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Peacemaker Die

por Rei Bacalhau, em 08.04.18

No passado dia 4 fez 50 anos que o Martin Luther King foi assassinado.

 

É evidente que este tipo de datas simbólicas tem de ser aproveitado para fazer referências musicais relevantes.

 

No entanto, antes do momento musical, gostaria de fazer uma pequena reflexão sobre o sonho dele.

Não sei como é nos Estados Unidos ainda nos dias de hoje em termos da relação entre brancos e pretos (e certamente não vou acreditar no que as televisões dizem, isso é sempre perigoso). Gostaria era de falar um bocadinho do que eu observo em Portugal, e quem diz Portugal, diz Lisboa, porque toda a gente sabe que o resto do país só interessa na época dos incêndios.

Eu gosto de pensar que o Martin Luther King visitaria Portugal com agrado, pois ele veria parte do seu sonho concretizado. Eu moro numa zona de grande densidade de descendentes africanos e sempre estive habituado a valorizar mais as minhas amizades com pretos do que com brancos. Acho estranho em ouvir falar de racismo quando estou a andar pela minha cidade e vejo os velhotes a conversar amigavelmente com os pretos, apesar de tipicamente nos quererem levar a acreditar que as populações não se dão bem juntas.

 

Há cerca de um ano, se calhar menos, chegaram novos vizinhos aqui à casa do lado, uma família grande de pretos. Houve um certo sentimento de apreensão por parte de alguns membros da minha casa, e esses receios justificaram-se quando a música aos berros começou as fins de semana. Ora, eu pessoalmente admiro esse aspecto da cultura dos povos nominavelmente africanos (mesmo que nascidos em Portugal, que não é este caso). A minha família constantemente melancólica não consegue sequer conceptualizar o conceito de diversão e assume que as kizombas (ou sejam lá o que for, não sou culto nesse assunto) são postas propositadamente com volume alto para nos chatear.

As pessoas de senso comum sabem que isso não poderia estar mais longe da verdade. Antes pelo contrário, diria eu. Se eu fosse a diferenciar os pretos dos brancos, teria de ser positivamente. Um exemplo simples:

 

A MEO está sempre a chatear-me para eu aderir a um serviço de televisão deles. Não me interessa, nunca me interessou e não vejo que seja provável que me venha a interessar. No entanto, eles telefonam-me persistentemente, apesar de eu algo ironicamente dizer "ah, mas ainda na semana passada disse não". Todos os que me telefonam se identificam com um nome normal de branco e com um sotaque a condizer. Esta semana, contudo, aconteceu algo inédito. Estive ao telefone com um preto com um nome de preto e um sotaque de preto. A oferta era a mesma, e referi que há meros DOIS DIAS me tinham telefonado a dizer o mesmo (isto é absolutamente verdade). A reacção imediata deste santo foi dizer algo como "ah, ok, vou colocar aqui uma nota então para não voltar a ligar".

Nem acreditei, agradeci como nunca agradeci a alguém e assim que desliguei a chamada pensei logo no Denzel Washington a dizer "my nigga".

 

 

Igualmente, voltando um bocadinho atrás, umas conversas amigavéis com os meus vizinhos pretos sensibilizou-os para o respeito pela paz dos outros, e as coisas têm estado excelentes desde então. Há trocas de cumprimentos e até de produtos hortícolas e sinto-me no direito/dever de dar uma festinha nos cachorros deles.

No entanto, não acredito de modo algum que nada disto tenha a ver com a cor da pele.

Sempre achei que o pessoal liga mais ao racismo do que ele merece, e creio que muitas vezes acontece que confundem as acções de alguém de uma cor diferente como algo inerente à cor, e não à pessoa em si (porque pessoas parvas vêm em todos os formatos).

 

 

Para reflectir adicionalmente sobre isto, apresento uma música dos Extreme, que é extremamente violenta na sua letra e igualmente inteligente na utilização de ironia.

 

Peacemaker Die, dos Extreme:

 

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publicado às 00:00


1 comentário

De Maria Araújo a 15.04.2018 às 22:19

"Pessoas parvas vêm em todos os fomatos", está tudo dito.

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