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Paschendale

por Rei Bacalhau, em 30.07.17

Estamos num curto período de tempo em que todos os dias é a comemoração dos 100 anos de algum evento da Primeira Guerra Mundial. Em 1917 as nações já estavam exaustas de tanto esforço para quase nada, mas nem por isso deixaram de levar a cabo algumas das mais sangrentas operações da guerra.

Amanhã fará portanto 100 anos do início da batalha de Passchendaele, também conhecida como a Terceira Batalha de Ypres, já que só uma não era suficiente.

É provável que a Bélgica não conheça o conceito de fogos florestais, pois naquela altura do ano costumam ocorrer dilúvios autênticos. Se juntarem água a terra aleatoriamente bombardeada durante três anos ficam com lama.

Muita, muita lama.

Foi precisamente isso que estaria a acontecer há 100 anos atrás hoje. Uma chuva torrencial estava a preparar uma sopa castanha que os soldados aliados e alemães teriam de enfrentar. Como nunca lhes passou pela cabeça cancelar simplesmente a operação e atacar noutro sítio, meio milhão de homens, mais coisa menos coisa, morreram ao longo de três meses de combates, doenças e perigos ambientais.

Os Aliados saíram mais ou menos vitoriosos, apesar de não terem atingido todos os objectivos da campanha. No fundo, a única coisa que fizeram foi capturar uns quantos quilómetros quadrados de terra e montes, para além de terem mantindo os alemães (que tinham muito mais a perder) ocupados num matadouro recíproco.

 

Eu falei um bocadinho do desastre e estupidez que a campanha foi em termos militares. Vou deixar os Iron Maiden dizer-vos como terá sido a um nível mais individual.

 

Iron Maiden, com Paschendale:

 

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publicado às 13:36


Just Another Day

por Rei Bacalhau, em 16.07.17

É certo e sabido que o mundo é um sítio horrível.

Todo o nosso conceito de existência e subsistência é constantemente desafiado pelos obstáculos que o dia-a-dia nos atira. Dependendo da nossa maneira de ser, com o tempo já nos parece custar levantar e colocarmos o pé na rua para mais um dia de atribulações, que, sabe-se bem, são em muito maior número que as felicidades relativas que preferiríamos ter.

No entanto, apesar de tudo, teimamos em continuar a nossa vida, pois pensamos que hoje será simplesmente mais um dia.

No fim de contas, quando tudo parece ter chegado ao mais profundo dos abismos, apenas temos de pensar que chegámos aquele ponto depois de milhares de "apenas-mais-um-dia" anteriores em que enfrentámos corajosamente uma qualquer situação impossível.

 

É só mais um dia.

 

Os Oingo Boingo, com Just Another Day:

 

 

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publicado às 10:35


Master Blaster (Jammin')

por Rei Bacalhau, em 09.07.17

Chega aquela altura do ano em que começo a sentir que preciso de férias do meu compromisso semanal musical. Não sei porquê, mas acabo sempre por ficar extremamente desinspirado para escreverou sequer pensar em seja o que for.

Deve ser do calor.

A pausa a sério só ocorrerá em Agosto, até lá já tenho algumas músicas pensadas.

 

Entretanto, sintamo-nos bem, com o Stevie Wonder, Master Blaster:

 

 

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On Every Street

por Rei Bacalhau, em 25.06.17

On Every Street, dos Dire Straits:

 

 

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publicado às 00:01


The Spirit of Radio

por Rei Bacalhau, em 18.06.17

Se tentássemos, conseguiríamos fazer uma pequena lista dos temas que as músicas costumam abordar nas suas letras. Assim de cabeça, muito rapidamente, vêm-me à cabeça alguns termos possíveis como.

  • amor (certamente o mais falado, e teria imensas subdivisões);
  • dança/diversão/festa.

Depois vêm temas que algumas bandas conseguiram fazer ser notados, mas com uma colossal diferença de número de músicas para os principais acima listados.

  • intervenção política/social;
  • fantasia/ficção;
  • humor;
  • história mundial.

Hoje gostaria de falar dos Rush, uma banda cujo letrista e baterista, Neil Peart (pronunciado como o "ea" inglês em "beard"), tem a particularidade de tipicamente escrever liricamente sobre os temas menos comuns. Quase todas as músicas dos Rush seguem este padrão, mas hoje vou-me focar na denominada The Spirit of Radio

 

Esta música é uma reflexão sobre o estado e a influência da rádio como conceito, e apesar de a letra ter sido escrito há uns 40 anos, não deixa ainda de ser relevante.

Um pequeno aparte: eu tenho uma pen preparada com músicas para meter no rádio do meu carro. No entanto, apenas raramente a usei. É mais certo que me ponha a ouvir a M80, mesmo que não goste de algumas das músicas que eles toquem. Na altura não percebia bem o porquê. Mais valeria estar a ouvir músicas seleccionadas por mim, não é verdade?

Pois bem, os Rush fizeram-me perceber, mesmo que não fosse a intenção deles, que o que a rádio fornece essencialmente é companhia no nosso trajecto diário e rotineiro. Em viagens longas talvez faça sentido metermos um álbum inteiro de uma banda qualquer, mas para o dia-a-dia queremos pensar que temos alguém "ao nosso lado" para nos ajudar a acordar e quase conversar connosco enquanto esperamos pela semáforo. Não interessa que seja conversa banal ou chata, interessa é que estejamos à vontade para apreciar as vozes amigáveis de pessoas que basicamente não conhecemos fisicamente.

 

A música prossegue repentinamente numa direcção completamente diferente, melancolicamente criticando como apenas "certos" tipos de músicas e bandas é que parecem chegar ao topos, não sendo uma crítica a músicas feitas electronicamente (aliás, antes pelo contrário), mas sendo sim uma indirecta a bandas que se "vendem" (como se diz na gíria) e que se adaptam ao que as editoras ou o público querem, e não se mantendo fiéis ao que tornava a banda provavelmente única.

Nesse aspecto acho que os próprios Rush nunca foram inconsistentes, mas não tenho a certeza.

 

Considero-a uma música brilhante e excepcionalmente bem executada, mesmo instrumentalmente.

 

Os Rush, com The Spirit of Radio

 

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publicado às 11:44


Looking For The Summer

por Rei Bacalhau, em 11.06.17

Chris Rea, com Looking for the Summer:

 

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Panama

por Rei Bacalhau, em 04.06.17

Desde sempre que a Música e certos eventos históricos importantes estiveram de mãos dadas. Seja como uma forma de patriotismo numa guerra qualquer ou num contexto de intervenção política, a verdade é que não se consegue pensar em certas épocas da história sem aludir a certas melodias ou canções.

 

A Guerra Revolucionária Americana terá sempre associada a Yanky Doodle:

 

 

A Revolução Francesa terá sempre associada La Marseillaise, (cuja letra, descobri hoje, tem demasiadas semelhanças com A Portuguesa; e eu a pensar que o nosso hino era original...):

 

 

O nosso próprio 25 de Abril tem n mil músicas de intervenção associadas, das quais não colocarei aqui nenhuma com medo que me apareça aqui algum comunista, essa agora, haja decência.

 

No entanto, há certos eventos histórico-musicais mais pequenos à volta do mundo que ocorrem que passam um bocadinho mais despercebidos. O caso que apresentarei hoje não é o mais grave, mas não deixa de ser um bom exemplo.

Em 1989, os Estados Unidos andavam aborrecidos e lá arranjaram maneira de andar à porrada com o Panamá. Acho que se desentenderam lá o Presidente. Presidente esse, de nome Manuel Noriega, que morreu há uns dias depois de ter estado basicamente preso desde então. No entanto, na altura, prendê-lo não foi um processo totalmente linear. A operação militar que tinha o objectivo de o capturar chamava-se "Nifty Package" e não teve exactamente sucesso imediato. O Noriega refugiou-se numa espécie de embaixada da igreja católica e os americanos não o podiam forçosamente capturar sem causar escândalos diplomáticos e tal.

E toda a gente sabe que os americanos não gostam de causar escândalos.

O que é que os entendidos em psicologia decidiram fazer? Durante vários dias colocaram música rock aos berros numa tentativa de desmoralizar o Noriega a render-se o mais pacificamente possível. A rendição acabou por acontecer, mas nunca ficou estabelecido que a música tenha sido a razão total.

Todas as bandas que tiveram uma música sua a tocar nessa lista de reprodução diabólica marcaram assim, mesmo que involuntariamente, um pedacinho da nossa históriia mundial (por alguma razão, alegadamente, até os Oingo Boingo tiveram direito a tempo de antena).

 

Mas certamente que os Van Halen nunca pensaram que uma sua música iria ser usada para ajudar a convencer um ditador panamiano refugiado numa instituição católica a render-se. Acredito que foi completamente sem querer que criaram uma música com o nome de um país.

 

Panama, dos Van Halen:

 

 

(P.S.: aparentemente, esta música é sobre um carro; não queria de modo algum implicar que os Van Halen têm um vidente no seu seio)

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publicado às 00:17


Two Out Of Three Ain't Bad

por Rei Bacalhau, em 28.05.17

Agora que já passou algum tempo já posso pensar em incluir o termo Salvador Sobral no meu texto sem arriscar que me apareça aqui uma data de gente a mandar vir com o que eu escrevo, para melhor ou pior.

Para mim ainda é inexplicável que uma música como a dele tenha ganho lá nas Europas nos dias de hoje. Não, não estou a dizer que a música dele não é uma música de festival e tal; esse argumento parece-me um bocadinho gasto, pelo menos se usado de forma absoluta. Certamente que há 50 anos um tema como o Amar Pelos Dois teria sido banalmente aceite como música digna de um festival, devido à cultura de entretenimento diferente que existia na altura (se bem que estou a falar sem saber, porque é evidente que nunca vi um festival da Eurovisão completo, e muito menos o Festival da Canção português).

Antes que me comecem a interpretar mal, gostaria de clarificar que eu não acho que a música seja má ou pouco merecedora de ganhar seja o que for. 

Agora, que considero que a canção não tem nada de muito escandalosamente especial, lá isso não tem. Não para o leigo musical que sou em termos de composição e outras tretas técnicas. Repito, clarificando, que como OUVINTE a música não tem nada de extraordinário. Não em comparação com outras músicas que ouço.

O que é verdadeiramente extraordinário é ter ganho o festival por... razões sociais? Não sei se será a melhor expressão, mas muitas vezes há coisas que se tornam famosas/boas (no nosso mundo os dois conceitos às vezes confudem-se) apenas devido ao seu sucesso social (o que se chama hoje de "viral"; assumo que antigamente tinha outro nome, tipo "moda").

"Ah, mas a música é especial, é muito bonita! A letra, o arranjo, a excentricidade do Salvador."

Efectivamente, aceito esse argumento, mas isso não a torna necessariamente excepcional. Facilmente arranjo uma data de músicas simples que têm a mesma beleza. É claro que no meu caso essa músicas têm mais ou menos 40 anos, mas certamente que algum conhecedor de música mais recente conseguiria dar um exemplo de um tema feito algures nos últimos 20 dias por um artista qualquer desconhecido que tem o mesmo valor e mérito que Amar Pelos Dois. A única diferença é que "nunca" será conhecido senão por aqueles que se dão ao trabalho de pesquisar mais profundamente.

E todos nós sabemos que não é assim que as massas funcionam, eu incluído.

 

"Ah, mas está escrita e cantada em português! Mesmo assim toda a gente gosta! Explica lá isso agora, hmm?"

Cheque-mate. Não tenho resposta, efectivamente. É-me completamente absurdo que um inglês ou finlandês ou raio que o parta consiga gostar de uma música cantada em português. É que aí nem a letra safa. Por exemplo, está estereotipado que o franceses têm músicas de amor lindíssimas, mas tenho tendência a não ouvi-las porque compreenderia muito pouco. Só posso mesmo culpar os media e os vídeo virais como já referi, mas mesmo isso parece-me insuficiente. Não sei.

 

Vamos à música então. É um exemplo de uma música "simples" que facilmente rivaliza com Amar Pelos Dois.

Two Out Of Three Ain't Bad, de Meatloaf, com composição de Jim Steinman (já que de repente, por breves momentos, as pessoas em geral parecem estar mais cientes de que os compositores também são importantes, e não apenas só quando são parte da família):

 

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Gates of Babylon

por Rei Bacalhau, em 21.05.17

Não, não; não se confundam.

Não é a música dos Boney M.

No entanto, recomendo que se coloquem sentados em cima do tapete mais próximo, mesmo que seja daqueles de ioga ou de Arraiolos. Suspeito que poderá levantar vôo ao tocarem a seguinte melodia.

 

Rainbow, com Gates of Babylon:

 

 

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publicado às 00:41


history of the entire world, i guess

por Rei Bacalhau, em 14.05.17

 

É evidente que o vídeo acima é algo conciso, mas não deixa de ser válido. No entanto, a excelente conclusão a que o autor chega não é a razão pela qual eu o mostrei.

A internet é um sítio horrível que tem a pior combinação de mentes insanas com tempo livre a produzir conteúdos só porque sim. Imagino então que alguns produtores, por maluquice ou por desejo explícito, tentem ser um bocadinho diferente dos outros.

Eis que nas minhas explorações atrevidas pelos cantos cinzentos da internet encontro uma referência a bill wurtz, um tipo que decidiu criar vídeos pequeníssimos com musicazinhas e jingles acompanhadas de temas e imagens surreais e às vezes quase epilépticas. O vídeo acima é apenas um pequeno exemplo, apesar de o canal dele no Youtube estar repleto de... bom... nem sei explicar bem... repleto de parvoíce aleatória.

Este homem é tão humoristicamente parvo e aleatório que de repente ele decide criar um vídeo completamente diferente dos seus restantes.

É assim que a internet é abençoada com o vídeo history of japan:

 

 

Este foi o primeiro vídeo dele que eu vi, e fiquei imediatamente agarrado pelo seu modo seco de falar e a colocação as suas piadas bem pensadas, contrastando com os jingles apelativos que fariam qualquer outro não levar o conteúdo do vídeo a sério. No entanto, qualquer um com uma mínima noção de História irá compreender que qualquer desvio relatado do que realmente aconteceu tem um propósito humorístico.

Por exemplo, aquando da invasão mongol:

"So the mongols came over, ready for war, and died in a tornado."

É evidente que isto é uma referência ao que nós chamamos de kamikaze, mas não deixa de ser engraçado pensar que um único tornado deu cabo das invasões mongóis.

 

Quando acabei de ver o vídeo pela primeira vez, foi em êxtase que foi ao canal do jovem procurar mais, pois naquela altura era tudo o que eu mais almejava. Contudo, o canal dele estava muito pouco activo e todos as suas publicações era vídeos pequeníssimos como o que mostrei no início deste texto.

 

Fiquei em choque, pensando que ele teria desistido da sua "carreira" de Youtube (não é bem carreira porque ele não monetiza o seu canal). No entanto, apanhei um ou outro rumor de que ele estava a trabalhar num projecto ainda maior e mais ambicioso. 

A história do mundo!...

 

Esta semana, assim que vi o vídeo dele na página principal do Youtube, preparei-me para ver 20 minutos de pura parvoíce gratificante. Era exactamente o que eu esperava que fosse, talvez até melhor.

 

the history of the entire world, i guess, de bill wurtz:

 

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publicado às 12:25



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