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O Bom

por Rei Bacalhau, em 10.10.13

Num campo tão inexplorado como a mente humana é razoável pensar que ainda existe espaço para formular teorias sobre a organização mental. Pelo menos é isso que digo a mim próprio como desculpa para escrever tamanha parvoíce, como verificarão.

 

Eis a minha teoria:

 

A mente humana divide-se em três "sujeitos", e será assim que os irei tratar, como sub-pessoas. Eles interagem entre si e consoante as circunstâncias ambientais um poderá ser mais predominante que os outros, ou dois deles podem aliar-se contra o restante. No fundo, o objectivo de cada um é tentar assumir o controlo do corpo e tomar as decisões. Uma pessoa normal nunca existirá sem os três, pois aí ficaria descontrolada, guiada pelos desejos/ambições/medos imediatos do controlador mestre. São a essas pessoas que costumamos coloquialmente chamar de "malucos".

 

Já poderão ter adivinhado que os três sujeitos de que falo são o nosso lado Bom, o Mau e o Feio.

 

Note-se, no entanto, que estes três lados da nossa mente não são iguais para todos. As suas características são muito diferentes de pessoa para pessoa. Cada lado tem a sua própria personalidade, o que me levou a tratar cada um deles como pessoas efectivamente.  

 

Gostaria que fizessem um teste. Pensem numa pessoa qualquer, preferivelmente alguém que conheçam bem. Tentem identificar nessa pessoa a sub-pessoa Boa. O que é que ela faz de diferente? Como se comporta? Que características fazem dela Boa? Agora pensem no lado Mau dessa pessoa e repitam as perguntas... 

 

Agora pensem no lado Feio. Complicado, talvez? O que é que eu quero dizer com Feio? Eu explicarei isso melhor depois.

 

Hoje vou-me focar no Bom.

 

 

Por omissão, o lado Bom é aquele que está mais activo em mais pessoas, especialmente em ocasiões sociais. A nossa tendência para o conformismo, para a necessidade de aceitação social, despejada em nós desde crianças, implica que achemos normal sermos simpáticos com estranhos na rua que nunca conhecemos na vida (faço notar que estou a generalizar imensamente, sei bem que isto não é exactamente assim). Fomos ensinados assim e ensinaremos assim. Se o ser humano não fosse um bicho tão complexo isto criaria uma sociedade utópica, quase.

 

Certamente o lado Bom de uma pessoa é o menos complexo. Pouco nos surpreende vermos boa educação no dia-a-dia. Mas isto leva a um problema: o lado Bom de uma pessoa é identificado pela própria pessoa ou ou pelos seus interlocutores? É uma pergunta com uma resposta muito subjectiva e que me leva a pensar muito no assunto. Por um lado podemos achar que conseguimos identificar as nossas características sozinhos, perfeitamente conscientes do que somos. Por outro lado, se calhar subconscientemente adquirimos essas características através das interacções que temos com os outros.

 

Um exemplo, para clarificar: Eu posso achar que sou sou simpático de raíz, seja por que razão for. Na verdade pelo facto de me começarem a ter dito que sou simpático tornei-me tal. Ou vice-versa. Não consigo responder ainda qual dos casos será mais correcto...

 

O Bom é a nossa carapaça superficial para lidar com o mundo normal. Tem os seus pontos fortes e fracos. Como ponto forte principal eu identificaria a boa capacidade de interacção com as outras pessoas. Como fraqueza, eu atacaria a sua inconsistência; não conseguirá defender uma posição numa discussão, assimilando sempre a informação tida como certa pela sociedade. Isto normalmente implica que se não se questiona, também não poderá ser muito inteligente, ou livre.

 

Felizmente ou infelizmente, o Mau é o seu perfeito arqui-inimigo. Discutirei isso noutro dia.

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