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Go to the Mirror

por Rei Bacalhau, em 16.12.18

Não gosto de ir a médicos. Como qualquer homem decente, ir a um, seja ele qual for, é admitir um problema, o que é essencialmente o mesmo que admitir uma fraqueza. E toda a gente sabe que homem que é homem não admite fraquezas pois isso reduz o seu estatuto social.

No fundo é preferível ter um ataque cardíaco de macho do que ser considerado maricas por ir ao cardiologista.

No entanto, esta semana cedi e fui ao oftalmologista. Vou começar a usar óculos (aliás, já os tenho), só para trabalhar e tal, que de resto a minha visão é fixe, coloquialmente falando.

 

"Para além de maricas agora é caixa de óculos! Deve ser para ver se consegue ver o dito cujo melhor!", pensais vós todos, certamente.

Tudo bem, gozai à vontade, estais no vosso direito depois de eu me ter rebaixado de forma consciente ao nível de humano mortal (dantes estava naquele patamar ingénuo e superior de ser humano imortal e despreocupado).

Coincidentemente ou não, esta semana ocorreu-me algo... único.

 

Estava no metro em hora de ponta, a ler o meu livrinho quase encostado à porta (em pé, claro). Estava a ler um livro bastante descritivo da Primeira Guerra Mundial e a certa altura comecei a sentir-me mal disposto. Pensei que era devido à natureza bastante invocadora da narrativa, que envolve tripas, membros decepados e doenças de trincheira e então deixei de ler e respirei fundo.

Mas a sensação continuou e de repente começou a invadir-me o corpo inteiro como se fosse algum tipo de ultra vírus instantâneo. Senti-me frio e com formigueiros em todo o lado. Já só me faltavam duas estações para poder sair. Subitamente comecei a sentir-me claustrofóbico e quis sair mesmo uma estação antes da desejada, mas mantive-me hirto, um homem tem de conseguir lidar com isto, essa agora.

A caminho da última estação a estranha sensação já me afectava o corpo inteiro e comecei a bater levemente com o pé no chão e a abrir e a fechar a mão para me conseguir manter consciente. Sei que a certa altura tudo ficou negro e desfocado, mas fiz um último esforço para me manter acordado e não desmaiar no meio do metro. Havia de ser bonito.

Mal abriu a porta agarrei na minha mochila com uma mão meio dormente e saí como se nada fosse, esperando reactivar a circulação sanguínea, o que felizmente consegui fazer depois de subir um ou outro lance de escadas. Depois disso fiquei normal e prossegui o dia como se nada fosse. Contudo, não deixou de ser um aviso para... algo.

A interpretação com que fiquei é que tenho de continuar a evitar médicos! Claramente quando eu vou a um o meu corpo fica a pensar que pode começar a queixar-se! Nem pensar!

 

Misturando os dois temas que falei hoje, veio-me um tema específico à cabeça, pois fala de médicos e de espelhos.

Go to the Mirror, do eterno álbum Tommy, dos The Who:

 

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publicado às 00:00


On the Border

por Rei Bacalhau, em 09.12.18

Finalmente consegui acabar de escrever mais uma aventura do Ventura Lobo, já publicada (aparentemente o último episódio foi publicado há mais de um ano).

 

Eu nem sempre escrevo em silêncio. Se o texto o justificar, poderei colocar uma musicazinha no fundo só para acompanhar, especialmente se for necessário que eu esteja bem disposto para o texto resultar bem (o que no caso do Ventura Lobo tem de ser, porque não posso escrever algo tentativamente humorístico se estiver em baixo).

Fui então à procura de algo que fosse leve de se ouvir e que tivesse uma aura positiva. Andando à pesquisa, veio-me a mente o Al Stewart, artista do qual só conhecia a Year of the Cat e que já havia prometido a mim próprio explorar mais um bocadinho, especialmente depois de ter lido algures que ele tem muitos temas centrados liricamente à volta de assuntos históricos.

Tipicamente quando exploro um artista superficialmente tento encontrar uma compilação para ficar com uma noção das várias fases/estilos do artista. Fiquei agradado com a música do Al Stewart no geral e investigarei mais sobre ele (coincidentemente, ele teve álbuns produzidos pelo Alan Parsons, de quem falei por aqui há pouco tempo).

Os anos 70 são mesmo outra coisa.

 

Enfim, uma músicazinha alegre centrada no que me parece a guerra civil espanhola ou a ditadura do Franco, algo por aí.

 

On the Border, de Al Stewart:

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publicado às 22:07


Lucifer

por Rei Bacalhau, em 18.11.18

Ando a explorar novas bandas à procura de conteúdo novo. Claro que já se sabe que por novas bandas não quero dizer bandas dos tempos recentes, mas sim bandas dentro do meu espaço cronológico musical preferido que eu nunca tenha ouvido.

Lançado-me feito parvo à aventura, fiz algo que não costumo fazer: fui ao Wikipédia. Tipicamente encontro temas/bandas "novos" mais naturalmente, ou porque ouvi ali ou acolá ou porque me recomendaram. Hoje, no entanto, fui a uma lista alfabética de bandas de rock progressivo e comecei a explorar.

Começando pelo "A", chamou-me logo à atenção o Alan Parsons Project. É evidente que já tinha ouvido falar mas realmente nunca tinha ouvido minimamente.

Gostei do conceito do tal "projecto". Aparentemente o Alan Parsons olhava para a música como um realizador de cinema olha para um filme. Ele não precisava de participar directamente na instrumentação ou vocalmente para poder mesmo assim direccionar a música conforme o que ele queria.

Resumidamente, era um realizador de música, o que parece um título ufano o suficiente para ser atraente como conceito artístico.

Posso dizer que gostei de vários temas dos que ouvi e é sem grande justificação que escolherei um para partilhar hoje. Para mim, esta partilha é suficiente para reconhecer o mérito de tal iniciativa.

Eis então o tema Lucifer, parte do álbum Eve, que supostamente é algum tipo de homenagem às mulheres no geral (não o ouvi todo, portanto não sei). O nome do tema advém do facto de querem introduzir alguns elementos misóginos ao álbum para reflectir sobre os homens são tipicamente mauzinhos.

Talvez venha buscar outro tema a este álbum quando for dia da mulher (se eu soubesse quando é... lembrem-se que eu sou homem e sou suposto menosprezar as mulheres e tal).

 

Lucifer, do Alan Parsons Project:

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publicado às 21:00


1

por Rei Bacalhau, em 11.11.18

Há exactamente 100 anos acabou na prática a Primeira Guerra Mundial.

 

Localizados no tempo, podemos dizer que Henry Gunther foi parvo o suficiente para se deixar matar há 30 segundos.

 

E então à décima primeira hora do décimo primeiro dia do décimo primeiro mês entrou em vigor o armistício que acabou as hostilidades da guerra mais sangrenta de sempre até à altura. Já tinham existido outras guerras mundiais anteriormente (vem-me sempre à mente a Guerra dos Sete Anos, em que tivemos uma participação maior), mas esta foi aquela que mais impressão causou às pessoas para realmente ser considerada Mundial, estabelecendo bem e justamente a escala do conflito.

Esta foi uma guerra que juntou dois factores muito perigosos e mortíferos: uma escala imensa de potencial e tecnologia destrutivos e um ror de comandantes de velha guarda obsoletos. Estes comandantes recusaram-se a ver que a natureza dos conflitos bélicos tinha mudado nas poucas décadas que antecederam a Grande Guerra e igualmente recusaram-se a adaptar, enviando em muitos cenários centenas de milhares de homens para matadouros inexplicáveis.

Haig, Foch, Hötzendorf, Falkenhayn, Cadorna, Ludendorf e tantos outros, homens fracos a dirigir gerações inteiras dos seus compatriotas para matanças industrializadas.

 

Consegui seguir os últimos dois anos da Guerra semana a semana através do canal de Youtube The Great War, e aprendi a ter um certo desdém pela classe militar e uma imensa compaixão (mas não necessariamente respeito) pelo pobre e reles magala que tinha de levar com lama e morte todos os dias.

Digo que não tenho respeito pelos soldados porque a mim parece-me que se todos se recusassem a obedecer a ordens (como aconteceu famosamente no exército francês) os comandantes talvez tivessem de pensar no absurdo que era o que estavam a fazer.

Compreendo que o que estou a dizer é profundamente estúpido (por razões mais ou menos óbvias), mas na Primeira Guerra Mundial o que é que não é?

 

Os Metallica têm uma música chamada One que conta a história de um soldado na Primeira Guerra Mundial que foi atingido por uma explosão e perde todos os membros e todos os sentidos e todas as formas de comunicação. Apesar de ser mantido vivo, ele está só no seu mundo.

 

Creio no entanto, que esse tema não faria justiça aos heróis da Grande Guerra, pois fala apenas de um soldado.

E não dos milhões de descartáveis.

 

Disposable Heroes, dos Metallica:

 

 

 

 

 

"This is not a peace. It is an armistice for twenty years"

- Ferdinand Foch, 1919

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publicado às 11:00


I Feel Fantastic

por Rei Bacalhau, em 21.10.18

Ah, não! Esqueci-me de escolher uma música para hoje!

 

Tenho um minuto!

 

Jonathan Coulton, com I Feel Fantastic:

 

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publicado às 23:59


Father O.S.A.

por Rei Bacalhau, em 14.10.18

Eu gosto de músicas grandes.

 

A vantagem do rock progressivo é que sendo um género relativamente menos popular (em comparação com outros, claro), existem várias bandas que de vez em quando ficam esquecidas no tempo e que podem ser redescobertas. Algumas destas são conhecidas pelas suas fases mais "pop", apesar de terem começado como rock progressivo (o caso mais flagrante disto são os Queen). Ainda bem, sinceramente, acho bem que uma banda queira andar a saltar de género em género mantendo sempre uma estilo mais ou menso coerente ou reconhecível.

 

Um outro exemplo deste padrão são os Styx, uma banda com um nome ominoso, mas bastante adequado ao género. Não sei até que ponto eles terão sido conhecidos em Portugal, mas sei que eles têm algumas músicas conhecidas, por exemplo a Mr. Roboto:

 

 

Mas esperem, eu tinha dito que gosto de músicas grandes, e toda a gente sabe que música grande é tudo o que for além dos 6 minutos, no mínimo.

Retrocedamos então no tempo para ouvirmos um tema sobre um frade da Ordem de Santo Agostinho (O.S.A.) bêbado, com um estilo barroco a acompanhar.

 

Father O.S.A., dos Styx:

 

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publicado às 23:00


Inominável nº 16

por Rei Bacalhau, em 07.10.18

Chego um bocado atrasado à festa, mas saiu na sexta-feira uma nova e única edição da Revista Inominável.

Na coluna 2D3D discutirei brevemente as capacidades dos videojogos de poderem conectar pessoas em todo o mundo ou até simplesmente na mesma sala, através de videojogos com suporte a modos multi-jogador.

Creio que a revista tem lá outras coisas sobre outros assuntos. Se forem lá ver e for verdade depois leiam e digam-me se é alguma coisa de jeito (e sim, estou só a tentar enganar as pessoas para que leiam o resto da revista, também merece, não sou egocêntrico, ora essa).

 

Para ler, AQUI ou no blog da revista.

 

Referi que esta edição era única pelo facto de ser a última. Foi sem surpresa (mas com alguma melancolia) que recebi a notícia do fim desta aventura, que acredito que tenha tido todo o mérito e eu verdadeiramente ansiava por ler os artigos dos meus colunistas favoritos, o que quer dizer que empenho por parte de todos não faltava. Contudo, gerir e editar e publicar a revista revelou ser uma tarefa extraordinariamente colossal para uma redação desproporcionadamente pequena e gostaria de congratular as Inomináveis-Mor (como se auto proclamavam) Maria Alfacinha e Ana CB pelo esforço estóico e heróico com que defrontaram os prazos apertados de publicação da revista.

 

Gosto de acreditar que o universo da língua portuguesa ficou só um niquinho mais rico com a existência da revista. Quem sabe, talvez um dia apareçamos no Portugal em Directo.

 

Mas demos música aos sentimentos actuais. Tendo em conta as circunstâncias, parece-me adequado que a música de hoje tenha algo a ver com videojogos. 

A saga de videjogos Metal Gear Solid é famosa por dar uma imensa importância a certos temas musicais em partes criticalmente dramáticas do videjogo (como só os japoneses sabem fazer). É difícil explicar a relevância da música que vou apresentar (e nenhuma saga de videjogos tem um enredo tão rebuscado e complicado como o Metal Gear Solid), mas acreditem que para fãs convictos da série, o momento era de ir às lágrimas (e conhecendo o Hideo Kojima, as lágrimas seriam propositadas para os jogadores humedecerem os olhos para continuarem a jogar).

Como também gosto de dramatismos, utilizarei o mesmo tema, e não se admirem não perceberem nada do que é dito, porque a música é cantada em gaélico, só porque sim.

 

Tudo o que sei é que talvez o melhor ainda esteja para vir.

 

The Best Is Yet To Come, da banda sonora do Metal Gear Solid:

 

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publicado às 21:00


Save Me

por Rei Bacalhau, em 30.09.18

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publicado às 18:00


Body Count

por Rei Bacalhau, em 24.09.18

Da mesma maneira que estou a escrever isto num dia ao lado do habitual, também a música/banda que apresentarei hoje sai um bocadinho do meu padrão musical. E no fundo, se calhar isso é bom. Admito no entanto que só colocarei este tema aqui porque me intrigou, por ser algo que eu não estava nada à espera.

 

Quando pensamos em metaleiros e restante malta de rock pesado pensamos em homens brancos de cabelo longo e suficientemente fabuloso para serem elegíveis para um anúncio de champô.

Certamente não pensamos no seguinte:

 

Body_Count_cover.jpg

 

No início dos anos 90, o rapper Ice-T, em vez de mudar de nome para uma bebida mais decente, decidiu que gostaria de fazer um segundo projecto para além dos seus álbuns de rap, e então ajudou a fundar uma banda de heavy metal com influências um bocadinho de todo o lado: os Body Count.

É-me difícil classificar precisamente o género da banda, mas mistura elementos de rock mais clássico com problemas sociais bem mais recentes (bom, pelo menos no anos 90, se bem que alguns dos assuntos tratados ainda têm relevância presente). Apesar de não conter exactamente rap, certamente ajudou a definir o estilo que muitas bandas dos anos 90 viriam a adoptar (muito notavelmente, parece-me, os Rage Against the Machine, que explodiriam pouco depois da estreia dos Body Count; se é coincidência ou não, não sei).

 

Como eu disse, não é bem a minha cena, especialmente em termos líricos, mas há que ouvir um bocadinho de tudo, não é verdade?

 

Body Count, com a música epónima, do álbum epónimo:

 

 

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publicado às 23:17


Hollywood Swinging

por Rei Bacalhau, em 16.09.18

Se fosse acusado de tal, seria sem problemas que confessaria que o tom deste blog é algo pessimista, falando no geral.

Gostaria, no entanto, de relembrar que eu uso maioritariamente este blog para relatar algo que me esteja a acontecer, normalmente com músicas escolhidas simbolicamente e normalmente sobre um assunto que me pena.

 

No fundo, o que estou a dizer é que eu poderia pôr aqui a discografia inteira dos Pink Floyd e encerrava o assunto.

 

Contudo, ao contrário do que eu próprio estava à espera, para hoje não tenho nada senão pensamentos positivos e felizes, numa junção recente e coincidente de acontecimentos que me trazem alegria. Todos temos estes pequenos momentos separados temporalmente, mas para mim nunca são suficientes para me fazer pensar mais risonhamente. Uma ocasião feliz acaba por ser apenas mais uma braçada desesperada num oceano de amargura e nihilismo, para imediatamente me voltar a afogar.

Felizmente ou infelizmente, como desta vez vieram muitas bençãos ao mesmo tempo, sinto-me acima do nível da água e a respirar em pleno.

Por um dia que seja, não me importo nada de me sentir assim.

 

Celebremos, portanto. Kool & the Gang, com Hollywood Swinging, só mesmo porque não pode haver um estilo de música mais alegre do que o funk. Sem contar com músicas de Natal.

 

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publicado às 23:30



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