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She's Always a Woman

por Rei Bacalhau, em 14.04.19

Como tantos artistas provenientes dos anos 70, o Billy Joel é para mim um daqueles que "dou como garantido", por assim dizer, e nunca me dei ao trabalho de explorar a sua obra.

É daqueles que eu pensava que bastava o que eu ouvia na rádio (quando ainda havia uma rádio que desse músicas desse tempo) para me imaginar conhecedor da sua obra.

Pus-me a ouvir algumas músicas dele este fim de semana e parei numa em específico, um perfeito exemplo do porquê de eu achar os anos 70 a década perfeita para a Música.

 

Billy Joel, com She's Always a Woman:

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publicado às 23:02


Anno 1800

por Rei Bacalhau, em 14.04.19

Apesar de eu ter sempre jogado uma grande variedade de géneros de videojogos, recentemente tenho tido menos paciência para títulos predominantemente de acção e tenho preferido gastar o meu tempo com os de estratégia e simulação.

Infelizmente, este género tem tido pouca oferta decente desde a sua época de ouro nos anos 90. Como tal é sempre com algum burburinho que se celebra o aparecimento de um novo videojogo deste tipo.

Foi quase por acaso que soube que o videjogo Anno 1800, que está prestes a sair, esteve em "open beta" durante este fim de semana e decidi experimentá-lo ("open beta" quer dizer que é uma versão temporária, experimental e limitada do jogo que é também tipicamente grátis).

A série de videjogos Anno já anda por aí há algum tempo mas esta foi a primeira vez que joguei qualquer um dos seus títulos, o que é uma pena porque tenho sempre ouvido que é uma saga bastante apreciada pelos fãs, e pelo pouco que joguei ontem consigo compreender porquê.

Nesta versão o objectivo é construir um império naval num conjunto de ilhas e garantir a prosperidade dos nossos habitantes espalhados por classes sociais diferentes, fornecendo-lhes necessidades básicas e produtos de luxo. Ambos vêm de linhas de produção que começam no trabalho do pobre lavrador até chegar às mãos de um artesão. Uma grande parte do videjogo é a gestão da mão de obra e da produção na ilha inteira de modo a que todos estejam satisfeitos.

Não posso falar muito mais porque não consegui chegar às mecânicas mais avançadas de diplomacia, comércio e guerra, mas por agora talvez um vídeo seja mais elucidador:

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publicado às 18:00


Bridge Over Troubled Water

por Rei Bacalhau, em 07.04.19

Não me considero uma pessoa boa nos termos gerais que tipicamente achamos que uma pessoa boa é. Não sou filantropo ao ponto de gostar de toda a gente e de consequentemente ser simpático e prestável na mesma proporção.

No entanto, de forma inconsistente com o que acabei de dizer, tenho vindo a descobrir ao longo dos anos que tenho um talento para ser brutalmente fiel a um conjunto muito restrito de pessoas que considero mais chegadas, muitas vezes sem real necessidade.

Não tenho uma explicação psicológica ou emocional para este meu comportamento. Tanto pode ter sido a educação católica que tive, ou o tratamento a que fui submetido nos anos piores da adolescência ou pode mesmo ser simplesmente curto circuito cerebral. No fundo, não interessa.

O que me interessa é que qualquer pessoa que tenha a minha confiança e amizade tê-las-ão para sempre, mesmo que eu não o pareça demonstrar.

Outrossim, eu sei não ser chato e habituei-me a estar no meu cantinho até os meus serviços serem necessários, desde que o que me pedirem esteja razoavelmente dentro das minhas capacidades.

Contudo, para confundir ainda mais, existem alguns casos em que sou mais proactivo na garantia de bem-estar de alguém que me seja querido, especialmente se eu vir que essas pessoas são como eu e nunca pedem ajuda para nada.

Já tenho dito que é egoísta da minha parte tirar prazer em ajudar os outros, o que é uma lógica um bocado estranha (a meu ver, se alguém precisa de ajuda supostamente seria mau sinal, mas se não precisarem eu não posso ajudar e não posso tirar satisfação pessoal disso, portanto, egoisticamente, é bom para mim que outros estejam numa posição em que precisem de ajuda; uma espécie de psicopata inconsistente).

 

Se eu vir que alguém já passou o pior de uma certa parte da sua vida, poderei afastar-me com gradualidade e segurança, sabendo que talvez tenha feito o possível para tornar a sua vida só ligeiramente mais fácil, como se eu fosse uma espécie de ponte.

 

Simon and Garfunkel, com Bridge Over Trouble Water:

 

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publicado às 00:30


Deutschland

por Rei Bacalhau, em 31.03.19

Não posso dizer que seja musicalmente contemporâneo à minha faixa etária e como tal não ligo muito às novidades da música nos dias de hoje.

No entanto, o Youtube decidiu sugerir-me um tema acabadinho de fazer por uma banda que se calhar ainda se considera actual: os Rammstein.

Eu tipicamente tenho um problema com músicas cuja letra não consigo perceber, e como o alemão nunca foi o meu forte, nunca consegui ouvir muito esta banda, apesar de não desgostar dela instrumentalmente. Lá uma vez por outra via um ou outro vídeo no Youtube deles, nem que seja pelo jeito que eles têm em fazer vídeos "engraçados".

 

O tema mais recente deles chama-se então simplesmente Deutschland, e à primeira vista (e usarem aquele tipo de letra alemão/gótico tão típico não ajuda muito) saltam logo imensas bandeiras vermelhas sobre... "nacionalismo".

Felizmente a ideia que tiro da música e do vídeo que a acompanha é precisamente o contrário. É um tema que aparentemente, do pouco que percebo, percorre a Alemanha (ou a região que hoje conhecemos com esse nome) ao longo dos séculos e a sua história bastante marcada por períodos muito negros, predominantemente causados por razões religiosas (a Guerra dos Trinta Anos, o Holocausto, etc.) e políticas (ena, comunismo!).

É evidente que não se percebe isso da letra em si, mas sim do vídeo, que, diga-se desde já, não é para todos. Tem imagens bastante perturbadoras cheias de todo o tipo de simbolismos e referências talvez ainda hoje difíceis de digerir.

Dito isso, houve certamente muita coisa que me passou ao lado, para já porque não sou alemão e também porque não sei o suficiente da história e da cultura deles para poder fazê-lo.

 

Seja como for, não desgostei do tema nem da produção do vídeo, e creio que haverá pessoal nas Internets à porrada ao discutir o significado de cada pormenorzinho.

 

Rammstein, com Deutschland:

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publicado às 00:30


O Rei Bacalhau no Youtube

por Rei Bacalhau, em 10.03.19

Eu sempre fui fã de videojogos. Posso dizer confortavelmente que é o passatempo em que mais tempo gastei ao longo da minha vida. Se isto me beneficiou ou não, não sei, e prefiro nem saber.

 

No entanto, a vida vai correndo e vamos ficando com menos tempo ou paciência para fazermos seja o que for e tipicamente adaptamos os nossos passatempos ao que a nossa vida permite. Com a explosão da indústria dos videojogos nos últimos 20 anos e com a redução de tempo torna-se impossível manter-mo-nos a par de todos os videojogos. Igualmente, alguns dos reflexos e capacidades mentais necessárias para jogá-los tornam-se mais fracos (ou inexistentes) depois de um dia longo de trabalho.

Uma opção possível é ver outra pessoa a jogar por nós. Se isto vos parece absurdo, relembro que o nosso país é viciado em ver futebol, e não necessariamente a jogá-lo.

Para mim a plataforma que sempre funcionou bem para esse tipo de coisas é o Youtube. Há pessoal que tem muito tempo e faz séries deles próprios a jogar videojogos. Muitos fazem disto a sua vida profissional, através de rendimentos de anúncios do Youtube ou de doações directas por parte de espectadores.

Cada criador de conteúdos (vulgo: "Youtuber") deste género tem o seu próprio estilo, formato e público alvo em mente ao criarem os seus vídeos. Por exemplo, quem faz isto por dinheiro tenta apontar para o público-alvo mais jovem, pois é o maior em termos de visualizações, significando que têm de adaptar o seu vocabulário para não ferir susceptibilidades e tal.

Devido à dimensão do nosso país, não se pode dizer que tenhamos muitos criadores deste tipo, mas os que temos tipicamente estão-se nas tintas para o público alvo mais adulto que quer simplesmente chegar a casa no final de um dia e relaxar um bocadinho. Compreendo isso, claro que sim, mas parece-me óbvio que existe uma lacuna que ainda poucos se deram ao trabalho de preencher.

 

Bom, mais ou menos.

 

Há pouco mais de um ano estava à procura de um passatempo novo. Algo no qual conseguisse concentrar as minhas horas livres. Algo em que eu pudesse ser constructivo para com os outros em vez de destructivo para comigo próprio. É verdade que eu poderia ter investido mais tempo na escrita, por exemplo, mas sofro de crises de inspiração, e não gosto de me forçar a escrever, porque depois não sai nada de jeito.

Então eu ia vendo canais de Youtube sobre videjogos que me interessavam e a certo momento pensei:

"O quão difícil seria eu próprio fazer uma coisa destas?"

Investiguei durante uns tempos a ideia, reunindo as informações que me levariam a concluir sobre a exequibilidade de um tal projecto (ainda por cima na altura a Revista Inominável ainda não tinha acabado e pensei que até seria um artigo engraçado para contar a experiência). Contudo, depois reflecti um bocadinho e apercebi-me que se calhar já algum tuga tinha tido a mesma ideia, e se calhar mais valeria apoiar alguém que tivesse um projecto parecido ao meu do que estar a competir com ele.

Foi aí que descobri que o panorama dos Youtubers portugueses era um bocadinho fraquinho. Os canais grandalhões tinham acabado por abandonar o mundo dos videojogos para se tornarem "vloggers". Os canais pequeninos acabam quase todos por desistir depois de algum tempo. O único que se mantém estoicamente no activo depois de muito tempo é um tal Double F Games, que se concentra quase unicamente na saga de videojogos de Total War (e tem imenso mérito por isso).

Pareceu-me evidente que estavam reunidas todas as condições para ser eu a ajudar a preencher esta lacuna de conteúdos criados em português, para portugueses.

No entanto, não quis dar a impressão de que estava a fazer as coisas um bocado à balda. Reflecti que precisaria de refinar o meu processo e determinar se conseguiria criar conteúdos com qualidade suficiente para o objectivo que eu tinha em mente. Adicionalmente, queria determinar se era possível crescer o canal de forma natural só através de títulos e tags relevantes nos vídeos.

 

Fiz isto durante um ano.

 

Testei vários microfones, aprendi ou melhorei os meus conhecimentos em ferramentas de edição de imagem, aúdio e vídeo (tudo com software gratuito) e organizei todo o processo, desde a gravação do vídeo, o pós processamento do vídeo e áudio, a criação de miniaturas para os vídeos e a escrita de títulos e descrições politicamente incorrectas (na maioria das vezes), mas supostamente engraçadas.

E essa é a história de como de repente o Rei Bacalhau se tornou um criador de conteúdos com o seu próprio cantinho no Youtube, tal como tenho o meu próprio cantinho sossegado aqui nos blogues.

 

É evidente que não tenho muitos seguidores ou visualizações, mas também não preciso delas. Faço isto principalmente por mim e creio ter sido uma boa solução de como posso usar os videojogos para ser criativo em vez de apático.

Não tenho os anúncios activados no canal, e portanto não ganho um cêntimo de tudo isto que faço, e isso é-me perfeitamente aceitável. Posso falar do que quiser no comentário que faço nos vídeos, sendo que muitas vezes tento forçar piadas com humor mais negro ou sarcástico, já que o meu público alvo não são os jovens pequeninos, mas sim o pessoal mais da minha idade que consegue perceber referências a elementos culturais dos anos 80 e 90 e que terá inteligência para perceber que aquela ou outra piada sobre pretos ou brancos não é para ser levada a sério. Eu tento não usar muita vulgaridade no comentário falado, não porque não queria ofender alguém, mas porque acho que uma asneira tem um impacto muito mais forte quando é raramente usada.

Não há nada que me irrite mais no canais de Youtube do que os criadores estarem sempre a exortar o pessoal a fazer "gosto" ou a subscrever ao canal ou a partillharem vídeos e tal. Somos todos maiores e vacinados, e só faz isso quem realmente quer, creio eu, não é preciso estar sempre a relembrar. E portanto não o faço.

 

Então mas por que carga de água é que estou a falar disto aqui? Bom, pensei que faria sentido começar a meter aqui umas ligações ao canal sempre que eu começar uma série nova, ou sempre que lançar um vídeo mais importante ou xpto. Como as séries que faço podem chegar a ter uns 20 episódios de 30 minutos cada espalhados ao longo de várias semanas ou meses, também não será muito frequente que coloque aqui referências ao canal.

Seja como for, é só para avisar.

Eis então o vídeo de apresentação do meu canal, a partir do qual conseguem aceder ao canal em si:

 

Como não poderia deixar de ser, tenho de acompanhar o texto com alguma música. Felizmente, há coisa de meia dúzia de dias, um canal de Youtube chamado The 8-Bit Big Band publicou um vídeo da música do Tetris tocado por uma Big Band num estilo mais conteporrâneo. É o exemplo perfeito de como no Youtube pode haver um nicho de interesse para tudo.

 

Eis então The 8-Bit Big Band, com a gloriosa música do Tetris fundida com outras canções e melodias tipicamente associadas à Rússia:

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publicado às 21:50


Telegram

por Rei Bacalhau, em 24.02.19

Apesar de toda a glória da ribalta, a vida de uma superestrela de rock & roll não deve ser fácil. Sim, tudo bem, dinheiro, drogas, gajas e egos inchados, tudo isso é giro, mas e o que acontece no meio?

Todas as viagens incessantes e vidas a correr entre hotéis e eventos públicos e concertos. Todos os problemas logísticos de se transportar equipamento e pessoas de um lado para o outro. Todo aquele caos de luzes e sons ensurdecedores durante dias e dias a fio.

Acho que não seria para mim, mas os Nazareth não se importavam demasiado. Quer dizer, importavam-se um bocadinho, mas não o suficiente para os impedir de correr meio mundo durante tanto tempo. Daí surgiu provavelmente a inspiração para o tema Telegram, que conta da forma típica dos Nazareth um episódio relativamente corriqueiro do seu estilo de vida enquanto banda, descrevendo coisas como problemas na alfândega ou um pequeno almoço paeticularmente horrível.

Claro que não seria uma música dos Nazareth se não houvesse referências ou versões de músicas de outros artistas, e neste caso eles tocam uma versão da música So You Want To Be A Rock 'n' Roll Star dos Byrds. Adicionalmente ouve-se tenuamente um excerto do tema This Flight Tonight, tocado pelos próprios Nazareth, apesar de este tema em específico ser uma versão de uma música de uma tal Joni Mitchell.

Acho que seria preciso um diagrama para se compreender bem.

 

Os inimitáveis (mas às vezes pouco originais) Nazareth, com Telegram:

 

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publicado às 21:52


Salisbury

por Rei Bacalhau, em 17.02.19

Eu gosto de músicas grandes.

E gosto de tanques.

 

A vossa pergunta será, "como é que num raio é que ele irá associar estes dois conceitos tão aparentemente díspares?". Compreendo a pergunta, e admito que não me é muito fácil misturar os dois, mas cá me arranjarei.

 

Eu gosto de tanques não pela função que têm de desempenhar nas piores das possibilidades, mas por toda a técnica, engenharia, experiência e história necessária para a criação de um, sendo que todos os pormenores são importantes para o bom funcionamento de um no campo de batalha.

Ao longo da história os engenheiros e técnicos de várias nações tiveram de resolver problemas e criar inovações para chegar a um determinado objectivo para um modelo de um tanque. Pode fazer-se um tanque que seja impenetrável por todo o tipo de munições, mas isso aumenta-lhe o peso o que implica que têm de ter motores extremamente poderosos e gulosos, o que pode meter uma adicional preocupação logística numa nação que tenha poucos recursos. Para além disso, as pontes que o tanque irá usar provavelmente não aguentarão um tanque de 50 ou 60 toneladas, portanto alguns até têm de ser construídos de modo a atravessarem rios "a nado" em vez de se arriscarem numa ponte (usavam/usam uma espécie de máscara de mergulho, ou snorkel).

eis o que me parece ser um Tiger (PzKpfw VI) com um snorkel

 

Felizmente, como em tudo, existem fontes de informação convenientes para o leigo comum neste tipo de assuntos. O Museu de Tanques de Bovington tem um canal no Youtube chamado, muito apropriadamente, The Tank Museum, onde fazem vídeos sobre os variados tanques em exposição e os que estão em armazém, maioritariamente britânicos.

É possível aprender muito sobre história e psicologia com as experiências às vezes parvas que o pessoal na altura tinha. Digo psicologia porque muitos dos tanques apresentados vêm do desejo de indivíduos de meterem à força uma ideia qualquer em prática, mesmo que à partida pareça, à falta de melhor palavra, estúpida.

No entanto, uma das maiores atracções do museu não é um tanque, mas sim um humano. No canal do Youtube costuma aparecer um senhor já velhote chamado David Fletcher, e é especialista em duas coisas: tanques e comentários sarcásticos à britânica. Ele tem um aspecto desde já bastante característico (com um bigode que lhe tapa completamente a boca, o que lhe dá um ar bastante cómico), mas qualquer fã terá o maior respeito pelo senhor já que ele consegue manter-nos presos à história do tanque com o seu aspecto ligeiramente louco e o constante sardonismo.

Há quem o chame, e eu concordo, o David Attenborough dos tanques.

Eis o certamente afável David Fletcher, com um video exemplar da sua personalidade:

 

 

Voltemos ao início, o que é que num raio é que isto tem a ver com músicas grandes? Bom... nada. Ou não ainda.

No início dos anos 70, a época de ouro do rock progressivo/sinfónico os Uriah Heep lançaram o álbum Salisbury, cujo tema epónimo tem a duração de uns 16 minutos. Ora, Salisbury, tanto quanto sei, é o local na Inglaterra usado pelo exército para fazer exercícios e tal. Por alguma razão, a capa do álbum tem um tanque Chieftain em grande plano, rodeado de fumo. Contudo, a música em si não tem absolutamente nada a ver com nada disto, o que me deixa a perguntar que drogas teriam eles tomado quando tomaram essa decisão.

 

Eu por mim não me importo. Pelo menos deu-me um pretexto para falar de tanques! Confesso que é um sonho meu poder guiar um, só mesmo pela descarga de adrenalina e machismo que deve ser. É certo e sabido que todos os homens gostam de máquinas grandes, e quanto mais poluidoras melhor.

Eis então um outro vídeo do museu, a falar do tanque anteriormente referido, desta vez apresentado por David Willey:

 

E finalmente, para acabar, o épico tema Salisbury, dos Uriah Heep:

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publicado às 23:59


Bruno Ganz (1941-2019) e as paródias do Hitler

por Rei Bacalhau, em 16.02.19

Bruno quem? E quem é esse Hitler?

Se não conhecerem nenhum destes nomes vou assumir que vocês vivem num universo alternativo onde a Alemanha ganhou a primeira mundial.

Se conhecerem pelo menos o segundo, acho que poderão continuar a ler confortavelmente.

 

Em 2004 foi lançado o filme "A Queda" (Der Untergang no idioma original). É um filme histórico sobre as últimas horas da vida de Adolf Hitler, acocorado no seu bunker debaixo da chancelaria em Berlim, sob o fogo crescentemente intenso e ominoso dos soviéticos.

Há uma cena formidável e extremamente dramática no filme em que Hitler é informado de que um ataque por ele ordenado, que segundo ele salvaria Berlim, não pôde ser executado. O estúpido do General Felix Steiner decidiu, por estar numa desvantagem numérica meramente de 10 para 1, que o ataque ordenado não poderia ser concretizado.

Hitler, que não estava assim tão habituado a que as suas ordens não fossem rigidamente desobedecidas, passou-se e começou a barafustar com toda a gente, num desempenho absolutamente verosímil por parte de Bruno Ganz, o actor que o interpretou.

(liguem as legendas no leitor do Youtube)

O Youtube ainda não existia, mas a partir do momento em que o pessoal percebeu que poderia editar vídeos e colocar novas... digamos "perspectivas" sobre algum conteúdo original, começaram a aparecer vídeos a gozar com esta cena em específico, tanto pelo dramatismo quase exagerado da cena como pelo facto de ser falada em alemão, que é uma língua que ninguém percebe.

Nasceram assim as paródias do Hitler, em que gente com muito tempo nas mãos pegou nalgumas cenas do filme e adicionaram legendas parvas consoante a actualidade ou sobre outra coisa qualquer.

Para perceberem o conceito, eis um vídeo em que o Hitler descobre que foi banido da sua conta da XBox:

 

Também há em português:

 

E há outras cenas no filme com as quais se podem gozar:

 

Existem centenas destes vídeos, e há inclusivamente canais totalmente dedicados a fazer paródias novas, num esforço algo desnecessário de manter a piada viva.

 

Infelizmente, soube hoje da notícia do falecimento de Bruno Ganz, com 77 anos, um actor que dá vida à terrível personagem histórica que foi o Hitler (mas este gostava de animais pelo menos; costumo dizer que ele hoje seria do PAN, tanto que eu agora chamo-lhes Pessoas Animais e Nazis).

Não sei até que ponto é que ele percebia ser o foco desta piada, mas de certa maneira é um elogio à sua capacidade dramática, pois um desempenho de outro qualquer talvez não tivesse marcado um impacto tão grande ao ponto de pessoas de 15 anos começarem a fazer filmes com legendas parvas na Internet.

Aufwiedersehen, Bruno, e obrigado.

 

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publicado às 19:41


It's Only Love Doing Its Thing

por Rei Bacalhau, em 10.02.19

Ah sim... o Amor.

 

Estive a verificar e há já muito muito tempo que não escrevo aqui sobre este assunto, do Amor. Neste caso o conjugal ou de teor romântico. Aquele mais relevante na época do dia dos Namorados. Justifico a omissão consciente deste assunto pelo meu crescente compromisso interno de não escrever sobre coisas sobre as quais não sei nada ou muito pouco.

No entanto... estive a pensar.

Não será que a minha distância do assunto me permitiria falar pelo menos um bocadinho sobre Amor? A verdade é que um mero observador consegue mesmo assim aprender muito através da grande quantidade de experiências alheias a que está exposto no dia-a-dia. E não estou a falar de observação de comédias românticas de Hollywood ou novelas de argumento medíocre da TVI. Estou sim a falar de experiências reais e humanas que noto imparcialmente nas vidas dos outros.

Desde o simples e nervoso agarrar de mãos de um casal recente de adolescentes à discussão mesquinha entre um casal mais experiente sobre o correcto funcionamento do rádio do carro, percebo que todas as interacções de Amor circulam à volta da (re)descoberta, compreensão e adaptação de um dos cônjuges às parvoíces e idiossincrasias do outro. Bem vistas as coisas, determino que a meu ver é tão simples quanto isso. Suponho que no nosso processo de selecção uma das perguntas subconscientes que nos fazemos é "aprecio suficientemente as qualidades desta pessoa ao ponto de tolerar esta ou aqueloutra mania particularmente irritante dele/dela?", e enquanto a resposta for "sim", a coisa vai andando.

Claro que as qualidades de uma pessoa variarão conforme a percepção de observadores diferentes, e por isso é que parece haver pessoas santas que aguentam com alguém que supostamente deveria ser uma peste e surgem as perguntas no meio de mexericos tais como "não percebo o que é que ele/ela vê naquela pessoa".

"Uau, surpresa, o ser humano é subjectivo e invariavelmente parvo e tal. Grande descoberta.", pensais vós, com alguma razão.

Em minha defesa perante tais factos absurdamente óbvios como os que descrevi acima, devo dizer que estou só a escrever isto como exercício mental. No fundo sei que já quase toda a gente chegou à mesma conclusão, mas gosto de pensar que um dia, um jovem ingénuo encontrará este texto específico e aprenderá com ele uma grande lição e já estará mais bem preparado para quando a altura certa vier não mandar vir tanto com a sua cara metade por causa do rádio. Tudo bem que ela não perceba peva daquilo, mas talvez ela a mexer deseperadamente com os botões a tentar sintonizar a porcaria da M80 seja até divertido para nós, mesmo que ligeiramente irritante (já que o rádio está em modo USB, mas de nada vale tentar explicar isso).

Isso sim é Amor! Obter prazer das pequenas parvoíces e, mais dificilmente, dos grandes defeitos. Saber que mais ninguém no mundo aguentaria aquela pessoa num contexto do dia-a-dia, e vice-versa.

Saber que ambos se pertencem e se completam.

E sim, nisto até estou a incluir as pessoas que levam porrada dos cônjuges. É triste, mas também conta para o que quero dizer. Mas não nos lembremos disso.

 

Resumindo e concluindo, como o grande filósofo uma vez disse: "não sou esperto, mas sei o que é o Amor".

 

Ou pelo menos acho que sim. Mesmo que não saiba, foi engraçado escrever isto, para variar um bocadinho.

 

Aflige-me pensar que existam pessoas por aí a tentar celebrar o dia dos Namorados sem uma banda sonora adequada. Digo que me aflige porque a arte de se fazer uma boa música de amor é algo que se tem vindo a perder (diz o gajo que não ouve música conteporânea e não pode consequentemente ter base argumentantiva para fazer tal afirmação). Apesar de não poder dizer que exista uma fórmula explícita para se conseguir compor um bom tema romântico, identifiquei assim de cabeça dois factores que podem contribuir:

  1. uma boa letra;
  2. Barry White.

Hoje vou escolher a segunda opção. Eis o mestre, a Morsa do Amor, Barry White, com o tema It's Only Love Doing Its Thing, até porque dizem que a natalidade está em baixo. Marcelo, podes telefonar daqui a nove meses a agradecer.

 

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publicado às 01:00


American Pie

por Rei Bacalhau, em 03.02.19

Fez hoje 60 anos que morreu o Buddy Holly num acidente de aviação. Quer dizer, morreram outros dois músicos e ainda outras pessoas, mas o Buddy Holly é que interessava, porque era a super-estrela do momento.

Pessoalmente, o estilo musical do homem não é bem a minha cena, e só há uns anos é que percebi porque é que ele era tão importante. Não é que ele fosse um músico por aí além (ele morreu com 22 anos, o que não é tempo suficiente para se ser bom em seja o que for), mas os especialistas dizem que ele colocou as primeiras lajes sobre as quais a geração contemporânea pôde construir imediatamente a seguir uma nova direcção musical.

Para poucos a morte do Buddy Holly terá sido tão marcante como para um rapaz dos seus 15 anos, chamado Don McLean, que seria provavelmente um fã tão grande como qualquer outro do falecido artista.

Este rapaz foi crescendo e ao longo da década de 60 foi vendo e aprendendo as mudanças na indústria e nos artistas que a compunham, tanto para o melhor como o pior. Em 1971, provavelmente frustrado ao ver o que a música se havia tornado ao longo do tempo, de algo puro e entretenedor para algo globalmente e brutalmente comercial e activista, escreveu a sua magnum opus, American Pie, cheia de metáforas, eufemismos e simbolismos, imortalizando o dia de hoje como o dia em que a música morreu (há 60 anos).

Repito, não é que o Buddy Holly fosse um artista por aí além, mas o impacto que a morte dele teve permitiu uma geração inteira ir em direcções semelhantes e permitiu a uma só pessoa escrever uma epopeia que implicou que ele nunca mais teria de trabalhar na vida se quisesse, como o próprio Don McLean afirmou.

 

É das músicas a que faço mais referência neste blog por ter um tamanho simbolismo e relevância para mim, por achar que eu também penso que o melhor da Música já passou, apesar ser um pensamento completamente errado. Uma falsa perda de inocência, ou pelo menos mais falsa do que a música invoca.

 

Mais uma vez, Don McLean, com American Pie:

 

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publicado às 23:45



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