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Red Headed Stranger

por Rei Bacalhau, em 25.02.18

Recentemente desenvolvi um gosto ligeiro pela música do Willie Nelson.

A sua voz e género musical predilecto embalam-nos enquanto ele nos conta as histórias normalmente trágicas que ocorrem nos fins do mundo rurais da América.

Há uma ocasião para todas as músicas, e hoje em particular estive grande parte do dia em actividades agrícolas amadoras, o que incluiu cortar uma árvore à machadada por falta de meios mais propícios à tarefa. Era uma laranjeira, mas também só tinha uma machadinha, o que no fundo significa que durante umas semanas não terei de ir a ginásio algum (não que eu alguma vez considerasse inscrever-me num ginásio, a ideia no geral parece-me um bocado parva, mas pronto).

Ora, as poucas músicas que já ecoam na minha mente do Willie Nelson fizeram-me companhia ao longo do dia, o que facilitou um bocado a tarefa, pois estive concentrado em tempos mais simples e duros. Ao escrever isto olho para a pele a sair dos calos nas minhas mãos e não posso deixar de pensar nos milhões de mãos que terão sofrido um estado semelhante e muito provavelmente pior ao longo de toda a história da Humanidade. No fundo, somos todos filhos de agricultores, de uma forma ou doutra.

 

Eis então uma música que me acompanhou hoje: conta-nos a história de um temível forasteiro no Velho Oeste atormentado pela morte recente da sua amada. Ele chega a uma cidade no seu garanhão preto, trazendo um outro cavalo consigo que pertencera à sua mulher.

Uma senhora da cidade ao ver o cavalo vazio decidiu roubá-lo, sem ninguém ter tempo de a avisar que tal acção poderia ter consequências muito graves. Assim que ela põe mão no cavalo alheio, o forasteiro alveja-a quase sem pensar, matando-a.

Ela é enterrada ao final do dia, e o forasteiro segue em liberdade, é claro, já que não se pode enforcar um homem por matar uma mulher que lhe está a tentar roubar o cavalo, como a própria letra da música explica.

 

A história não tem nenhuma moral ou significado escondido. É simplesmente isso, uma narrativa de um acontecimento quase banal tendo em conta a ambígua noção de lei no Velho Oeste.

 

Apesar de a música não ter sido escrita por ele (acho que poucas das que ele cantou foram), a interpretação de Willie Nelson da música Red Headed Stranger torna-a bastante agradável, ao contrário da tragédia que narra. Esta música é parte de um álbum com o mesmo nome, que se concentra à volta da história do Forasteiro. Recomendo o álbum todo, especialmente numa próxima viagem longa que façam, por exemplo pelo interior bucólico do nosso país.

Adicionalmente, existe um filme, também com o Willie Nelson (como actor), em torno deste álbum, mas não consegui achar uma maneira de o ver legalmente.

Eis então uma amostra. Red Headed Stranger, cantada por Willie Nelson:

 

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publicado às 20:25


The Sun Goes Down

por Rei Bacalhau, em 18.02.18

Falei há relativamente pouco tempo dos Thin Lizzy e da minha redescoberta desta banda.

Apesar de serem uma banda de rock mais animado, toda a gente sabe que há sempre "aquela" música diferente. No caso dos Thin Lizzy, um bom exemplo seria o tema The Sun Goes Down. O seu tom mais sombrio e ominoso poderia ser interpretado como uma espécie de despedida do Phil Lynott, que viria a falecer poucos anos depois com 36 anos, drogas e tal.

 

The Sun Goes Down, dos Thin Lizzy:

 

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publicado às 23:21


Inominável nº 12

por Rei Bacalhau, em 09.02.18

Eis que sai a edição nº 12 da Revista Inominável, onde desta vez falo muito superficialmente (e com pouca clareza) sobre o processo de criação de um videojogo.

 

Para ler, AQUI.

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publicado às 14:11


Orion

por Rei Bacalhau, em 04.02.18

Um concerto de heavy metal é, no fundo, uma má ideia, se pensarmos bem na coisa.

 

Digo isto na sequência do concerto recente que os Metallica deram cá na Quinta-Feira. Eu não queria realmente ir, mas ofereceram-me o bilhete e não tive possibilidade de dizer "não". Então lá fui.

Não era a primeira vez que ia a um concerto deles, portanto já sabia o que esperar. Notem desde já, nada tenho contra os Metallica, antes pelo contrário. Posso com confiança dizer que aprecio várias músicas deles, apesar de não estar familiarizado com os álbuns mais recentes. Tenho é algo contra todo o espírito que está por detrás de um concerto destes.

O meu bilhete era para a plateia em pé, já agora, o que só aumentou a minha reticência em ir (mas pronto 80€ são 80€). Passarei a explicar o problema.

 

Por alguma razão estes concertos atraem um género de indivíduos que não compreende o conceito de "espaço público" (como quem diz, espaço partilhado por outras pessoas), e muito menos compreendem o conceito de "ir a um espectáculo para apreciar o espectáculo e não arruiná-lo para os outros".

Começo com o problema mais evidente, que também aconteceria se estivesse descansadinho nas bancadas: o pessoal aproveita este tipo de eventos como um "Dia Nacional do Fumador" e toda a gente acha uma ideia fenomenal fumar para cima dos outros num espaço que, apesar de amplo, continua a ser fechado. Fumar por si só já me parece uma actividade intrisecamente estúpida, mas é tolerável enquanto não prejudicar outros. Agora... quando isso não acontece... 

Voltemos para o espaço horrendo conhecido como plateia. É um local que fica absolutamente inundado de cerveja e vómito mesmo antes de o concerto começar e torna a locomoção quase divertidamente difícil, pois temos de fazer um esforço adicional para arrancar o pé do lodo peganhento que se instalou entretanto. Adicionalmente, tendo em conta a pobre capacidade de coordenação motora média de um metaleiro, é bastante provável que uma boa parte de qualquer cerveja entornada não chegue ao chão, mas sim ao vestuário de pobres inocentes ali à volta (ou mesmo dos que estão longe; há quem atire copos de cerveja meio cheios numa direcção aleatória, só porque sim).

Quando o concerto em si começa, certas músicas mais queridas da população local exortam-na a formar pequenos conglomerados para realizar uma dança tribal chamada "moche". Estes moches são uma forma estranha de dançar em que alguns indivíduos, ou às vezes dezenas deles, começam a saltar uns contra os outros freneticamente, sem qualquer tipo de relação rítmica com o que a banda está a tocar. Desta vez tive azar que um destes moches se tivesse formado ao pé de mim e tive de empurrar de vez em quando um ou outro jovem em rota de colisão comigo. No entanto, nem tudo foi mau, pois quando eles se cansaram a área manteve-se relativamente vazia e tive uma muito melhor visão para o palco. Uma senhora que estava à minha frente não conhecia o conceito, provavelmente, pois quando levou com um dos ganzados em cima empurrou-o e deu-lhe um valente pontapé. A reacção estupefacta dele foi genuinamente hilariante, pois ele não tinha percebido até aquela altura que existiam outras pessoas ali à volta que não conheciam as regras implícitas dos concertos de metal.

 

"Então, mas não percebo. Então mas 'tás a dizer que um concerto de heavy metal é má ideia por causa das pessoas que lá vão? É que quase tudo o que descreves aqui acontece noutros espectáculos de géneros musicais diferentes!", pensam vocês, e bem, mas talvez um bocado apressadamente.

 

Um outro problema que detecto em concertos mais pesados é que nem sempre dá para se ouvir o que o vocalista está a dizer. A banda que abriu para os Metallica, por exemplo, tinha um daqueles vocalistas que anda aos berros e não se percebia patavina do que ele andava a dizer, especialmente sob os sons instrumentais. Quando os Metallica começaram a tocar, notei que o mesmo acontecia com as músicas que eu não conhecia, ou seja, eu só conseguia companhar liricamente as músicas se o meu conhecimento prévio conseguisse tapar as lacunas que não conseguia ouvir. 

Ora, isto é absolutamente horrível para os ouvintes (não necessariamente fãs) que lá estivessem arrastados por familiares ou amigos, pois é bastante provável que todas as músicas dos Metallica fossem exactamente iguais umas às outras para eles.

Concluindo, um concerto de heavy metal só começa a valer a pena se conhecermos mais ou menos bem a banda. 

 

"Ah, mas num concerto nem sempre interessa o que eles andam para lá a cantar!", argumentam vocês, furiosamente.

Pronto, não quero ofender. Se cantar não vos interessa, tomem lá com a Orion, dos Metallica:

 

 

(ironicamente a música que eles menos tocam ao vivo; uma veniazinha ao Cliff Burton)

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publicado às 19:26



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