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O Tributo - As Aventuras de Ventura Lobo

por Rei Bacalhau, em 23.12.16

Ventura Lobo e a Fada A'á'a encaminham-se em direcção à capital das Fadas Vogais Aa'a-a-A'a, perante estupefacção do aventureiro.

À volta e em cima da cidade flutuavam magicamente árvores como se tivessem sido arrancadas pela raiz e postas a voar. Poder-se-ia dizer que nenhuma das várias construções que compunham a cidade implicou a morte de uma árvore provavelmente milenar.
A cidade era composta apenas de edifícios imensos, semelhantes a palácios, de pedras enegrecidas pelo tempo, cobertas de musgo fresco e viçoso e trepadas incessantemente por heras e videiras. Certamente nenhum daqueles palácios poderia ser uma habitação particular, pois se assim fosse a cidade teria de ser gigantesca para acomodar a população substancial de fadas que percorriam as ruas abertas e movimentadas, tanto por terra como por ar.
De todas a direcções surgiam fadas que, se não estivessem ocupadas com algum assunto urgente, paravam o seu voo e aproximavam-se de Ventura. Pareciam bisbilhotar alegremente a aparição do forasteiro, talvez quase jocosamente. A'á'a não parecia minimamente divertida com o que ouvia as outras fadas dizer, mas Ventura podia apenas adivinhar pelo tom gozão das suas vozes que algo não batia certo. Por outro lado, surpreendeu-se ao verificar que a beleza destas fadas era totalmente comparável ou ainda maior do que a de A'á'a. E não, não vai ser utilizado o cliché de que esta situação ainda é um sonho e que no final do episódio o Ventura vai acordar com Sara, a égua, a lamber-lhe a cara no início de uma cena sensual/sexual. Nada disso. É garantido que tudo o que está a ser descrito está efectivamente a ocorrer no contexto da narrativa.
Chegam, arrastando a multidão que se amassara, a uma majestosa praça decorada de estátuas de madeira, também elas flutuantes, como se tivessem sido directamente entalhadas a partir de uma árvore. No fundo desta praça situava-se o maior e mais esplendoroso palácio da cidade, com uma imensa escadaria larga que elevava o edifício acima de todos. É para este palácio que A'á'a dirige Ventura.
Ao começarem a escalada dos degraus, a multidão subitamente pára e desbarata desorganizadamente. Um esquadrão de fadas soldadas surgiram da porta gigantesca do palácio, equipadas de armaduras poderosas e alabardas intimidantes. Rodearam Ventura e A'á'a e escoltaram-nos para o interior do palácio. Nem uma palavra foi trocada.

A entrada dava acesso imediato a um salão enorme, alto e longo, tornando as figuras na outra ponta do salão ridiculamente pequenas. Janelas no tecto e nos pontos mais altos permitiam um vaivém constante de fadas que traziam todo o tipo de objectos, comidas e animais.
Depois do que pareceu uma eternidade, Ventura alcançou finalmente o seu destino aparente, apesar de estar absolutamente confuso com o intuito da sua presença ali.
As figuras minúsculas que se distinguiam dificilmente da entrada eram obviamente também fadas, mas pelas vestimentas relativamente mais trabalhadas e decoradas poder-se-ia deduzir que eram fadas de estatura social superior, como se fossem algum tipo de conselho. Todas observavam o recém-chegado, excepto a fada que estava no centro. Esta era muito maior que as outras, e estava sentada num trono colossal proporcional ao palácio. Estava distraída a comer um cacho de frutas que Ventura nunca vira antes.

- Essa agora...

Ventura notou que a fada no trono tinha um bigode preto e feições ligeiras de homem.
Antes que se pudesse questionar sobre esse facto, A'á'a atinge o chão com a ponta do cabo da lança. O eco preenche o salão e a fada no trono finalmente nota que lhe requerem uma audiência.

- Ã? Aaa'a a aã áà a? - perguntou a sua voz delicada. - Ã ã ã a a?
Uma das fadas do conselho responde à pergunta.
- Ã ã, a A. A á A'á'a, aa aa'a à ã ââ.
- A! A'á'a... a, a... aa'a'a'â aa a'a aa a?
- Aaa'áà! - reponde A'á'a, apontando para Ventura.
Risada geral. Ventura, para não parecer mal-educado, começa a rir-se também.
- Evidentemente, hilariante.
A'á'a enrubesceu ao ponto de parecer que o sangue lhe iria explodir das bochechas.
- Muito bem. Podes afastar-te. Eu falo com ele. - disse a fada principal.
A'á'a afastou-se, obedecendo e deixando Ventura isolado no meio do salão.
- Mau, mas agora já há alguém que fale algo que eu perceba?
A fada levantou-se e esticou as suas enormes asas.
- Olha, e ainda por cima tem asas!... As outras não têm...
- Ah, nem sequer sabes quem sou? É evidente que não. Nenhum de vós da Terra das Consoantes sabe. Eu sou o Rei A, Senhor das Fadas Vogais Aa'a-a-A'a, Grande Comandante do uso da Vogal A e todas as suas entoações.
Ventura ainda não se tinha apercebido que estava na presença de realeza. Mudou imediatamente a sua postura.
- Ah perdoe-me Majestade, se era evidente que o porte dos aqui presentes me permitia induzir que estou rodeado de nobreza, nunca pensei que um Rei fosse magnânimo ao ponto de suportar uma audiência com um pobre aventureiro. Espero que aceite um pedido de desculpas sincero e espero que a sua indulgência seja maior que a minha ignorância.
- A, a, a! Este é engraçado, é pois! Ingénuo também, mas todos os que são apanhados no feitiço das minhas súbditas acabam por o ser! Entreténs-me, forasteiro. Apresenta-te!
- Com certeza! Sou Ventura Lobo, aventureiro e caminhante. Venho numa demanda e calhou que o acaso me abençoasse com uma visita às suas terras, apesar de ter de confessar que a sua cidade, fabulosa que seja, não é por infelicidade o meu destino.
- A, A, A! - riu-se alegremente o Rei A, mostrando uns dentes brancos muito grandes, tortos ao ponto de parecer que queriam sair da sua boca. - Gosto de te ouvir falar. Os da tua espécie têm normalmente outro tipo de discurso. A, A, A!
A alusão era certamente à guerra recente com os homens do Reino. Nunca na sua vida teve Ventura de ter tanto cuidado com o que dizia.
- Ah, é verdade Majestade. Sabe, às vezes apetece-me fugir do meu próprio povo só de pensar nas barbáries que dizem e que fazem sem sentido algum.
- Barbáries! Pois são! Barbáries! São um povo nefasto que não compreende o conceito de honra! São um povo egoísta que pensa que as minhas preparações militares são para os invadir! São um povo estúpido que não compreende as ramificações da derrota que nos causaram!
Ventura engoliu em seco. Temeu que o ambiente começasse a aquecer.
- Tenho de começar de novo para lutar contra a Rainha Negra. Rearmar as minhas guerreiras! Encontrar a Rainha Branca! Fadas minhas súbditas! Que notícias tendes!? Encontrem-na! Que novas há dos Sete Mares!?
Fadas inundaram o salão, vindas de todas as janelas, não se entrechocando por aparente milagre. Todas comunicaram algo ao Rei Fada, mas nenhuma afirmação o alegrou!
- Procurai pois! Ide!
E tão rapidamente quanto entraram, as fadas esvaziaram a grande sala da sua presença.
- A, Ventura Lobo, ainda aí estás, é claro!
- É verdade, algo confuso, mas enfim.
- Conta-me como aqui chegaste. Como A'á'a te conseguiu vencer.
- Vencer? Como assim, Majestade?
- Lutaste com ela, não é verdade?
- Sim, de facto.
- E estás aqui porque ela venceu-te em combate, não é?
- Rei A, perdão, mas não posso confirmar que tal tenha acontecido.
- Como!? Então como é que estás aqui? Ela declarou-te Tributário! Ou ouvi mal?
- Eu não sei o que Sua Majestade ouviu, e não percebo a vossa língua para poder saber o que ela disse.
- Mas porque é que a seguiste se ela não te venceu?
- Não sei, ela insistiu que eu viesse e eu aquiesci.
- Vieste de livre vontade?
- Sim.
- Mas no fundo, foi ela que te trouxe?
- Assim é, suponho eu.
- A A A! Nunca pensei! Nada nas nossas regras diz que o Tributário tem de combater. Tem é de ser trazido por uma Fada. Bem feito, A'á'a, muito original.
Ventura Lobo olhou para a fada com um olhar confuso. É verdade que não estava em perigo, mas não deixou de pensar que tinha sido enganado. A'á'a desviou o olhar e a face, aparentemente envergonhada pelo logro aplicado.
- Magnânimo Rei, permita-me afirmar que estou às aranhas sobre o que é que se está a passar.
- Eu explicarei, então. A'á'a é uma guerreira iniciante e é objectivo delas guardar a fronteira. Quando um intruso aparece elas devem fazer o possível para capturá-lo e trazê-lo aqui para oferecer um Tributo por ter passado nas nossas terras. Já ouviste falar no Tributo?
- Confesso que não.
- Simplesmente dito, as minhas fadas súbditas conseguem absorver uma porção do poder de alguém que tenham amado. Como indivíduos do género masculino são raros por estas bandas e as fadas são todas fêmeas, com excepção de mim próprio, quando um homem aparece temos de nos certificar que quaisquer poderes ou conhecimentos que ele tenha sejam passados para a guerreira mais merecedora.
- E por "amado" querem dizer...
Todas as fadas nobres riram-se ligeiramente.
- Sim, sexo, vá, calem-se meninas, acho que ele já percebeu a implicação. O Tributo em si consiste em o indivíduo oferecer-se para ser amado como compensação por ter transgredido as nossas fronteiras.
- Qual é o revés de me oferecer como Tributo?
- Nenhum, diria eu. Existem alguns efeitos secundários possíveis, mas facilmente ignoráveis.
- Mau. Perdoe-me, mas tenho de perguntar o que é que Sua Majestade quer implicar com esse comentário.
- Para ser sincero, e sê-lo-ei porque me divertes, Ventura Lobo, é que quando uma guerreira ganha o direito de te ter como Tributo, ela pode escolher absorver mais do que deve de ti, podendo causar sérios problemas de saúde.
- Ao nível de uma constipação ou mesmo uma gripe?
- No mínimo. No pior dos casos, a morte.
- Ah, evidentemente, é compreensível. Posso supor que a segunda possibilidade é mais estatisticamente provável de acontecer?
- É verdade.
- Ah, Majestade, deve compreender que preciso de estar vivo para completar a minha demanda. Se não fosse por isso, ainda talvez ficasse por aqui, de facto, nem que fosse para morrer da maneira mais viril possível, pelo menos pelos padrões da cultura grosseira em que vivo. Talvez possa cá voltar depois?
- Não podes, és o Tributário e as Fadas Seguintes estão ansiosas para começar.
- Ai ai ai, agora quem é que são estas Fadas Seguintes? Com maiúscula não pode ser bom sinal.
- Na nossa cultura existe uma ordem pela qual as Fadas podem exigir competir pelo Tributo. Estas fadas que nos rodeiam aqui são as vinte primeiras das Seguintes. Todas as outras guerreiras do meu reino terão de esperar que mais ninguém à sua frente na Lista queira competir. A fada A'á'a, que te trouxe, estava nas camadas inferiores. Tendo-te trazido, será elevada ligeiramente na Lista como recompensa, mas terá de trazer muitos mais até chegar sequer perto das Vinte Seguintes.
- É um processo a longo prazo então? Muito interessante. Eu estaria absolutamente maravilhado com isto tudo se não pensasse que isto pode levar à minha morte horrivelmente agradável. Por acaso nenhuma das fadas aqui é parecida com a Sharon Stone, pois não? Essa se calhar eu passaria, para não arriscar.
- Não podes passar. És o Tributário, não tens direito de escolha.
- Espere lá, Sua Majestade e tal... Eu não posso recusar oferecer-me como Tributo?
- Para isso terias de ter derrotado A'á'a em combate, ou recusado teres vindo com ela, no teu caso.
- Olhe lá, menina A'á'a, depois temos de ter uma palavrinha. Olhe lá, Fada Rei, então não tenho maneira alguma de me safar desta situação, segundo as vossas regras?
- Bom, não compreendo porque é que o farias, mas podes lutar com cada uma das Seguintes da lista. Elas têm sempre de provar que merecem usufruir do Tributo, lutando com ele, mas raro é o homem que realmente concorda em lutar.
- Pois, as hormonas e tal.... Enfim, já estou mesmo a ver onde é que isto vai... Quando é que começam os combates? Estou com pressa.
- COMO!? Não estás a planear realmente lutar contra as Fadas Seguintes para evitares ser o Tributário?
- Lá terá de ser, enfim.
O Rei A fez uma ligeira pausa de estupefacção. Pensava que toda a linha das perguntas de Ventura tinham uma razão de curiosidade cultural, mas que acabaria por obviamente aceitar o seu papel como Tributário. O seu bigode preto curvou-se num sorriso imenso.
- A A A A A! És deveras divertido, Ventura Lobo! Os combates, se assim o queres, serão amanhã, na praça principal de Áaaa'Aaaa'Àaaa A Ãaá, mesmo em frente a este palácio. Aviso-te que defrontarás as melhores guerreiras do meu reino, aquelas que mais poderes absorveram de outros homens de todas as raças e feitios! Como tal, descansa bem, alimenta-te e aplica os curativos que necessitares. Ditam as regras que até aos combates continuas a ser responsabilidade da fada que te trouxe. A'á'a! - gritou para o salão, convocando a guerreira que efectivamente tramara Ventura. - Ficas incumbida de colocar o nosso Tributário actual num estado óptimo de preparação para os combates de amanhã. Bem vistas as coisas, se calhar não devia usar o plural, pois não imagino que consiga derrotar uma única das Seguintes, se até com A'á'a teve dificuldade.
Nova risada zombadora por parte das Seguintes, enfurecendo A'á'a. Esta pegou em Ventura pelo braço e encaminhou-o para fora do palácio, onde Sara o esperava fielmente.

- Sabe, neste momento deveria estar a usar o meu tempo para congeminar um insulto que estivesse à altura da sua intrujice. - disse Ventura enquanto a fada o encaminhava para um palacete dedicado aos Tributários. - No entanto, enquanto estivemos em silêncio a caminhar em direcção ao exterior, tive tempo para reflectir nas razões que a levaram a enganar-me. Já agora, porque carga de água é que precisam de um salão tão grande? Deve ser extremamente inconveniente para os visitantes diplomáticos. Enfim, peço que me ouça e me diga se não adivinhei correctamente a situação. Aqui vai: a menina, por ser de uma classe militar inferior, tem de capturar forasteiros e trazê-los à presença do Rei e das Fadas Seguintes. No entanto, teve o azar de lhe ser atribuída uma zona onde apenas muito raramente, ou mesmo nunca, aparecem intrusos, nomeadamente a caverna que dá acesso à cidade esquecida de Ruqum. Não sei como é que essa atribuição é feita, mas certamente com o passar do tempo a menina foi sendo tornada uma espécie de piada entre as suas semelhantes, pois está numa posição em que lhe é impossível progredir na pouco misericordiosa escada social da vossa cultura. Daí que haja tantas fadas a rir-se jocosamente quando falam de si.
A'á'a não olhava para Ventura, mas este percebia que ela estava a tomar total atenção à sua tese. Continuaram a andar, alheios aos olhares curiosos e divertidos das outras Fadas Vogais que passavam.
Ventura continuou:
- Ora, eis que apareço, um homem inconsciente e ferido com aspecto de ser um tanso que cairia facilmente na lengalenga de uma face bonita. Era a sua oportunidade. Neste aspecto ainda não compreendi porque é que tratou das minhas feridas antes de eu acordar, mas estou a supor que talvez seja alguma noção de honra que seja importante para vós aqui. Seja como for, depois de eu a ter derrotado, justamente, diria eu, sem ofensa, ficou aterrorizada por saber que a sua única oportunidade para sair do seu estado social inerte estava agora a escapar-se diante de si, literalmente. Agora, eu quero acreditar que o seu lamento consequente, que efectivamente foi a razão de eu mudar de ideias, foi honesto, pois certamente pareceu que sim, sendo carregado de uma tristeza profunda como há muito não sentia em alguém. Na altura prometeu-me que eu não seria colocado em perigo imediato, e realmente compreendo que, semanticamente falando, tal não ocorreu. Nisso se calhar tive eu a culpa, deveria ter sido mais cuidadoso com as perguntas que fiz.
Ventura fez uma ligeira pausa.
- Devo perguntar, menina A'á'a, e peço que me responda com sinceridade, se alguma coisa do que eu disse está completamente longe da verdade?
Ela parou e fixou-o. Tinha os olhos húmidos de culpa.
- Pois, exacto, mesmo em cheio, não é? Suponho que teve algum tipo de dilema ou problema de consciência ao "capturar-me" sem eu o saber?
Ela não aguentou olhar mais e simplesmente continuou o caminho. Já estavam perto do palacete.
- Eu percebo. - afirmou Ventura. - Juro que compreendo. Até sou bem capaz de a perdoar, desde que exista um sentimento de culpa em si e simultaneamente um desejo de demonstração de arrependimento.
- Â... - murmurou A'á'a, parando de novo e voltando-se ligeiramente para trás para confrontar Ventura que, para sua surpresa, desenhava nas suas feições uma expressão de indulgência sincera e não uma de juízo incompassivo.
- Não se preocupe, de certeza que amanhã os combates hão-de correr bem. Se este meu pequeno sacrifício a beneficiar, fá-lo-ei com todo o prazer.
- Ããã? Á áà aa'a aá'àa?
- Não faço ideia. Digamos que sim?
- Á! - exclamou, sorrindo pela primeira vez desde há muito.
- Fazemos as pazes então? - propôs Ventura, esticando a mão na direcção de A'á'a.
- Â ã. - concordou, tocando levemente na mão do aventureiro.
Ambos sorriram.

No dia seguinte de manhã, a multidão de fadas era quase tão grande e histérica como uma manifestação de feministas pró-escolha. As forças militares tiveram de intervir para impedir que as fadas espectadoras bloqueassem completamente a luz do Sol, tão densamente acumuladas estavam.
O Rei ordenou que a cerimónia começasse.
- Que venha o Tributário.
Ventura apareceu acompanhado de A'á'a, escoltados adicionalmente por membras da Guarda Vogal Real. Ventura parecia milagrosamente restabelecido. A'á'a aplicou-lhe os melhores curativos disponíveis no ombro ferido e alimentou-o com frutas imensamente nutritivas. Ele estava absolutamente fresco e pronto para combater, tendo mostrado alguns truques marciais à sua anfitriã ainda durante o dia e noite anteriores.
Ventura foi colocado no centro da praça. No cimo dos degraus do palácio estava o Rei rodeado pelas Vinte Fadas Seguintes.
- Como dita a tradição, a primeira Seguinte terá prioridade em escolher reclamar o tributo. Á'a, reclamas o Tributo!?
- Â â. - negou, para choque abafado da multidão. - Este humano nada tem para mim, já absorvi os poderes de humanos com aparência muito melhor. Não preciso dele. Prefiro passar.
- Muito bem, é teu direito! Seguinte! A'aa'áà'aa'a!
- Â â. E passo pela mesma razão que Á'a. Prefiro deixá-lo para uma Seguinte que precise dele.
- Não sei se me hei-de sentir elogiado ou insultado, essa agora.
- Muito bem, é teu direito! Seguinte! Aa'aa'aa!
- Â a! Aa'aa áà â ã a!
A multidão rugiu de satisfação. Aa'aa'aa reclamava como seu o Tributo.
- Tributário, Aa'aa'aa deseja reclamar-te! Aceitas ou pretendes defrontá-la para ela provar o seu valor!?
- Não quero ofender a beleza inigualável de nenhuma fada, mas não me posso permitir ser atrasado permanentemente na minha demanda. Rejeito-a como merecedora do Tributo. Se ela quiser provar o contrário, que venha.
Ventura desembainhou Venceslau e esperou, fazendo uns ligeiros exercícios de aquecimento.
- Não posso arriscar uma lesão, no ginásio dizem que faz mal não aquecer antes de exercício.
Aa'aa'aa começou a descer os numerosos degraus do palácio, apesar de ter podido simplesmente voado até à espécie de arena improvisada. Tinha uns longuíssimos cabelos lisos pretos apanhados num rabo de cavalo brilhante. A sua armadura prateada estava escondida atrás de sedas fogosamente coloridas de carmesim, laranja e amarelo. Tinha várias espadas semelhantes a gládios à cintura e reconheceu o seu escudo como sendo o de um nobre orgulhoso de Pútúíl, que eram guerreiros de considerável fama em termos da sua habilidade lutadora. Ventura pensou que Aa'aa'aa escolhera reclamar o Tributo para saber falar a língua dele, já que os homens de Pútúíl têm uma lingua estranha. Aa'aa'aa tinha adicionalmente uma lança curta, provavelmente alguma espécie de azagaia.
Assim que Aa'aa'aa deu um passo na praça principal, Ventura dirigiu-se a passo rápido a ela. Ela fez o mesmo.
- Vamos a despachar isto, vá.
Ventura correu e carregou sobre Aa'aa'aa. Fatiou o ar com a sua espada. Como esperava que a sua adversária conseguiria facilmente desviar-se do golpe, já tinha a mão esquerda preparada com a soqueira para a atingir. No entanto, não deu o soco com muita força, querendo apenas dar a entender a Aa'aa'aa que ele não era um alvo fácil a subestimar.
O aventureiro afastou-se por momentos, para deixar a fada recuperar.
- Em vez da soqueira, eu poderia ter uma das minhas adagas na mão. Este combate poderia já estar terminado. Sugiro que paremos por aqui e percebamos a futilidade de tudo isto.
Aa'aa'aa ignorou a sugestão. Lançou a azagaia contra Ventura e voou ela também na sua direcção, de escudo e gládio em riste. Ventura rodopiou agilmente para a esquerda, preparando-se para se defender do ataque da fada. O gládio chocou contra Venceslau e o metal faiscou. Ela, ainda a voar, curvou à volta de Ventura. Este preparou a besta e disparou, acertando-lhe na perna. A armadura não impediu que o dardo penetrasse na carne.
Caiu e escarrapachou-se no chão polido da praça. Levantou-se a custo, mas Ventura já tinha Venceslau alinhada com a garganta dela.
Aa'aa'aa largou as armas, assumindo a derrota.
A multidão guinchou de prazer, há muito que uma das Seguintes não era derrotada em combate semelhante, e ainda por cima tão rapidamente.
- Silêncio! - gritou o Rei A. - Que venha a Seguinte! Aaaaá!
Uma das Fadas Seguintes tomou voo imediatamente sem responder. Vinha desarmada em vestes verdes, vermelhas e pretas escondendo parcialmente uma armadura dourada. Assim que estava suficientemente próxima de Ventura, lançou-se num ataque a pique. Ele vira-a, obviamente, mas não deixou de estranhar o ataque e afastou-se. Ela aterrou e escapou-se imediatamente, indo-se esconder numa das árvores flutuantes da praça. Ventura inspecionou cuidadosamente a marca deixada no chão pelo ataque de Aaaaá. Estava lascado, como se tivesse sido rasgado por unhas bestiais.
Ouviu um resfolegar atrás de si. Rolou para trás tacticamente, imaginando outro ataque a pique. Precisamente, Aaaaá aterra mesmo à sua frente. O humano preparara-se melhor para uma luta com fadas voadoras. Lançou uma corda fina aos pés descalços da lutadora e puxou-a, surpreendendo-a. Antes que pudesse reagir, já Ventura prendera a outra ponta da corda a uma raíz de árvore protuberante.
É evidente que Aaaaá tentou cortar a corda, mas era demasiadamente resistente. Olhou, confusa, para Ventura Lobo, que sorria matreiramente. Este pôde finalmente avaliar melhor a sua oponente. Tinha uma tez muito mais morena que uma fada normal. Como já se tinha verificado, não tinha nenhuma arma, mas as suas mãos estavam munidas de garras brancas como marfim entre os dedos, exactamente iguais às de um homem-pantera de Muçbinq.
- Não sabia que as absorções de poder afectam tanto a mente como o corpo. Essas garras são um excelente apêndice mortal. Melhor e mais útil que o apêndice que os humanos têm. A senhora minha adversária estará sem dúvida a querer mais uma vez voar para adicionar mais uma dimensão a este combate, dimensão essa que eu não posso reciprocar. Dito isso, tive de equilibrar as coisas por baixo, à socialista, e portanto arranjei essa corda, manufacturada pelas próprias Fadas Vogais e que me foi oferecida pela responsável pela minha captura, a menina A'á'a. Aparentemente é praticamente inquebrável. Tendo isso em conta, proponho que desista deste combate, já que perdeu toda a vantagem que a sua capacidade de voo lhe dava.
A fada continuou futilmente a resistir e a tentar soltar a sua perna. Ventura aproximou-se a apontou-lhe a espada à garganta.
- Conceda derrota. Há apenas humildade a ganhar nesse acto, e não desonra.
Aaaaá retrai as perigosas garras em sinal de submissão. Ventura, satisfeito, começa a árdua tarefa de desfazer o nó na perna dela, cometendo a ingenuidade de não soltar a ponta atada à raíz em primeiro. Quando soltou Aaaaá da sua prisão, esta voa imediatamente e ataca Ventura antes que este pudesse desatar a corda da raíz. Ela raspa-lhe a armadura branca no braço direito e agarra-o pelo cabelo, puxando-o para trás. Ventura, não totalmente desorientado enquanto caía para o chão, agarra no seu punhal curvado Qanif e espetou-o num ponto fraco típico das armaduras fádicas, perfurando-a. Ela rugiu de dor e afastou-se. O aventureiro levantou-se e desta vez não ameaçou. Usou a espada Venceslau para trespassar a barriga de Aaaaá.

A multidão silenciou-se. Quando já não se ouvia o estertor de Aaaaá, algumas poucas, todas civis, começaram a lamentar a morte de uma tão digna membra das Seguintes. As restantes olhavam chocadas, mas sabiam que a morte era um risco nestes combates, mesmo que fosse raríssima.
Ventura procedeu lentamente para o centro da praça e aguardou calmamente a Seguinte.
- Mas... não pode ser... como? - balbuciou o Rei A. - Porquê, Ventura Lobo, o Impiedoso?
- Impiedoso? Estranho, não sei se viu daí de cima, mas foi Aaaaá que se desonrou. Ser impiedoso e ser justo são duas coisas diferentes! Seja como for, não quebrei nenhuma regra, suponho eu? A fada A'á'a forneceu-me esta corda fantástica porque lhe pedi, e segundo me lembro foi Sua Majestade que lhe ordenou para me colocar num "estado óptimo de preparação". Enfim, eis-me aqui, o vosso Tributo. Venha a Seguinte!
O rei fada tomou de novo a postura real, se algo forçosamente.
- Bem, está tudo segundo a tradição.... Continuemos. Seguinte! A'áà'ã!
- Â â. AA'a aa a ãâ ãaa'a áà!
- Muito bem, é teu direito! Seguinte! Ãâaaã!
- Â â. - disse simplesmente.
- Muito bem, é teu direito! Seguinte! Aã-aaâ!

Uma a uma, todas as Vinte Seguintes que restavam decidiram prescindir do tributo, ou porque não precisavam dos poderes e conhecimentos de Ventura, ou porque se aperceberam que poderiam ter o mesmo fim de Aaaaá.
- As Vinte Seguintes não querem reclamar o Tributo. Não chamarei mais nomes. Qualquer fada pode reclamar agora o Tributo! Se mais que uma o quiser, a que tiver mais acima na Lista terá prioridade óbvia. Apresentem-se, candidatas!
Ventura Lobo recomeçou os exercícios de aquecimento enquanto aguardava.
- Quer dizer, eu já aqueci há bocado, será que isto agora faz mal? Não, os gajos no futebol também aquecem antes da segunda parte, acho eu. É, vou aquecer.
Era uma figura ridícula, a de Ventura Lobo, isolado numa praça rodeada de fadas hesitantes em combater com ele individualmente, a fazer movimentos estranhos e repetitivos de aquecimento.
- Majestade, enquanto esperamos que se decidam, permita-me uma pergunta pertinente.
- Permito-o.
- O que é que acontece se ninguém quiser reclamar o Tributo?
- Bom... os reis antigos pensaram nisso, mas nunca aconteceu... Enfim, a regra é que o Tributário deverá ficar prisioneiro até que alguém o queira reclamar.
- Estou a ver que não há grande benefício em se ser o Tributário se o indivíduo em questão tiver pressa.
- Evidentemente não, mas normalmente a beleza das fadas é suficiente para vergar as mentes fracas dos homens.
- Obrigado pela resposta.
Ventura Lobo gritou para a multidão.
- Então!? Ninguém quer este Tributo tão apetecível? Imaginem só os poderes que devo ter! Olhem-me só estes músculos, hem? Cinco anos de crossfit mais ou menos constante!
Já todas as fadas haviam percebido que ninguém o defrontaria. Não agora, pelo menos. Este pensamento foi interrompido por um grito no meio de milhares de fadas silenciosas.
A fada A'á'a, a original capturadora de Ventura, caminhava em direcção a ele, de lança preparada. As restantes fadas não sabiam se haviam de rir ou não. Já se sabia que ela só o capturara porque o enganara, e não porque o vencera em combate. Ventura não pareceu surpreendido, sorrindo ligeiramente inclusive.
Os dois combatentes estavam a escassos metros um do outro.

 

 

Nenhum desastre, nenhum cataclismo, nenhuma magia negra teria impressionado mais a capital das Fadas Vogais Aa'a-a-A'a do que o que aconteceu de seguida.
Ventura largou as suas armas diante de A'á'a sem oferecer qualquer tipo de resistência.
- Aceito ser o Tributo desta Fada Seguinte. - olhou para a guerreira e piscou-lhe o olho.
Esta sorriu-lhe de volta.
O Rei, num acesso de perspicácia, percebeu o estratagema daquele par.
- Não pode ser, proíbo-o!
- Porquê, essa agora? Nada foi feito contra as regras. Nenhuma das vossas lutadoras me conseguiu ter como Tributo, excepto esta. Faço notar que dei todas as oportunidades que podia para ser desafiado. Não o quisestes ou não o conseguistes. Não tenho culpa que as vossas guerreiras não estejam ao meu nível de mestria marcial.
- Então porque é que não lutaste com A'á'a?
- Seria uma injustiça para o mundo se eu magoasse a mais bela das Fadas vogais, não?

Foi o cúmulo.

Pode-se humilhar, maltratar e até matar uma fada na presença de outras, mas dizer que uma é mais bela que as outras todas é absolutamente inaceitável, principalmente porque cada uma acha que ela própria é que merece essa descrição. A'á'a quase que explodia de tão vermelha que ficou, mas quase ninguém reparou nisto, tendo em conta que todas as fadas estavam agora a puxar os cabelos umas às outras devido à discussão narcisista que escalou para um motim autêntico. Um motim literalmente muito bonito. Se a este cenário se adicionasse lama, gelatina ou pudim ter-se-iam as condições ideais para se realizar o sonho de muitos americanos labregos.
Ventura Lobo, apesar de tudo, não conseguiu deixar de apreciar o espectáculo à sua volta. A'á'a pegou-lhe pelo braço e arrastou-o dali para fora, aproveitando o caos para desaparecerem sorrateiramente, para enfado de Ventura.

Espera lá, ò narrador, vai fazer um xixi que eu tomo conta dos leitores, que tenho de falar com eles. Sim, vai lá.
Olá. Sou eu, o Autor. Apareci no episódio passado, se calhar lembram-se de mim. Tenho de interromper a narrativa para explicar umas coisas.
Certamente alguns de vós, mais inteligentes, terão percebido o que raio aconteceu para Ventura se ter safado desta situação. Como não posso assumir que todos sejam inteligentes a esse ponto (acredito piamente que maior parte dos leitores que chegaram aqui não perceberam sequer que há outros episódios para trás) sinto-me pressionado a completar alguns pontos da história que não foram propositadamente explicados, nem que seja para tentar homogeneizar os meus leitores em termos da compreensão da história (e não, "homogeneizar" não tem nada a ver com maricas, essa agora...).
Sem ofensa, claro.

Ora bem, durante o tempo que o Ventura esteve com a fada, mais ou menos desde que fizeram as pazes até à altura dos combates, eles pensaram num plano para libertar Ventura Lobo desta parvoíce toda. No final do episódio anterior arrependi-me de ter introduzido uma potencial personagem amorosa na história, porque quando eu escrevo sobre assuntos dos quais não percebo nada, a coisa tende a correr mal. Então tive durante semanas a pensar como é que me iria desenrascar agora desta, porque não poderia mandar um episódio inteiro para o lixo, tenho mais que fazer. Decidi então que o coitado do Ventura Lobo não iria ter nenhum tipo de relação amorosa com fada nenhuma, era o que faltava. Ora, a fada, como é boazinha e querida e tal, sente-se muita culpada por ter enganado o Ventura e quer redimir-se, ajudando-o a escapar dali. Eles apercebem-se que a melhor maneira de escaparem é seguir todas as regras dos combates. Seria preciso garantir que Ventura conseguisse ganhar todos os combates e, melhor ainda, garantir que ninguém mais quisesse lutar. Aí, a fada poderia reclamar o seu direito ao Tributo e assim Ventura ficaria à mercê dela. É claro que depois ela simplesmente deixá-lo-ia ir-se embora. A morte de uma das fadas não estava prevista, mas Ventura não teve opção, ele tinha de mostrar que não 'tava para brincadeiras. Também não estava previsto que o Rei notasse o subterfúgio tão facilmente, mas regras são regras e ele teve que aceitá-las. Claro que isso não o impediu de banir tanto Ventura Lobo como a própria fada A'á'a do seu reino. Aproveito para pedir desculpa pelos nomes dos personagens, mas já devem ter percebido que são propositadamente difíceis de ler.
Olhem, o narrador já voltou. Vá força, desculpa lá, aproveita que eles estão atentos.

Ventura Lobo e A'á'a riram-se imenso no caminho que os levava para fora da floresta em direcção ao Norte.
- Por um lado agora sou eu a sentir-me culpado por ter causado o teu exílio, mas por outro algo me diz que se calhar estarás melhor longe daquelas megeras.
Ela concordou.
- Eu sei que aquela última coisa que disse na praça não estava planeada, mas foi o que me veio à cabeça. Funcionou melhor do que estava à espera, amanhã ninguém se vai falar naquela cidade.
Ela corou um bocadinho, mas permaneceu silenciosa.
Chegaram à orla da imensa floresta no final da tarde.
- Tenho que dizer-te que é aqui que nos separamos, menina. Eu tenho uma demanda a concretizar, para a qual não te posso levar.
Desmontou Sara e aproximou-se de A'á'a. Esticou os braços, convidando um abraço.
- Tenho de te agradecer, por me teres "capturado" e por me teres libertado.
Hesitantemente, ela retribuiu o abraço, que mantiveram durante alguns segundos.
- Para onde irás? - perguntou ele.
- Na direcção dos Sete Mares de Re'ai. Há lá povoações independentes de Fadas Vogais, leais ou à Rainha Branca ou à Rainha Negra. Serei bem recebida lá.
- Ah, perfeito então, espero que tudo te corra bem, e que as minhas aventuras um dia me levem lá.
- Sim, gostaria muito. - e sorriu-lhe, não se notando as bochechas escarlates devido às cores fogosas do pôr-do-sol.
Ventura montou Sara e virou-se para o Norte.
- Adeus, A'á'a. Que aventura dos diabos, hem?
- Adeus, Ventura Lobo. Podes chamar-me Alana, se calhar é mais fácil para ti dizeres.
- Ah, certamente é, obrigado. Adeus, Alana, então! Eia Sara!
E partiu a galope.

 

 

 

 


Horas depois, subitamente, Ventura Lobo ordena a Sara que pare.
- Espera lá... Ela estava a falar. A falar a minha língua! Então afinal ela sabia falar e não me disse nada. Essa agora... Porquê? Teria sido tão mais fácil comunicar.
O aventureiro falhava em se aperceber do óbvio.
- A não ser... O Rei A bem disse que elas absorvem o poder de alguém que amem. Mas ele disse isso no sentido sexual e não tive nada disso com ela. Será que...? Será que a magia delas não faz diferença semântica no que toca ao verbo "amar"?
Levou a mão à cara, cobrindo os olhos numa careta desapontada. Olhou para trás. Já percorrera tanto. Ela já não estaria lá. Já era tarde demais.
Suspirou.
- Rumemos ao Norte. Vamos a aventuras mais divertidas, que lamechices destas só conseguem ser cómicas no Allo Allo.

 

Ò narrador, desculpa lá, não percebi esta última parte, então mas eu não tinha dito que não iria haver ligação amorosa entre os dois?
O que Ventura Lobo e o Autor não percebiam, aparentemente, é que há certas coisas que não se conseguem evitar. Com o tempo aprenderiam isso.
Agora virou astrólogo, o gajo.
- Essa agora.

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publicado às 03:24


3 comentários

De Maria Araújo a 29.12.2016 às 22:03


Voltarei para ler este conto, com mais tempo.
Um Bom Ano.

De Rei Bacalhau a 30.12.2016 às 00:15

Perdoe-me que lhe diga, mas terá muito para ler para estar minimamente a par do que está a acontecer, pois este é a oitava aventura de Ventura Lobo, e estas aventuras têm sequência narrativa.

Na barra lateral do blog está uma lista ordenada das aventuras. Outrossim, cada aventura tem também de alguma forma uma hiperligação para a aventura anterior no próprio texto.

Obrigado e um excelente ano!

De Maria Araújo a 30.12.2016 às 14:35

Percebi isso, quando cliquei lá em cima.
Obrigada.
Um Feliz Ano 2017.

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