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por Rei Bacalhau, em 11.11.18

Há exactamente 100 anos acabou na prática a Primeira Guerra Mundial.

 

Localizados no tempo, podemos dizer que Henry Gunther foi parvo o suficiente para se deixar matar há 30 segundos.

 

E então à décima primeira hora do décimo primeiro dia do décimo primeiro mês entrou em vigor o armistício que acabou as hostilidades da guerra mais sangrenta de sempre até à altura. Já tinham existido outras guerras mundiais anteriormente (vem-me sempre à mente a Guerra dos Sete Anos, em que tivemos uma participação maior), mas esta foi aquela que mais impressão causou às pessoas para realmente ser considerada Mundial, estabelecendo bem e justamente a escala do conflito.

Esta foi uma guerra que juntou dois factores muito perigosos e mortíferos: uma escala imensa de potencial e tecnologia destrutivos e um ror de comandantes de velha guarda obsoletos. Estes comandantes recusaram-se a ver que a natureza dos conflitos bélicos tinha mudado nas poucas décadas que antecederam a Grande Guerra e igualmente recusaram-se a adaptar, enviando em muitos cenários centenas de milhares de homens para matadouros inexplicáveis.

Haig, Foch, Hötzendorf, Falkenhayn, Cadorna, Ludendorf e tantos outros, homens fracos a dirigir gerações inteiras dos seus compatriotas para matanças industrializadas.

 

Consegui seguir os últimos dois anos da Guerra semana a semana através do canal de Youtube The Great War, e aprendi a ter um certo desdém pela classe militar e uma imensa compaixão (mas não necessariamente respeito) pelo pobre e reles magala que tinha de levar com lama e morte todos os dias.

Digo que não tenho respeito pelos soldados porque a mim parece-me que se todos se recusassem a obedecer a ordens (como aconteceu famosamente no exército francês) os comandantes talvez tivessem de pensar no absurdo que era o que estavam a fazer.

Compreendo que o que estou a dizer é profundamente estúpido (por razões mais ou menos óbvias), mas na Primeira Guerra Mundial o que é que não é?

 

Os Metallica têm uma música chamada One que conta a história de um soldado na Primeira Guerra Mundial que foi atingido por uma explosão e perde todos os membros e todos os sentidos e todas as formas de comunicação. Apesar de ser mantido vivo, ele está só no seu mundo.

 

Creio no entanto, que esse tema não faria justiça aos heróis da Grande Guerra, pois fala apenas de um soldado.

E não dos milhões de descartáveis.

 

Disposable Heroes, dos Metallica:

 

 

 

 

 

"This is not a peace. It is an armistice for twenty years"

- Ferdinand Foch, 1919

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publicado às 11:00


1 comentário

De José da Xã a 12.11.2018 às 12:29

Os soldados foram e serão sempre "carne para canhão".
Lamentavelmente.

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