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Salisbury

por Rei Bacalhau, em 17.02.19

Eu gosto de músicas grandes.

E gosto de tanques.

 

A vossa pergunta será, "como é que num raio é que ele irá associar estes dois conceitos tão aparentemente díspares?". Compreendo a pergunta, e admito que não me é muito fácil misturar os dois, mas cá me arranjarei.

 

Eu gosto de tanques não pela função que têm de desempenhar nas piores das possibilidades, mas por toda a técnica, engenharia, experiência e história necessária para a criação de um, sendo que todos os pormenores são importantes para o bom funcionamento de um no campo de batalha.

Ao longo da história os engenheiros e técnicos de várias nações tiveram de resolver problemas e criar inovações para chegar a um determinado objectivo para um modelo de um tanque. Pode fazer-se um tanque que seja impenetrável por todo o tipo de munições, mas isso aumenta-lhe o peso o que implica que têm de ter motores extremamente poderosos e gulosos, o que pode meter uma adicional preocupação logística numa nação que tenha poucos recursos. Para além disso, as pontes que o tanque irá usar provavelmente não aguentarão um tanque de 50 ou 60 toneladas, portanto alguns até têm de ser construídos de modo a atravessarem rios "a nado" em vez de se arriscarem numa ponte (usavam/usam uma espécie de máscara de mergulho, ou snorkel).

eis o que me parece ser um Tiger (PzKpfw VI) com um snorkel

 

Felizmente, como em tudo, existem fontes de informação convenientes para o leigo comum neste tipo de assuntos. O Museu de Tanques de Bovington tem um canal no Youtube chamado, muito apropriadamente, The Tank Museum, onde fazem vídeos sobre os variados tanques em exposição e os que estão em armazém, maioritariamente britânicos.

É possível aprender muito sobre história e psicologia com as experiências às vezes parvas que o pessoal na altura tinha. Digo psicologia porque muitos dos tanques apresentados vêm do desejo de indivíduos de meterem à força uma ideia qualquer em prática, mesmo que à partida pareça, à falta de melhor palavra, estúpida.

No entanto, uma das maiores atracções do museu não é um tanque, mas sim um humano. No canal do Youtube costuma aparecer um senhor já velhote chamado David Fletcher, e é especialista em duas coisas: tanques e comentários sarcásticos à britânica. Ele tem um aspecto desde já bastante característico (com um bigode que lhe tapa completamente a boca, o que lhe dá um ar bastante cómico), mas qualquer fã terá o maior respeito pelo senhor já que ele consegue manter-nos presos à história do tanque com o seu aspecto ligeiramente louco e o constante sardonismo.

Há quem o chame, e eu concordo, o David Attenborough dos tanques.

Eis o certamente afável David Fletcher, com um video exemplar da sua personalidade:

 

 

Voltemos ao início, o que é que num raio é que isto tem a ver com músicas grandes? Bom... nada. Ou não ainda.

No início dos anos 70, a época de ouro do rock progressivo/sinfónico os Uriah Heep lançaram o álbum Salisbury, cujo tema epónimo tem a duração de uns 16 minutos. Ora, Salisbury, tanto quanto sei, é o local na Inglaterra usado pelo exército para fazer exercícios e tal. Por alguma razão, a capa do álbum tem um tanque Chieftain em grande plano, rodeado de fumo. Contudo, a música em si não tem absolutamente nada a ver com nada disto, o que me deixa a perguntar que drogas teriam eles tomado quando tomaram essa decisão.

 

Eu por mim não me importo. Pelo menos deu-me um pretexto para falar de tanques! Confesso que é um sonho meu poder guiar um, só mesmo pela descarga de adrenalina e machismo que deve ser. É certo e sabido que todos os homens gostam de máquinas grandes, e quanto mais poluidoras melhor.

Eis então um outro vídeo do museu, a falar do tanque anteriormente referido, desta vez apresentado por David Willey:

 

E finalmente, para acabar, o épico tema Salisbury, dos Uriah Heep:

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publicado às 23:59


It's Only Love Doing Its Thing

por Rei Bacalhau, em 10.02.19

Ah sim... o Amor.

 

Estive a verificar e há já muito muito tempo que não escrevo aqui sobre este assunto, do Amor. Neste caso o conjugal ou de teor romântico. Aquele mais relevante na época do dia dos Namorados. Justifico a omissão consciente deste assunto pelo meu crescente compromisso interno de não escrever sobre coisas sobre as quais não sei nada ou muito pouco.

No entanto... estive a pensar.

Não será que a minha distância do assunto me permitiria falar pelo menos um bocadinho sobre Amor? A verdade é que um mero observador consegue mesmo assim aprender muito através da grande quantidade de experiências alheias a que está exposto no dia-a-dia. E não estou a falar de observação de comédias românticas de Hollywood ou novelas de argumento medíocre da TVI. Estou sim a falar de experiências reais e humanas que noto imparcialmente nas vidas dos outros.

Desde o simples e nervoso agarrar de mãos de um casal recente de adolescentes à discussão mesquinha entre um casal mais experiente sobre o correcto funcionamento do rádio do carro, percebo que todas as interacções de Amor circulam à volta da (re)descoberta, compreensão e adaptação de um dos cônjuges às parvoíces e idiossincrasias do outro. Bem vistas as coisas, determino que a meu ver é tão simples quanto isso. Suponho que no nosso processo de selecção uma das perguntas subconscientes que nos fazemos é "aprecio suficientemente as qualidades desta pessoa ao ponto de tolerar esta ou aqueloutra mania particularmente irritante dele/dela?", e enquanto a resposta for "sim", a coisa vai andando.

Claro que as qualidades de uma pessoa variarão conforme a percepção de observadores diferentes, e por isso é que parece haver pessoas santas que aguentam com alguém que supostamente deveria ser uma peste e surgem as perguntas no meio de mexericos tais como "não percebo o que é que ele/ela vê naquela pessoa".

"Uau, surpresa, o ser humano é subjectivo e invariavelmente parvo e tal. Grande descoberta.", pensais vós, com alguma razão.

Em minha defesa perante tais factos absurdamente óbvios como os que descrevi acima, devo dizer que estou só a escrever isto como exercício mental. No fundo sei que já quase toda a gente chegou à mesma conclusão, mas gosto de pensar que um dia, um jovem ingénuo encontrará este texto específico e aprenderá com ele uma grande lição e já estará mais bem preparado para quando a altura certa vier não mandar vir tanto com a sua cara metade por causa do rádio. Tudo bem que ela não perceba peva daquilo, mas talvez ela a mexer deseperadamente com os botões a tentar sintonizar a porcaria da M80 seja até divertido para nós, mesmo que ligeiramente irritante (já que o rádio está em modo USB, mas de nada vale tentar explicar isso).

Isso sim é Amor! Obter prazer das pequenas parvoíces e, mais dificilmente, dos grandes defeitos. Saber que mais ninguém no mundo aguentaria aquela pessoa num contexto do dia-a-dia, e vice-versa.

Saber que ambos se pertencem e se completam.

E sim, nisto até estou a incluir as pessoas que levam porrada dos cônjuges. É triste, mas também conta para o que quero dizer. Mas não nos lembremos disso.

 

Resumindo e concluindo, como o grande filósofo uma vez disse: "não sou esperto, mas sei o que é o Amor".

 

Ou pelo menos acho que sim. Mesmo que não saiba, foi engraçado escrever isto, para variar um bocadinho.

 

Aflige-me pensar que existam pessoas por aí a tentar celebrar o dia dos Namorados sem uma banda sonora adequada. Digo que me aflige porque a arte de se fazer uma boa música de amor é algo que se tem vindo a perder (diz o gajo que não ouve música conteporânea e não pode consequentemente ter base argumentantiva para fazer tal afirmação). Apesar de não poder dizer que exista uma fórmula explícita para se conseguir compor um bom tema romântico, identifiquei assim de cabeça dois factores que podem contribuir:

  1. uma boa letra;
  2. Barry White.

Hoje vou escolher a segunda opção. Eis o mestre, a Morsa do Amor, Barry White, com o tema It's Only Love Doing Its Thing, até porque dizem que a natalidade está em baixo. Marcelo, podes telefonar daqui a nove meses a agradecer.

 

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American Pie

por Rei Bacalhau, em 03.02.19

Fez hoje 60 anos que morreu o Buddy Holly num acidente de aviação. Quer dizer, morreram outros dois músicos e ainda outras pessoas, mas o Buddy Holly é que interessava, porque era a super-estrela do momento.

Pessoalmente, o estilo musical do homem não é bem a minha cena, e só há uns anos é que percebi porque é que ele era tão importante. Não é que ele fosse um músico por aí além (ele morreu com 22 anos, o que não é tempo suficiente para se ser bom em seja o que for), mas os especialistas dizem que ele colocou as primeiras lajes sobre as quais a geração contemporânea pôde construir imediatamente a seguir uma nova direcção musical.

Para poucos a morte do Buddy Holly terá sido tão marcante como para um rapaz dos seus 15 anos, chamado Don McLean, que seria provavelmente um fã tão grande como qualquer outro do falecido artista.

Este rapaz foi crescendo e ao longo da década de 60 foi vendo e aprendendo as mudanças na indústria e nos artistas que a compunham, tanto para o melhor como o pior. Em 1971, provavelmente frustrado ao ver o que a música se havia tornado ao longo do tempo, de algo puro e entretenedor para algo globalmente e brutalmente comercial e activista, escreveu a sua magnum opus, American Pie, cheia de metáforas, eufemismos e simbolismos, imortalizando o dia de hoje como o dia em que a música morreu (há 60 anos).

Repito, não é que o Buddy Holly fosse um artista por aí além, mas o impacto que a morte dele teve permitiu uma geração inteira ir em direcções semelhantes e permitiu a uma só pessoa escrever uma epopeia que implicou que ele nunca mais teria de trabalhar na vida se quisesse, como o próprio Don McLean afirmou.

 

É das músicas a que faço mais referência neste blog por ter um tamanho simbolismo e relevância para mim, por achar que eu também penso que o melhor da Música já passou, apesar ser um pensamento completamente errado. Uma falsa perda de inocência, ou pelo menos mais falsa do que a música invoca.

 

Mais uma vez, Don McLean, com American Pie:

 

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publicado às 23:45


Under The Blade

por Rei Bacalhau, em 13.01.19

Acho que a única altura em que falei dos Twisted Sister por aqui terá sido pela altura do Natal, tendo em conta o excelente álbum heavy metal de músicas de Natal que eles fizeram.

No entanto, supus recentemente que se calhar eles mereciam que eu os ouvisse adequadamente e foi precisamente isso que fiz.

Uma música que me chamou a atenção chama-se Under the Blade e discute o medo de operações cirúrgicas. Esta música entretanto deu que falar porque certas pessoas "importantes" (nomeadamente a mulher do Al Gore) interpretaram a letra da música como relatando algum tipo de actividade sado-masoquista, e isso era chocante e tal.

Não consigo imaginar o que aconteceria se a mesma senhora ouvisse uma música do Quim Barreiros.

 

Tentando então desviar-me um bocadinho das músicas mais universalmente conhecidas deles, eis Under The Blade, dos Twisted Sister:

 

https://youtu.be/h99GieQqhUU (o editor dos Blogs do Sapo está a armar-se em parvo e não me deixa meter aqui o vídeo; depois corrigirei quando ele me deixar)

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I Ran

por Rei Bacalhau, em 06.01.19

Apesar de a apelidada música dos anos 80 não ser bem a minha cena, já que prefiro a década anterior a essa, há uns tempos o Youtube decidiu sugerir-me um vídeo recente da banda Flock of Seagulls, cujo única música realmente conhecida é a I Ran (So Far Away):

 

 

Escusado será dizer que a qualidade do videoclipe deixa algo a desejar, mas temos de ter em conta que naquela altura os orçamentos para a produção de um videoclipe de música ainda não rivalizava com o PIB de um pequeno país africano. De certa forma existe um certo charme em conseguirmos ver a câmara de filmar reflectida nos painéis de fundo.

O tema será conhecido por vários motivos por gente diferente: há o grupo de pessoas que a conhece porque simplesmente viveu na década de 80 (que tecnicamente é o meu caso, mas não de forma consciente, diria eu); existem as pessoas que talvez a tenham ouvido na M80 quando esta ainda passava músicas desta época e finalmente existem os totós que a conhecem por terem jogado Grand Theft Auto (GTA): Vice City (o videojogo tinha variadas estações de rádio e uma delas andava à volta do new wave e tal).

É evidente que eu era um desses totós.

 

 

Voltemos ao início: estava então a dizer que o Youtube sugeriu-me um vídeo recente desta banda. O vídeo consiste nos quatro membros originais da banda reunidos de novo para ensinar as massas em como tocar correctamente a música de princípio ao fim. Naturalmente, o que me impressionou é que nos anos 80 ainda existiam artistas que realmente tocavam instrumentos e conseguiam com eles fazer efeitos manhosos e especiais que tipicamente associamos à electrónica. O tal vídeo diz, por exemplo, que o guitarrista usou (e usa) um penny inglês em vez de uma palheta normal, talvez para dar um som mais xpto, mas disso percebo pouco, portanto não sei.

E daí, se calhar estou a ser injusto, porque há outras bandas que caracterizaram os anos 80 que realmente sabiam tocar música. Vêm-me à cabeça os Toto, que aprecio bastante. Se calhar por ser totó, como referi.

Ainda sobre os Flock of Seagulls, estive a dar um espreitadela entretanto à discografia deles e vejo ali algumas possíveis influências da era do rock espacial, tanto liricamente como instrumentalmente (estou a pensar principalmente em Pink Floyd, obviamente, mas houve outros artistas que tiveram um ou outro tema nessa direcção... David Bowey, os Queen, os Uriah Heep, a malta do rock progressivo em geral, etc.). Bem vistas as coisas, se calhar até merecem um bocadinho de respeito, mesmo que não tenha ficado particularmente impressionado com as músicas deles (não se tem de gostar de tudo, não é verdade?).

 

Eis então, A Flock of Seagulls, já gordos, flácidos e no geral "veteranos", com I Ran (So Far Away):

 

 

P.S.: pontos bónus: o nome da banda foi aparentemente parcialmente influenciado pelo Fernão Capelo Gaivota.

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publicado às 00:42


A New Day Yesterday

por Rei Bacalhau, em 30.12.18

No final do ano passado desafiei-me a reformar-me, não no sentido de deixar de trabalhar (ainda me faltam uns anos para isso, mas os brancos já aí estão), mas no sentido de me refazer como pessoa e tentar melhorar-me segundo alguns princípios e directrizes maioritariamente arbitrários.

 

A que conclusão cheguei, então? Que balanço faço da Grande Reforma?

 

Bom, para já relato que consegui atingir alguns pontos, mas no fundo não tive pachorra para cumprir o que me propus religiosamente. Inicialmente tentei várias coisas diferentes, mas muitas vezes parecia-me não estar a tirar prazer delas, ou não tanto como eu pensava que deveria. No entanto, adaptei-me  e tentei outras coisas (que devem permanecer ainda segredo, peço desculpa) e finalmente estava a fazer algo de produtivo com o meu tempo. Não era o que eu tinha em mente há um ano, mas deu para me melhorar como pessoa, e isso foi-me suficiente.

Contudo, apesar do tom relativamente pessimista acima, devo dizer que considero a minha Reforma um sucesso, pelo menos conceptualmente, se bem que não totalmente por mérito meu.

 

Aprendi muito sobre mim, e foi esse o meu sucesso. Sim, ainda não sei cozinhar, ou andar de bicicleta, ou validar a porcaria das facturas online, mas através de vários eventos que ocorreram nos últimos trezentos e tal dias passei a conhecer-me e a compreender-me muito mais bem, e isso é algo bem mais valioso do que saber cozer vegetais ou lá o que é.

 

Suponho que a grande razão pela qual eu achei necessidade de me tentar reformar foi a que eu sentia um certo "vazio", que, apesar de ser uma expressão dramática que perdeu o seu significado através da sua utilização excessiva em conteúdos culturais, caracterizava convenientemente o que eu sentia desde há muito tempo.

 

"Vazio."

 

E no entanto, aparentemente não deveria ter razão para isso. Tenho família, tenho amigos, tenho saúde, tenho estabilidade relativa na minha vida e sempre tive. Que mais posso pedir?

Estaria à procura de realização profissional? Acho que não. Felizmente sempre me dei ao luxo de procurar e arranjar o emprego que quero mesmo que as condições monetárias não fossem as melhores. Outrossim, sobrevivo com pouco dinheiro, portanto não preciso de um emprego que pague extremamente bem para me sentir realizado. Não seria isso que me preencheria o vazio.

Ah, já sei, estaria à procura de uma companheira, talvez? Alguém a quem pudesse pedir um belo de um cafuné depois de um dia longo? Acho que não. Quer dizer, há uns anos teria pensado nisso seriamente, mas creio que quando me propus fazer a Reforma não tinha isso em mente. Sempre fui um bocado cínico em assuntos românticos, com excepção de uma ou outra vez em que fui devidamente mordido por um bicho qualquer e me esqueci do meu celibato deliberado. Nunca tendo tido uma, sei no entanto que uma relação com outrem é extremamente difícil de manter e já há muito que me convenci não deveria ser algo a almejar, sob risco de dar em doido. Seja como for, uma companheira, seja em que termos for, é apenas mais uma pessoa no nosso círculo pessoal. Não seria certamente ela a preencher o vazio.

Restam poucas alternativas. Tenho tudo o que quero e não tenho aquilo que não preciso. Então não deveria haver vazio! Mas havia. É um paradoxo estranho, o que quer dizer que o problema estava em mim. Era EU o problema, intrinsecamente. Era EU que tinha de mudar. Mas é evidente! Eu nunca gostei de mim, portanto tenho de me melhorar e descobrir coisas novas para fazer para aprender a gostar de mim próprio.

Foi mais ou menos daqui que deve ter nascido o desejo de uma Reforma pessoal. Eu nunca tive estes pensamentos explicitamente, mas deviam andar pela minha cabeça confusa subconscientemente.

 

Contudo, e estranhamente, sempre que ao longo deste ano me tentei melhorar sentia que algo não estava certo. Que estava a investir energias e esforços incorrectamente.

 

Ora bem, posso afirmar que depois de um ano continuo a não gostar de mim próprio. Repudio-me ainda com todas as minhas forças e detestar-me-ei para todo o sempre. Calma! Eu percebo que possa parecer uma adolescente deprimida, mas na verdade estou contente em odiar-me. É uma coisa boa! Porque agora posso finalmente admiti-lo perante mim próprio e tirar este peso de cima de mim que me sobrecarrega há décadas. Não faz mal que eu não goste de mim próprio, pois posso transformar o que durante tanto tempo foi energia negativa em algo positivo, e felizmente este ano foi-me dada a oportunidade perfeita de melhorar a vida de outros directamente através do meu tempo e esforço.

 

Como um ou outro texto poderão ter dado a entender, estou agora a dar aulas na instituição que me formou e posso agora usar todo o meu ser a preparar miúdos e graúdos para que evitem certas ingenuidades da minha área profissional. Era o que eu precisava. Já não me sinto vazio. Antes pelo contrário: não tenho mãos a medir com tanta coisa que tenho de fazer, não para o meu melhoramento, mas para o dos outros.

E suponho que no fundo... isso também me melhora? Não sei.

Sei que pela primeira vez em muito tempo me aproximo do que posso considerar felicidade pessoal. Sim, com altos e baixos, certamente, como sempre, mas com uma base onde me possa agarrar quando tropeço.

 

Dou a Reforma por terminada. Ela deu-me exactamente o que eu queria. Como eu disse, não tive total mérito na "sorte" que tive, mas pelo menos estava com a mente aberta para a lição que ia aprender e que tentei explicar aqui. Dito isso, ainda há muitas coisas que tenho de fazer e que efectivamente gostaria de aprender, mas agora tenho o estado de espírito para que um dia, quando for propício, possa finalmente cozinhar e essas tretas todas. Vou tentar aproveitar o simbolismo das passagens de ano vindouras para me relembrar que ainda tenho de aprender a fazer X ou Y.

 

Falando nisso, vamos à música. Hoje escolhi um tema do início da carreira dos Jethro Tull que tem um título bastante adequado a este texto e a esta altura (apesar de a letra não ter nada a ver, mas quem é que liga a isso, não é verdade?). Se a certa altura o Ian Anderson não começasse a soprar a flauta dele, quase que pensaria que estava a ouvir uma música perdida dos Black Sabbath (falando em termos instrumentais). Suponho que não é de estranhar a semelhança, já que em 1969 as duas bandas tinham estilos muito semelhantes, só divergindo nos anos seguintes.

 

A New Day Yesterday, dos Jethro Tull:

 

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Merry Christmas Everybody

por Rei Bacalhau, em 23.12.18

Sabem, eu costumava "ser contra" o Natal, até quando era católico. Ficava sempre trombudo, por variadas razões (e tipicamente de ano para ano havia sempre uma diferente). No textos que estiverem a ler por estas alturas noutros sítios, se alguém listar uma razão pela qual o Natal é a pior altura do ano podereis apostar que eu próprio já terei pensado assim.

É certo e sabido que tenho tentado terminar a transformação do meu coração para pedra ao longo dos anos, mas parece-me que quando finalmente enrijeço uma parte que me tem andado a chatear, outra parte já solidificada ter-se-á tornado mole outra vez. Não pareço ter os recursos internos suficientes para completar a tarefa de uma vez por todas. Se calhar tenho de começar a tomar suplementos de sais minerais.

Desta vez, sem eu reparar, foi o espírito natalício que se soltou e até tenho adquirido prazer em observar e em fazer vários temas e assuntos desta quadra. Nesse aspecto estou contente que o Natal tenha uma parte não religiosa para que nós meros pagões hereges e blasfemos também possamos entrar no espírito e partilhar todos os sentimentos dignos da época.

Dou por mim a desejar as boas festas e os felizes natais a toda a gente com sincera satisfação. Dou por mim a assobiar melodias de Natal sem querer. Pela primeira vez na vida comprei uma prenda a alguém! 

Aquela última afirmação poderá elucidar-vos sobre a peste que eu era nesta altura antigamente.

 

Da minha parte, para aproveitar este surto de boa disposição, farei o possível para fazer este Natal o mais suportável (ou mesmo agradável) possível para os meus.

 

É não ironicamente então que partilho a música dos Slade, Merry Christmas Everybody:

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publicado às 00:30


Go to the Mirror

por Rei Bacalhau, em 16.12.18

Não gosto de ir a médicos. Como qualquer homem decente, ir a um, seja ele qual for, é admitir um problema, o que é essencialmente o mesmo que admitir uma fraqueza. E toda a gente sabe que homem que é homem não admite fraquezas pois isso reduz o seu estatuto social.

No fundo é preferível ter um ataque cardíaco de macho do que ser considerado maricas por ir ao cardiologista.

No entanto, esta semana cedi e fui ao oftalmologista. Vou começar a usar óculos (aliás, já os tenho), só para trabalhar e tal, que de resto a minha visão é fixe, coloquialmente falando.

 

"Para além de maricas agora é caixa de óculos! Deve ser para ver se consegue ver o dito cujo melhor!", pensais vós todos, certamente.

Tudo bem, gozai à vontade, estais no vosso direito depois de eu me ter rebaixado de forma consciente ao nível de humano mortal (dantes estava naquele patamar ingénuo e superior de ser humano imortal e despreocupado).

Coincidentemente ou não, esta semana ocorreu-me algo... único.

 

Estava no metro em hora de ponta, a ler o meu livrinho quase encostado à porta (em pé, claro). Estava a ler um livro bastante descritivo da Primeira Guerra Mundial e a certa altura comecei a sentir-me mal disposto. Pensei que era devido à natureza bastante invocadora da narrativa, que envolve tripas, membros decepados e doenças de trincheira e então deixei de ler e respirei fundo.

Mas a sensação continuou e de repente começou a invadir-me o corpo inteiro como se fosse algum tipo de ultra vírus instantâneo. Senti-me frio e com formigueiros em todo o lado. Já só me faltavam duas estações para poder sair. Subitamente comecei a sentir-me claustrofóbico e quis sair mesmo uma estação antes da desejada, mas mantive-me hirto, um homem tem de conseguir lidar com isto, essa agora.

A caminho da última estação a estranha sensação já me afectava o corpo inteiro e comecei a bater levemente com o pé no chão e a abrir e a fechar a mão para me conseguir manter consciente. Sei que a certa altura tudo ficou negro e desfocado, mas fiz um último esforço para me manter acordado e não desmaiar no meio do metro. Havia de ser bonito.

Mal abriu a porta agarrei na minha mochila com uma mão meio dormente e saí como se nada fosse, esperando reactivar a circulação sanguínea, o que felizmente consegui fazer depois de subir um ou outro lance de escadas. Depois disso fiquei normal e prossegui o dia como se nada fosse. Contudo, não deixou de ser um aviso para... algo.

A interpretação com que fiquei é que tenho de continuar a evitar médicos! Claramente quando eu vou a um o meu corpo fica a pensar que pode começar a queixar-se! Nem pensar!

 

Misturando os dois temas que falei hoje, veio-me um tema específico à cabeça, pois fala de médicos e de espelhos.

Go to the Mirror, do eterno álbum Tommy, dos The Who:

 

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On the Border

por Rei Bacalhau, em 09.12.18

Finalmente consegui acabar de escrever mais uma aventura do Ventura Lobo, já publicada (aparentemente o último episódio foi publicado há mais de um ano).

 

Eu nem sempre escrevo em silêncio. Se o texto o justificar, poderei colocar uma musicazinha no fundo só para acompanhar, especialmente se for necessário que eu esteja bem disposto para o texto resultar bem (o que no caso do Ventura Lobo tem de ser, porque não posso escrever algo tentativamente humorístico se estiver em baixo).

Fui então à procura de algo que fosse leve de se ouvir e que tivesse uma aura positiva. Andando à pesquisa, veio-me a mente o Al Stewart, artista do qual só conhecia a Year of the Cat e que já havia prometido a mim próprio explorar mais um bocadinho, especialmente depois de ter lido algures que ele tem muitos temas centrados liricamente à volta de assuntos históricos.

Tipicamente quando exploro um artista superficialmente tento encontrar uma compilação para ficar com uma noção das várias fases/estilos do artista. Fiquei agradado com a música do Al Stewart no geral e investigarei mais sobre ele (coincidentemente, ele teve álbuns produzidos pelo Alan Parsons, de quem falei por aqui há pouco tempo).

Os anos 70 são mesmo outra coisa.

 

Enfim, uma músicazinha alegre centrada no que me parece a guerra civil espanhola ou a ditadura do Franco, algo por aí.

 

On the Border, de Al Stewart:

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publicado às 22:07


Lucifer

por Rei Bacalhau, em 18.11.18

Ando a explorar novas bandas à procura de conteúdo novo. Claro que já se sabe que por novas bandas não quero dizer bandas dos tempos recentes, mas sim bandas dentro do meu espaço cronológico musical preferido que eu nunca tenha ouvido.

Lançado-me feito parvo à aventura, fiz algo que não costumo fazer: fui ao Wikipédia. Tipicamente encontro temas/bandas "novos" mais naturalmente, ou porque ouvi ali ou acolá ou porque me recomendaram. Hoje, no entanto, fui a uma lista alfabética de bandas de rock progressivo e comecei a explorar.

Começando pelo "A", chamou-me logo à atenção o Alan Parsons Project. É evidente que já tinha ouvido falar mas realmente nunca tinha ouvido minimamente.

Gostei do conceito do tal "projecto". Aparentemente o Alan Parsons olhava para a música como um realizador de cinema olha para um filme. Ele não precisava de participar directamente na instrumentação ou vocalmente para poder mesmo assim direccionar a música conforme o que ele queria.

Resumidamente, era um realizador de música, o que parece um título ufano o suficiente para ser atraente como conceito artístico.

Posso dizer que gostei de vários temas dos que ouvi e é sem grande justificação que escolherei um para partilhar hoje. Para mim, esta partilha é suficiente para reconhecer o mérito de tal iniciativa.

Eis então o tema Lucifer, parte do álbum Eve, que supostamente é algum tipo de homenagem às mulheres no geral (não o ouvi todo, portanto não sei). O nome do tema advém do facto de querem introduzir alguns elementos misóginos ao álbum para reflectir sobre os homens são tipicamente mauzinhos.

Talvez venha buscar outro tema a este álbum quando for dia da mulher (se eu soubesse quando é... lembrem-se que eu sou homem e sou suposto menosprezar as mulheres e tal).

 

Lucifer, do Alan Parsons Project:

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publicado às 21:00



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