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Two Out Of Three Ain't Bad

por Rei Bacalhau, em 28.05.17

Agora que já passou algum tempo já posso pensar em incluir o termo Salvador Sobral no meu texto sem arriscar que me apareça aqui uma data de gente a mandar vir com o que eu escrevo, para melhor ou pior.

Para mim ainda é inexplicável que uma música como a dele tenha ganho lá nas Europas nos dias de hoje. Não, não estou a dizer que a música dele não é uma música de festival e tal; esse argumento parece-me um bocadinho gasto, pelo menos se usado de forma absoluta. Certamente que há 50 anos um tema como o Amar Pelos Dois teria sido banalmente aceite como música digna de um festival, devido à cultura de entretenimento diferente que existia na altura (se bem que estou a falar sem saber, porque é evidente que nunca vi um festival da Eurovisão completo, e muito menos o Festival da Canção português).

Antes que me comecem a interpretar mal, gostaria de clarificar que eu não acho que a música seja má ou pouco merecedora de ganhar seja o que for. 

Agora, que considero que a canção não tem nada de muito escandalosamente especial, lá isso não tem. Não para o leigo musical que sou em termos de composição e outras tretas técnicas. Repito, clarificando, que como OUVINTE a música não tem nada de extraordinário. Não em comparação com outras músicas que ouço.

O que é verdadeiramente extraordinário é ter ganho o festival por... razões sociais? Não sei se será a melhor expressão, mas muitas vezes há coisas que se tornam famosas/boas (no nosso mundo os dois conceitos às vezes confudem-se) apenas devido ao seu sucesso social (o que se chama hoje de "viral"; assumo que antigamente tinha outro nome, tipo "moda").

"Ah, mas a música é especial, é muito bonita! A letra, o arranjo, a excentricidade do Salvador."

Efectivamente, aceito esse argumento, mas isso não a torna necessariamente excepcional. Facilmente arranjo uma data de músicas simples que têm a mesma beleza. É claro que no meu caso essa músicas têm mais ou menos 40 anos, mas certamente que algum conhecedor de música mais recente conseguiria dar um exemplo de um tema feito algures nos últimos 20 dias por um artista qualquer desconhecido que tem o mesmo valor e mérito que Amar Pelos Dois. A única diferença é que "nunca" será conhecido senão por aqueles que se dão ao trabalho de pesquisar mais profundamente.

E todos nós sabemos que não é assim que as massas funcionam, eu incluído.

 

"Ah, mas está escrita e cantada em português! Mesmo assim toda a gente gosta! Explica lá isso agora, hmm?"

Cheque-mate. Não tenho resposta, efectivamente. É-me completamente absurdo que um inglês ou finlandês ou raio que o parta consiga gostar de uma música cantada em português. É que aí nem a letra safa. Por exemplo, está estereotipado que o franceses têm músicas de amor lindíssimas, mas tenho tendência a não ouvi-las porque compreenderia muito pouco. Só posso mesmo culpar os media e os vídeo virais como já referi, mas mesmo isso parece-me insuficiente. Não sei.

 

Vamos à música então. É um exemplo de uma música "simples" que facilmente rivaliza com Amar Pelos Dois.

Two Out Of Three Ain't Bad, de Meatloaf, com composição de Jim Steinman (já que de repente, por breves momentos, as pessoas em geral parecem estar mais cientes de que os compositores também são importantes, e não apenas só quando são parte da família):

 

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4 comentários

De Maria Araújo a 08.06.2017 às 23:28

Não sei comentar músicas, o meu ouvido é que me diz se gosto ou não.
Salvador Sobral ganhou, eu não vi o Festival da Canção, toda a gente falava dele, tive de ouvir a canção para perceber o que levava tanta gente a gostar.
A primeira vez, não achei nada de especial.
Depois, foi-se entranhando.
Veio o Festival da Eurovisão, decidi ver.
Uma coisa é certa, o início da melodia não me convence(u). Mas vai acontecendo, comecei a gostar mais um pouco. Só que há uma parte em que a letra me cativou, e cativa ( romântica que sou) e passei a gostar.
Mas sempre que a escuto, na rádio, comento: " Este arranque da música não me agrada".
Confesso que não sei porque os europeus gostaram muito da música.
Romantismo?
Salvador Sobral conquistou-me mas não foi pela canção do festival. Foi pelo que procurei sobre ele, li e ouvi.
Desculpe este comentário pobre, mas é o que penso.

De Rei Bacalhau a 09.06.2017 às 00:04

Parece-me paradoxal classificar o seu comentário como pobre tendo em conta que enriquece o meu texto.

Obrigado.

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