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Hollywood Swinging

por Rei Bacalhau, em 16.09.18

Se fosse acusado de tal, seria sem problemas que confessaria que o tom deste blog é algo pessimista, falando no geral.

Gostaria, no entanto, de relembrar que eu uso maioritariamente este blog para relatar algo que me esteja a acontecer, normalmente com músicas escolhidas simbolicamente e normalmente sobre um assunto que me pena.

 

No fundo, o que estou a dizer é que eu poderia pôr aqui a discografia inteira dos Pink Floyd e encerrava o assunto.

 

Contudo, ao contrário do que eu próprio estava à espera, para hoje não tenho nada senão pensamentos positivos e felizes, numa junção recente e coincidente de acontecimentos que me trazem alegria. Todos temos estes pequenos momentos separados temporalmente, mas para mim nunca são suficientes para me fazer pensar mais risonhamente. Uma ocasião feliz acaba por ser apenas mais uma braçada desesperada num oceano de amargura e nihilismo, para imediatamente me voltar a afogar.

Felizmente ou infelizmente, como desta vez vieram muitas bençãos ao mesmo tempo, sinto-me acima do nível da água e a respirar em pleno.

Por um dia que seja, não me importo nada de me sentir assim.

 

Celebremos, portanto. Kool & the Gang, com Hollywood Swinging, só mesmo porque não pode haver um estilo de música mais alegre do que o funk. Sem contar com músicas de Natal.

 

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publicado às 23:30


School

por Rei Bacalhau, em 09.09.18

Tem sido um ano estranho para mim, em que me coloquei numa demanda para melhoramento pessoal e comecei a tentar fazer coisas diferentes, numa tentativa ingénua de encontrar significado na minha vida. Faltava-me algo para o qual lutar, algo que me satisfizesse, algo que me desse a validação humana que todos de certa maneira necessitamos.

 

Um propósito.

 

Contudo, tenho tido algumas dificuldades em concretizar os meus desejos, e tenho aprendido e reflectido muito sobre mim.

A conclusão a que cheguei eventualmente é de que é um bocadinho parvo tentar sair extremamente da zona de conforto só para tentarmos satisfazer algo que pensamos ser a solução para os nossos problemas, e que no fundo poderá não dar em nada.

 

Fiquei sem saber o que fazer.

 

E então aconteceu. Um evento horrível cujas consequências se iriam repercutir meses depois em mim. A perdição de um homem poderá muito bem ser a salvação de um outro. pois eis-me por ventura num novo desafio, de volta ao último sítio onde me senti realmente humano e validado.

 

O Mestre deu o lugar ao Aprendiz. Esperemos que não em vão.

 

School, dos Supertramp:

 

 

P.S: a letra poderá parecer um bocadinho anti temática ao que escrevi (já que existe um tema por trás de todo o dramatismo do texto), mas prefiro tomar a mensagem dela como um aviso sobre o que não fazer.

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Inominável nº 15

por Rei Bacalhau, em 10.08.18

Olá!

 

Venho interromper as minhas férias do blog para divulgar à minha extensa hoste de leitores a minha participação na Revista Inominável, cujo novo número saiu precisamente agora. 

 

No meu artigo farei uma análise a um videojogo português recente chamado "Lots of Balls". Estejam à vontade para dar uma vista de olhos.

 

LINK

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publicado às 15:10


Working On a Dream

por Rei Bacalhau, em 07.07.18

Estamos todos, mesmo que não o queiramos admitir.

 

Bruce Springsteen, com Working On a Dream:

 

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publicado às 23:35


Son Of Mr Green Genes

por Rei Bacalhau, em 24.06.18

Sempre ouvi falar do Frank Zappa, mas nunca lhe prestei a devida atenção devido ao facto de que é preciso quebrar uma certa barreira para se começar a apreciar o artista.

Consequentemente, decidi finalmente lançar-me feito parvo para a discografia dele e fui ao Youtube e pesquisei simplesmente "frank zappa". Apareceu-me imediatamente uma coleção de três horas e meia de músicas dele. Tendo em conta que ele em vida editou dezenas e dezenas de álbuns, não é de surpeender que uma "selecção" dos temas dele seja mesmo assim relativamente longa.

Três horas e meia depois fiquei na dúvida de se o homem era insano ou um génio, mas agora sei que era simplesmente um músico que acreditava na sua liberdade artística para tocar da maneira que bem lhe apetecesse.

 

Eu gosto de músicas grandes. Acho que já o tenho dito de vez em quando. Ora, o Frank Zappa tem o hábito de fazer as suas composições bastante alargadas com secções instrumentais absurdas (e ele nem era grande fã de drogas, aparentemente, portanto toda a maluquice é dele mesmo).

 

Como os conteúdos líricos dele podem ser às vezes... "desconfortáveis para o público geral", digamos, decidi partilhar um tema instrumental que me agradou particularmente, mas ficais a saber que é apenas uma gota num oceano.

 

Frank Zappa, com Son Of Mr Green Genes:

 

 

Já agora, o álgum desta música, Hot Hats, foi extremamente pioneiro em termos técnicos e foi dos primeiros a utilizar novas tecnologias para fazer do estúdio um instrumento por si só, como "certas" bandas viriam a fazer daí a uns anos.

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Lookin' Out My Back Door

por Rei Bacalhau, em 17.06.18

Quando eu chego a casa do trabalho ou depois de ter estado muito tempo ao computador costumo ir para a janela da minha casa para olhar um bocadinho para o horizonte. É este um dos meus sítios predilectos para a actividade simples de pensar. Pensar no quê? Seja no que for, todo o tipo de pensamentos Bons, Maus... e Feios.

Falando em particular dos pensamentos Bons, é nestas alturas de reflexão profunda que me vêm à cabeça as ideias mais parvas e potencialmente humorísticas. Uma boa parte das minhas contribuições para a Revista Inominável foram arquitectadas naquela janela, pois a paisagem relativamente ociosa composta de blocos de cimento dá asas ao que nós poderíamos chamar de imaginação.

As aventuras de Ventura Lobo são um outro exemplo de parvoíces que me vieram à cabeça enquanto perscrutava (tenho sempre dificuldade em escrever este verbo) os confins urbanos.

 

É bom de vez em quando estar num estado de espírito alegre mesmo depois de um dia cansativo e chato. Às vezes, sem real razão aparente. Outras vezes porque fomos inspirados pela música certa.

 

Lookin' Out My Back Door, dos Creendence Clearwater Revival:

 

 

Bother me tomorrow, today I'll buy no sorrow

Doo, doo doo, lookin' out my back door...

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publicado às 22:55


A Visita

por Rei Bacalhau, em 10.06.18

Um homem estava sentado ao computador, a dar fim a mais um dia de existência. Ele digitou habilmente as últimas instruções e ordenou que o computador se desligasse.
- Ah, actualizações do Windows. Sim, vá, instala lá, até amanhã. - murmurou ele, personificando o dispositivo afetuosamente.
Saiu do escritório, apagou a luz e foi deitar-se enquanto o computador instalava furiosamente as actualizações do seu sistema operativo.
Não se ouvia nada mais senão o leve rumor das ventoinhas do aparelho.

- É agora, pessoal, 'bora! Au! Sim, já sei que não gostas de abreviaturas, está quieta! Despachemo-nos!

A aparente ausência de vida do escritório, aumentada pela escuridão e pelo silêncio relativo, era enganadora, pois ninguém pode saber o que acontece algures se lá não estiver alguém.
Das estantes repletas de obras literárias que preenchiam a parede setentrional começaram a surgir rumores e vultos e movimentos e discussões, todos minúsculos em comparação aos livros de onde se materializaram. Isto era conveniente, pois o espaço físico era limitado e todos os livros têm dezenas de personagens e rapidamente a multidão de pessoas, animais, máquinas sencientes e monstros vários de ficção ocuparam as estantes onde lhes era disponível.
Como seria de esperar, alguns conflitos e amizades acabariam por ocorrer entre tantas personalidades tão diferentes e tão iguais e tão contrastantes e tão coincidentes, todas acumuladas tão compactamente.


À volta de uma fogueira estavam dezenas de soldados, todos vestidos de formas diferentes e representantes de nações e facções distintas: alemães, espanhóis, americanos, franceses, portugueses, britânicos e tantos outros a partilhar as suas histórias de guerra, todas com tragédia, horror e dor, mas também com alegria, camaradaria e até humor. Ali não se estavam a matar, pois no fundo eram todos irmãos de armas.
Noutro local podia-se ver Papillon e Robison Crusoe a partilhar as suas aventuras um com o outro com respeito mútuo, já que ambos a certo ponto se encontraram em circunstãncias semelhantes, mas por razões e com desfechos completamente diferentes.
À volta de um cadáver estavam uma míriade de detectives e investigadores, discutindo entre eles vários factos e deduções sobre o acontecimento sem grande unanimidade. Sherlock Holmes, Hercule Poirot, Phillip Marlowe, Porto Brandão, entre muitos outros, debatiam-se mais ou menos dramaticamente consoante a sua personalidade sobre as suas conclusões e métodos de investigação.Mal sabiam eles que o assassino estava entre eles. Com excepção do próprio assassino. Esse sabia-o.
Sentados em sofás confortáveis e luxuosos estavam Edmond Dantès, Carlos da Maia e Pierre Bezukov, a partilhar entre si as várias tragédias que lhes haviam acontecido, apesar de cada um deles ser uma prova que até o pior dos dramas consegue ser sarado, seja por vontade própria ou não.
- A felicidade é relativa. - concluia um deles.

Eventualmente, um conjunto de forasteiros aproximou-se das estantes e dos livros. Haviam feito a longa travessia entre o computador e os móveis do outro lado do escritório. No fundo, apesar de não terem origem num livro, consideravam-se personagens de ficção tão válidos como qualquer outro, independentemente de o seu criador não lhes ter feito justiça narrativa de qualidade.

Os membros deste grupo olhavam em volta como se estivessem a entrar numa cidade desconhecida e no entanto tão familiar. Cada um deles via algo que os atraía.

- Couve, este passeio já está a demorar demasiado, não achas que é altura de atacar!? O flanco inimigo está enfraquecido!
- Com todo o respeito, meu General, devo afirmar que não estamos aqui por razões bélicas.
- Disparate, Cenoura, isso é o que um traidor diria! Diz-me, Curgete, és um traidor?
- Clarifico que não me considero um, meu General.
- Não, Abacate! Devias ter dito "Curgete, és um traidor" com tom interrogativo! Não sabes seguir ordens simples!? Eu nem sabia que te chamavas Curgete, ò Alface.
- Efectivamente, relembro como de costume que o meu nome é....
- Romã, olha ali um soldado! Deve ser o inimigo, vai lá apanhá-lo! Em frente! Atacar! MARCHE!
O ajudante de campo do General aparentemente louco aproximou-se de um homem de aspecto simpático e quase infantil, vestido num uniforme do império Austro-Húngaro.
- Boa noite cavalheiro, queira seguir-me. O meu General deseja que o leve à presença dele.
- Declaro com obediência que será com prazer que o seguirei.
O ajudante voltou com o soldado capturado, pronto para interrogatório.
- Quem és? Donde vens? Para onde vais!?
- Declaro com obediência que sou o soldado Švejk, venho de Praga e irei com todo o prazer para onde o meu ilustre General me enviar.
- Ah, seu traste, bandido, gabiru! Batata, que espécie de inimigo é este que capturaste?
- Relato que foi o meu General que me ordenou que o apanhasse.
- E porque é que ele fala de maneira estranha como tu!?
- Receio informar que não sei.
- E que raio de nome parvo é Švejk? Diz-me soldado, tu és parvo?
- Declaro com obediência, meu General, que sou efectivamente parvo.
- Eu já nem sei quem está a falar. Levar-vos-ei todos ao tribunal militar! Desertores! Traidores! Gabirus!

Entre a enumeração de vários insultos, o General e o seu ajudante de campo ficaram para trás, esquecidos pelo resto do grupo de recém-chegados.

Uma folha voou para o meio do grupo de visitantes. Um deles, um mais barbudo e de feições graves, apanhou a folha e leu de relance frases escritas à máquina sobre bêbados e sexo, numa linguagem real e honesta. Intrigado, separou-se do grupo e seguiu um rasto de folhas semelhantes até encontrar um homem sentado com uma máquina de escrever numa secretária.
- Isto é seu?
O homem, de aspecto desgastado e ressacado, tirou-lhe a folha da mão e leu brevemente.
- Sim, é.
- Tem aí linguagem forte. Não tem medo que os cabrões do politicamente correcto vejam isto?
- Não sei do que estás a falar, amigo. - respondeu despreocupadamente enquanto mamava uma cerveja. - Se alguém tiver problemas com o que escrevo podem ir para o caralho.
- Bom, a mim intrigou-me.
- Ah é? Olha, estou a escrever uma história sobre um preto canibal com uma piça enorme. Queres ler?
- Partilhas uma cerveja?
- Já só tenho vinho.
- Ainda melhor, serve uma rodada. Sou o Carlos.
- Estou-me a cagar para o teu nome. Senta-te.

A maior percentagem dos elementos restantes do grupo parou subitamente ao passarem defronte da fogueira rodeada de soldados. Pararam sob o comando do gesto de um deles, que aparentava ser o seu líder. Eram nove no total: o Chefe e mais Oito.
- Passa-se alguma coisa, Chefe?
- Não, Adérito, nada, queria só que vocês olhassem bem para uma cena algo comovente.
- Foda-se, Chefinho, não temos tempo para isto, o Inimigo anda por aí, de certeza.
- Calma, Pedro. Olhem bem para estes soldados todos, unidos sob a camaradagem da nossa profissão. Ali estarão muitos que no campo de batalha seriam inimigos, mas que aqui sabem respeitar-se mutuamente. Creio que poderíamos aprender muito deles. Proponho que nos juntemos a eles.
- Não é a falar que vamos libertar o nosso país, Chefinho... - queixou-se novamente Pedro.
Lucas, outro dos Oito, sem dizer nada, colocou a espingarda ao ombro e sentou-se num espaço disponível na fogueira e ficou a ouvir. Todos com excepção de Pedro, que se manteve afastado, seguiram-lhe o exemplo.
- Conas, todos eles... - murmurou ainda Pedro entre dentes.

Restavam quatro membros do grupo original. Cinco, se contássemos a égua que um deles montava. Seis, se contarmos com a espada que este último possuía.
Seguiam placidamente pelas estantes quando foram interrompidos pelo trovoar de cascos galopantes. Milhares de cavaleiros faziam os móveis tremer perante a sua aterradora marcha. O cavaleiro do grupo dos visitantes olhou embasbacado perante o que estava a ver. Milhares e milhares de personagens de livros de fantasia dirigiam-se em fromação para algum campo de batalha imaginário e longínquo.
- Os Rohirrim de Rohan! Os Dúnedain do Norte! Ah! Está ali o Conan, o Cimério! E mais atrás o Michael Kane, acompanhado do... Elric! Elric de Melniboné! Ah, mas eu tenho de ir atrás desta gente, vai ser certamente uma daquelas batalhas todas épicas como se vê nos filmes! Eia, Sara, minha fiel égua. Desembainhemos a espada Venceslau e esperemos que o nosso inimigo tenha pobres capacidades ortográficas para libertar o seu poder total!
O cavaleiro seguiu excitantemente a galope atrás do exército, deixando apenas uma nuvem de poeira imaginária.

Restavam três.

Iam os três em passo lânguido, dois deles à frente e o outro esquecido atrás.
- Verdadeiramente há aqui tanta gente que não conheço... - disse o Bom. - Pergunto-me se seria possível ler tantos livros em tempo útil.
- Só não lês porque não queres. - rematou o Mau. - O tempo que gastas com videojogos e vídeos no Youtube poderia ser mais bem dispendido aqui.
- Ah, essa agora, então, sê razoável, há que haver moderação em tudo, tem de haver um bocadinho de tempo para tudo.
- Limitei-me a responder à tua pergunta. Queres ler estes livros todos? Óptimo, mas tens de sacrificar alguma coisa.
- Lá estás tu, resmungão como sempre. Olha, queres ir ali à banda desenhada? Quero ver se vejo o Lucky Luke a fazer equipa com as Tartarugas Ninja, deve ser divertido.
- Hmm... creio que não. Sinto-me um bocado vazio sem o meu acesso ubíquo ao Wikipédia. Se calhar vou ver se encontro algo de interessante na zona das enciclopédias ou dos livros mais técnicos. Essa gente será certamente mais interessante do que ir ver o Astérix pela n-ésima vez.
- Ah, vá lá, desmancha prazeres, até parece que....

O Bom e o Mau continuaram a falar e a avançar estante fora. No entanto, o Feio, concentrado nos seus pensamentos, pouco ligava à actividade toda que decorria à sua volta. Olhou de relance para o meio do escritório, para longe de todas as atenções, para se tentar desligar da algazarra toda.


E então viu-o.


Ao longe, afastado de tudo e todos, a voar lá em cima e subitamente a cair a pique contra o chão para num gesto ágil subir de novo. Logo de seguida repetiu o processo, parecendo aumentar ligeiramente a sua velocidade por cada iteração.

O Feio sentou-se e ficou a observá-lo.

 

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publicado às 00:50


Legs

por Rei Bacalhau, em 03.06.18

Há certas bandas que nunca falham, mesmo naqueles dias de baixa inspiração para partilhar alguma coisa. 

 

ZZ Top, com Legs, num dos videoclipes mais confusos e divertidos de sempre, que junta todos os elementos típicos dos vídeos dos ZZ Top: os "Tres Hombres" a aparecer e desvanecer, o Eliminator (o carro), e várias míudas giras e magrinhas a fazer avançar o enredo, que involve sempre alguém que está em baixo e que depois fica na mó de cima.

 

 

Os anos 80 eram definitivamente mais simples.

 

Já agora, tenho quase a certeza que um dos "maus da fita" ao longo do videoclipe entrou também no "Profissão: Duro".

 

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publicado às 23:54


Inominável nº 14

por Rei Bacalhau, em 01.06.18

É precisamente num dia tão simbólico que nasce uma nova edição da Revista Inominável!

Quer dizer, na verdade foi um acaso que a primeira sexta-feira de Junho fosse por acaso no dia um. Ah e tal, mas as coincidências têm um significado muito profundo.

 

Bom, na coluna 2D3D, para além de fazer comentários pouco sensíveis, abordo um tema relacionado com videojogos que qualquer progenitor deveria ter em conta em relação aos seus infantes, especialmente se forem daquele tipo de pais que não consideram os miúdos simplesmente mais uma despesa.

 

Sem mais demoras, eis a hiperligação para a REVISTA em si e um outro para o BLOG da revista.

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publicado às 14:45


How Does It Feel

por Rei Bacalhau, em 27.05.18

Há alguns anos atrás escrevi um texto ao qual eu gostaria de fazer alusão. No entanto, é um texto que é prévio à criação deste blog e está consequentemente perdido, sendo-me impossível lembrar-me do que escrevi lá.

Sei, contudo, que fiz uma pergunta a mim próprio, na altura com uma música a acompanhar.

Basicamente, perguntei ao "eu" futuro, agora o "eu" presente, como me sentia tantos anos depois. A construção frásica é estranha, mas creio que compreendem o conceito.

 

Como me sinto? No fundo, sou quase a mesma pessoa, tanto a nível mental como a nível físico. Tive alguns progressos académicos e profissionais, apesar de toda a gente que eu conheço detestar o emprego que eu tenho e de eu detestar o emprego que toda a gente queria que eu tivesse. Nisso, acho que o "eu" passado teria ficado contente, por não ter sido corrompido pelas maquiavélicas mentiras das empresas de consultoria.

 

A nível pessoal, o "eu" passado ficaria de rastos ao saber do percurso que a nossa vida tomou para me levar a decidir tornar num mal-afamado lobo solitário. Apesar do tom melodramático da expressão fazer com as pessoas não a levem a sério (e é evidente que eu não me classifico publicamente como tal), a aparente submissão a este estilo de vida levou a que me tornasse muito mais despreocupado no meu dia-a-dia, por saber que já não tenho de impressionar ninguém e que há certos eventos sociais que posso escolher não fazer porque as pessoas já sabem que "ele é simplesmente assim".

Adicionalmente, com a actual implementação da Reforma, estou lentamente a habituar-me a ser e a existir sozinho, se bem que ainda há muito para fazer.

 

Aprendi imenso. Mesmo sendo uma pessoa pouco activa, é impressionante o quanto se consegue aprender sobre tantos aspectos da vida em relativamente pouco tempo. Muitas das lições foram difíceis, especialmente em termos de amor (aliás, chamemos-lhe romance) e de identidade pessoal. Tenho agora uma perspectiva mais triste e mais sábia da minha vida, mas admito que ainda me faltam limar umas arestas.

De qualquer forma, existirão sempre arestas a limar. A vida é mesmo assim. Existirão sempre novos problemas e novos ensinamentos e posso apenas esperar que a experiência me permita lidar convenientemente com eles.

 

Apesar de não notar demasiadas diferenças em mim, o mesmo não posso dizer naqueles que estão à minha volta. Noto que estão a ficar gordos, velhos, queixosos, fracos, doentes e alguns até moribundos. Sinto em particular uma pessoa muito próxima de mim a perder as forças de dia para dia, apesar dos meus maiores esforços para a manter saudável.

Creio que nos próximos anos o meu maior desafio será tentar balançar as minhas responsabilidades para com os que me são próximos com a minha responsabilidade egoísta de também me melhorar.

 

É caso para perguntar-me de novo, ao "eu" de aqui a muitos anos.

E agora? Como te sentes?

 

Para reflectir sobre o assunto, partilharei a mesma música brilhante e fenomenalmente composta que partilhei da primeira vez, em tempos esquecidos.

 

Os Slade, com How Does It Feel:

 

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publicado às 23:50



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