossa sede de destruição? Até as velhinhas mais doces são afectadas e brutalmente mortas, assassinadas. Assassino! Monstro!
O Chefe manteve-se a ouvir, cabisbaixo, admitindo, pelo menos em parte, a razão de Mariana.
- Tudo bem que ela seja uma colaboradora, mas só o fez para salvar a família, para salvar aquilo que é realmente importante!
O Chefe fez uma careta ironicamente compreensiva. Teve de responder:
- Sabes, houve uma vez em que um colaborador me disse uma história parecida à da D.Dina. Eu deixei-o ir. Tendo em conta o que ele fez depois, nunca mais tive misericórdia para com qualquer colaborador, independentemente do contexto. – fez uma pausa dramática. - Queres saber o que é que esse colaborador fez? Queres saber o que ele fez depois de o libertar?
Mariana não respondeu, mas o Chefe contou-lhe à mesma.
- Ele matou o teu irmão Quim duas semanas depois.
Mariana abriu a boca, atónita.
- Pensa bem se realmente o que eu faço não é pelo bem das famílias de tantas outras pessoas.

Um miliciano chegou carregadíssimo.
- Ah, obrigado Leonardo. Trouxeste o pequeno também?
- T'á aqui, Chefe.
Enquanto se equipava, o Chefe ia falando.
- Mariana, tens muito em que pensar, mas agora não é a altura. A qualquer momento poderá chegar o Inimigo. Coloca este colete e este capacete. O Adrien vai ficar contigo e proteger-te. Adrien, explica-lhe como usar o rádio do capacete, nunca se sabe. O colete é pesado, mas é necessário.
Adrien ajudou Mariana, que estava inerte, a colocar o colete e o capacete.
- Vamos para fora, o Adérito já lá deve estar.

Passaram pela porta do apartamento, e Mariana recomeçou a chorar, imaginando a cena macabra que estaria lá dentro. Adrien quase que a arrastava, tão apático era o estado dela. Desceram as escadas lentamente. Lá fora ouvia-se um pequeno rebuliço de homens a falar. A rua estava completamente escura. O luar ainda não voltara. Finalmente, discerniu-se um grupo de homens no cruzamento ao pé do prédio de D.Dina. Esperavam ansiosamente a chegada do Chefe para receberem as suas ordens.
- Adrien, fica aí com a Mariana, já venho falar contigo.
Aproximou-se de Adérito e de Lucas, que presidiam o grupo reunido. Todos estavam armados e equipados até aos dentes. Os capacetes cobriam-lhes grande parte da cabeça, incluindo as orelhas e boca, assemelhando-se a capacetes de motociclismo. Tendo rádio integrado, com comunicação poderosamente cifrada, os milicianos não precisavam de os tirar para comunicar uns com os outros, podendo alternar entre falar apenas com companheiros próximos ou enviar uma mensagem global. Na zona dos olhos um pequeno visor retráctil permitia dar informação adicional ao utilizador, seja na forma de mensagens textuais, apresentação geográfica de informação sobre aliados e inimigos identificados e outras utilidades largamente desaproveitadas no decurso de uma batalha, já que quando se está sobre fogo intenso, a última coisa que se quer é mais informação visual para processar. O capacete também tinha uma câmara e uma ligação directa com o telemóvel, apesar de este não ser necessário para o funcionamento normal do capacete. Em caso de ataque químico, também tinha um filtro suficientemente eficaz para a maioria das ameaças intermédias. O traje adicional consistia num colete pesado à prova de bala para o tronco. Para além das joelheiras, os restantes membros também tinham protecções mais leves entranhadas no tecido, oferecendo mais um bocado de protecção sem reduzir drasticamente a agilidade de um utilizador em boa forma física. O colete e o cinto estavam repletos de apetrechos, colocados de forma a estarem eficazmente acessíveis. Variando de miliciano para o outro, estes apetrechos podiam ser qualquer combinação de: uma faca, munições para a carabina e para a pistola, lanternas, binóculos, granadas letais e não letais, foguetes de sinalização, cantis de água e até barras nutritivas. A maior parte dos milicianos tinha apenas uma carabina automática e uma pistola como armas de fogo. Outros tinham direito a armas mais especializadas a certos contextos. Um tinha um lança granadas, alguns tinham uma caçadeira de curto alcance. Quase todas as armas tinham integração de informação com os capacetes e com os sistemas geográficos, dando a possibilidade de um utilizador marcar locais de presença inimiga ou de relevância táctica simplesmente apontando a arma e utilizando um pequeno botão modular na lateral da arma, acessível ao polegar da mão de suporte. Obviamente que todas as engenhocas necessitavam de uma imensa prática para serem efectivamente usadas. Infelizmente, os milicianos receberam estes equipamentos recentemente, cortesia de algum dos vários contactos externos do Chefe e consequentemente não tinham tido ampla oportunidade para se familiarizarem com a sua complexidade.
Nas janelas alguns habitantes observavam boquiabertos a comoção toda que ia naquela rua. No entanto, a maioria já se apercebera que não se aproximavam boas notícias e fizeram os possíveis para sair de casa e fugir, levando as famílias e pouco mais.
O Chefe, não preocupado com este facto, começou a falar.
- Pessoal, sei que é difícil, mas tentemos pelo menos ter os capacetes a funcionar. Teste. Teste. Quem me ouviu levante o braço. Júlio, o Artur não ouviu, ajuda-o.... Já ouves? Óptimo. Façamos a contagem. Um.
Os números foram sendo ditos sequencialmente. Vinte e dois. Conferia.
- Pessoal, arranjem objectos para barricadas, mas não os coloquem ainda, ponham-nos só cá fora.
Os milicianos dispersaram, entrando nos edifícios circundantes. O Chefe falou para o rádio.
- Drone, drone, que contas?
- Nada de significativo, Chefe.
- Olhos, olhos, reportem.
- Olho 1, nada a reportar.
- Olho 2, vejo luzinhas azuis, mas estão paradas, não sei se será um acidente, mas o trânsito parece cortado.
- Olho 3, nada a reportar.
- Olho 4, nada a reportar.
- Drone, auxilia o Olho 2.
O Chefe virou-se para Adérito.
- Acidente uma ova, vai buscar a Berta. Eles vêm de Norte, da avenida. Lucas, ajuda-o.
Partiram os dois.
- Pessoal, barricada a norte, depressa, mas montem nas esquinas. Não quero que eles vejam nada de anormal antes de chegarem aqui. Quero duas metralhadoras ligeiras nos flancos, dentro dos edifícios. Grupos de três.
- Chefe, Chefe, Drone a reportar.
- Conta.
- A polícia está a bloquear o trânsito. Ao fundo vejo um comboio a descer a avenida.
- Consegues detalhar?
- A aproximar-me.... Conto seis veículos... jipes... correcção, quatro jipes, dois camiões.
- São dos novos? Ou são os de biodiesel?
- Creio que são dos velhos, de facto.
- Obrigado, mantém-te atento.
- Pessoal, mudança de plano. Eles vão atacar em força. Eles pensam que somos menos do que realmente somos. Ponham a barricada a cobrir a rua, é o que eles esperam. Cinco minutos. Despachem-se.
O Chefe correu na direcção de Adrien. Passou pelos Manos, que transportavam a veterana arca frigorífica da falecida D.Dina.
Mariana parecia estar mais viva e alerta que anteriormente, pois prestava atenção aos movimentos atarefados da rua.
- Adrien, tenho uma missão para ti. Preciso que te movas para o ponto de fuga Um com a Mariana. Vou dizer ao observador que está lá perto para te ir esperar.
- Quem é?
- É o Pedro Mendonça.
- Está bem.
- Se encontrares o Inimigo, esconde-te - concluiu, frisando a última parte. - Não te esqueças da carga preciosa que levas. - disse, apontando para Mariana. - Parte já, que isto vai ficar feio.
Adrien partiu, segurando Mariana que parecia algo ridícula com o capacete e o colete vestidos.
Um camião rolou silenciosamente pelo Chefe. Era Adérito no camião eléctrico.
- Onze a Dezasseis, Onze a Dezasseis, venham ajudar com a Berta.
Seis milicianos rapidamente se apresentaram. Descarregaram a Berta para a rua e posicionaram-na diligentemente.
A Berta era uma metralhadora pesada com disparo assistido por computador, com um alcance inimaginável. Ainda não tinha sido usada numa situação a sério.
- Simão, sincroniza-te com o drone.
Simão era o operador do aparelho e do drone, e estava num apartamento numa vila vizinha, a vários quilómetros de distância.
O Drone transferiu as coordenadas exactas dos veículos para a Berta.
- Irmãos patriotas, ouvi-me. Estes com quem lutaremos hoje não são filhos da nossa pátria. São mesmo o Inimigo. Não tenhais dó. Tenho dito.
O Chefe aproximou-se do arsenal montado no meio da rua. Pegou na sua carabina. Pegou no seu machado.
- Simão, fogo.

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