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Burma Shave

por Rei Bacalhau, em 22.10.17

Não posso dizer que ande actualizado nesse tipo de conteúdos, mas tenho ideia que já não se fazem programas infantis de televisão como antigamente. Em termos de cinema ainda se vêem uns filmes de desenhos animados que respeitam a fórmula antiga de que quero falar, mas de resto, parece-me que é uma arte que se degenerou naturalmente.

 

A questão de que estou a falar é que todos os programas nos dias de hoje têm de ter uma certa categoria. Um certo público alvo. Um certo género. Parece, por exemplo, ser completamente impensável fazer um programa infantil que adultos também pudessem apreciar.

Eu não vi os Marretas quando era miúdo. Só comecei realmente a admirar a sua comédia quando já era relativamente adulto. Como qualquer outra pessoa que se considere fã, tenho personagens favoritos.

Um desses personagens é o Rowlf, o cão pianista de serviço no programa dos Marretas, sendo uma das principais criações de Jim Henson, que também o protagonizava.

 

Aparentemente, o programa dos Marretas nos EUA e na Europa tinham durações diferentes, porque nos EUA existia uma interrupção para anúncios, ah e tal capitalismo. Na Europa preenchiam esse espaço com sketches pequenos, muitas vezes levados a cabo pelo Rowlf e o seu piano omni-presente.

Gostaria de partilhar um desses segmentos, com prazer pessoal por saber que a canção original é de Groucho Marx.

 

Show Me a Rose:

 

 

Onde eu quero chegar é que apesar dos Marretas terem o aspecto de um programa infantil, e efectivamente ter um nível de parvoíce caótica que justificasse essa categorização, quero acreditar que os seus criadores também pensavam que o adultos poderiam gostar de um programa com marionetas. Quero acreditar que eles queriam fugir à determinação de que o programa deles era para "este grupo selecto de pessoas na sociedade" em vez de um outro. Quero acreditar que estavam a trabalhar para criar um programa que todos pudessem apreciar.

Um segundo exemplo, do primeiro filme dos Marretas, em que o Cocas e o Rowlf discutem sobre um assunto... bastante adulto.

 

I Hope That Somethin' Better Comes Along:

 

 

Estranhamente, por alguma razão, existe uma quantidade de pessoas nos comentários do Youtube que estabelece comparações entre Rowlf e um tal Tom Waits.

"Mas quem é que num raio é este Tom Waits? Outro Marreta...?"

 

Não, aparentemente. É um cantor a sério com um estilo musical (e voz) confirmadamente semelhante à de Rowlf.

Fiz então o que qualquer pessoa decente faria, e, por respeito a um Marreta, fui ouvir um álbum dos "melhores temas" de Tom Waits, só para ficar com a noção.

O que ouvi abalou-me um bocadinho, porque a voz deste homem é 20% álcool e 100% dor. O erro matemático é propositado. É um daqueles artistas que é preciso seguir a letra da música para se ficar com uma noção do significado do tema. A miséria geral que flutua nas letras, nas histórias e na voz faz-nos pensar num Charles Bukowski condensado em música.

 

E isso é dizer muito.

 

Burma Shave, de Tom Waits:

 

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publicado às 20:36


Ghetto Woman

por Rei Bacalhau, em 15.10.17

Quando hoje pensei numa música para pôr aqui veio-me à cabeça o B.B. King. Por um milésimo de segundo ainda pensei "será que ele ainda toca" e depois caí no absurdo que é pensar isso tendo em conta que eu sei que ele morreu há uns poucos anos.

Estou evidentemente habituado a ouvir artistas que já morreram ou para lá caminham, mas desta vez reflecti que realmente sou felizardo por poder dizer "durante um tempo, eu vivi num mundo que tinha o B.B. King em carne e osso" (agora será só osso, digo eu; aliás fui verificar, ele não foi cremado, portanto, confirma-se).

 

Oiçamos o seu legado então.

B.B.King, com Ghetto Woman:

 

 

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publicado às 00:55


Hand of Doom

por Rei Bacalhau, em 08.10.17

Se há coisa para a qual os Black Sabbath sempre tiveram jeito é para arranjar título ominosos para os seus temas.

Esta música começa pacatamente, mas tendo em conta que a letra refere-se ao uso de drogas pesadas, o ritmo muda várias vezes para simular o consumo das mesmas. Para esse efeito surge o duo rítmico fantástico de Geezer Butler e Bill Ward, baixista e baterista, respectivamente, que transformam completamente a música de um instante para o outro.

Há que ter em conta que estes senhores são tão importantes na história do rock que quase qualquer tema deles tornar-se-ia extremamente influente para as gerações de músicos futuros. Os Black Sabbath experimentaram tantas coisas diferentes que outras bandas poderam escolher que parte da carreira deles é que lhes haveria de influenciar mais.

Eis portanto Hand of Doom, dos Black Sabbath, um tema relativamente pesado para a época:

 

 

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publicado às 00:50


Sinfonia do Novo Mundo

por Rei Bacalhau, em 01.10.17

- Não sei bem, esta música já me anda na cabeça há uma data de tempo, mas não consigo lembrar-me de onde é. É tipo daquelas música ultra épicas e tenho quase a certeza que é de um filme daqueles míticos.

- Não é do Star Wars?

- Pá, acho que não, é parecido, se calhar...

- Será de filme X, ou Y?

- Pá, talvez, hei-de pesquisar.

 

Tive esta conversa parafraseada acima há muito tempo, talvez um ano, sobre um excerto de uma música que não me saía da cabeça. Andava a assobiá-la de um lado para o outro sem saber bem de onde era. Era inimaginavelmente frustrante, pois normalmente tenho jeito para encontrar músicas pela letra, mas esta não tem uma...

Parti do pressuposto que teria de ser de um filme qualquer, pois tenho noção que é extremamente famosa. A investigação que descreverei de seguida decorreu ao longo deste tempo todo:

 

"Ora, eu sei que tem uns instrumentos de sopro poderosos... Será que é...? 

 

 

Não, não é esta, que raio.

Ah, talvez tenha errado na música mas acertado no compositor! O Basil Poledouris também compôs para outro filme conhecido pela tema musical... Será que...?

 

 

Ah, porra, também não é... Bem, vou ver o filma ams é e pensar nisto depois."

 

Entretanto veio a altura anual de ver a trilogia do Senhor dos Anéis.

 

"Ah, será que é do Senhor dos Anéis? Aquela cena da carga de cavalaria?

 

Caraças, não, não é... 'Pera, não desisti ainda, se calhar é o tema principal... não, não pode ser... mas deixa verificar à mesma...

 

 

É demais... também não é aquele quando eles estão a correr... Que cena... c'um catano."

 

É dose, mas eventualmente também me meto a ver todos os filmes da Guerra das Estrelas num curto espaço de tempo (e já a contar com o Episódio 7).

"Tem de ser desta. A música tem de ser do Star Wars. Não há volta a dar, tem de ser. Vou-me sentir tão burro quando aparecer o tema que quero ouvir. E de certeza que vai ser numa parte fundamental do filme, que só piorará o sentimento.

Ah, a comemoração no final do primeiro filme! É capaz de ser esta! Será? Será? Deixa ouvir, vá, despacha-te.

 

NÃO! Não é esta! Mas é tão parecida! Que raio!?

 

Desisto... desisto completamente. Vai-te lixar, John Williams!"

 

Mal sabia eu que seria totalmente ao acaso que viria a descobrir a música perdida em questão de um forma completamente inesperada.

Estava a ver um vídeo do Youtube de um sueco que faz comédia com videojogos, normalmente de forma ridícula.

 Foi totalmente de forma desprevenida que levei com o som ribombante que tenho andado à procura há tanto tempo.

 

4º Movimento da 9º Sinfonia de Antonín Dvořák, também conhecida como a Sinfonia do Novo Mundo:

 

 

 

P.S.: Sinceramente, acho que não é à toa que me tivesse parecido que a música do John Williams era a que eu estava à procura. A semelhança é notável (e "propositada" aparentemente, infuências e tal).

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publicado às 22:42


Soldier of Fortune

por Rei Bacalhau, em 24.09.17

Soldier of Fortune, dos Deep Purple:

 

 

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publicado às 00:26


Paschendale

por Rei Bacalhau, em 30.07.17

Estamos num curto período de tempo em que todos os dias é a comemoração dos 100 anos de algum evento da Primeira Guerra Mundial. Em 1917 as nações já estavam exaustas de tanto esforço para quase nada, mas nem por isso deixaram de levar a cabo algumas das mais sangrentas operações da guerra.

Amanhã fará portanto 100 anos do início da batalha de Passchendaele, também conhecida como a Terceira Batalha de Ypres, já que só uma não era suficiente.

É provável que a Bélgica não conheça o conceito de fogos florestais, pois naquela altura do ano costumam ocorrer dilúvios autênticos. Se juntarem água a terra aleatoriamente bombardeada durante três anos ficam com lama.

Muita, muita lama.

Foi precisamente isso que estaria a acontecer há 100 anos atrás hoje. Uma chuva torrencial estava a preparar uma sopa castanha que os soldados aliados e alemães teriam de enfrentar. Como nunca lhes passou pela cabeça cancelar simplesmente a operação e atacar noutro sítio, meio milhão de homens, mais coisa menos coisa, morreram ao longo de três meses de combates, doenças e perigos ambientais.

Os Aliados saíram mais ou menos vitoriosos, apesar de não terem atingido todos os objectivos da campanha. No fundo, a única coisa que fizeram foi capturar uns quantos quilómetros quadrados de terra e montes, para além de terem mantindo os alemães (que tinham muito mais a perder) ocupados num matadouro recíproco.

 

Eu falei um bocadinho do desastre e estupidez que a campanha foi em termos militares. Vou deixar os Iron Maiden dizer-vos como terá sido a um nível mais individual.

 

Iron Maiden, com Paschendale:

 

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publicado às 13:36


Just Another Day

por Rei Bacalhau, em 16.07.17

É certo e sabido que o mundo é um sítio horrível.

Todo o nosso conceito de existência e subsistência é constantemente desafiado pelos obstáculos que o dia-a-dia nos atira. Dependendo da nossa maneira de ser, com o tempo já nos parece custar levantar e colocarmos o pé na rua para mais um dia de atribulações, que, sabe-se bem, são em muito maior número que as felicidades relativas que preferiríamos ter.

No entanto, apesar de tudo, teimamos em continuar a nossa vida, pois pensamos que hoje será simplesmente mais um dia.

No fim de contas, quando tudo parece ter chegado ao mais profundo dos abismos, apenas temos de pensar que chegámos aquele ponto depois de milhares de "apenas-mais-um-dia" anteriores em que enfrentámos corajosamente uma qualquer situação impossível.

 

É só mais um dia.

 

Os Oingo Boingo, com Just Another Day:

 

 

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publicado às 10:35


Master Blaster (Jammin')

por Rei Bacalhau, em 09.07.17

Chega aquela altura do ano em que começo a sentir que preciso de férias do meu compromisso semanal musical. Não sei porquê, mas acabo sempre por ficar extremamente desinspirado para escreverou sequer pensar em seja o que for.

Deve ser do calor.

A pausa a sério só ocorrerá em Agosto, até lá já tenho algumas músicas pensadas.

 

Entretanto, sintamo-nos bem, com o Stevie Wonder, Master Blaster:

 

 

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publicado às 00:00


On Every Street

por Rei Bacalhau, em 25.06.17

On Every Street, dos Dire Straits:

 

 

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publicado às 00:01


The Spirit of Radio

por Rei Bacalhau, em 18.06.17

Se tentássemos, conseguiríamos fazer uma pequena lista dos temas que as músicas costumam abordar nas suas letras. Assim de cabeça, muito rapidamente, vêm-me à cabeça alguns termos possíveis como.

  • amor (certamente o mais falado, e teria imensas subdivisões);
  • dança/diversão/festa.

Depois vêm temas que algumas bandas conseguiram fazer ser notados, mas com uma colossal diferença de número de músicas para os principais acima listados.

  • intervenção política/social;
  • fantasia/ficção;
  • humor;
  • história mundial.

Hoje gostaria de falar dos Rush, uma banda cujo letrista e baterista, Neil Peart (pronunciado como o "ea" inglês em "beard"), tem a particularidade de tipicamente escrever liricamente sobre os temas menos comuns. Quase todas as músicas dos Rush seguem este padrão, mas hoje vou-me focar na denominada The Spirit of Radio

 

Esta música é uma reflexão sobre o estado e a influência da rádio como conceito, e apesar de a letra ter sido escrito há uns 40 anos, não deixa ainda de ser relevante.

Um pequeno aparte: eu tenho uma pen preparada com músicas para meter no rádio do meu carro. No entanto, apenas raramente a usei. É mais certo que me ponha a ouvir a M80, mesmo que não goste de algumas das músicas que eles toquem. Na altura não percebia bem o porquê. Mais valeria estar a ouvir músicas seleccionadas por mim, não é verdade?

Pois bem, os Rush fizeram-me perceber, mesmo que não fosse a intenção deles, que o que a rádio fornece essencialmente é companhia no nosso trajecto diário e rotineiro. Em viagens longas talvez faça sentido metermos um álbum inteiro de uma banda qualquer, mas para o dia-a-dia queremos pensar que temos alguém "ao nosso lado" para nos ajudar a acordar e quase conversar connosco enquanto esperamos pela semáforo. Não interessa que seja conversa banal ou chata, interessa é que estejamos à vontade para apreciar as vozes amigáveis de pessoas que basicamente não conhecemos fisicamente.

 

A música prossegue repentinamente numa direcção completamente diferente, melancolicamente criticando como apenas "certos" tipos de músicas e bandas é que parecem chegar ao topos, não sendo uma crítica a músicas feitas electronicamente (aliás, antes pelo contrário), mas sendo sim uma indirecta a bandas que se "vendem" (como se diz na gíria) e que se adaptam ao que as editoras ou o público querem, e não se mantendo fiéis ao que tornava a banda provavelmente única.

Nesse aspecto acho que os próprios Rush nunca foram inconsistentes, mas não tenho a certeza.

 

Considero-a uma música brilhante e excepcionalmente bem executada, mesmo instrumentalmente.

 

Os Rush, com The Spirit of Radio

 

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publicado às 11:44



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