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A Quarta Batalha de Ypres (La Lys)

por Rei Bacalhau, em 09.04.18

Sou fã de um canal do Youtube chamado "The Great War", e poderão imaginar que fala da maior guerra de sempre, a Segunda Guerra Mundial.

Mas não.

 

Fala da Primeira Guerra Mundial, que na altura era conhecida mais por "A Grande Guerra" (para ser justo, foi a maior guerra até aquela altura, portanto, percebe-se; aliás, se quisessemos ser pedantes, até poderia argumentar que a Primeira Guerra Mundial não foi a primeira guerra mundial, tendo em conta a Guerra dos Sete Anos, mas pronto).

 

Eu não posso dizer que seja altamente conhecedor de História, mas este tipo de canais na Internet que substituíram o Canal História em termos de legitimidade educacional acaba por me dar uma melhor noção das causas, consequências, acções, dimensões e factos gerais sobre assuntos bélicos e geo-políticos, mesmo que no fundo esse conhecimento me seja pouco útil na prática.

 

Nós, portugueses, temos tendência a dar uma imensa relevância às nossas acções em assuntos internacionais devido à maldição de mediocridade que obtivemos durante os últimos... 150-200 anos, mais ou menos? Digamos que sim.

 

Dito isso, hoje faz 100 anos que começou a Quarta Batalha de Ypres, como se a terceira não tivesse sido suficiente (os Iron Maiden que o digam). Tipicamente chamamos-lhe a Batalha de La Lys, porque creio que era a zona onde o Corpo Expedicionário Português estava situado. Não quero desrespeitar quem lá lutou, mas esta batalha faz-me confusão, especialmente devido à noção que parecemos ter sobre a nossa intervenção na batalha. Quem ouve às vezes o pessoal a falar fica com a ideia de que os portugueses morreram às dezenas de milhar acumulados em montes de corpos, monumentos grotescos à martirização lusitana que tanto parecemos querer, com o Soldado Milhões a disparar de lá de cima.

Nada disso. O grande sacrifício português foi pouco relevante em termos estratégicos, e a batalha não é particularmente diferente de tantas outras ao longo da guerra em tantos outros teatros de operações. A enormíssima falta de recursos humanos, materiais e organizacionais do CEP não era nada de invulgar. Bastaria olhar para a frente italiana para se encontrarem dois exércitos inteiros a defrontarem-se ao mesmo nível de incompetência geral (e se acham estranho terem havido quatro batalhas em Ypres, recomendo irem ler sobre as Doze Batalhas do Isonzo).

Sim, morreram uns tugas. Sim, uma quantidade relativamente imensa de tugas foram capturados. Sim, foi uma derrota. Mas compreendam que para as outras grandes (e não só) nações que já andavam à porrada há tanto tempo, as nossas perdas são miseravelmente inferiores, e quem estuda História tem tendência a ficar dessensibilizado para os números catastróficos de perdas humanas, e então numa guerra como esta. (para colocarem em perspectiva, estima-se que a Sérvia, um dos catalisadores involuntários da guerra, perdeu um quarto da sua população, um pouco mais de um milhão de pessoas).

 

Sim, La Lys deve ser lembrada e os combatentes nela homenageados. Só gostaria que tivessem em conta que apesar de tudo fomos muito pouco relevantes na guerra, e ainda bem, para melhor ou para pior.

 

Eis um videozinho que explica o que eu quero dizer de maneira mais profissional:

 

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publicado às 15:02



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